Estávamos em 2003 e o ADC GM Moto Clube ia de vento em popa, como se falava à época.

Tínhamos mais de 100 associados, a grande maioria funcionários da General Motors do Brasil, o que para nós dirigentes era uma tranquilidade.

O significado da foto de abertura, o leitor vai entender já.

Passeios eram realizados fim de semana sim, fim de semana não, e viagens de 10 dias eram realizadas durante as férias coletivas, ou seja, tínhamos de tudo: bate e volta, bate e fica (sábado e domingo) e a viagem do ano, como, por exemplo, Gramado e Canela no Rio Grande do Sul, Porto Seguro na Bahia e a visita à fábrica da General Motors em Gravataí, região da Grande Porto Alegre, exemplos de passeios fantásticos realizados pelo grupo.

Este formava uma verdadeira família, muito respeito e amizade entre todos e uma só ideia, fazer algo mais além destes passeios algo que nos deixasse mais felizes.

Foi aí que surgiu a ideia de fazermos algo pelo social e deu muito certo.

Você já ouviu falar do Lar Betânia, em Ferraz de Vasconcelos, SP?

É uma casa de apoio ao menor carente, filhos de pais sem condições de dar educação, alimentação e segurança ao menor.

As crianças passavam o dia no Lar Betânia e à noite seguiam para suas casas, retornando no dia seguinte. Aqueles que não tinham condições de morar com seus pais ficavam no Lar Betânia, mas eram exceções.

O que fazer por estas crianças? A diretoria do ADC GM Moto Clube se reuniu e resolvemos fazer um Natal diferente para estas crianças, cujas idades variavam de 5 a 17 anos.

Criamos o Natal das crianças do Lar Betânia, isto em 2003.

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Natal das crianças do Lar Betânia no ginásio de esportes da ADC – GM São Caetano do Sul

Você com certeza já ouviu falar da sacolinha de Natal para crianças carentes, muitas empresas até hoje organizam festas de Natal, e foi isto mesmo que fizemos. O Lar Betânia nos passou a fornecer anualmente uma relação com os nomes, as idades das crianças e assim preparamos os envelopes com seus dados para que cada associado do moto clube escolhesse, em envelope fechado, uma criança para ser sua afilhada.

Neste envelope, além do nome e idade da criança, havia uma relação de presentes que deveriam compor a tal da sacolinha de Natal. Era uma camiseta, uma bermuda, três cuequinhas ou calcinhas, três pares de meia, um tênis e um brinquedo proporcional à idade da criança.

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As sacolinhas com presentes para as crianças

Não demorava muito e os envelopes iam sendo requisitados pelos motociclistas e seus amigos, em poucos dias já não havia mais envelopes para serem retirados. Para aqueles que queriam colaborar e não tínhamos mais envelopes, falávamos em doação de alimentos não perecíveis e produtos de higiene pessoal, sempre necessários.

Dia marcado, agendado com as diretorias, do Clube da GM e do Lar Betânia, era só aguardar a chegada das crianças e seus monitores.

A festa era realizada no ginásio de esportes da ADC – GM em São Caetano do Sul. As crianças chegavam em ônibus oferecidos pela prefeitura de Ferraz de Vasconcelos e o café da manhã com frutas e tudo mais, oferecido pela General Motors. Dava-se assim início às comemorações.

Muitas brincadeiras, palhaços, pinturas feitas no rosto das crianças davam mais brilho à festa. Cama elástica, piscina de bolinhas, rapel, cachorro-quente, pipoca e algodão doce completavam o ambiente de festa.

O que não podia faltar, é claro, eram as motocicletas. Muitas e muitas fotos eram tiradas das crianças sentadas nas motos (foto de abertura), fotos estas que depois de reveladas eram copiadas, ampliadas e entregues às crianças para se lembrarem daquele dia.

Por volta das 12h00 ocorria o ponto alto e mais esperado da festa.

Cada padrinho era encarregado de entregar ao seu afilhado, chamado pelos sistema de som, a sacolinha contendo os seus presentes. Imagine 100 crianças recebendo seus presentes, a bagunça e a alegria que se espalhava pelo ginásio, lógico que tudo isto acompanhado pelos monitores e monitoras do Lar Betânia, que em muito ajudavam esta organização.

O encerramento, sempre emocionante.

Todas as crianças, padrinhos, monitores, diretores do moto clube e da GM de mãos dadas faziam um circulo no centro da quadra e em conjunto rezavam para agradecer a Deus pela oportunidade de ter realizado aquela festa e ter proporcionado aquela alegria às crianças do Lar Betânia e, por que não dizer, aos padrinhos também.

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Padrinhos e um afilhado

Esta mesma festa realizou-se por no mínimo sete anos, período em que eu estive à frente do ADC GM Moto Clube, e depois a continuidade deu-se com o meu sucessor Marcos Machado, que transformou as sacolinhas em material escolar, de higiene pessoal e alimentos não perecíveis.

Resumo: quanta alegria e quanta satisfação pude sentir ao colaborar de alguma forma para a alegria de tantas crianças. Se mais pessoas, grupos, associações fizessem algo pelas crianças, estou certo de que teríamos um mundo melhor.

RB

A coluna “Do fundo do baú” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
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Sobre o Autor

Ronaldo Berg
Coluna: Do Fundo do Baú

Ronaldo Berg, com toda sua vida ligada intimamente ao automóvel, aos 16 começou como aprendiz de mecânico numa concessionária Volkswagen em 1964. De lá para cá trabalhou na VW (26 anos), Audi (4), GM do Brasil (8), Kia (2), Peugeot Sport (4) e Harley-Davidson (2 anos). Sempre em nível gerencial e ligado a assistência técnica, foi também o gerente responsável pelas competições na VW e na Peugeot Sport, gerenciando a atividade dos ralis. No começo da década de 1970 chegou a correr de automóvel, mas com sua crescente atividade na VW do Brasil não pôde continuar.

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