Da Automotive News Europe
Por John Lippert/Bloomberg

 

A Toyota, cética quanto à febre do carro autônomo, pretende deixar humanos no controle

A Toyota planeja gastar anos projetando carros nos quais humanos mantenham boa dose de controle, uma vez que objetivo de deixar todas as decisões de condução para computadores parece muito perigoso por enquanto.

O problema, disse a Toyota nesta quarta-feira, é que a sociedade aceita 39.000 mortes de trânsito por ano nos Estados Unidos, a maioria devida a erro humano, mas nunca toleraria similar carnificina envolvendo carros controlados por computadores.

A Toyota está aumentando seu ceticismo diante da antecipação alimentada pela Tesla e empresas de tecnologia lideradas pela Google e sua Alphabet sobre a iminente chegada de carros totalmente autônomos.

“Ninguém de nós das indústrias automobilística ou de tecnologia da informação está perto de alcançar um verdadeiro Nível 5 de autonomia,” disse Gill Pratt, executivo-chefe do Toyota Research Institute, referindo-se à capacidade de um carro de se autodirigir sem nenhuma intervenção humana.

“Levará muitos anos de aprendizagem da máquina e muitas milhas mais do que alguém tenha registrado tanto de testes simulados quanto de vida real para chegar à perfeição requerida,” disse Pratt num discurso na CES, antes conhecida como Consumer Electronic Show, em Las Vegas.

A fabricante fundou o Toyota Research Institute em 2015 a um investimento de US$ 1 bilhão destinado a recrutar as melhores cabeças americanas em inteligência artificial, robótica e ciência dos materiais. Pratt antes serviu como engenheiro responsável por robótica nas forças armadas americanas.

“Surpreendentemente sóbria”

“Foi uma visão realística e surpreendentemente sóbria dos desafios que veículos autônomos enfrentam,” disse Mike Dovorany, um analista da The Carlab, uma consultoria de desenvolvimento de veículos de Orange, Califórnia. “Eu os aplaudo.”

A Tesla disse em outubro que começaria a construir cada um de seus veículos com o hardware necessário para capacidade de autocondução. A Alphabet abriu mão de seu projeto do carro Google, renomeou-o Waymo, e exibiu no mês passado uma minivan Chrysler Pacifica Hybrid totalmente autônoma.

Pratt disse que no momento a Toyota e a maioria dos outros fabricantes estão se dedicando no que a SAE International, uma sociedade global de engenharia, chama de autonomia Nível 2.

Nesse nível, computadores têm algum controle da direção, freios e aceleração, com humanos retendo o comando geral.

Controle humano

A porcentagem de decisões de condução efetuadas por computadores aumentará com o tempo, e no Nível 3 o trabalho dos humanos se restringirá a assumir controle numa emergência. É uma tarefa difícil, disse Pratt, já que sua atenção tenderá a se dispersar durante milhas de operação aparentemente segura.

Pratt disse não ter certeza ou quando, mas que a Toyota e outros fabricantes poderão pular diretamente para a chamada autonomia Nível 4. Neste nível, os computadores terão controle de todas as decisões de condução, mas somente em vias especificamente projetadas e aprovadas para essa finalidade.

AE/BS

Foto: O Conceito-i da Toyota utiliza um assistente com inteligência artificial para monitorar o comportamento e estado de espírito do motorista para determinar as ações do veículo.

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