Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas SALÃO DOS SONHOS – Autoentusiastas

Uma das melhores edições nos últimos anos do Salão do Automóvel de Genebra cerra suas portas no próximo domingo com um legado de tirar o fôlego. Foram tantas novidades, carros-conceito e de sonhos, revelação de tendências e veículos especiais, que visitantes terão dificuldades de relatar tudo o que viram. Na véspera da abertura, a GM anunciou a venda de sua subsidiária alemã Opel ao Grupo PSA (Peugeot, Citroën e DS), que passa ser o segundo em vendas no mercado europeu. E no período da mostra o Grupo Volkswagen e a Tata assinaram, na Índia, um memorando de colaboração, em geral primeiro passo para voos mais altos no futuro.

Por falar em voar, é exatamente isso que a Italdesign e a fabricante de aviões Airbus pensaram como alternativa ao trânsito congestionado. Nesse caso a solução se parece com um drone: quatro rotores elevam o carro e o deslocam em curta distância. O autônomo Sedric, primeiro veículo-conceito com sinergia de todas as marcas do Grupo VW, dispensa volante, pedais e quadro de instrumentos. Trata-se de um monovolume ideal para uso como táxi ou transporte porta a porta.

Do oriente vieram soluções audaciosas. A chinesa Techrules apresentou o Ren com dois, quatro ou seis motores elétricos e até 1.305 cv e 238 kgfm. Tem três lugares em uma fileira (motorista na posição central, mais elevada) e Giorgetto Giugiaro assina seu desenho audaciosamente futurístico. De Cingapura veio outro elétrico, o Vanda Dendrobium, cujas duas portas e teto rígido abertos lembram uma orquídea selvagem. Em polo oposto, no aspecto retrô, a estreante britânica Eadon Green, apresentou o Black Cuillin cupê inspirado no Morgan Aero dos anos 1930.

Entre os supercarros houve duas estreias. Ferrari 812 Superfast (sucessor do F12 Berlinetta), que o mítico fabricante italiano anuncia como o mais rápido de seus modelos até hoje (0 a 100 km/h em 2,9 s), e o McLaren 720S, que acelera exatamente igual. A marca sueca de produção artesanal Koenigsegg estima que seu híbrido Agera RS Gryphon, de 1.500 cv, vá de 0 a 400 km/h em 20 s!

Emerson Fittipaldi mostrou maquete em tamanho real de seu carro esporte EF7 desenvolvido para as pistas, mas que poderá ter versão de rua. O ex-piloto, de 70 anos, se associou à Pininfarina e à HWA. Serão apenas 39 unidades, motor V-8 de 600 cv e apenas 1.000 kg de peso. Primeira unidade dentro de um ano custaria cerca de 50% do McLaren 720S.

A Volkswagen confirmou – sem mostrá-lo em Genebra – a produção do novo Polo aqui, no segundo semestre, simultaneamente à Alemanha com a arquitetura MQB de Golf e Passat. Para o Brasil foi ainda reservado o Virtus, primeira aplicação dessa arquitetura em um sedã compacto, mas de dimensões generosas (sem previsão para a Europa). Estreou também o Arteon, sedã-cupê de quatro portas médio-grande antes conhecido como CC, que inicia diversificação estilística dos modelos da marca.

Entre os carros que chegarão importados este ano destaques para Volvo XC60 e Range Rover Velar. O primeiro avançou na condução semiautônoma nas estradas de pista simples, ampla maioria no mundo. Se o motorista se distrair e invadir a faixa contrária em que exista um veículo, é reconduzido automaticamente à sua própria. Atua entre 60 km/h e 140 km/h. Velar, quarta derivação de SUVs médios Land Rover, tem intenção de se opor ao Porsche Macan, o mais vendido da marca alemã. Reestilizações também interessantes dos Audi RS5, SQ5 e do RS3, tendo este o último motor de cinco cilindros a gasolina em produção no mundo, de 400 cv!

Em Genebra, cantão francês da Suíça, impressionou a calorosa recepção para a releitura moderna e impactante do Alpine A110, pequeno cupê de mecânica Renault dos anos 1960. É provável a marca francesa importá-lo para o Brasil, onde a geração anterior A108 foi produzida entre 1961 e 1966 como Willys Interlagos. Apenas 882 unidades deixaram a linha de montagem.

 

RODA VIVA

 

VOLVO XC90 T8, de 4 ou 5 lugares, agora também é oferecido na versão híbrida plugável em tomada. Motor elétrico de 88 cv e 24 kgfm aciona apenas as rodas traseiras, o que permite tração 4×4 sem necessidade de cardã. Tanque de gasolina diminuiu para dar lugar à bateria. Autonomia puramente elétrica alcança até 50 km, em uso urbano. Preço: R$ 456.950 a 519.950.

FIAT e o portal Amazon implantaram, no mercado italiano, processo de compra pela internet. Depois de configurado, encomendado e receber um pequeno desconto, o cliente retira o carro na concessionária. Os três modelos oferecidos (Panda, 500 e 500 L) cobrem dois terços da oferta atual da marca. Ainda não há decisão de levar a experiência para outros países.

PROJETO na Câmara dos Deputados cria a obrigatoriedade de justificativa por escrito nas decisões dos julgamentos das autuações e penalidades de trânsito. Deve ficar esquecido nas comissões. Iniciativa do deputado Alberto Fraga (DEM-DF) esbarra na falta de estrutura das juntas de apelação. Motoristas ficam sem saber por que seu recurso foi indeferido. Lamentável.

FC

A coluna “Alta roda” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
  • BlueGopher

    Creio que onde se lê “falta de estrutura das juntas de apelação para emitir justificativa por escrito”, deve-se entender “falta de interesse de informar aos motoristas que as decisões são indeferidas em boa parte por julgamento subjetivo e/ou por metas financeiras a serem cumpridas”.
    Afinal, que estrutura adicional seria necessária para que as anotações das decisões tomadas sejam anexadas ao processo?

  • David Diniz

    Deputado acha que entende de trânsito. É cada lei esdrúxula que pai amado viu… A última foi a tal lei de “iluminar o dia” na estrada com o farol que é para se usar a noite…

  • Alexandre, perfeito!

  • Noel Jr, o David está certo. Esse assunto já foi muito e calorosamente discutido aqui. A conspicuidade de um veículo, se fazer visível, por meio do farol baixo, é errada, é uma luz excessiva, incômoda. Nos países nórdicos e no Canadá há cerca de 20 anos se tornou obrigatório o farol de uso diurno (DRL, daylight running lamp), um arranjo elétrico em que os faróis baixos ficam mais fracos justamente para tornar o carro conspícuo sem incomodar. De uns anos para cá surgiu a luz de uso diurno (DRL também, daylight running light) por meio de fileiras de LEDs, que atende a essa finalidade sem incomodar e, como no caso do farol citado antes, não liga as luzes traseiras. O AE condena veementemente a lei que tornou obrigatório o farol baixo ligado de dia nas rodovias. Típica lei feita e aprovada por quem ouviu o galo cantar mas sabe onde está o galináceo.

    • Noel Jr

      Admito não ter vasculhado o que foi tratado antes aqui no AE, Bob.

      De imediato, recordo-me de que o Renault Duster atual conta com o farol de uso diurno, num recorte dentro do conjunto óptico. VW Golf também, embora não me recorde qual a versão em si. E os de fileiras de LED, aí são vários, realmente.

      Entendo o que você argumenta sobre a conspicuidade: já percebi e senti o desconforto, mas me pareceu mal menor. Embora seja fato que a intensidade da luminosidade não seja a ideal, uma má regulagem dos faróis parece agravar isso senão ser a causa, situação provocada por quantidade de carga, ocupantes ou mero desleixo, falta de manutenção ou reparo adequado.

      Creio que foi mal aproveitado o processo legislativo consumido pelo Projeto de Lei da Câmara nº 156, de 2015, portanto. De autoria de parlamentar paranaense com origem profissional ligada ao ensino, professor, foi relatado no Senado Federal por um também professor, mas ex-policial rodoviário federal com 20 anos de carreira. Em outras palavras, poderiam ter concentrado esforços para estipular como requisito a adoção de DRL como equipamento obrigatório em veículos novos, seja na forma de farol de uso diurno ou de lâmpadas de mesma finalidade. E disciplinar a questão do uso pela frota já em circulação, não apenas faturando multa (faturar mesmo) por não uso, mas por falta de regulagem de facho.

      Fui ler o artigo 40 do CTB. O uso diurno não é o único item regido por ele. Há parágrafo versando sobre veículos de transporte regular de passageiros, somente quando em faixa exclusiva (verdade, está lá), como os ciclos motorizados, as motos, seja de dia ou de noite. Ou seja, há mais distorções a serem revistas ou ajustes a fazer, mas que foram ignorados pela Lei nº 13.290, de 2016.

      De fato, tema tratado superficialmente para não dizer porcamente.

  • Noel, se você acha isso da VW, é estendido a Mercedes-Benz, BMW, Audi, Rolls-Royce?

    • Noel Jr

      Sim, Bob, mas com uma ressalva.
      As demais que você citou têm em comum o pertencimento a um outro segmento de automóveis por sua tecnologia, pela imagem que transmitem (ou que foi imputada), pelo desempenho que entregam. Parênteses para a MB que também é reconhecida por outras qualidades no segmento de transportes, para a RR na produção de motores aeronáuticos e para a BMW no mundo de duas rodas.
      A VW parece acreditar que alguém vai gastar muito num carro de luxo, oferecendo similaridade a um modelo feito para volume de vendas, básico. O Phaeton era um expoente, mas com cara de Passat anabolizado.
      Eu aprecio a lógica dos anos 80, quando a família Gol tinha uma cara, Passat e depois Santana, outra. Havia elementos comuns, mas era bem definida a origem de cada um.
      Em tempo, não defendo nas entrelinhas que alguém que disponha de pouca grana deva ser privado de ter acesso a um automóvel bonito, atual. Mas desenho faz parte dos degraus na escala de preço de venda, status, se for diferenciação aquilo que o comprador busca.