Disputas equilibradas e chuvas intensas marcam a edição deste ano do Rally Dakar. Brasileiros Leandro Torres e Lourival Roldan são destaque entre os UTVs.

Principal competição off-road do mundo, o Dakar 2017 tem sido marcado pela disputa entre três marcas — MINI, Peugeot e Toyota —, acidentes e incidentes afastando pilotos de ponta e dificuldades climáticas que forçaram a interrupção da prova por dois dias seguidos. Ao evitar os desertos junto ao Pacífico e adotar um percurso envolvendo Bolívia e Paraguai, os organizadores ficaram reféns das chuvas da região e acabaram reduzindo a quinta etapa e cancelando a sexta. Esta condição sem dúvida afetará o roteiro da prova no ano que vem.

Voltaram a circular rumores de que o Dakar deixa a América do Sul e volta a ser disputado na África (Foto E. Vargiolu)

Não bastasse isso o percurso da etapa de ontem também foi alterado por questões de segurança. Como domingo foi um dia de descanso, apenas os carros da categoria Maratona partiram ontem praticamente reconstruídos — os de competição propriamente ditos ficam em regime de parque fechado entre a chegada e a próxima largada, situação em que não podem ser tocados.

Nas seis etapas disputadas houve quatro vencedores diferentes e Sébastien Loeb (Peugeot 3008 DKR) lidera com o tempo total de 12:20:00, três segundos à frente de Nani Roma (Toyota Hilux) e Stéphane Peterhansel (Peugeot 3008 DKR). Entre os dez primeiros apareciam quatro desses modelos, três Toyota Hilux dois MINI All4 e um bugue. Vale destacar a variedade de conceitos mecânicos entre os três modelos: os 3008 DKR são equipados com motor diesel biturbo e tração traseira, as Toyota Hilux com motor a gasolina e igualmente tração traseira — tal qual o bugue Sodicar BV2 de Éric Bernard (nenhuma relação com o ex-piloto de F-1) e os MINI All4 tem tração total e motorização diesel.

Entre as principais desistências até agora incluem-se Al-Attyah Nasser (Toyota Hilux/Gazoo Racing) e Carlos Sainz (Peugeot 3008 DKR). O abandono do árabe aconteceu primeiro, no terceiro dia de competição; já “El Matador” foi um dia além, desistindo após uma espetacular saída de pista seguida de violenta capotagem em uma curva fechada para a direita.

Leandro Torres e Lourival Roldan são os melhores brasileiros na competição e lideram a categoria UTV. Sylvio Barros e Rafael Capoani, inscritos na prova dias antes da largada, ocupam o 16º Lugar na classificação entre os automóveis, enquanto nas motos Ricardo Martins é o 59o, quatro posições à frente de Richard Fliter. Marcelo Medeiros, que venceu a primeira especial, sofreu uma queda no dia seguinte e quebrou a clavícula. O rali termina sábado, mas na metade do seu percurso a edição deste ano já consolidou a marca de uma das mais complicadas e difíceis da história.

 

F-1 corre contra o tempo

Boa parte das equipes de F-1 corre contra o tempo para acabar a a fabricação e montagem dos modelos 2017 a tempo dos primeiros treinos livres pré-temporada. Na sede da Toro Rosso admite-se que a linha de produção — se é que se pode chamar de linha de produção uma fábrica que produz sete ou oito carros por ano…—, funciona em regime de 24 x 7 para atingir esse objetivo.

A terceira semana cheia de fevereiro será das mais agitadas: em Silverstone, Inglaterra, haverá apresentação dos monopostos da Renault (dia 21), Force India (22) e Mercedes (23). No dia seguinte, em Fiorano, Itália, é a vez da Ferrari mostrar seu novo modelo. Os primeiros testes serão em Barcelona entre os dias 27 de fevereiro e 2 de março. As equipes voltam à pista catalã entre 7 e 10 de março, duas semanas antes do início da temporada, dia 26, em Melbourne, na Austrália.

Tudo indica que apenas dez equipes estarão presentes no grid dessa corrida: após perder o décimo lugar para a a Sauber graças ao nono lugar de Felipe Nasr no GP do Brasil, Stephen Fitzpatrick, proprietário da Manor, divulgou que a empresa entrou em recuperação judicial e vê “uma chance muito remota” de reverter essa situação até o GP da Austrália. Nasr, ao que tudo indica, ficará fora do grid deste ano.

 

Mercedes em compasso de espera

Continuam os rumores sobre a confirmação de Valtteri Bottas como substituto de Nico Rosberg na equipe Mercedes. De qualquer maneira o jornal esportivo Marca, da Espanha, divulgou que Felipe Massa revogou um acordo que teria assinado com uma equipe de F-E em consequência do convite da Williams em reconsiderar sua aposentadoria. Dessa forma é lógico concluir que a confirmação de ambos só depende de negociações contratuais entre equipes e patrocinadores, definição que pode ser considerada fato consumado.

 

Brasileiros em Daytona

Vencedor em 2004 e 2014, Christian Fittipaldi está entre os favoritos deste ano (Foto Action Express)

O pelotão de brasileiros inscritos na 24 Horas de Daytona deste ano é dos mais significativos: Augusto Farfus Jr., Bruno Senna, Christian Fittipaldi, Oswaldo Negri, Pipo Derani e Tony Kanaan. Fittipaldi (2004 e 2014), Kanaan (2015), Negri (2012)  e Derani (2016) já venceram a prova na classificação geral, resultado que tem mais chances de se repetir com Christian e Pipo. O primeiro estará a bordo de um Cadillac V.R e o segundo ao volante de um Nissan Onroak, ambos da categoria Daytona Prototype International.

Tony Kanaan, vencedor em 2015, volta a competir com um Ford GT da Chip Ganassi (Foto IMSA)

Kanaan conduzirá um dos Ford GT da equipe Chip Ganassi — representante oficial da marca do oval azul — e Negri estréia o Acura NSX , na mesma categoria do Ford, a GT3; é nela que competem os novos Porsche 911 RSR, Mercedes AMG e Lexus F GT3. Farfus vai pilotar um BMW M6 GTLM e Bruno Senna está inscrito pela equipe ESM para pilotar um Ligier Nissan Nismo. Além dos já citados, o Brasil tem outra vitória na classificação geral dessa prova, com Raul Boesel (1988), com um Jaguar XJR-9.

Augusto Farfus inicia mais uma temporada como piloto oficial da BMW (Foto IMSA)

O ambiente dos carros da categoria Resistência — Endurance para os puristas —, vem ganhando movimentação em duas frentes. Enquanto grandes marcas desenvolvem modelos para disputar vitórias na classificação dos GT3, pequenos construtores crescem e anunciam planos para a classe LMP1. Os construtores de alta produção vislumbram nas competições de grã-turismo uma forma eficiente de posicionar seus produtos junto a consumidores de alto poder aquisitivo. ao mesmo tempo que convertem em lucros financeiros a venda de produtos e serviços para esses clientes e propagandistas. A Toyota, ainda ausente desse mercado, optou por um campeonato no tradicional Nürburgring usando uma versão preparada do seu GT86.

Toyota promove seu GT86 em campeonato disputado em Nürburgring (Foto Toyota)

Consolidada em categorias inferiores, a Ginetta anuncia para 2018 sua entrada entre os grandes da Resistência, temporada em que a propulsão híbrida será proibida. O carro será projetado por uma dupla respeitosa: Adrian Reynard e Paolo Catone, o primeiro consagrado por monopostos que dominaram categorias como a F-Ford, F-3, F-3000 e F-Indy e o segundo, por sua importante participação no projeto do Peugeot 908 HDi vencedor em Le Mans em 2009. O novo carro começa a ser testado logo após a 24 Horas de Le Mans deste ano.

A Ginetta confirmou a construção de modelo para a categoria LMP1 (Foto Ginetta)

WG

A coluna “Conversa de pista” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
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