Todos sabemos a enorme enrascada que a política econômica petista e seu projeto de poder colocou nosso país: o intervencionismo governamental desmedido e a institucionalização das propinas como meio de geração de recursos financeiros para partidos, políticos e até um certo sitiante dono de triplex (que diz não ser sitiante mas deixou escapar, num ato falho, ter um triplex…) que fez empresas e cidadãos entrarem em uma crise sem precedentes e, por consequência, União, estados e municípios.

Há muito que venho observando o sucateamento do Estado de São Paulo. Contudo, mais recentemente, esse sucateamento tem se tornado explícito. Desde a Delegacia de Polícia que não tinha o papel nem o tonner de impressora para me gerar um B.O. após o furto de três folhas de cheque, até a situação rodoviária de nosso Estado.

Mas, atenção, leitor ou leitora, o que falo do Estado de São Paulo é aplicável a outros.

Com o reinício das chuvas de primavera/verão, buracos surgem nas rodovias, especialmente na faixa da direita, usada por carros e caminhões. Entretanto, noto que nas rodovias geridas pelo DER (Departamento de Estradas de Rodagem) do estado há um certo abandono, com buracos formados que ficam sem os devidos reparos, tornando a faixa da esquerda um caminho necessário para que se trafegue minimizando o risco de acontecer o que aconteceu no pneu do nosso Jetta 2-L Comfortline. Isso ignorando que mês passado ocorreu o mesmo com o meu recém-adquirido Gol e que acabou até servindo de inspiração para a matéria sobre o raio negativo de rolagem.

Paralelamente ao sucateamento, também também observado o fechamento de postos de Polícia Militar Rodoviária e, por consequência, aquele ponto de referência, onde se podia até parar para descansar sem o risco de um assalto, deixou de existir. Fiscalização? Nenhuma! Apenas radares espalhados por diversos pontos ao longo das rodovias, sejam eles os fixos ou os estáticos, prontos para servirem de “pegadinha” para o motorista incauto que acelerou um pouco mais para ultrapassar aquele caminhão incômodo ou fugir daquele domingueiro que tem dificuldade de manter a linha reta. Mas a indústria da multa “não existe”…

Agora, há menos de 15 dias, saiu o edital de licitação para concessão das rodovias SP-333 e SP-294, com a previsão de colocação de pedágios ao longo dos trechos. A dúvida é: onde? O “genial” engenheiro que faz esse trabalho, do alto de sua sala na capital, com ar-condicionado, ignora que a colocação de praças de pedágio em certos trechos de algumas rodovias acabam se tornando na prática um pedágio urbano. Sim, um pedágio urbano!

Para quem não compreendeu é simples: muitas cidades do interior são dependentes umas das outras. Na minha microrregião há muitas pessoas que moram em Garça e trabalham em Marília, e o inverso também acontece!

Lupércio, uma pequena cidade próxima daqui de onde moro, depende fundamentalmente de Marília, com muitos trabalhadores da indústria residindo no município. Mas para isso o acesso via BR-153 já ganhou um pedágio no alto da serra de Marília, encarecendo ainda mais a vida do cidadão que paga impostos.

Carro no interior não é apenas um luxo. É um meio de transporte necessário para levar mercadorias e pessoas de um lugar a outro, para dar acesso à educação e até mesmo levar mensagens e documentos pois nem sempre há sinal de telefonia! Não dá para trocar o carro pelo ônibus (argumento predileto dos “politicamente corretos” que desconhecem a realidade de um interior nem tão longe assim da capital paulista) ou falar “olha, pegarei um metrô de Santa Barbara d´Oeste a Campinas ou de Garça a Marília”.

Onerar ainda mais o ir e vir é cercear esse sagrado direito que cada dia mais é violentado pelas rodovias precárias, pelo alto custo de ter um veículo (taxas, IPVA, multas, combustível a preços irreais) e também pelos pedágios, colocados em pontos estratégicos visando arrecadar o máximo possível da população dependente da rodovia. Bem, isso é um mero detalhe…

DA

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