Quase estreante no produzir picapes, Volkswagen chega aos sete anos de sua Amarok (foto acima) sem atualizá-la esteticamente, como o fizeram os concorrentes, resumindo novidades com a opção de motor V-6 diesel, 3 litros, potência fixada em 224 cv, torque em 56,1 m·kgf, e reestilo de ordem automobilística no interior. Há característica adicional, o overboost, regulagem eletrônica no Brasil já empregado por picape Mitsubishi, mudança no funcionamento gerando mais 20 cv por pequenos período de tempo quando o acelerador é pressionado a mais de 70% de seu curso.

Empresa abriu livro de inscrições, forma de instigar, garantir vendas, ter o nome em circulação, para entrega em julho. Chamá-lo livro é generosidade publicitária, pois o magro conteúdo relacionará apenas 400 nomes marcando a série de lançamento. Mês anterior irá expô-lo no Salão de Buenos Aires, como Coluna informou. Do tema, os veículos para a América do Sul, produzidos na Argentina, o motor V-6 não será sucessor do atual L-4 2,0, mas apenas opcional nas versões mais elevadas em conteúdo, mantido o básico: cabine dupla, tração nas 4 rodas, câmbio automático. Inicialmente, na pista das novidades, motor V-6 virá em versões superiores, uma apenas V-6 TDI e outra nominada Extreme, ambas com refinamentos aos usuários, revestimento interno em couro, bancos frontais com regulagem elétrica, interconectividade, ambas com tela. Diferença será no exterior, com enfeites típicos de quem não o aplicará em trabalho, como a barra de proteção aplicada na caçamba, logo após a cabine, para minorar danos a eventual capotagem, o “Santo Antônio”, e estribos. Lado extremo da listagem de versões, as destinadas a trabalho, em cabine e decoração simples, motor L-4 2,0 com apenas um turbo e potência detida em 140 cv.

Quanto?

Pelo informado pela VW Argentina, a aplicação do motor V-6 3,0 turbo gerou salto de 25% sobre a versão até então de topo. Tomando como base a similaridade de mercados, repetindo a conta com valores locais, válida a aritmética será em torno de R$ 225.000. Preço o coloca no topo do mercado, acima do Toyota Hilux, líder.

 

 Demon, um Dodge nada discreto

Difícil classificar, mas a meu ver está mais para um cala-boca no mercado norte-americano. Lá o elétrico Tesla SP 1000D se intromete como de grande aceleração, criando nova referência no mercado; as arrancadas dos dragsters integram o universo do país densamente motorizado. Creio mais em bandeira de tecnologia e performance para a FCA, como o fez com os Alfa Romeo 8C, esportivo, performático e de produção reduzida, tipo lenda urbana.

Se é difícil entender o porquê, um pouco de luz se faz a partir do nome de batismo no novo Dodge apresentado no Salão de Nova York: Demon –Demônio. É o tipo de produto cujo ruído de funcionamento alimenta sonhos dos admiradores – em queda – de porcas, parafusos e automóveis. E, ao contrário, é fácil entender o excelente trabalho de mecânica realizado para transformá-lo em carro de dupla aptidão, para rodar quase normalmente e participar de arrancadas sem os medos e os riscos mecânicos dos carros preparados. Para essa aplicação, acionando-se chave no painel para performance máxima, o motor V-8, 6,2 litros, Hemi – indicando câmaras de combustão hemisféricas, consumindo gasolina de corridas, com 100 octanas, produz 840 hp — 851 cv ou 626 kW — capaz de acelerar suas quase 2 toneladas em tempos pouco críveis: 0 a 48 km/h em 1 segundo!; a 96,5 km/h em 2,3 s; chegar a 225 km/h em 9,6 s. Com a mudança da regulagem para utilizar gasolina de posto de serviço, com 95 octanas, como as nacionais, a programação eletrônica se altera, sensor muda os parâmetros da ignição para evitar detonação, a potência cai a 808 hp — 819 cv ou 603 kW. O torque se retrai: 106,5 para 99,1 m·kgf.

Nestes tempos de elétricos e/ou híbridos, sem caminho definido, foi ótimo trabalho de engenharia em mecânica secularmente tradicional, no caso sobre o modelo Challenger em versão Hellcat, até agora o mais bravo dos Dodges, ao produzir então insuperados 707 hp — 717 cv. Mas para cumprir ordens superiores de arrancar potência confiável e resultados mensuráveis, os técnicos da Chrysler focaram no otimizar o motor, transmissão, suspensão, freios. Na carroceria, caso o dono intente alinhá-lo nas provas de arrancada, remoção do banco do passageiro; sistema de som, o emagrece 105 kg ante o Hellcat. Ao fim da dieta ainda marcou 1.941 kg aferidos formalmente pela NHRA –National Hot Rot Association.

O fogo do inferno: 851 cv (Divulgação)

No motor substituiu-se o supercharger, compressor de deslocamento tocado pelo virabrequim, por outro, de capacidade aumentada de 2,4 para 2,7 litros, gerando 14,5 lb/pol² — 0,986 atmosfera ou  1 bar de pressão do ar entrante nos cilindros. E há epicurismo tecnológico: nos momentos de demanda o ar condicionado da cabine muda a direção e sopra diretamente sobre o radiador ar/ar, o intercooler, para aumentar a densidade do ar e consequentemente a da mistura ar-combustível nas câmaras de combustão. Idem, o sistema dito Torque Reserve, fecha a válvula by-pass do compressor para aumentar a pressão do sopro, e avança a ignição do motor. A faixa vermelha dos giros do motor, ao contrário de imaginada redução pró-cautela, foi elevada a 6.400 rpm.

Câmbio automático com 8 marchas à frente, em caso de aplicar o Demon em arrancadas, permite ao piloto, à linha de largada, frear o carro com o pé esquerdo — a maneira correta de conduzir um automático —, e acelerar o motor com o carro imobilizado. O câmbio não sofre pressão interna gerada pelo motor, e apenas quando atinge 2.350 rpm ele se engata e faz o carro arrancar forte, muito forte. O sistema recebeu o nome de TransBrake e permeará a outros produtos da marca.

Bom trabalho de suspensão e pneus Nitto na curiosa medida 315/40R18 em rodas em aro de liga leve em 18”. Amortecedores especiais Bilstein, molas mais macias para, nas arrancadas, deslocar o peso para a traseira, ajudando a dar mais tração. Para-lamas alargados para recebê-los, e no capô a maior tomada de ar da indústria automobilística — insuficiente para resfriar o radiador de ar, e auxiliada por captação no farol esquerdo.

Num olhar ao cenário, trata-se de um dinossauro mecânico à procura de fiéis frequentadores da Paróquia de Nossa Senhora da Santa Octana. Sem preço definido, o Demon será vendido — pelo menos se anuncia — em contadas 3.300 unidades — deveriam ser 6.660 para seguir o entendimento bíblico associando o número 666 ao Diabo —,  e seus proprietários, mandatoriamente, deverão estagiar na Bob Bondurant Racing School para entender um pouco do que fazer, e muito do que não fazer ao seu comando.

Aura de charme se completa com atestado pela NHRA da performance em arrancada e registro de recorde como V-8 mais potente do mundo pelo Guinness.

O Demon trabalhando (Divulgação)

 

Lindoia, a grande festa do antigomobilismo

Terceiro ano sob nova administração, foco correto em promoção de vendas de peças, acessórios e serviço, e o encontro nacional na paulista Águas de Lindoia assume a cara de ser o mais importante do país em seu segmento.

Anteriormente Lindoia, como chamado sinteticamente, buscava assinalar volumosa presença de veículos para utilizar tal número como referência de relevo. Resultado, baixa qualidade média, espraiada distribuição de troféus, desvalorizando os agraciados.

Há três anos a Prefeitura rompeu entendimento com o antigo organizador, e contatou os promotores de evento próximo, encontro de picapes na vizinha Lindoia. Domingos, Mingo, Abonante e seu filho Júnior assumiram o negócio, promoveram entendimentos com expositores, e tomaram o caminho natural de ser uma grande feira de peças, acessórios, serviços e negócios com automóveis. Deixaram o conceito de concorrer com o bienal evento de Araxá, assumindo a óbvia vocação moldada pelos frequentadores.

Complementando criaram um vínculo com antigos pilotos Bird Clemente e Wilson Fittipaldi Jr, organizando palestra e bate-papo, implementam entendimentos com os expositores, e o ponteiro da bússola do negócio se firmou.

Neste ano, de quinta, 20, a domingo 23, as previsões são impactantes: 500 veículos expostos; 700 indo à venda; 450 barracas de expositores de partes, peças e serviços, 80 mil metros quadrados de área expositiva, e a expectativa sólida, porém preocupante, de 500 mil visitantes no período. É o maior fluxo de presença no calendário turístico da cidade, devendo preparar-se para tal quantidade. Há deficiência de vagas de hotel, estacionamento, lugares em restaurantes. A omissão da cidade na melhoria de estrutura não tolda o interesse de Lindoia, um ótimo programa.

Peças e serviços, a vocação assumida de Lindoia (Teresa Gago)

 

Roda-a-Roda

De casa – F-Type, esportivo Jaguar, ganha opção de motor L-4, 2,0 na versão de entrada. Novo engenho é projeto da empresa indiana e se chama Ingenium. Produz 300 cv de potência.

Mais – Outras versões, V-6 3,0 Supercharged (com compressor) faz 340 cv e de topo, V-8 5  litros com compressor gerando 550 e 575 cv são motores Ford. Ingenium utiliza novos conceitos, como o fato de o bloco servir para motores Otto e Diesel.

Desordem – Justiça bolivariana da Venezuela interveio na fábrica da General Motors, em ação tocada por ex-concessionário, demandando indenização milionária por cancelamento de concessão. Dadas condições econômicas do país fábrica está fechada desde final de 2015, apesar da empresa manter salário de trabalhadores. Ação deve bloquear as contas da empresa.

Negócio – Governos da Argentina e Colômbia firmaram acordo de intercâmbio automotor, na prática remessa de veículos 0-km de um país a outro sem incidência de impostos. Colômbia possui fábrica de utilitários Hino/Toyota, GM e Renault, montados com partes da Ásia e Brasil.

… II – Argentina projeta exportar 100 mil veículos nos 4 anos da avença.

Conversas iniciaram há 12 anos, mas a agilidade de seu presidente Mauricio Macri, vindo da iniciativa privada, e o empurrão dado por Donald Trump ameaçando as bases do comércio internacional, aceleraram resultados. Celebrou acordo com o Chile nas mesmas bases.

Aqui – Caminho também pode ser trilhado pelo Brasil, mas a Anfavea, entidade dos industriais dos veículos projeta 60 dias para entendimentos entre governos.

Brinquedo – Brincadeira é negócio sério e grande. Porsche e Microsoft assinaram parceria para seis anos em jogos de corridas, para maior destaque aos automóveis alemães nas séries Forza Motorsport e Forza Horizon no crescente mercado dos eSports.

$$ 1 – FCA, Fiat-Chrysler mudarão os escritórios de comando da Maserati, e criarão espaço ao comando da marca Alfa Romeo em Auburn Hills, 40 km ao norte de Detroit, Michigan, EUA. Antes as operações Fiat funcionaram por décadas em Englewood Cliffs, New Jersey.

Razão – Questões maiores, finanças e produtividade, pois os executivos Maserati e Alfa ficavam longe do comando da FCA, na antiga sede da Chrysler, com gastos de manutenção e deslocamentos.

Cultura 0 – Área é do antigo Walter P. Chrysler Museum, montado por esta marca em homenagem ao seu fundador, agregando exemplares da história, alguns bons representantes de corridas, e o muito atrativo Chrysler Turbine.

Projeto – Museu não era lucrativo e ninguém na empresa quis aplicar fórmula de viabilizá-lo, optando pelo fechamento. FCA quer dinamizar marcas Maserati e Alfa no mandatório mercado americano. Rede de revendedores das marcas é mínima. Maserati tem 20 e 108 franchises; Alfa 9 e 155.

Virtual – Mercedes-Benz inaugurou loja virtual com catálogo on line na seção Acessórios e Collection. Mais de 600 itens exclusivos, incluindo miniaturas, vestuário, acessórios para apreciadores de Mercedes e AMG.

Expansão – Apesar da contração do mercado brasileiro, a grosso modo metade do sul-americano, Volvo Construction Equipment expandiu negócios em 2,2%. Informa empresa, graças a suas duas marcas: Volvo e  a desconhecida SDLG.

Em 2017 intenta lançar novos modelos de caminhões articulados, escavadeiras e vibroacabadoras Volvo e máquinas SDLG.

Para organizar – 3a Câmara Criminal da Justiça, RS, julgando traficante de drogas por estar armado sem porte de arma, absolveu-o da acusação. Considerou o uso necessário para proteger seu negócio. Processo 70057362683.

Futuro – Pelo visto país está a caminho da organização, protegendo os trabalhadores, mesmo sejam traficantes. Próximo passo deve permitir aos cidadãos andar armados para se defender de políticos, funcionários públicos por eles indicados e empreiteiros formando quadrilhas para assaltar o cidadão através do tesouro público.

… II – Quais são as chances do país melhorar?  Mínimas. Atual parlamento nunca votará medidas saneadoras ou protetoras à sociedade, atrapalhando seus negócios. Esperança está nas próximas eleições, sem votar em qualquer um dos citados. A sociedade não precisa de bandido, muito menos com proteção legal.

Simples – Fórmula saneadora partirá de premissa básica de administração: profissionalismo. Para ocupar os cargos de mando, apenas os funcionários de carreira, concursados. Mesmo mantida a fórmula atual, inspirada na administração pirata para dividir o butim dos saques, os danos seriam menores.

Razão – Tendo apenas o posto máximo nos ministérios e órgãos, ministro, presidente de estatais, diretor-geral teriam ações predatórias limitadas, sem levar amigos e correligionários para formar o time — ou quadrilha.

Cliente – Localiza, maior locadora de veículos no país, incorporou à sua frota exemplares do Toyota Prius, híbrido elétrico/Otto. Por enquanto apenas em Rio, São Paulo e Belo Horizonte. É pioneira no oferecimento.

 

Argentina, os bons negócios com Mercedes

Marca alemã voltou a liderar vendas em todos os segmentos de caminhões na Argentina. Empresa tem operação industrial no vizinho país há mais de 60 anos, e hoje é a base sul-americana de produção das vans Sprinter e Vito.

Na prática dos números, no primeiro trimestre a Mercedes vendeu 883 caminhões pesados, e 432 entre médios e leves. Na soma, as 1.315 unidades garantem liderança, sinalizando manutenção deste patamar com vendas crescentes mês a mês. Na divisão de mercado por produto entre as atividades da Mercedes, a operação Brasil se dedica aos caminhões enquanto a Argentina centra na fabricação de vans, realizando trocas. A demanda dos compradores por configuração de produtos é muito assemelhada, permitindo atender os dois maiores mercados sul-americanos com veículos praticamente idênticos. A Mercedes é a maior exportadora de caminhões e ônibus do Brasil.

Em ônibus a supremacia é maior, representando 72,4% das vendas. Em campo inteiramente diverso, a dos automóveis de luxo, Mercedes continua sendo a maior, dominando 37,5% do mercado. Triunfo da Mercedes-Benz Argentina é exponencial: foi maior vendedora de caminhões, de ônibus, de vans e de automóveis.

Bons negócios instigaram a matriz a liberar investimentos reunidos para aumentar a capacidade de produção na Argentina, buscando-se 50% de estrutura para produção e vendas, em especial do novo Sprinter e do Vito.

Mercedes na Argentina, liderança em todos os segmentos (Divulgação Mercedes)

RN

A coluna “De carro por aí” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
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