Terminei o texto do teste no uso do Onix LTZ automático, há pouco mais de uma semana, com a frase “Mas quero ver mesmo é como é o de câmbio manual.” Como o leitor tem lido no AE, nada com um (bom) câmbio manual para se conhecer bem um motor, explorando-o nas várias combinações de carga e rotação. E foi o que pude avaliar para  poder afirmar como é bom esse 1,4-l. Suave, responsivo, elástico, mas ao mesmo tempo adora ser posto para girar.

Mesmo “antigo” no sentido de ser de comando da válvulas único e com duas válvulas por cilindro, sua característica agrada a “gregos e troianos”, ou seja, tanto ao pacato (a) motorista que foca o automóvel com meio de transporte para ir de A a B, quando ao autoentusiasta que sabe e curte dirigir explorando todo o potencial de um veículo. Esse temperamento de motor  lembrou-me muito o EA111 1,6 do Gol 1,6 Highline que testei em setembro passado, motor também “antigo” mas que me surpreendeu.

O manual é igual em tudo ao automático, mas infelizmente não traz um item que muitos apreciam, eu particularmente, que é o controle automático de velocidade de cruzeiro. O Onix LTZ manual tem preço público sugerido de R$ 55.750 — curiosamente, houve aumento de R$ 60 desde que o teste do automático foi publicado, segundo o site da GM — e a cor da unidade testada, branco Summit, custa R$ 600. Apenas o preto Ouro Negro não tem custo extra, mas a três metálicas (vermelho Carmin, prata Switchblade e cinza Graphite) requerem mais R$ 1.350.

O dono do show é o câmbio F15-6 WR (WR de wide ratio, relações espaçadas) que inclui a ré sincronizada. É simplesmente o anterior de cinco marchas com mais uma, todas relações anteriores mantidas, inclusive a de diferencial. Exatamente com fazia a Volkswagen nos anos ’80, quando se escolhia câmbio de quatro ou cinco marchas, em até à 4ª era tudo igual. No caso do Onix, foi acrescentada uma sexta 0,61:1 para proporcionar efeito  sobremarcha.

Comando de câmbio é primoroso e a ré também é sincronizada

Em quinta a v/1000 é 32,2 km/h, que para 120 km/h resulta em 3.700 rpm. Com a sexta de 41,4 km/h roda-se a 120 km/h verdadeiros a 2.900 rpm (praticamente o mesmo que no automático de seis marchas, 2.950 rpm). A velocidade máxima de 180 km/h é atingida em 5ª, embora a 5.400 rpm, bem aquém da rotação de potência máxima, 6.000 rpm.

O comando de câmbio é  “98% Wolfsburg”, com absoluta precisão em seleção e carga de engate, apenas menos “seco” como o dos VW. Ou seja, aprovação total, um ponto alto do Onix manual. O punta-tacco? Perfeito!

Gráfico “dente de serra” do câmbio de seis marchas

Não menos importante,  com câmbio manual o Onix é mais econômico em combustível, na média cidade-estrada 7% com gasolina e 7,5%, com álcool. Mas quem faz questão absoluta de desempenho deve optar pelo manual, que tem aceleração bem mais vigorosa: 0 a 100 km/h em 11,1/10,5 segundos contra 12,9/12,2 segundos do Onix de dois pedais.

A vantagem de desempenho do automático, com em toda comparação dos dois tipos de câmbio, é nas retomadas de velocidade caso o/a motorista não tenha destreza e/ou vontade para reduzir marcha ou marchas, em que ao acelerar rapidamente o câmbio automático promove a redução necessária.

Portanto, aí estão as diferenças básicas entre os Onix manual e automático. Para todas as informações referentes aos diversos itens de série, ver o teste do automático, uma vez que tudo é exatamente igual.

Escolher qual das versões é fácil, basta definir o que mais pesa para o leitor ou leitora ao utilizar um automóvel no aspecto câmbio. Também, se o orçamento familiar está apertado ou folgado.

Veja o vídeo, depois tem a ficha técnica e em seguida, mais fotos.

BS

FICHA TÉCNICA CHEVROLET ONIX LTZ MANUAL 2017
MOTOR
Designação 1,4 SPE/4 ECO
Tipo Ignição por centelha, 4 tempos, flex
Instalação Dianteiro, transversal
Material do bloco/cabeçote Ferro fundido/alumínio
N° de cilindros/configuração 4 / em linha
Diâmetro x curso (mm) 77,6 x 73,4
Cilindrada (cm³ 1.389
Aspiração Atmosférica
Taxa de compressão (:1) 12,4:1
Potência máxima (cv/rpm, G/A) 98/106, 6.000
Torque máximo (m·kgf/rpm, G/A) 13/13,9, 4.800
N° de válvulas por cilindro 2
N° de comandos de válvulas/acionam. 1 / correia dentada
Acionamento de válvulas Indireto por alavancas-dedo com fulcrum hidráulico
Formação de mistura Injeção eletrônica no duto
Comprimento da biela/relação r/l 137,3
Relação r/l 0,267
Rotação de corte (limpo, rpm) 6.300
ALIMENTAÇÃO
Combustível Gasolina e/ou álcool
SISTEMA ELÉTRICO
Tensão (V) 12
Bateria (A·h) 50
Alternador (A) 100
TRANSMISSÃO
Rodas motrizes Dianteiras
Câmbio Transeixo manual F-15-6 WR de 6 marchas mais ré, todas sincronizadas
Relações das marchas (:1) 1ª 3,73; 2ª 1,96; 3ª 1,32 4ª 0,95; 5ª 0,76; 6ª 0,61; ré 3,63
Relação de diferencial (:1) 4,63
FREIOS
De serviço Hidráulico, duplo circuito em diagonal, servoassistido, ABS
Dianteiro (Ø mm) A disco ventilado, 240
Traseiro (Ø mm) A tambor, 200
SUSPENSÃO
Dianteira Independente, McPherson, braço triangular, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra estabilizadora
Traseira Eixo de torção, mola helicoidal e amortecedor pressurizado
DIREÇÃO
Tipo Pinhão e cremalheira, eletroassistida indexada à velocidade
Relação de direção (:1) 15,9
Voltas entre batentes 2,9
Diâmetro mínimo de curva (m) 10,3
RODAS E PNEUS
Rodas Alumínio  6Jx15
Pneus 185/65R15H
PESOS (kg)
Em ordem de marcha (kg) 1.042
Carga máxima 375
CARROCERIA
Tipo Monobloco em aço, hatchback 4-portas e 5 lugares
AERODINÂMICA
Coeficiente de arrasto (Cx) 0,35
Área frontal (calculada, m²) 2,03
Área frontal corrigida (m²) 0,703
DIMENSÕES EXTERNAS (mm)
Comprimento 3.933
Largura sem/com espelhos 1.705/1.964
Altura 1.476
Distância entre eixos 2.528
Balanço dianteiro/traseiro 825 / 580
Bitola dianteira/traseira 1.492/1.492
Distância mínima do solo 123
CAPACIDADES (L)
Porta-malas 280 / 1.020
Tanque de combustível 54
DESEMPENHO
Velocidade máxima (km/h) 180
Aceleração 0-100 km/h (s, G/A) 11,1/10,5
CONSUMO DE COMBUSTÍVEL (INMETRO/PBEV)
Cidade (km/l, G/A) 12,5/8,6
Estrada (km/l, G/A) 14,9/10,2
CÁLCULOS DE CÂMBIO
v/1000 em 5ª/6ª (km/h) 33,2/41,4
Rotação a 120 km/h em 6ª (rpm) 2.900
Rotação à vel. máxima (5ª) (rpm) 5.400

 

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Sobre o Autor

Bob Sharp
Editor-Chefe

Um dos ícones do jornalismo especializado em veículos. Seu conhecimento sobre o mundo do automóvel é ímpar. História, técnica, fabricação, mercado, esporte; seja qual for o aspecto, sempre é proveitoso ler o que o Bob tem a dizer. Faz avaliações precisas e esclarecedoras de lançamentos, conta interessantes histórias vividas por ele, muitas delas nas pistas, já que foi um bem sucedido piloto profissional por 25 anos, e aborda questões quotidianas sobre o cidadão motorizado. É o editor-chefe e revisor das postagens de todos os editores.

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