Longe de ser uma surpresa, brasileiro e finlandês foram confirmados nas últimas vagas da F-1 para 2017. Decisão mantém Brasil na categoria. Manor ainda tenta sobreviver

Bottas assinou contrato de um ano, mas tem tudo para ficar mais tempo na equipe alemã (Foto Mercedes)

Forte concorrente ao título de segredo mais malguardado da temporada, o anúncio de que Felipe Massa aceitou revogar sua aposentadoria e assumir o lugar de Valteri Bottas na Williams, uma vez que finlandês foi para a Mercedes ocupar a vaga deixada por Nico Rosberg, praticamente completou o grid da F-1 para este ano.

Embora a Manor admita que ainda tenta encontrar investidores para disputar a temporada de 2017, poucos acreditam que o time inglês estará presente no GP da Austrália, dia 26 de março, em Melbourne. Neste quadro o brasileiro Felipe Nasr só permanecerá na categoria na condição de piloto-reserva, paliativo que seria uma saída para prospectar uma vaga para 2018.

A decisão da Williams recuperar Massa como piloto era a mais óbvia desde o dia 2 de dezembro, quando Nico Rosberg surpreendeu o mundo e anunciou o encerramento de sua carreira de piloto poucos dias após ter conquistado o título mundial de 2016 e Valtteri Bottas tornou-se um forte candidato a preencher a vaga do alemão. Essa combinação de fatores só não aconteceu mais cedo por uma combinação de fatores econômicos, contratuais e de imagem.

Os fatores econômicos foram fundamentados pelas demandas do mercado: Bottas era o melhor piloto disponível a um preço aceitável, a Williams soube capitalizar sua liberação com amplos ganhos próprios e no bom relacionamento que construiu com Felipe Massa e a Mercedes não teve que aumentar o preço dos seus automóveis de luxo para tirar Vettel, Alonso ou Verstappen de seus atuais empregos, para citar apenas três nomes.

As questões contratuais deram tanto ou mais trabalho para serem equacionadas e devidamente resolvidas. Os patrocinadores da Williams, em particular a Martini, tiveram que endossar a liberação do finlandês e o retorno do brasileiro; na Mercedes esse assunto requereu mais atenção a Lewis Hamilton, o primeiro piloto da equipe e famoso por suas demandas explosivas e, vez por outra, exageradas. O currículo de Bottas na Williams faz prever que haverá momentos de atrito entre ele e o inglês e já se vislumbram momentos de alta tensão.

Toto Wolff cuidava da carreira de Valtteri Bottas; agora é seu patrão (Foto Mercedes)

Mais jovem que Massa exatos 17 anos e 187 dias, o canadense Lance Stroll será mais um aluno do brasileiro. Na história da F-1 são raros os casos de companheiros de equipe com idades tão diferentes: Juan Manuel Fangio e Stirling Moss tinham entre si 18 anos e dois meses quando defendiam a equipe Mercedes em 1955. Mais do que isso só mesmo um fato ocorrido no GP de Mônaco de 1955. Essa corrida marcou despedida do francês Louis Chiron, nascido aos 3 de agosto de 1899, da F-1 correndo pela equipe Lancia, que também inscreveu o italiano Eugenio Castellotti (10 de outubro de 1930) nessa temporada…

Se o automobilismo brasileiro teve ganhos consideráveis com esse final feliz, o grande prejudicado é o alemão Pascal Wehrlein, um dos pupilos de Toto Wolff. Sua promoção da equipe Manor para a equipe Sauber tem sabor de remédio homeopático, mas o fato de Estebán Ocón, seu companheiro de equipe no segundo semestre, ter sido promovido à Force India entrega um laudo onde seu prestígio parece funcionar com a ajuda de aparelhos. Wolf, é bom lembrar, aproveitou o impacto das confirmações de hoje para anunciar o fim do seu contrato de gerenciamento da carreira de Valtteri Bottas. Segundo o austríaco, “seria conflito de interesses gerenciar a carreira de piloto de uma equipe onde sou o diretor”. Em outras palavras, as funções de patrão e empregado foram invertidas…

O alemão Pascal Wehrlein, protegido da Mercedes, segue na F-1, mas na Sauber (Foto Mercedes)

Deixando de lado a Manor, cujo futuro parece ter ficado no passado, a lista de inscritos do Campeonato Mundial de F-1 deste ano é a seguinte:

2 – Stoffel Vandoorne – McLaren Honda Formula 1 Team
3 – Daniel Ricciardo – Red Bull Racing
5 – Sebastian Vettel – Scuderia Ferrari
7 – Kimi Räikkönnen – Scuderia Ferrari
8 – Romain Grosjean – Haas F1 Team
9 – Marcus Ericsson – Sauber F1 Team
11 – Sérgio Pérez Mendoza – Sahara Force India F1 Team
14 – Fernando Alonso – McLaren Honda Formula 1 Team
18 – Lance Stroll – Williams Martini Racing
19 – Felipe Massa – Williams Martini Racing
20 – Kevin Magnussen – Haas F1 Team
26 – Daniil Kvyat – Scuderia Toro Rosso
27 – Nicolas Hulkenberg – Renault Sport Formula One Team
30 – Jolyon Palmer – Renault Sport Formula One Team
31 – Estebán Ocón – Sahara Force India F1 Team
33 – Max Verstappen – Red Bull Racing
44 – Lewis Hamilton – Mercedes AMG Petronas Motorsport
55 – Carlos Sainz Jr – Scuderia Toro Rosso
77 – Valtteri Bottas – Mercedes AMG Petronas Motorsport
94 – Pascal Wehrlein – Sauber F1 Team

 

Torres e Roldan vencem o Dakar 2017

A festa brasileira na chegada do Dakar 2017, em Buenos Aires (Foto arquivo Leandro Torres)

Os brasileiros Leandro Torres e Lourival Roldan conquistaram um histórico triunfo para o esporte a motor brasileiro ao vencer o Rally Dakar, encerrado sábado, na categoria UTV (Utility Task Vehicle). Foi a primeira vez que a maior competição off-road do mundo abriu uma categoria para esse tipo de veículo, que apesar de ter quatro rodas no País é supervisionado pela Confederação Brasileira de Motociclismo, outra demonstração da inoperância e inabilidade que caracterizam a atual gestão da CBA, a entidade congênere do automobilismo. Nas demais categorias triunfaram os franceses Stéphane Peterhansel e Jean Paul Cottret (automóveis, Peugeot 3008 DKR), o inglês Sam Sunderland (motos, KTM), os russos Sergey Karyakin (Quadriciclos, Yamaha) e Eduard Nilolaev, Evgeny Yakovlev e Vladimir Rybakov (caminhões, Kamaz Master)

 

Jimenez na Hot Car BARDHAL

O chefe de equipe Amadeu Rodrigues, o piloto Sérgio Jimenez e o presidente da Bardahl, Roberto Galvão (Foto FGCom)

Sérgio Jimenez foi confirmado ontem na equipe Hot Car-Bardahl de Stock Car. O piloto de Piedade (SP) vai fazer dupla com o curitibano Guga Lima. Como no caso entre Felipe Massa e Lance Stroll, a diferença de idade entre os dois é marcante: Jimenez nasceu em 15 de maio de 1984 e parte para sua sexta temporada na categoria; Lima (5 de agosto de 1996) tem 26 largadas na Stock Car.

WG

A coluna “Conversa de pista” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
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