Em audiência no Palácio do Planalto com o presidente Michel Temer, diretoria da Toyota brasileira anunciou investimentos de R$ 600 milhões na fábrica de Porto Feliz, SP. Boa notícia em meio a cenário econômico negativo, o aporte aumentará operações industriais dedicadas a motores, incluindo na linha de produção novos motores para o sucessor do atual Corolla, sedã a ser lançado nos próximos meses.

Os novos motores não seguirão a tendência de downsizing, redução em tamanho e peso, nem iniciará o caminho do uso do turboalimentador para a marca no Brasil. Terá 2.000 cm³ de cilindrada, será construído em alumínio, empregará 16 válvulas nos quatro cilindros em linha, e inicia nova geração para o Corolla e futuros produtos. Deverá ser o primeiro Toyota nacional com injeção direta de combustível, com aptidão a receber turboalimentador. Atual projeto da Toyota para a América Latina será unidade de força para outros futuros produtos.

(Roberto Nasser, de Brasília)

Sobre o Autor

Roberto Nasser
Coluna: De carro por aí

Um dos mais antigos jornalistas de veículos brasileiros, dono de uma perspicácia incomum para enveredar pelos bastidores da indústria automobilística, além de ser advogado. Uma de suas realizações mais importantes é o Museu Nacional do Automóvel, em Brasília, verdadeiro centro de cultura automobilística.

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  • Luis Felipe Carreira

    Nós, autoentusiastas, ficamos felizes com essa notícia — mas já prevejo a “mídia especializada” caindo de pau por não ter turbocompressor. A injeção direta trará ganhos em potência, mas a linearidade do motor naturalmente aspirado vai agradar bastante.

    • João Carlos

      Parafraseando o Bob, os motores turbos atuais (eu adoro, nada contra eles) está aumentando ainda mais os integrantes do “Clube 2.000 rpm”. Quando essa turma pega qualquer aspirado, só sai abobrinha no que escrevem e falam…

      • Luis Felipe Carreira

        Exatamente, eles estão aumentando muito em número. Principalmente aqueles que acham que entendem de automóvel e tem seus canais no Youtube e espalham essa ignorância. Nunca fez tanto sentido o “Clube das 2.000 rpm”.

  • Fat Jack

    Será possível prever potência e torque próximas às do Focus, ou seja na casa dos 170 cv?

  • Luciano Ferreira Lima

    Será que como a postagem do André Dantas, chegaram à conclusão que motores pequenos turboalimentados e condições adversas poluem mais que os majorados a cilindradas maiores?

  • EDUARDOTEIXEIRA KULL

    Para mim, este foi a entrada definitiva da Toyota no grupo das montadoras que celebram factóides. Se pensarmos que a marca está anunciando AGORA um investimento que, de fato, só se começará a se concretizar EM 2.019, é um absurdo, ainda na atual conjuntura. Ou seja, ela está dizendo que, se a situação melhorar, investe; se não melhorar, como a janela de tempo é imensa, não investe.

    • agent008

      Só quem não visa lucro investiria na atual incerteza! Prova que a empresa é séria e tem compromisso com os bons resultados, não somente em termos de produto (que é o principal) mas também financeiros.

  • Mr MR8

    Tanto que, para eles, além do câmbio mecânico/manual, só existem outras 2 opções: o automático tradicional, com conversor de torque, e o CVT. Câmbios de dupla embreagem ou como o DSG ou o Powershift, para eles são lixo…

  • Davi Reis

    Que o motor atual do Corolla é bom ninguém duvida, mas realmente já era hora da Toyota falar em um sucessor, pelo menos para as versões mais caras da linha. Os concorrentes já colheram bons frutos com essa estratégia (de um motor mais sofisticado e potente para as versões mais caras) e o consumidor dessa categoria sempre foi mais afeito à tecnologias de ponta.

    • Davi, todos concorrentes já se mexeram e o Corolla continua líder. Será que o consumidor dessa categoria é realmente afeito à tecnologia? Ou preferem um carro bom em tudo, talvez melhor em alguns quesitos, mas com um conjunto equilibrado e bom atendimento? É de se pensar.

      • Davi Reis

        PK, acho que a Toyota vive hoje o mesmo que a VW viveu nos anos 90: uma confortável liderança que pode custar caro depois. E por mais que os argumentos a favor do Corolla sejam fortes (e geralmente são), ficar parado vendo a concorrência se desdobrando não me parece uma das estratégias mais espertas. Acredito que o comprador padrão do Corolla ficaria ainda mais admirado pelo carro se a marca oferecesse, pelo menos nas versões completas, ainda mais comodidades e um conjunto mecânico de ponta. Se hoje ele já lidera a categoria com folga, esse seria aquele algo a mais que fecharia o pacote com chave de ouro e que com certeza deixaria seus compradores ainda mais satisfeitos. Afinal, se os japoneses têm tecnologia e know how para agradar 100%, porque parar em “só” 80%?

  • Luis Felipe Carreira

    Tenho um picape turboalimentado Toyota e um utilitário de trabalho Mercedes biturbo com motor OM 651 usado em toda a linha Mercedes-Benz na Europa — ambos os veículos são a Diesel. Ao contrário do que tu achas, eu não falo sem conhecimento — e não desgosto desses motores —, motores de aspiração atmosférica são mais agradáveis em linearidade e sonoridade, não há discussão. O fato do desagradável retardo da ação do turbocompressor (turbolag) ter desaparecido, eles continuam com pouca linearidade, porque o que o motor recebe a mais de ar pelo turbocompressor faz o carro ter comportamento explosivo e não linear, isso só não se nota em veículos muito pesados como um hatch médio com motor 1 L turbo ou um 2 L num carro de 2 t. Um esportivo de aspiração natutal sempre vai ser mais gostoso que um turbo, se bem feito, óbvio. Na Europa os turbos reinam pelas normas de emissões e necessidade de poupar combustível, é óbvio que isso é facilitado usando motores menores turboalimentados — é o downsizing.

  • Luis Felipe Carreira

    Tenho veículos dotados de turbocompressor e gosto deles. Mas não é a melhor coisa para autoentusiastas que apreciam um motor aspirado brilhante em ronco e linearidade.

  • agent008

    Cobalt e Logan não deixam de ser bons carros, mas Corolla, Civic, Cruze, Jetta, a Trinca francesa (408, C4L e Fluente) são de segmento superior. Sua visão está muito estreita, a simples ausência do ESP não justifica rebaixar o carro. Tem muito nele de “engenharia que não se vê”. Mas que está ali, a serviço do dono do carro silenciosa e constantemente…