Pilotos faleceram em acidente aéreo na Serra da Cantareira. José Carlos Pace, o “Moco” estava na melhor fase de sua carreira. Marivaldo Fernandes era apaixonado pelo esporte

Quarenta anos atrás, naquele dia 18 de março, uma sexta-feira, o automobilismo perdia dois de seus grandes nomes: José Carlos Pace, o “Moco”, e Marivaldo Fernandes, o “Fiapo”. Integrantes de uma geração de ouro do esporte, ambos eram pilotos que se destacavam em qualquer categoria nas quais participassem e sempre atendiam a fãs e entusiastas com doses de atenção cada vez mais raras no cenário atual. “Moco” tinha 32 anos e Marivaldo, 44.

Os dois faleceram quando o avião em que viajavam de São Paulo para a fazenda de Marivaldo em Santa Rita (SP), chocou-se contra a Serra da Cantareira, em Mairiporã, em meio a uma forte cerração, pouco depois da decolagem no Campo de Marte. Eles haviam vindo da fazenda naquele mesmo dia para tratar de assuntos comerciais na capital. As esposas Elda (“Moco”) e Vera (Marivaldo), e os filhos dos casais, estavam na fazenda. O avião, um monomotor Piper Seneca, era de Marivaldo, que tinha brevê de piloto.

Marivaldo pilotou desde Gordinis até protótipos como o Alfa Romeo TT 33/3 (Arquivo pessoal)

Pace, mais jovem, praticou o esporte profissionalmente e estava no auge de sua carreira: era titular da Brabham e tinha consolidado seu nome no cenário mundial como um piloto arrojado e hábil. Seu currículo tem participações em Le Mans (onde foi segundo colocado com um Ferrari 312 P), Can-Am, F-2, protótipos de 2 e 3 litros e várias outras categorias. Até hoje é lembrado por muitos como um verdadeiro campeão mundial sem título; o autódromo de Interlagos foi batizado com seu nome e ali bem perto uma avenida, que leva à represa Guarapiranga, também tem seu nome.

Marivaldo, empresário de sucesso na Baixada Santista, pilotou automóveis de diversas categorias e sempre ocupava posições de destaque tanto nas provas de classificação quanto no resultado das corridas. Sua paixão pelo automobilismo foi o destino de boa parte de sua fortuna e a razão de ter conquistado tantos amigos e admiradores. Quem frequentava o Guarujá nos anos 1970 certamente lembra que os ônibus urbanos da cidade eram batizados com os nomes dos principais pilotos brasileiros. Uma homenagem do dono da empresa, Marivaldo Fernandes, a seus amigos e colegas de esporte.

WG

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