Um Gol 1-litro, simples, duas portas, R$ 36.630. Vindo com o imprescindível ar-condicionado, mais R$ 3.010. Como não se vive sem um equipamento de áudio, pede-se o opcional Interatividade “Media”, R$ 920, para se ter rádio AM-FM, Bluetooth, MP3 player, e entradas USB, SD-Card e AUX-In, com tela tátil. E vem junto o prático e removível suporte para celular.

Se o comprador quiser o carro preto (Ninja) ou branco (Cristal), que não têm acréscimo, o preço fecha em R$ 40.560. Querendo o vibrante vermelho Flash, só R$ 439 mais, porém se preferir um cor metálica com o azul Lagoon do carro testado, ou outras três cores metálicas disponíveis, aí já é um pouco mais, R$ 1.436, o cheque terá de ser de R$ 41.996. E se a preferência for por quatro portas,  há esse “opcional” por R$ 2.050, mas só os vidros dianteiros contam com acionamento elétrico um-toque descida e subida, como no duas-portas.

O desenho do 2-portas é elegante e equilibrado

Básico, vem com rodas de aço de 14″ com calotas (de bom gosto e fixadas pelos parafusos de roda); freio com distribuição eletrônica das forças de frenagem (além do obrigatório ABS, como o são as bolsas infláveis dianteiras); alerta de freada forte em que as luzes de freio piscam e ao chegar a 10 km/h o pisca-alerta liga-se automaticamente; direção com assistência hidráulica; travamento elétrico das portas (com travamento automático ao atingir 20 km/h); lavador e limpador do vidro traseiro; painel com velocímetro, conta-giros, medidor de nível de combustível e termômetro do líquido de arrefecimento; refletores no para-choque traseiro; e ajuste de altura do banco do motorista.

Como em todo Gol, o espaço para os ocupantes é mais do que adequado, inclusive no banco traseiro (encosto inteiriço), e o porta-malas acomoda razoáveis 285 litros.

O limpador de para-brisa é indexado à velocidade. Se na frequência mais rápida, quando o veículo para passa à frequência mais lenta; se já estiver nesta, limpador entra em modo intermitente quando o veículo para. Se o limpador estiver ligado, ao engatar ré o limpador do vidro traseiro aciona-se junto.

Num sábado chuvoso com o Obelisco Mausoléu aos Heróis de 32 como pano de fundo para o bom companheiro

Essa é a primeira parte do porquê escrevi no título “um bom companheiro”. Ele traz mais do que se precisa para um dirigir despreocupado e confortável. A segunda parte é ser o Gol em sua essência.

Não há mais o motor EA111 1-litro TEC, de quatro cilindros, no Gol. Aliás, nem no Fox, parou de vez. Agora só o EA211 de 3 cilindros com o mesmo e bom transeixo com câmbio de 5 marchas MQ200, trazido da fábrica da câmbios da VW em Córdoba, Argentina. O pequeno motor MPI de 76/82 cv e 9,7/10,4 m·kgf empurra bem o Gol 2-portas de 901 kg. Com ar-condicionado esse peso deve aumentar para cerca de 920 kg. Portanto, uma adequada relação peso-potência de 12,1/11,2 kg/cv.

O brioso tricilíndrico 1,0 MPI vai muito bem no Gol

O notável no tricilíndrico é a potência que se percebe nas mais baixas rotações, muito mais do que o pico de torque de 3.000 a 3.800 rpm sugere. Mas o que impressiona mesmo é a voracidade para ganhar rotação, como ele chega ao corte limpo a 6.500 sem que se espere. E ao parar num semáforo tem-se impressão que o carro tem desliga/liga, só negado pelo ponteiro do conta-giros em 1.000 rpm. Tanto faz se com gasolina ou álcool. A boa relação r/l 0,27 contribui.

É frugal em combustível. A versão não tem computador de bordo e não aferi o consumo  em litros colocados x distância percorrida, mas a percepção é que consome pouco. Fui com ele a Águas de Lindoia anteontem para o Encontro de Autos Antigos e ponteiro do medidor moveu-se lentamente (estava com álcool). Pelo Inmetro/PBVE esse Gol roda a 12,9/8,8 km/l na cidade e 14,5/10,3 km/l na estrada.

A v/1000 em 5ª é 30,2 km/h, 120 km/h a praticamente 4.000 rpm (3.970 rpm), mas o motor é tão absurdamente suave que não causa o menor incômodo. Nem a 140 km/h, quando está a 4.600 rpm. Os pneus são Pirelli P1, de baixo atrito de rolamento, de perfil “gigantesco” para os dias de hoje; 175/70R14T, para velocidade de até 190 km/h, folgado para a máxima de 168/170 km/h.

Essa seção transversal é plenamente adequada para o porte e potência desta versão. Curvas podem ser tomadas com vigor, mínima saída de frente e, acima de tudo, tem alta resistência à aquaplanagem: na volta de Águas de Lindoia peguei uma chuva torrencial na rodovia dos Bandeirantes como poucas já enfrentei, sem precisar diminuir o ritmo. É o mesmo pneu e roda como estepe, algo que aprecio, com o leitor ou leitora sabe.

Como sabe também que aprecio carrocerias de quatro portas, mas neste o espaço entre banco e vão da porta é suficiente para a passagem dos pés sem precisar recorrer a mecanismo de avanço dos bancos. Apenas os vidros traseiros poderiam ser basculantes (são fixos). Mas mesmo sendo duas-portas o cinto, que tem ajuste de altura de ancoragem, é alcançado sem grande contorcionismo.

Elegante calota e que não obstrui os furos de ventilação da roda de aço; pneus de perfil 70, cada vez menos usados pela indústria

O rodar deste “basicão” é perfeito, nada de dureza de suspensão (McPherson-eixo de torção) que cause desconforto no “piso lunar” de São Paulo (o próprio novo prefeito admitiu-o num recente “Roda Viva” da TV Cultura), associado a uma notável ausência de ruído de trabalho da suspensão. O monobloco denota alta rigidez. A assistência de direção, embora a “arcaica” hidráulica, nada deve à elétrica qualquer que seja o aspecto. E os dois traços “Wolfsburg”, comando de câmbio e instrumentos, contribuem para o prazer de dirigir, sem contar a possibilidade do fácil punta-tacco.

Alguns detalhes agradam, como a função pisca-3 do indicador de direção, alarme de luz ligada ao abrir a porta e luz de pouco combustível. Mas não ter o bate-pé no carpete lado motorista é imperdoável, pois obriga o  o uso dos indefectíveis sobretapetes se for para preservar o carpete de furos com baixa quilometragem na região dos calcanhares.

O que o Gol Trendline poderia ter, nem que fosse junto com o opcional ar-condicionado, é ajuste elétrico do espelho direito e volante de direção regulável em altura. E nem preciso dizer, faixa degradê no para-brisa.

De resto, é mesmo um bom companheiro.

BS

 

FICHA TÉCNICA GOL TRENDLINE 1,0 MPI
MOTOR
Instalação Dianteiro, transversal, variador de fase na admissão, flex
Material do bloco/cabeçote Alumínio
Configuração / n° de cilindros Em linha / 3
Diâmetro x curso (mm) 74,5 x 76,4
Cilindrada (cm³) 999
Taxa de compressão (:1) 11,5
Potência máxima (cv/rpm) (G/A) 75/6.250 / 82/6.250
Torque máximo (m·kgf/rpm) (G/A_ 9,7/3.000 a 3.800 / 10,4/3.000a 3.800
N° de válvulas por cilindro Quatro
N° de comandos de válvulas Dois/cabeçote
Comprimento da biela (mm)/relação r/l 141/0,27
Formação de mistura Injeção no duto
Gerenciamento do motor Bosch ME 17.5.20
TRANSMISSÃO
Câmbio/rodas motrizes Transeixo manual/dianteiras
Número de marchas 5 à frente + ré
Relações de transmissão (:1) 1ª. 3,769; 2ª. 2,095; 3ª. 1,281; 4ª.0,927; 5ª. 0,740; ré 3,182
Relação do diferencial (:1) 4,929
SUSPENSÃO
Dianteira Independente, McPherson com subchassi, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra estabilizadora de Ø 19 mm
Traseira Eixo de torção, mola helicoidal e amortecedor pressurizado
DIREÇÃO
Tipo Pinhão e cremalheira, assistência hidráulica
Diâmetro mín. de curva (m) 10,8
Relação de direção (:1) 14,9
N° de voltas entre batentes 3
FREIOS
De serviço Hidráulico, duplo circuito em diagonal, servoassistido, ABS e EBD
Dianteiros (Ø mm) Disco ventilado, 256
Traseiros (Ø mm) Tambor, 200
RODAS E PNEUS
Rodas Aço 5Jx14
Pneus 175/70R14T (Pirelli Cinturato P1)
PESOS
Em ordem de marcha (kg) 901
Carga máxima (kg) 509
CONSTRUÇÃO
Tipo Monobloco em aço, 2 portas, 5 lugares
AERODINÂMICA
Coeficiente de arrasto (Cx) 0,345
Área frontal (m²) 2,01
Área frontal corrigida (m²) 0,693
DIMENSÕES EXTERNAS (mm)
Comprimento 3.897
Largura com/sem espelhos 1.898/1.893
Altura 1.467
Distância entre eixos 2.466
Bitola dianteira/traseira 1.429/1.416
CAPACIDADES (L)
Porta-malas 285
Tanque de combustível 55
DESEMPENHO
Aceleração 0-100 km/h (s) (G,A) 12,6/12,3
Velocidade máxima (km/h) (G/A) 168/ 170
Retomada 80-120 km/h em 5ª (s, G/A) 18/17,5
CÁLCULOS DE CÂMBIO
v/1000 em 5ª (km/h) 30,2
Rotação em 5ª a 120 km/h (rpm) 3.970
Rotação em velocidade máxima, 5ª (rpm) 5.630
GARANTIA
Termo 3 anos
Revisões e troca de óleo  (tempo/km) 1 ano/10.000
(3.696 visualizações, 1 hoje)


Sobre o Autor

Bob Sharp
Editor-Chefe

Um dos ícones do jornalismo especializado em veículos. Seu conhecimento sobre o mundo do automóvel é ímpar. História, técnica, fabricação, mercado, esporte; seja qual for o aspecto, sempre é proveitoso ler o que o Bob tem a dizer. Faz avaliações precisas e esclarecedoras de lançamentos, conta interessantes histórias vividas por ele, muitas delas nas pistas, já que foi um bem sucedido piloto profissional por 25 anos, e aborda questões quotidianas sobre o cidadão motorizado. É o editor-chefe e revisor das postagens de todos os editores.

Publicações Relacionadas

  • Luciano Gonzalez

    Ah, na minha opinião, existe algo à altura do Gol em nosso mercado, porém com desenho (interno e externo) que não me agrada: Toyota Etios.

    • Antônio do Sul

      De acordo, Luciano, tanto em relação ao Etios quanto ao Gol: o primeiro me surpreendeu positivamente na primeira e única (infelizmente) vez em que o dirigi, enquanto o Gol ainda me surpreende a cada vez que tenho a oportunidade de dirigir algum. Ao lado dos dois, eu ainda colocaria o Ka. Todos esses três me trouxeram mais prazer, subjetivamente, é importante frisar, do que os líderes Onix e HB20.

  • ussantos

    Up! TSI duas portas, é pedir muito?

  • Corsario, opcionais neste caso só áudio e ar-condicionado. Não tem nada de “monte de opcionais”. Onde viu isso? Será que você confundiu com a descrição dos itens de série?

  • Mike, sim, iluminam muito bem.

  • ene

    Em minha opinião, esse com duas portas é muito mais bonito que o de quatro, mas eu se chegar em casa com um desses, nem quero imaginar.
    Sou da antiga e é esse meu gosto pessoal, embora as mulheres e também a maioria dos homens, detestem.
    Gostei da cor.

    • Luciano Gonzalez

      A coluna C é igualzinha à do A1. o carro é bonito de verdade. Um 1,6 com bonitas rodas 16″ originais VW e um pouquinho mais baixo seria maravilhoso. Tem muito potencial para utilizar a imaginação!

  • Leandro Fontes

    Fiat 500, Mini, Fusca TSI discordam…rs…

  • Luciano Ferreira Lima

    Há muitos anos nenhum carro zero me atraía a atenção, cheguei a pensar que estava sofrendo de forte rabugentice com carros mais modernos. Esse novo Gol com seu belo desenho harmonioso, discreto e seus faróis e lanternas sem puxadinhos parece que fez minha sanidade voltar ao normal. Como mecânico vendo as fotos, adorei o espaço do diminuto 3 cilindros, para se trabalhar virou um salão. Com esse motor deve ter virado um daqueles garnisés bem marrentos bom de briga que dá muito trabalho para galo rhodia. Peguei um dia desses um Gol G5 para tirar grilos de carroceria e gostei do material de acabamento e a grossura das caixas de ar. Gosto de carros mercadologicamente defasados, que ninguém dá nada porém com motores confiáveis, mas se fosse adquirir um zero não pensaria duas vezes nesse Gol, lógico que com ar-condicionado. Os pinguins agradecem.

  • Fat Jack, também sou atento a essa questão de velocidade do limpador de para-brisa e neste Gol elas são corretas.

  • Marcello Reis

    Herdei um Gol Track 2014 da mulher. Está com 55 mil km e só gastei 214 reais com manutenção corretiva. Enquanto não me der dor de cabeça vou ficando com ele.

  • Fat Jack, o que você vê de errado no interior do Etios? Para mim é normal.

    • David Diniz

      Deve ser o painel de instrumentos que é em uma posição “bizarra”e “anormal”. Ele também não deve entrar na linha C4 da Citroën e outros modelos que usam o painel na posição central.

  • Rafael, é para ter dúvida mesmo, mas eu, aspirado por aspirado, só optaria pelo 1,6 se fosse o EA211 de 110/120 cv.

  • Daniel, pois é, a VW (e outras fabricantes) costumam ter a faca e o queijo na mão.

  • guest, o original, apreciei seu comentário.

  • Roberto Neves, como eu, quando comprei o Passat LS 4-portas em 1975 foi um espanto geral entre os amigos.

  • Fat Jack, tenho certeza de que você dirigisse um Etios (com o novo grupo de instrumentos), por um dia ou dois, mudaria de opinião.

  • David, você estava mal sentado, só pode.

  • Eric, está previsto para a segunda quinzena de maio.

  • Corsario, são só dois opcionais, o ar-condicionado e o equipamento de áudio. Veja lá. Sim, Trendline 1,6 também.

  • Luis Felipe Carreira

    Ando muito com o 1-L TEC. Cada vez fico com mais vontade de testar esse novo EA211.

  • Luciano Gonzalez

    Então David, o Gol e seus derivados evoluíram absurdamente em seus 37 anos, pude experimentar muitas variações de carroceria e motorização nesse tempo e na minha opinião, desde o penúltimo facelift em 2012, os bancos melhoraram bem.

  • Obrigado, Bruno.

  • Davi, intriga-me saber de onde vem essa história de Gol G6, não existe! Certo, vou solicitar esse Grand Siena.

  • Thomas, em compensação, o Escort que passou a vir da Argentina tinha um limpador rapidíssimo, tive um 1,8 Zetec GLX.

  • Lorenzo Frigerio

    Esse carro é intrigantemente parecido com o velho Audi A3, especialmente nessa cor. Também, depois da última renovação, ficou com um painel até chique demais para o carro que é, já um tanto ultrapassado. Gostaria de saber o que a VWB pretende para ele, se é que ela própria faz alguma idéia…

  • Obrigado, Ricardo.

  • Ricardo, o primeiro Porsche 911, 2-litros de 130 cv, tinha pneus 165/80R15, como o VW “Itamar”…

    • Ricardo kobus

      Bem dessa, essas medidas de pneus de hoje em dia é muito mais marketing do que funcionalidade.

  • Matheus, a questão da assistência de direção não é somente menor esforço para virar o volante em manobras, mas também permitir relação de direção mais baixa, virar menos o volante no dia a dia.

  • Newton, isto é mesmo incrível.

  • Luciano, para mim que sou “antiplataformeiro”, explique, por favor em que a MQB é superior à PQ24.

  • Luciano, você sabe que não é o monobloco sozinho que faz o carro e que o hot stamping visa mais reduzir peso do que qualquer outro fator. Se fosse assim todos os problemas de comportamento do carro estariam resolvidos.

  • Matheus, certeza de que você quis dizer EA111? Não era EA211? De qualquer maneira, os ângulos de esterço no uso normal, para frente, a atuação da bomba hidráulica é mínima, não interfere em nada.

  • Matheus, o projeto do EA111 pode ser antigo, mas não sua concepção. Discordo de haver perda de fôlego devido à assistência de direção hidráulica.

  • Anderson, é nosso jargão no AE. Como considero os instrumentos dos VW os de melhor leitura e a sede da VW é a cidade de Wolfsburg, passei chamá-los de “Wolfsburg”, são a referência. O mesmo se aplica ao comando de câmbio, o melhor que existe, só igualado pelo dos Honda. Por isso, referência, “comando de câmbio Wolfsburg.”

  • Badanha, não é nada disso; você está completamente por fora, como se diz.