Topo das versões da nova geração do Honda Civic é dita Touring. Nome sem expressão ao não indicar o significado europeu ligado a viagens, e repete tratamento oferecido a station wagon. É um pacote decorativo e de facilidades eletrônicas agregado em torno do motor de quatro cilindros, 1,5 litro de cilindrada, injeção direta, produzindo 173 cv e 22,4 m·kgf de torque (com álcool). Faz parte da atual moda mecânica de usar motores com menores dimensões e peso, facilitando criar veículos com capots menores e habitáculos mais espaçosos. Não é o caso do atual Civic, projetado para utilizar motor de 2 litros, mas a valer o caminho, influenciará a próxima geração.

A soma de eletrônica, injeção direta e turbo subverte a ordem secular do ganho de torque atrelado à potência. No caso o motorista descobrirá ser a potência, os imaginados cavalos, coisa etérea. Para acelerar vale o torque, medida de engenharia, sem charme, porém positiva, perceptível pelas respostas  ao acelerador. Outro ganho, o turbo, sempre visto como adicional esportivo, pró potência, sempre marcado por um período em branco e respostas sem suavidade, mudou de função. O hiato, dito gap, entre ser demandado em baixas rotações e a resposta, reduziu-se enormemente. Há, mas de presença quase sutil. No geral, funciona muito bem.

 

10ª Geração

Produto marcante pela melhor administração de espaços e bom projeto de estilo. Chama atenções, em especial pela traseira com lanternas em forma de acento circunflexo. E dentro tem instrumentação e comandos racionais, com tela programável para várias funções. Interior agradável na versão de topo, com mescla entre plástico emborrachado, couro ecológico – leia-se plástico. Agradável ao motorista com banco de ajustes facilitados por motores elétricos, demais usuários tem transporte agradável – exceto ao passageiro central do banco traseiro, equipado com cintos de três pontos e apoio de cabeça aos três usuários. Facilidades eletrônicas como o freio de estacionamento; a pequena câmera no espelho retrovisor direito facilita mudar de faixa com segurança. Na versão, câmera de ré.

Luzes em LEDs muito auxiliam muito conduzir no escuro. Nos serviços eletrônicos as tomadas 12 V, USB e HDMI foram colocadas em local de acesso acrobático, exigindo mãos de mágico para utilizá-las. Falha gritante, tornando-se difícil imaginar sua aprovação ao passar de projeto a produto.

 

Andando

Condução agradável, tipo opcional. Pode-se escolher o modo Eco, para redução de consumo, ideal às baixas médias horárias urbanas. Motor de quatro cilindros em linha, construção em alumínio, colocado transversalmente e atracado a câmbio de polias continuamente variáveis, contendo 7 marchas virtuais. Pelo sistema consegue-se ter melhor arrancada, mais velocidade máxima e uma operação econômica, governada pela abundante potência mesmo em baixas rotações.

Direção com assistência elétrica, freios a disco nas quatro rodas, rodas em liga leve, aro de 17 polegadas, e pacote de segurança, almofadas de ar frontais, laterais e de cortina, freios distribuição eletrônica das forças de frenagem, controle de tração e estabilidade, sistema de vetorização de torque e Isofix para fixação de bancos infantis, em todas as versões.

 

Conectividade     

Demanda atual, para alguns superando a mecânica no quesito importância, há bastante conectividade: central multimídia interagindo com smartphones por meio do Apple CarPlay e do Android Auto; telefonia, reprodução de mídias em streaming; aptidão ao uso de aplicativos do aparelho e do próprio sistema, navegador com GPS apto a informações de trânsito e o buscador do Google.

Preço, R$ 124,900. Sem opcionais.

 

O Mito

Honda e Toyota conseguiram construir o mito da resistência e da falta de problemas, tipo lenda urbana, com histórias enfatizando tais dotes, e isto dá-lhes coragem para impor preços desarrazoados, um plus, um delta, um algo mais por serem Honda ou Toyota. Na prática donos de Mitsubishi, Subaru e Suzuki poderão entrar nesta canoa porquanto a qualidade japonesa é consequência, um projeto de sobrevivência ter qualidade para conquistar o mercado americano e, a partir deste, o mundo.

Não vejo razão para, dentre o segmento utilizando motores com configuração assemelhada, o Honda Civic com motor 1,5 e 173 cv, custar em torno de 50 % a mais ante um Citroën C4 Lounge, com motor 1,6 e potência idêntica; e discrepâncias assemelhadas sobre o VW Jetta, 1,4, e Chevrolet Cruze, 1,4 – veja a tabela.

Ao comprador de automóvel com tal valor o mito da resistência e falta de problemas parece ociosidade, pois todos os carros novos tem ótima qualidade e, pensando no usuário este o utilizará por um ou dois anos, período no qual nenhum destes exemplares terá problemas.

Cilindrada  (L) Potência Preço R$ % sobre
Honda Civic Touring 1,5 turbo 173 cv 124.900
Citroën C4 Lounge THP 1,6 turbo 173 cv 69.990 >  78,4
Jetta 1,4 TSI 1,4 turbo 150 cv  93.990  32,8
Chevrolet Cruze LTZ 1,4 turbo 150 cv 101.190  23,4

É de se perguntar, motor turbo (Honda, foto de abertura) permite custar metade mais caro ante concorrente igual?

 

Roda-a-Roda

Futuro – Mercedes-Benz acordou com a Hermes, empresa alemã de logística, substituir os veículos diesel por modelos elétricos Vito e Sprinter em trabalho nas cidades de Hamburgo e Stuttgart. Começa em 2018 e até 2020 projeto é ter 1.500 unidades em operação.

Elétricos mudarão feição das entregas urbanas

Mais um – Jeep deve apresentar no Salão de Xangai, dia 19, novo modelo híbrido plug-in — com recarregador externo — ou conjugação endotérmico-elétrico.

De volta – Qualquer fabricante de veículos sem vendas nos maiores mercados do mundo, China e EUA, arrisca o futuro. Isto instigou italiana Fiat a inesperada assunção da americana Chrysler. E decidiu a volta tática da PSA ao mercado dos EUA — de lá saiu, como Peugeot, cabeça baixa, há 26 anos.

Prazo – Projeto, coisa séria com criação de empresa, a PSA North America, Larry Dominique, engenheiro, 54, ex-GM e ex-Nissan (liderou o desenvolvimento da picape Titan) para vice-presidência. Inicia com locação de veículos entre viajantes. Prevê criar base, divulgação e confiança para exportações da marca daqui a 10 anos.

Projeto – Não é ato isolado, mas do grande projeto salvador da PSA. Mercado prevê passo inicial como recém-lançados DS7 como carros em projeto especial para locação.

Assunto – Quer temas para mostrar intimidade com a indústria e fazer rolar papo interminável? Volkswagen fará picape sobre a plataforma MQB, a do Golf, Jetta e Audi, com medidas superiores às do Saveiro dentro da nova família Polo? Presidente da empresa negou, mas imprensa insiste.

Mais – Outra, sobre a plataforma recém-desenvolvida pela Fiat para o Projeto  6X   — hatch e sedã — FCA fará pequeno jipe, como um novo Fiat Panda? Empresa negou, mas especulação de colunas ditas especializadas corre solta.

Início – Projeto 6X se subdivide em 6XH, hatch, substituto de Bravo, Punto e versões superiores do Palio, a ser produzido em Betim, MG, lançado em junho, e 6XS, sedã para o lugar de Gran Siena e Linea, e construção na Argentina, 2018.

Questão – Empresas aplicam recursos na formação de áreas de comunicação com públicos interno e externo. São a interface para falar com jornalistas e sanar suas dúvidas. A HPE, fabricante dos Mitsubishi, em Catalão, GO, tem área destas.

Descrédito – Semana passada Coluna indagou-a a respeito de cortes de pessoal. Respondeu dizendo ter havido e, a partir de 31 de março apenas desmobilizações pontuais. Consultei fonte externa: naquele mesmo dia da resposta empresa demitira percentual sensível da engenharia e experimentação.

Fonte autora de informações inexatas vai para o freezer.

Acordo – PSA e petroleira Total renovaram acordo de parceria. Peugeots, Citroëns e DSs terão primeiro abastecimento e recomendação de troca com a marca. Entra, também, no copatrocínio da equipe de ralis e corridas.

Vizinho – Petroleira será patrocinadora oficial da Copa Total Argentina, principal torneio de futebol, e contratou Juan Maria Traverso, o Flaco, campeão de automobilismo argentino. Dirigirá Peugeot 408 com produtos Total pelo país e fará palestras sobre segurança ao dirigir. Na Argentina dirige-se tão perigosamente quando no Brasil.

Jogo duro – FPT Industrial, marca FCA a veículos e motores de trabalho, lançou motor diesel V-8, 20.000 cm³, fazendo 910 cv a 1.800 rpm e torque de 418 m·kgf a 1.500 rpm. Mais compacto, leve e econômico ante os V12 usualmente aplicados como geradores, motores para locomotivas, tratores, geradores, barcos.

V20, o diesel V-8 da FPT, quase 1.000 cv de potência (Foto: divulgação)

Exportações – VW mantém-se como maior exportadora de veículos na história do país, superando 3,5M de vendas ao exterior. Exercício passado aumentou envios em 102%, produto da visão de David Powels, atual presidente, focando no exterior para compensar o estreitamento do mercado interno.

Negócio – Marca mudou a operacionalidade, conquistando junto à matriz primazia para vendas continentais, criando vice-presidência, enfocando cada um dos 28 países vizinhos. Em 2017 as vendas externas da marca correspondem a 1/3 de toda a indústria. Líderes Gol, up!, Voyage e Saveiro.

Vitrine – 30 anos do Programa Volvo de Segurança no Trânsito, PVST, maior vitrine institucional da marca de caminhões. Criado pelo jornalista J. Pedro Corrêa, ainda seu consultor, mobilizou sociedade e governo, obteve conquistas.

Apoio – É a ação mais duradoura de mobilização da sociedade e conseguiu mudar a óptica oficial, então tratando desastres como acidentes. Curioso a bancada federal, senadores e deputados pelo Paraná, onde programa começou, não a tenha endossado, tornando-se a bancada da segurança no trânsito.

Pinin – Evolução de entendimentos e serviços, a Pininfarina, antes conhecida pelas linhas de automóveis, aplicará seu talento para fazer versão do barco brasileiro Schaefer 510. Antes o studio já havia produzido interiores para outros modelos. Partido do projeto é esportividade e elegância.

Foguete – Para anotar como piloto de futuro. Aos 16, competindo em Kart Amador, Alberto César Otazú fez pole position, volta mais rápida e venceu prova do Campeonato Clickspeed, e ganhou como prêmio estrear em Fórmula Vee. Carro atrapalhou, com defeitos, mas o importante apareceu: chamou atenções para a carreira densa em construção, sinalizando ter lugar no futuro.

Tecnologia – Um  dos setores com tecnologia de ponta mais aguda, Fórmula 1 adota peças feitas em impressoras 3D. McLaren Honda adotou suporte para linha hidráulica, carregador flexível do rádio, dutos de arrefecimento dos freios em fibra de carbono, aba da asa traseira. Rapidez para desenvolvimento e construção.

Antigos – Quarta edição do Encontro Nacional Alfa Romeo em Caxambu, MG, sugere ser o de maior relevo: a três meses do evento, feriado de Corpus Christi, 15 a 18 de junho, número de inscritos dobrou relativamente à 2a reunião.

Ocasião – Tens Alfa? Gostas da marca? Quer um encontro de camaradagem a custos extremamente contidos? É este.

Gente – Barbara Bono, carioca, publicitária, adequação. OOOO Do Laboratório de Conteúdo e Criação na FCA (Fiat), Betim, transferida a comunicação social, cuidar da mídia digital. Piso instável. OOOO Fabricantes de veículos tentam conviver com a onda que enfrentam, a grosso modo separando os jornalistas entendidos em automóveis e os da mídia digital. OOOO Rubens Ometto, empresário, presidente do Grupo Cosan, associado à Shell, homenagem. OOOO Prêmio LIDE 2017 pelo conjunto da obra. OOOO Amplo leque de setores, mais de 30 mil empregados, lucro superior a 1B em 2016. OOOO

RN

A coluna “De carro por aí” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiasas.
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