Terça-feira última (13) o AE, com Bob Sharp e Paulo Keller, esteve presente na 8ª edição da “Noite Renault” no sambódromo do Anhembi (SP), onde houve uma exposição de carros antigos e recentes da marca. Com o tema “A História de sucesso dos motores Renault”, o evento relembrou os diferentes motores que equiparam dezenas de modelos Renault até hoje.

O Étoile Filante, ou Estrela Cadente, foi uma das atrações mais interessantes da noite. O veículo é propulsionado por uma turbina aeronáutica do fabricante francês Turbomeca, que o levou a estabelecer quatro recordes mundiais de velocidade em 1956, alcançando 307 km/h no deserto de sal de Bonneville em Utah, nos EUA.

Outro campeão histórico da Noite Renault foi o Dauphine Bonneville, com motor Cléon-Fonte de 956 cm³, que quebrou recorde de velocidade em agosto último também no deserto de Bonneville na categoria CGC/I (Classic Gas Coupe) de modelos produzidos de 1928 a 1981 com motor entre 754 e 1.015 cm³, atingindo 123,088 km/h. Construído pela Renault Classic para celebrar os 60 anos do Dauphine, foi inspirado no Dauphine de 1961. O número do carro 9561 é a combinação da cilindrada do motor e do ano do modelo.

O Dauphine tinha originalmente o motor Ventoux de 845 cm³, de três mancais. Em 1962 a Renault lançou um novo motor para os anos à frente, chamado Sierra, mas logo renomeado Cléon, nome da então moderna fábrica Renault onde era fabricado. Mais tarde, com a chegada da versão de bloco de alumínio para o Renault 16, de 1965, para diferenciá-los os motores passaram a se denominar Cleón-Fonte (bloco de ferro fundido, fonte em francês), e Cléon-Alu.

O motor Cléon-Fonte, de cinco mancais e bem mais robusto que o de três, começou sua vida em 1962 nos Renault 8 e Floride S, ambos revelados no Salão de Genebra daquele ano. O motor teve grande sucesso, sua cilindrada subiu para 1.108 cm ³, depois 1.297 cm³, 1.372 cm³ e 1.555 cm³, essas três últimas tendo chegado também ao Ford Corcel, uma vez que este modelo era, na sua base, o Renault 12 modificado. Na Argentina o Renault 19 era de 1.565 cm³. Essas foram algumas da cilindradas desse motor, um dos mais produzidos no mundo em sua existência de 42 anos: 27.277.306 motores.

Dauphine Bonneville

Dauphine Bonneville (foto Renault)

E já que falamos de esportividade aproveitamos para relembrar um post do MAO com os Dez melhores esportivos da Renault.

Em exposição também estavam modelos clássicos da marca, como um raro Renault 1918 preparado para competições; o Juvaquattre surgido em 1937; o 4 CV que estreou o motor Ventoux, em 1946; a linha Dauphine e Gordini; os clássicos europeus Renault 8 e 10, que estrearam o motor Cléon-Fonte no início dos anos 1960; o moderno R16; e o Renault 4 do entusiasta Bruno Hohmann.

Também fizeram parte da exposição modelos recentes como o inovador Twingo, Clio, Mégane, Laguna, Sandero e Logan, entre outros, e com a presença dos seus respectivos clubes.

Também foi muito gratificante encontrar os diretores de Comunicação, Carlos Henrique “Caíque” Ferreira, e de Marketing, Bruno Hohmann, este com seu Renault 4 trazido da Colômbia, país onde trabalhou seis anos como diretor de vendas da Renault-Sofasa, além do francês Alain Tissier, vice-presidente da filial brasileira da  fabricante e que participou do tradicional desfile do evento como passageiro do Bruno a bordo do Renault 4. Todos autoentusiastas na sua essência.

O Renault 4, que foi produzido em diversos países, incluindo a Colômbia, de 1961 a 1994, tem algumas particularidades como o entre-eixos diferente em cada lado (direito 2.440 mm e esquerdo, 2.395 mm) solução para acomodar as molas de torção instaladas transversalmente (solução que chegou ao Renault 5), e foi também o primeiro automóvel a ter o sistema de arrefecimento selado. Foi o primeiro Renault de tração dianteira e o transeixo com câmbio de quatro marchas  fica à frente do motor. Ao “4” é creditado o feito de ser o primeiro hatchback de grande produção do mundo; mais 8 milhões foram produzidos e seu sucessor foi o Twingo.

A noite também abriu espaço para uma homenagem a Marco de Bari, tragicamente falecido em julho deste ano aos 53 anos quando fotografava num estúdio. Bari é considerado o maior nome da fotografia do setor automobilístico. Com uma carreira de 37 anos, foi responsável por mais de 150 capas da revista Quatro Rodas, onde trabalhava desde 1989. A homenagem foi entregue a Rosa de Bari, mãe do fotógrafo, Nicolle de Bari, filha, e Juliana Linhares, esposa.

Foi mesmo uma bela noite, recheada de puro autoentusiasmo!

AE/PK

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