Categoria tem novidades no regulamento para 2017. Mudanças visam reverter esvaziamento. Pilotos refutam pneus Dunlop.

A Classic Cup reúne carros de vários segmentos com preparação bastante ampla (Foto Rodrigo Ruiz)

Ainda que o automobilismo seja um esporte que demanda altos investimentos, o espírito de qualquer categoria de base deve ser pensado, em princípio, para oferecer custos reduzidos e corridas disputadas. No entanto, tampouco o cenário de crise que envolve o País há alguns anos serviu para evitar que a Classic Cup sofresse as consequências, notadamente a queda do número de inscritos por prova ou reclamações de pilotos ante a possibilidade de reduzir custos. Para tentar reverter esse quadro, preparadores e a Federação de Automobilismo de São Paulo (Fasp) optaram por fazer algumas alterações no regulamento técnico para a temporada 2017. O resultado, como é normal no automobilismo, gerou opiniões opostas.

As mudanças para esta temporada focaram em motor e suspensão: embreagem (passa a ser monodisco), amortecedores (unicamente hidráulicos) e pneus, que deverão ser da marca Dunlop, linha Falken. Segundo Nenê Finotti, proprietário da LF Competições e um dos principais incentivadores da Classic Cup, “o kit de embreagem multidisco podia passar dos R$ 7 mil, quase dez vezes o preço do equipamento que vamos adotar este ano”. Raciocínio semelhante se aplica aos amortecedores.

Alguns carros remetem aos carreteras derivados de modelos nacionais dos anos 1960 (Foto Acervo Nenê Finotti)

Os pneus são o item que gerou o maior número de queixas entre os pilotos. Pelo regulamento deste ano deverão ser usados os Dunlop SP Sport LM704, Dunlop Falken ZE912  e Sport Turing (sic) nas medidas 195/60R15 ou 185/65R14. Vários pilotos deixaram claro a preferência pelos Yokohama Neova, mais aderentes — em particular em piso molhado — que os Dunlop Falken tornados obrigatórios para este ano. Segundo o piloto André Mello, a relação custo-benefício dos primeiros é superior:

O piloto André Mello (Foto Rodrigo Ruiz)

“Um jogo de quatro pneus Neova custa em media R$ 3.800, que são mais aderentes e duram pelo menos quatro corridas sem perder performance. Um jogo de quatro pneus Dunlop custa em média R$ 1.100,00 e dura no máximo duas corridas; tem piloto que com certeza absoluta vai usar um jogo por corrida. Pelo menos no meu caso e de muitos que eu conheço, o custo-benefício do Neova é infinitamente mais interessante.”

Os custos apresentados por Mello estão condizentes com pesquisa de preços realizada pelo site Motores Clássicos, porém o argumento de durabilidade é contestado pelo preparador Luís Finotti, que acrescenta outras razões para adotar os Dunlop Falken: “Os Neova não mantêm essa performance superior após duas corridas, ao contrário dos Dunlop, que são regulares por quatro ou cinco provas. O que muita gente não consegue entender é que a aderência oferecida pelos Yokohama Neova é incompatível com o esforço que isso implica à suspensão dos carros da categoria no que diz respeito a terminais, buchas, bieletas…”

Mello confirmou que apesar disso a maioria dos pilotos confirmou a escolha pelos Neova: “Eu mesmo fiz uma pesquisa entre todos os pilotos que fizeram parte da última temporada, o resultado foi 22 a favor da manutenção dos pneus Neova (e qualquer outro radial de livre escolha), quatro pilotos foram contra e outros seis que foram consultados não responderam à enquete.”

A informação sobre o número de pilotos da categoria foi contestada tanto por Marcus Ramaciotti (diretor técnico da Fasp e responsável pelo Conselho Técnico-Desportivo Paulista), quanto por Luís Finotti, ambos alegando que as últimas provas da temporada reuniram menos de 20 carros no grid “e ainda assim junto com outras categorias”. Marcus Ramaciotti vai ainda mais longe e reitera o argumento de manter custos baixos: “Quem diz que o Yokohama acaba saindo mais barato é porque usa o pneu uma vez e o passa adiante a um custo pouco inferior; quem compra o usado já sai perdendo. Com relação ao fato da maioria dos pilotos preferirem A ou B temos que considerar que os preparadores estão nesse negócio há décadas e seguem trabalhando. Muitos pilotos exigem isso e aquilo e quando a brincadeira fica muito cara abandonam o negócio e deixam de herança uma situação insustentável. Temos que pensar e trabalhar com foco no longo prazo.”

A decisão de usar apenas os pneus Dunlop foi informada neste comunicado publicado dia 9 de janeiro último no site da Fasp. Dado curioso é que o documento menciona a especificação “Super Turing” (sic) em três medidas diferentes e que não constam do catálogo da Dunlop (confira aqui) nem mesmo com a grafia “Super Touring” (veja aqui). Na medida 185/65R14 existe o modelo “SP Touring”, o que indica a necessidade de correção e esclarecimento no documento da entidade. Consultado a respeito, Ramaciotti informou ao site Motores Clássicos a lista de medidas e modelos de pneus homologados, insistindo no uso do modelo inexistente e mais ampla do que o que conta no site da Federação de Automobilismo de São Paulo. Confira a lista conforme informação de Marcus Ramaciotti:

Pneus liberados: Dunlop

Medida: 195x55x15 -Modelo LM 704
Medida: 195x50x15 – Modelo ZE 912
Medida: 185x70x14

Modelo Dunlop Sport Turing

Medida: 185x60x14
Medida: 195x60x15
Medida: 185x65x14

Causa espécie uma entidade como a Fasp desconhecer a notação da medida de um pneu. Por exemplo, o correto é 185/65R14, nunca 185x65x14.

Aguarde-se, pois, um novo adendo ao Regulamento Técnico de 2017 da Classic Cup… ou momentos de emoção no paddock de Interlagos no próximo fim de semana.

WG

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