Para se adequar aos novos tempos, os automóveis serão cada vez mais leves, mantendo suas dimensões.

O mundo corre atrás do automóvel compacto, econômico e com baixo índice de emissões. A antítese dessa tendência estava nos Estados Unidos, que viviam numa bolha de consumo farto e inconseqüente de gasolina. A Europa, ao contrário, mais comedida e racional, sempre desenvolveu automóveis compactos  com motores mais eficientes.

Quando a gasolina nos EUA dobrou de preço, os enormes picapes e utilitários esportivos, que não rodavam sequer cinco km por litro, desceram do pedestal. Os novos queridinhos no país do Tio Sam se tornaram os automóveis mais econômicos como os japoneses Civic e Accord da Honda, Corolla e Camry da Toyota.

A situação ainda foi agravada com a crise econômica de 2009 que atingiu o país e quebrou, na época, General Motors e Chrysler. Elas chegaram a oferecer cerca de U$ 10 mil de desconto nos grandes e pesados beberrões que encalhavam em seus pátios.

A engenharia resolveu parte do problema com o downsizing dos motores: os “ve-oitão” se metamorfosearam em seis em linha, os de seis cilindros tiveram cortados dois deles e os de quatro passaram a tricilíndricos. Sem redução do desempenho que se manteve graças às novas tecnologias desenvolvidas com apoio da eletrônica. E às caixas dotadas de um número cada vez maior de marchas.

Tem uma brincadeira dizendo que os carros norte-americanos tinham motores de oito cilindros e câmbios de três marchas. Hoje, os motores são de três cilindros acoplados a caixas de oito marchas…

O atual desafio de toda a indústria automobilística mundial é o automóvel de baixo consumo e nível de emissões, sem prejudicar desempenho, conforto e segurança.

À primeira vista, uma das principais respostas a estas exigências é a redução de tamanho para tornar o carro mais leve. Certo? Errado!

As pesquisas apontam em outra direção: ao contrário do que se imagina, o carro pequeno não é o caminho mais adequado pois coloca em risco a segurança dos ocupantes. Apesar dos engenheiros estarem projetando modelos compactos cada vez mais seguros, está provado que, quanto maior o automóvel, maior o “crush space”, ou seja, o espaço disponível para absorver o impacto e proteger os passageiros.

Repare nos carros da Fórmula 1: eles se acidentam com impactos em elevadíssimas velocidades e muitas vezes o piloto sai ileso de seu interior. A explicação está na carroceria que usa compostos de fibra-carbono super leves mas que absorvem cerca de dez vezes mais que o aço a energia gerada num impacto. Quando a utilização desse material for viável economicamente nas linhas de montagem, os engenheiros calculam que o peso atual dos carros será reduzido em cerca de 50%.

Os indícios deste caminho: no Japão, a Toyota apresentou há alguns anos um carro-conceito, o 1/X que derrubaria o Prius, seu bem sucedido híbrido. Ele pesa apenas um terço do Prius (420 kg) e tem a metade do consumo de gasolina com seu motorzinho de 500 cm3 sob o banco traseiro.

Outras japonesas como Nissan e Mazda já produzem automóveis 5 a 10% mais leves e anunciaram redução de até 15% de peso nos projetos atuais.

A Ford vai na mesma direção: ela aliviou a nova Ranger em 300 kg e continua reduzindo o peso de toda a sua linha de automóveis entre desde 2012 até 2020.

Estão lembrados das nossas avós passando roupa com ferros pesadíssimos? Pois a indústria automobilística demorou pelo menos uns 50 anos mais para descobrir que materiais mais eficientes são muito mais importantes que o peso do produto…

BF

A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
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