A decisão de Nico Rosberg em anunciar sua precoce aposentadoria três dias após conquistar o título deste ano deixou no ar a questão sobre a liberdade de escolha de um campeão.

Na história da F-1 apenas os ingleses Mike Hawthorn, em 1958, e Nigel Mansell, em 1992 tiveram ousadia semelhante à praticada pelo alemão Nico Rosberg, ambos apresentando motivos diferentes mas nenhum deles impactantes o suficiente como o visto este ano. A decisão do alemão já suscitou até mesmo possíveis ligações com a prática do budismo, algo considerado a julgar pela decoração do capacete e até mesmo o nome de sua filha, Alläia. A verdade, porém, permanece por hora tão desconhecida quanto a identidade de quem vai sucedê-lo.

Capacete de Nico em 2016 exibia um símbolo budista. Poucos ligaram esse detalhe à possibilidade do alemão seguir essa religião. (Foto Mercedes)

Capacete de Nico em 2016 exibia um símbolo budista; poucos ligaram esse detalhe à possibilidade do alemão seguir essa religião (Foto Mercedes)

 

Morte quase súbita

Mike Hawthorn e seu compatriota Peter Collins, e o italiano Luigi Musso, eram os três principais pilotos da Ferrari para a temporada de 1958, ano dominado pela equipe britânica Vanwall, que venceu sete das onze provas do campeonato, em que os ingleses Stirling Moss (4) e Tony Brooks (3) dominaram. O francês Maurice Trintignant (Cooper Climax) venceu uma vez (Mônaco), assim como Hawthorn (França) e Collins (Grã-Bretanha). Musso, que era ignorado pelos dois ingleses, foi uma das muitas perdas do esporte na temporada: ao perder o controle do seu carro na curva 1 de Reims, na França, foi jogado para fora do habitáculo do seu Dino 246 (um monoposto baseado na Lancia de F-2) e faleceu no hospital.

Esta temporada foi a que se criou o título de Construtores, que foi para a Vanwall. Uma das etapas do campeonato era a 500 Milhas de Indianápolis, vencida pelo americano Jimmy Bryan com um Epperly-Offenhauser de motor dianteiro.

Mike Hawthorn foi campeão em 1958 e semanas depois anunicou que abanobnava as competições. Morreu em janeiro de 1959 (Foto Ferrari)

Mike Hawthorn foi campeão em 1958 e semanas depois anunciou que abandonava as competições; morreu em janeiro de 1959 quando tirava um racha com Rob Walker na estrada A3 (Foto Ferrari)

Apesar das quatro vitórias de Moss, a decisão do título foi no GP do Marrocos de 1958, num circuito de 7.618 metros nas ruas de Casablanca: o piloto da Vanwall venceu e o da Ferrari chegou em segundo, suficiente para garantir o título por um ponto. Marcado pela morte do amigo Peter Collins no GP da Alemanha e problemas de saúde que já haviam paralisado as funções de um rim, Hawthorn anunciou sua aposentadoria no final do ano. Ironicamente, veio a falecer em consequência de um acidente de trânsito dirigindo um Jaguar, supostamente quando disputava um racha com Rob Walker no trecho da rodovia A3 em Guildford.

Firme como uma rocha

A temporada de 1992 foi marcada pelo domínio da equipe Williams e Nigel Mansell, consequência do desempenho superior do Williams FW-14B-Renault equipado com suspensão ativa. A diferença para os demais carros era tamanha que Mansell garantiu o título na décima-primeira das 16 etapas da temporada, o GP da Hungria, recorde que persiste até hoje. Ocorre que a relação entre o piloto e a equipe deteriorou-se a cada volta desde o GP do México (segunda etapa da temporada), quando ele descobriu que Alain Prost seria seu companheiro de equipe em 1993.

Nigel Mansell, campeão de 1992, não esperou o campeonato acabar para anunciar sua transferência para a Indy (Foto Renault)

Nigel Mansell, campeão de 1992, não esperou o campeonato acabar para anunciar sua transferência para a Indy (Foto Renault)

Nas entrevistas após as corridas as primeiras palavras de Mansell eram, invariavelmente com a declaração que se tornou seu bordão: “My team did a fantastic job” (“Minha equipe fez um trabalho fantástico”). A exceção a esse trabalho fantástico foi descoberta durante uma coletiva em Monza, quando prestes a anunciar que iria disputar a F-Cart em 1993, Sheridan Thynne invadiu a sala de imprensa e cochichou uma última oferta para dissuadir o inglês dessa ideia. A manobra não funcionou e Thynne igualmente abandonou a F-1 ao final de 1992.

 

Rosberg e o budismo

A representação gráfica do nó infinito dos budistas (Foto Wilkepedia)

A representação gráfica do nó infinito dos budistas (Foto Wilkipedia)

Até a semana passada ninguém, ou praticamente ninguém, havia escrito uma linha sequer sobre o que até agora era apenas “um desenho” na parte frontal do seu capacete. Estou falando do que o budistas chamam de “nó infinito”, que ao configurar uma linha contínua e entrecruzada representa a inter-relação entre tudo que envolve a existência humana. Ou, como dita uma definição mais clássica, “representa a origem dependente e a inter-relação de todos os fenômenos. Significa também causa e efeito da união de compaixão e sabedoria.

Outro detalhe que pode ser invocado é que o nome da filha de Nico e Vivian, Alläia, deriva da palavra que define a primeira das oito consciências budistas, Ãlayavijñã. O trema no primeiro “a” pode ser uma alusão às origens do pai de Nico, Keke, nascido na Suécia mas filho de finlandeses e criado nesse país. Na interpretação budista,  Ãlayavijñã leva ao renascimento.

Um número ligeiramente maior de pessoas, no entanto, conseguiu enxergar na atitude de Nico Rosberg a coragem de assumir uma atitude que ele garante ser sua vontade, seu desejo. O que pode parecer uma pá de cal no conceito que pilotos de F-1 são super-heróis pode muito bem ser o início de uma era onde fica claro que existe vida fora da categoria mais badalada do automobilismo mundial. Se Rosberg vai voltar atrás em sua decisão, se o destino lhe reserva algo semelhante ao que aconteceu com Mike Hawthorn ou Nigel Mansell, isso não importa. O filho de Keke já deixou claro que conquistou algo que sonhava desde quando tinha seis anos de idade e agora, aos 31, espera o tempo mostrar qual será o próximo passo de sua vida.

 

Paul Ricard de volta

Enquanto no Brasil a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) ainda sequer divulgou um esboço de calendário para a temporada de 2017, organizadores franceses já anunciaram a volta do GP da França para o Campeonato Mundial de F-1 de… 2018. A competição será no circuito de Paul Ricard, em Le Castellet, local situado a meio caminho entre as cidades de Marselha e Nice.

 

Stock Car define campeão 2017

Felipe Fraga pode se tornar o campeão mais jovem da Stock Car brasileira (Foto Fernanda Freixosa)

Felipe Fraga pode se tornar o campeão mais jovem da Stock Car brasileira (Foto Fernanda Freixosa)

O Campeão Brasileiro da Stock Car desta temporada será conhecido domingo em Interlagos (SP), prova que terá pontuação dobrada. O líder do campeonato é o jovem tocantinense Felipe Fraga, que soma 282 pontos, contra 245 do segundo colocado, Rubens Barrichello. O internauta cadastrado na página oficial da categoria no Facebook pode eleger seu piloto preferido entre os cerca de 30 que disputaram a temporada. Os critérios de escolha são baseados em vários quesitos, como simpatia, pilotagem, interação com os fãs, entre outros fatores.

 

Christian vai de Cadillac em 2017

Christian Fittipaldi vai disputar a temporada 2017 com um novo carro, o Cadillac DPI-V.R., um chassi biposto construído pela Dallara e equipado com motor 6,2 V-8 capaz de produzir mais de 600 Cv. A sigla DPI vem de Daytona Prototype International, categoria da IMSA que permite maior liberdade de criação na carroceria para facilitar a identificação dos carros de corrida com modelos fabricados em série.

Os faróis do Cadillac DPI remetem ao bloco óptico que identifica a frente do carro de produçåo (FOto Cadillac).

Os faróis do Cadillac DPI remetem ao bloco óptico que identifica a frente do carro de produção (Foto Cadillac)

No caso do protótipo que será usado pelas equipes Action Express e Wayner Taylor Racing, isso é notado pelo formato dos faróis duplos nos para-lamas dianteiros.  A última aparição da marca premium da GM em competições foi na 24 Horas de Le Mans de 2002; a estreia dos novos carros está marcada para a 24 Horas de Daytona, que será disputadas nesse circuito nos dias 28 e 29 de janeiro de 2017.

WG

A coluna “Conversa de pista” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
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