Na coletiva de imprensa que a Anfavea realizou no último dia sete, Antônio Megale, presidente da entidade, alegou certa decepção com os números de vendas de fevereiro. As 135,7 mil unidades negociadas corresponderam a uma queda de 7,8% sobre o já baixo mês de janeiro e 7,6% menor que o mesmo mês do ano anterior. Apresentou alguns fatores que poderiam justificar tal desempenho negativo. O primeiro trimestre deste ano se acenava como difícil, não há novidades.

No entanto, segundo parâmetros conhecidos e usados pela mesma Anfavea, nos dezoito dias úteis do mês tivemos 7.368 licenciamentos/dia de automóveis e comerciais leves (em fevereiro de 16 esse número foi 7.113), um patamar semelhante à média dos últimos doze meses, descontando dezembro, que costuma ser superior. Observa-se, assim, que se não houve a reação que muitos esperam, tampouco tivemos deterioração do nível de vendas. A média das vendas diretas também se manteve dentro da normalidade, 34%, com altos e baixos de alguns modelos, como veremos adiante. Não foi um mês que os fabricantes tiveram de desovar nos frotistas o seu excesso de produção.

Gráfico de emplacamentos diários de automóveis e comerciais leves (Fonte: Anfavea)

Vendas diárias de automóveis e comerciais leves (Fonte: Anfavea)

 

Fabricantes de caminhões enfrentam seus piores momentos. Em fevereiro comercializaram-se 2.612 unidades, um recorde de baixa. Já o mercado que foi bem em fevereiro foi o de exportação, porém não é bem um mercado. Nos primeiros dois meses de 2017, exportaram-se 104.200 unidades, deixando-nos a expectativa que este ano podem-se embarcar cerca de 600 mil unidades destinadas ao exterior (28% da produção). Para termos uma ideia, no melhor ano em desempenho de exportações, 2005, enviaram-se ao exterior 724,2 mil veículos, ou 30% do que se produziu aqui.

Emplacamentos totais de autoveículos (Fonte: Anfavea)

Das várias explicações que busquei para entender a demora em nossa economia reagir e, de reboque as vendas de veículos, uma das mais razoáveis foi a que apontou para o PIB per capita, que é tudo o que o país produz de riqueza dividido pelo número de habitantes. No ano passado atingimos um nível 9,5% inferior a 2013 e que, com todas reformas em curso, PEC do teto (já aprovada), da previdência e trabalhista (a aprovar ainda este ano) surtindo os efeitos planejados, em 2023 voltaríamos ao mesmo PIB per capita de 2013. Este colunista vem defendendo a ideia de que sem estímulos a recuperação demora. O problema já apontado aqui também é como persuadir o governo para definir esses estímulos e quais seriam aceitos ante as circunstâncias atuais.

Ranking de fevereiro e do primeiro bimestre

Como afirmei acima, no primeiro bimestre deste ano, o acumulado dos 50 modelos de automóveis mais vendidos atingiu 219 mil e no ano passado foi 221 mil, uma diferença de 1%. Podemos deduzir que drásticas quedas de vendas de um outro modelo nesses dois meses podem estar mais relacionadas a fatores específicos, como desempenho do segmento, por exemplo. Temos notado o lançamento de novos suves vem roubando compradores do segmento de sedãs médios e mais ainda dos hatches médios.

O campeão de vendas dos sedãs, o Corolla, acusou um golpe de samurai: suas vendas caíram 19% comparado com mesmo período de 2016, a despeito de a Toyota haver tentado conter a queda usando a conhecida ferramenta das vendas diretas. Trinta e quatro porcento dos Corollas seguiram por esse canal, enquanto somente 14% de Etios e Hilux vão para frotistas.

Num mês em que as vendas caíram 7,8% com relação a janeiro, sobressaiu a Honda, com +7%, Mercedes-Benz, +7%, Renault se manteve no mesmo patamar, o que é positivo. Na outra ponta, as marcas que mais decresceram em fevereiro foram a Peugeot, com -19%, Citroën, com -20% e Audi, mesma queda.

No bimestre, Jeep desponta com +28% e Nissan, com +27%, ambas impulsionadas pelo lançamento de novos suves, respectivamente o Compass e Kicks, que se agregaram ao seu portfólio. Chevrolet não fez feio, com +4% e Ford, com +3%. No outro extremo, vimos a Kia, com -45%, Audi, -38% e BMW, com -23%. Surpreenderam também as quedas da Hyundai, -15%, apesar de um novo modelo lançado, o Creta; Fiat e VW, ambas com -13% e sem novos modelos.

O campeão de vendas do mês foi o Onix, com 11.980 unidades, seguido do HB20, com 6.521 e Ka, com 5.765. Gol em bom quarto lugar, com 4.564. Apesar do mês morno, Onix fecha o bimestre com expansão de 9% em suas vendas, quando comparado com mesmo período de 2016, ampliando seu domínio. Porém a concorrência reagiu, Ka teve crescimento de 30%, Sandero, 29% e Gol, 23%. Os hatches compactos estão tomando espaço de veículos mais caros.

Nos comerciais leves, Toro liderou o mês de fevereiro, com 3.582 unidades, seguida da Strada, com 3.289, Saveiro, com 2.982, voltando ao seu histórico 3º lugar. Hilux em seguida, com 2.034. A picape nipo-argentina enfrentou queda de 10% nos emplacamentos no bimestre, enquanto S10 expandiu 57%, Mitsubishi L200, +10% e Ranger, +9%. O segmento de picapes cresceu 13% este ano.

Novos modelos, a Renault apresentou o Captur (foto de abertura), um suve mais sofisticado que o Duster, com conteúdo para competir com Renegade (nas versões flex) e HR-V e Creta. A cartada da marca francesa é interessante, num segmento que se pulveriza e cresce sem parar, ela compete com dois modelos que se complementam. Resta ver se a sua rede aprenderá rapidamente a lidar com Captur e Duster de forma a somar as vendas totais e não um em detrimento do outro.

Neste mês começam as vendas do Honda WR-V, já apresentado aqui no AE e que está sendo lançado para imprensa ontem e hoje em Foz do Iguaçu (PR), evento atendido pelo Paulo Keller, que deve competir com as versões mais espartanas do EcoSport e Duster.

O ano de 2017 promete.

Até mês que vem.

MAS

Fonte: Fenabrave

Fonte: Fenabrave

Fonte: Fenabrave

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