Roberto Agresti recomenda:

De acordo com o “monte o seu” do site da Citroën do Brasil, para comprar um Citroën C3 1,2 Tendance PureTech idêntico a este que estreia em mais este Teste de 30 dias do AE é preciso ter R$ 58.330. Tal preço resulta do preço de R$ 55.090 da já razoavelmente bem equipada versão-base do C3 Tendance acrescidos de R$ 1.350 (a cor vermelho Rubi) e R$ 1.850 referentes ao pacote composto da central multimídia de áudio e do ar-condicionado automático digital.

Dotado do moderno motor tricilindro de 1,2 litro, o mesmo que equipava o Peugeot 208 “vítima” do nosso Teste de 30 Dias realizado em meados do ano passado,  tal motor é alardeado pelo Grupo PSA  – Peugeot, Citroën, DS (e agora Opel) – como “o mais econômico do país, nota AAA no Inmetro”.

Para nossa (e vossa) sorte, a entrega do C3 ocorreu exatamente na véspera da rotineira viagem ao litoral norte paulista, caminho esse que os leitores de minhas avaliações prolongadas sabem ser uma espécie de “personal Fiorano”, um lugar que para mim é como é a Estrada dos Romeiros para outros editores do AE…

O bem-vindo motor 1,2 PureTech de 3 cilindros, pão-duro como só ele

Sem nenhuma vontade de fazer suspense, vou direto ao ponto: o Citroën C3 quebrou o recorde de consumo do trecho capital paulista-Ubatuba (da Ponte dos Nordestinos até a primeira entrada da Praia Dura). Nada menos do que 17,2 km/l (com ar-condicionado sempre ligado) que derrubaram do pedestal o recordista anterior, o primo de sangue Peugeot 208, que havia feito 16,2 km/l. Considerando que a tocada foi igual e idem o ritmo e condições de viagem, a vantagem do C3 face ao 208 pode estar no fato que o Citroën tinha já aproximadamente 15 mil quilômetros rodados no hodômetro enquanto o 208 na ocasião, apenas 3 mil.

Recorde na minha “pista de teste” mostrado no computador de bordo

Sim ou não, litro a mais, litro a menos, resta o fato irrefutável de que o 3-cilindros PSA é um pão-duro. Bebe pouca gasolina mesmo, e como disse ao Bob em resposta a minha mensagem relatando a proeza imediatamente após a chegada ao litoral, imagine só se tal motorzinho fosse ajustado apenas para o uso da gasolina e não para ser usado também com álcool? Marcas de mais de 20 km/l seriam possíveis para o trecho mencionado.

Com porta-malas cheio, quatro a bordo e pouca pressa — mas sempre andando no limite das velocidades máximas permitidas, o Citroën C3 assim como o Peugeot 208 empurrado pelo tricilindro de 84 cv (90 cv com álcool) fluiu à vontade na rodovia e não passou em nenhum momento a impressão de rodar estrangulado em 5º marcha quando o velocímetro marca 120 km/h, velocidade na qual o conta-giros está a 3.800 rpm. E se necessário ir além, em 5ª mesmo, afundar o pé resulta em resposta razoável apesar de já sabermos que o melhor desse motor ele oferece em baixas e médias rotações.

Como avisei à minha ilustre companheira quando ela quis experimentar o 208, é preciso dar um “reset” no modo de dirigir com estes tricilindros.  Passar as marchas precocemente e explorar o gordo torque (para um motor de pouco mais de um litro aspirado) de 12,2 m·kgf (13 m·kgf com álcool) é a melhor atitude em vez de buscar rotações mais elevadas.

Bons são os engates do câmbio e o ajuste das suspensões é mais macio do que no 208, assim como a habitabilidade, melhor no C3, que parece ser minimamente mais espaçoso – ou menos apertadinho na verdade! Acabamento? Razoável. Os C3 de primeira geração davam uma impressão melhor, a tal percepção de qualidade era superior, mas o que o C3 oferece nesta versão Tendance me parece ser superior aos seus prestigiados adversários nipônicos, Toyota Etios e o exitoso Hyundai HB20.

O para-brisa panorâmico Zenith é mesmo um ponto alto no C3

Uma coisa que certamente me agrada no C3 atual é o para-brisa Zenith, que proporciona espetacular luminosidade e dá a sensação de estarmos em uma cabina da London Eye, em alguma cápsula mágica saída da ficção científica. Quem duvida que experimente. Já do lado menos feliz estão os bancos, com um belo revestimento de tecidos combinados mas que peca no estofamento especialmente do encosto, que para meu bico deveria ser mais macio e com melhor apoio lateral. De resto, a ergonomia é adequada, com distância da pedaleira, alavanca do câmbio e volante (regulável em altura e distância) bem estudada. Volto a falar do banco por lembrar que a amplitude das regulagens em altura e longitudinal são corretas, mas que o encosto exige encaixar a mão em um estreito vão para ajustar a inclinação, que pula de degrau em degrau.

A turma que foi atrás não reclamou do espaço, mas sim da ausência de uma tomada de força 12 V (ou melhor ainda, uma USB) para deixar os onipresentes celulares vivos. Sorte que na parte baixa do console há tanto uma quanto outra, e um fiozão comprido deu conta de levar energia até às ocupantes da 2ª classe.

Quanto ao porta-malas de 300 litros, coube o necessário para a viagem de fim de semana, espaço justo mas que poderia ser maior caso o C3 viesse equipado com estepe temporário no lugar de uma roda de aço com pneu igual aos outros quatro, no caso os Pirelli P1 medida 195/60R15.

Na volta do litoral, mais pressa e a subida da serra derrubaram a marca para ainda bons 15,1 km/l, e mesmo se 84 cv não são exatamente a potência ideal para encarar as curvas da Rodovia dos Tamoios com esportividade em “ON” (até os protestos das acompanhantes acabarem com a diversão), o C3 diverte: rola bastante mas passa segurança. Aliás, algum assanhamento esportivo é sempre bem-vindo em um teste, não importa o perfil do carro: balizamento da segurança dinâmica seria um nome bonito para justificar algum abuso. E com ele descobrimos que o C3 é um carro que mesmo sem o tão badalado controles de estabilidade oferece bom comportamento dinâmico, ou seja, não precisa mesmo. Mas e o ABS? Sim, está lá, é obrigatório, com são as duas bolsas de ar.

Na volta à metrópole, à montanhosa zona oeste da capital, o consumo do C3 (sempre com gasolina) não decepcionou: médias de 8,5 km/l em percurso malvado, congestionado, e melhores 10,3 km/l andando em horários mais livres e frequentando vias expressas.

Para a semana que vem, mais do de sempre: uso urbano intenso e a vontade de aprofundar meu conhecimento neste interessante C3 1,2 Tendance e seu excepcional motor tricilindro PureTech.

RA

 

CITROËN C3 1,2 TENDANCE PURETECH

Dias: 7
Quilometragem total: 511 km
Distância na cidade: 121 km (24%)
Distância na estrada: 390 km (76%)
Consumo médio: 13,5 km/l (gasolina)
Melhor média: 17,2 km/l (gasolina)
Pior média: 8,5 km/l (gasolina)
Média horária: 41 km/h
Tempo ao volante: 12h28minutos

 

FICHA TÉCNICA CITROËN C3 TENDANCE 1,2 PURETECH
MOTOR
Denominação PureTech 1,2
Tipo de motor, instalação Otto, arrefecido a líquido, transversal, flex
Material do bloco/cabeçote Alumínio
Nº de cilindros e disposição Três, em linha
Diâmetro x curso (mm) 75 x 90,34
Cilindrada (cm³) 1.197,3
Comprimento da biela (mm) 145,6
Relação r/l 0,31
Taxa de compressão (:1) 12,5
Nº de comandos/localização Dois, cabeçote, variador de fase na admissão e escapamento
Acionamento dos comandos Correia dentada
Válvulas por cilindro Quatro
Potência máxima (cv/rpm, G/A) 84/ 90/5.750
Torque máximo (m·kgf/rpm, G/A) 12,2/13/2.750
Rotação limite (rpm) 6.500 (corte “sujo”)
Formação de mistura Injeção no duto
SISTEMA ELÉTRICO
Tensão/bateria/alternador (V/A·h/A) 12/60/120
TRANSMISSÃO
Rodas motrizes Dianteiras
Tipo Transeixo manual de 5 marchas + ré
Relações das marchas (:1) 1ª 3,636; 2ª 1,950; 3ª 1,281; 4ª 0,975; 5ª 0,767; ré 3,330
Relação de diferencial (:1) 4,692
Embreagem Monodisco a seco, acionamento hidráulico
SUSPENSÃO
Dianteira Independente, McPherson, braço triangular, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra estabilizadora
Traseira Eixo de torção, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra estabilizadora integrada ao eixo
DIREÇÃO
Tipo Pinhão e cremalheira, eletroassistida indexada à velocidade
Relação de direção n.d.
Diâmetro do volante (mm) 370
Diâmetro mínimo de curva (m) 10,4
FREIOS
Dianteiros (Ø mm) Disco, 266
Traseiros (Ø mm) Tambor, 203
Operação Servoassistência a vácuo, EBD
RODAS E PNEUS
Rodas (pol.) Alumínio, 6Jx15
Pneus 195/60R15V, de baixo atrito de rolamento, Pirelli P1
CONSTRUÇÃO
Tipo Monobloco em aço, hatchback, 4 portas, 5 lugares, subchassi dianteiro
AERODINÂMICA
Coeficiente de arrasto (Cx) 0,33
Área frontal (calculada, m²) 2,07
Área frontal corrigida (m²) 0,683
DIMENSÕES EXTERNAS (mm)
Comprimento 3.944
Largura 1.708
Altura 1.521
Distância entre eixos 2.460
PESOS (kg)
Em ordem de marcha 1.110
Rebocável sem freio/com freio 411
CAPACIDADES (L)
Tanque de combustível 55
Porta-malas 300/com banco rebatido 1.000
DESEMPENHO
Aceleração 0-100 km/h (s, G/A) 14,3/12,8
Velocidade máxima (km/h, G/A) 171/177
CONSUMO DE COMBUSTÍVEL (INMETRO/PBEV)
Cidade (km/l, G/A) 14,8/10,6
Estrada (km/l. G/A) 16,6/11,3
CÁLCULOS DE CÂMBIO
v/1000 em 5ª (km/h) 31,3
Rot. a 120 km/h em 5ª (rpm) 3.830
Rot. à vel. máxima em 5ª (rpm) 5.650
Alcance nas marchas (km/h, 6.500 rpm) 1ª 43; 2ª 80; 3ª 121; 4ª 160
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