O maior presente de Natal que eu poderia receber me foi dado ontem, um dia depois do Dia de Reis, e este presente estava me aguardando em Campos do Jordão.

Você se lembra da minha história contada no início de dezembro passado com o título O melhor amigo do Homem? Isto mesmo, a história do pequeno animalzinho que encontrei abandonado no mato envolto em papel de jornal na cidade de Suzano, na Grande São Paulo e que na ocasião pesava 450 gramas.

Para que você não precise relê-la, lembro-o de que isto aconteceu em 2013. Este pequeno milagre a quem demos o nome de Bell sobreviveu e nos trouxe muitas alegrias, até que depois de dois anos se desentendeu de forma muito agressiva com minha outra cadela, uma Cocker (oito anos) e quase a levou à morte. A separação das duas foi inevitável e tivemos que tomar uma difícil decisão, mas prevaleceu o justo, procurar um novo lar para a Bell, a mais jovem, além do quê por morarmos num apartamento, embora grande, estava muito difícil para um cão com quase 35 kg viver adequadamente.

Uma amiga da minha sobrinha Karina, a Bia, que tem uma casa em Campos do Jordão, cidade localizada nos altos do Vale do Paraíba distante de São Paulo cerca de 180 quilômetros, contou que sua caseira tinha perdido, devido à idade, um pastor alemão, e estava à procura de um cachorro para lhe fazer companhia e auxiliá-la na segurança da casa.

Fotos daqui, fotos dali, troca de e-mails e veio a definição: “Tragam-me a Bell, ela será muito bem recebida.”

Isto aconteceu em fevereiro de 2016. Com uma tremenda dor no coração, lágrimas,  a Bell foi levada para Campos de Jordão e passou a ser a companheira da Nice, a caseira, e Jonathan, seu filho.

Os meus contatos com a Nice eram semanais, depois passaram a ser quinzenais até que em abril passado tive a coragem de ir visitá-la. Como já havia descrito na história anterior, fiquei muito feliz por ver que a Bell estava ótima, muito bem tratada e aparentemente muito feliz.

E agora, passados nove meses sem vê-la chegou a hora de ir até Campos do Jordão e passar o dia com ela.

Qual seria a sua reação ao me ver? Se lembraria de mim? Como ela estaria?

Marcamos a viagem, apenas três horas nos separavam, e para lá seguimos eu, minha irmã Sônia, que estava certa de que seria um reencontro memorável e disse que gostaria de me acompanhar para testemunhar, e meu filho Maurício, com o mesmo objetivo.

Saímos de São Paulo às 8h00 levando para a Bell alguns mimos e biscoitos que ela adorava. Chegamos à casa da Bia pontualmente às 11h00.

Conforme combinado com a Nice, nada de campainha ou buzina. Descemos do carro e chegamos próximo ao grande portão de madeira e por sobre ele consegui ver que a minha querida Bell estava deitada lá no fundo da casa tomando seu merecido banho de sol.

Imagine o que fiz? Dei um assobio como costumava dar para chamá-la e chamei-a pelo nome, “Bell, Bell, Bell, vem aqui menina!”

Indescritível, a cena. A Bell veio em disparada na minha direção, acelerando tudo que podia naquela distância e chegando perto do portão latia, pulava, chorava, uivava, ou seja, não cabia em seu forte corpo mais alegria.

A Nice veio em nossa direção e abriu o portão cuidadosamente trancado.

Os pulos, as lambidas foram inevitáveis. Como brincávamos em São Paulo, levei algumas garrafas plásticas vazias com as quais fazíamos várias brincadeiras. Ela simplesmente brincou comigo como se a última brincadeira tivesse sido ontem.

Se um cachorro nunca esquece de quem o sempre o tratou bem, o inverso também é verdadeiro.

Ficamos juntos por mais três horas, ela brincou com minha irmã, meu filho, nos acompanhou no almoço, enfim, estava vivendo momentos muito parecidos com aqueles que foram seus anos conosco em São Paulo.

Eu estava exausto de tanto correr, brincar e ela também, sem contar com o emocional da despedida que estava próxima. E minha roupa, cheia de marcas de terra e grama molhada das mil patadas!

A Bell estava linda, super bem-alimentada, um pelo maravilhoso como consequência do bom trato (visitas do veterinário, vacinas e banhos na pet shop local), e se posso dizer e você entenderá, com um sorriso fantástico na face (foto de abertura).

Como no início contei, este foi o melhor presente que poderia ter recebido do Papai Noel, ele existe sim e estava travestido de uma grande amiga, a Bell.

Um cachorro nunca esquece mesmo e isto foi provado com este encontro.  Já marcamos uma nova visita para breve, é impossível nos separarmos de um ser tão querido e amigo. Se possível, a visitarei no domingo 12 de março, dia do seu aniversário de quatro anos.

Na volta, o desagradável temporal que pegamos na estrada, uma chuva como poucas vezes presenciei.

Um alerta para aqueles motoristas menos experientes: nestas tardes de verão, quando as pancadas de chuva são uma constante, não titubeie: pare em local seguro e aguarde a chuva passar, meia-hora a mais  no percurso pode ser a diferença entre uma viagem tranquila e a possibilidade de um acidente.

Não estou exagerando, ontem tive a oportunidade de ver, mais uma vez, como a grande maioria dos motoristas inexperientes na chuva se mostram inseguros ou praticam manobras arriscadíssimas, colocando-se e seus familiares e demais usuários das autoestradas em risco.

Muito cuidado com o feriado do Carnaval, ele vem aí.

RB



Sobre o Autor

Ronaldo Berg
Coluna: Do Fundo do Baú

Ronaldo Berg, com toda sua vida ligada intimamente ao automóvel, aos 16 começou como aprendiz de mecânico numa concessionária Volkswagen em 1964. De lá para cá trabalhou na VW (26 anos), Audi (4), GM do Brasil (8), Kia (2), Peugeot Sport (4) e Harley-Davidson (2 anos). Sempre em nível gerencial e ligado a assistência técnica, foi também o gerente responsável pelas competições na VW e na Peugeot Sport, gerenciando a atividade dos ralis. No começo da década de 1970 chegou a correr de automóvel, mas com sua crescente atividade na VW do Brasil não pôde continuar.

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  • Wilson Manoel Gonzalez Vieira

    Linda, a Bell. Ronaldo, se todos tivessem o seu bom senso (para chuva e para os animais) as coisas seriam mais fáceis…

    • Ronaldo Berg

      Olá Wilson, Muito obrigado por seus comentários, Feliz Ano Novo. Vamos torcer por um ano mais tranquilo em todos os sentidos.

  • Ronaldo Berg

    Olá Luciano, obrigado por seus comentários e você tem razão, lagrimas de alegria. Feliz Ano Novo.

  • Mr. Car

    Berg, ser objeto do afeto, da amizade, e da confiança de um cão, é uma das maiores honrarias que um humano pode experimentar. Simples assim.
    Abraço.
    PS: outra coisa que noto sob chuva, é que muita, muita gente mesmo, não alivia o pé nem um pouquinho, como deveria.

  • Ronaldo Berg

    Olá André, obrigado por seus comentários. Realmente foi um dia inesquecível que deverá se repetir em futuro próximo, assim espero. Quanto aos cuidados de viajar na chuva é um trabalho que deveria começar nas autoescolas. Tomara que as autoridades acordem para este problema. Feliz Ano Novo.

  • Gustavo73

    Berg, cães não esquecem, e nos não esquecemos deles.

  • NICKS31

    Belo relato! Estamos fora há dois dias (eu, esposa e filho) e estava justamente pensando na reação da nossa vira-lata quando retornarmos na próxima segunda, imaginando a felicidade dela e a nossa. https://uploads.disquscdn.com/images/372c69e3ca452937412a5064460dd447e0a97854b9187bd0cf6cd94448d455ce.jpg

  • Paulo Ferreira

    Caro Ronaldo, eu que agradeço pelas histórias! Desejo a ti um grandioso 2017! Abraços.

  • Ronaldo Berg

    Olá, Marco Antonio, obrigado por seus comentários. Uma observação, não sou jornalista, fiz Administração e trabalhei na indústria automobilística por só 52 anos.
    Piloto der competições fui sim, tanto em pista (asfalto) como em rali, mas sempre como um hobby e nunca como profissional. Fui Gerente da Volkswagen Motor Sport e tinha como supervisor da área o grande Bob Sharp. Foi uma época de muito sucesso para a marca. Quanto ao seu pensamento de aprender na escola, 100% de acordo.