Inmetro obriga fábrica de pneu a informar várias de suas características na etiqueta. Exceto a que interessa de fato…

 

Papai Noel – A Petrobrás decidiu, em outubro, atrelar as variações do preço da gasolina ao custo internacional do petróleo e baixou seu valor. Uma justa decisão, para desengatar o preço do combustível na bomba dos humores da equipe econômica do governo. Passadas as primeiras horas de regozijo geral, as distribuidoras (inclusive a BR, da Petrobrás) violentaram o brasileiro ao reajustar para cima o preço da gasolina na bomba. Sob as mais estapafúrdias explicações: os usineiros aumentaram o álcool (misturado num percentual de 27%) pois a cana entrou em entressafra e subiu a cotação do açúcar no mercado internacional, inflação, outros componentes também influem na composição do preço e outros desaforos do gênero. Em novembro, a Petrobrás voltou a baixar a gasolina e as distribuidoras voltaram a encarecê-la na bomba.  Se for verdade, acredito que, ao fim da entressafra da cana e da cotação internacional do açúcar, a gasolina abaixa. Acredito também em cegonha e Papai Noel…

Picaretagem – Não bastassem as dezenas de “economizadores”, bombas de hidrogênio e outras picaretagens do gênero, surgiu agora um “kit vapor”, que leva para o motor os gases emitidos pelo tanque de combustível, aproveitando sua energia para reduzir  o consumo. Além de não economizar coisa nenhuma, pode provocar incêndio e prejudicar o motor ao alterar a relação estequiométrica (ar-combustível). Quando teremos um órgão fiscalizador (do tipo TÜV na Alemanha) para acabar com estas pi-ca-re-ta-gens?

Punição – As multas ficaram mais caras (cerca de 50%) no início de novembro. Nada contra: a parte mais sensível do corpo continua sendo o bolso e motorista que comete infração tem mesmo que ser punido. Só falta punir o governo que não cumpre a determinação do código de de trânsito de destinar o total da arrecadação das multas para a sinalização semafórica, engenharia de tráfego, fiscalização e educação de trânsito. Cumprisse, teríamos uma sensível redução nesta carnificina rodoviária.

Opção –  Pneus fabricados e importados já devem dependurar a etiqueta do programa de etiquetagem estabelecido pelo Inmetro.  E, a partir de abril de 2018, todo o estoque deverá estar com as etiquetas que classificam os pneus de acordo com o atrito (que interfere no consumo de combustível), nível de ruído e comportamento no asfalto molhado. Pena que deu um “brancão” no Inmetro e ele se “esqueceu” de incluir a durabilidade do pneu na etiqueta, exatamente o que mais interessa ao freguês. Em país onde se respeita o consumidor, nem precisa de etiqueta, pois o índice “treadwear” (durabilidade, que varia de 60 a 700) deve estar gravado na banda lateral do pneu para permitir que o dono do carro possa optar entre maior durabilidade ou aderência, por exemplo.

Famigerada – Reversão de tendência: volta a corrente metálica nos novos motores Fiat (Firefly) e Renault (SCe) em vez da famigerada correia de borracha.  Para despistar o real motivo (custo muito inferior) as fábricas alegavam ser a correia dentada mais silenciosa. Mas cheia de problemas: o mais complicado é exigir substituição periódica, enquanto a metálica dura a vida toda (…e mais seis meses). Para agravar, ela tem o péssimo hábito de arrebentar antes do prazo de troca: basta rodar em atmosfera hostil, como região de minerações ou estradas muito poeirentas. E costuma destruir válvulas, pistões e o saldo bancário do dono do carro. Se não arrebenta, a oficina dobra a despesa da troca, pois “inventa” uma desnecessária substituição do rolamento de seu tensor.

Por que o retorno à metálica? Frotistas evitam o motor com a correia de borracha pelo elevado custo de manutenção. Ou alguém acredita que as fábricas se preocuparam com os míseros usuários do dia a dia?

BF

A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

Sobre o Autor

Boris Feldman
Coluna: Opinião de Boris Feldman

Boris Feldman é engenheiro elétrico formado pela UFMG, também formado em Comunicação, jornalista especializado em veículos e colecionador de automóveis antigos. Além da coluna Opinião de Boris Feldman no AUTOentusiastas, é colunista do jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, e do jornal O Povo, de Fortaleza e tem o programa de rádio Auto Papo, na emissora Alpha FM, de São Paulo, e em mais 38 emissoras pelo país, com três edições diárias.

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  • guilhermecvieira

    Prezado Boris, a marcação do índice treadwear na lateral do pneu também é obrigatória por aqui, não? Eu sempre o levo em consideração na escolha do pneu.

    • Marcelo

      Eu nunca levo como fator determinante. Pneu tem que agarrar, dar um feeling de direcao perfeito.

  • Mr. Car

    Boris, meu órgão fiscalizador de picaretagens existe, e se chama “bom senso”. Se estes dispositivos milagreiros fossem sérios, os próprios fabricantes dos carros já os utilizariam e divulgariam no material publicitário dos veículos, he, he! Quanto à durabilidade dos pneus, creio que não dá para prever algo que depende das condições de uso do carro, tanto do aspecto do modo de condução, quanto do das condições dos pisos por onde roda.
    Abraço.

  • Luiz AG

    Sempre achei que custo da correia dentada não era… Motores 4T de veículos baratos, como cortadores de grama, motos de baixa cilindrada usam praticamente em sua totalidade corrente de comando.

    • Lorenzo Frigerio

      O da minha roçadeira Honda usa correia em banho de óleo.

  • ene

    Eu sou da opinião de que quanto menos um veículo precisar de manutenção, melhor. É por isso que prefiro as correntes às correias.

  • Newton (ArkAngel)

    “Se não arrebenta, a oficina dobra a despesa da troca, pois “inventa” uma desnecessária substituição do rolamento de seu tensor”

    .Mais uma vez o Boris não perde a chance de dar uma alfinetada nas oficinas…gostaria de saber qual foi o evento que fizeram-no adquirir tamanha ojeriza e raiva de tais profissionais. Deve ter sido algo bem traumatizante mesmo. Jornalismo imparcial é mesmo uma coisa muito desagradável. Aliás, basta dizer que tal imparcialidade e tendenciosidade na imprensa foram e ainda são coisas que contribuem para que nosso país não saia da letargia intelectual em que se encontra. Tais “profissionais” da imprensa, (na verdade, profissionais da desinformação) são somente isso mesmo: pessoas que têm a profissão de jornalistas, compromisso com a verdade passa bem longe. Bob, agradeço aos céus pela qualidade e imparcialidade de seu trabalho; digo isto porque no estado atual das coisas, a grande maioria dos jornalistas deveria em primeiro lugar olharem-se no espelho antes de emitirem julgamentos e generalizações, pois em se tratando de honestidade e compromisso, creio que tais profissionais são sérios candidatos a sentarem-se à direita do anfitrião em algum eventual jantar na terra do Tinhoso…

    “Frotistas evitam o motor com a correia de borracha pelo elevado custo de manutenção”

    Bem, trabalho com duas grandes locadoras de veículos, para terem idéia, uma delas possui uma frota de mais de 30.000 veículos, e grande maioria dos veículos são Vw Gol, Palio Fire, GM Celta e todos possuem…correia dentada! Não acredito que os profissionais que gerenciam tais frotas não saibam o que estão fazendo.

    Quanto a troca do rolamento da correia dentada…bem, esta é uma questão mais do que debatida. Na maioria dos casos práticos, tal peça dura certamente mais do que a correia dentada, mas apresenta defeito geralmente antes do prazo da próxima troca da correia. Claro que a qualidade das peças influencia e muito, basta dizer que em certas marcas de veículos importados, já vi rolamentos com mais de 300.000 km em perfeito estado, ao mesmo tempo em que já vi rolamentos genuínos com o desempenho comprometido com menos de 50.000 km. Pelo sim, pelo não, sempre recomendo a troca, mesmo porque economizaria-se a mão de obra necessária em uma eventual substituição antes do prazo da nova correia, e também porque se trata de componente de custo baixo pela importância que tem. Claro que depende da marca e ano do veículo. Carros importados, geralmente da década de 2000 para trás, possuem peças de altíssima qualidade, e nestes casos, a troca geralmente NÃO é necessária.

    • ene

      Existem maus mecânicos, sem a menor dúvida, mas existem mais maus jornalistas.

    • Ricardo Carlini

      Vai ver ele foi na torque alto…

    • Marcelo

      Quando um mecânico sugere a troca dos tensionadores é para aproveitar o valor da mão de obra (desde que o mecânico seja sério).

  • Rodolfo, na Argentina a gasolina tem 8% de álcool, mas querem aumentar para 12%.

    • Vish… o vírus do álcool na gasolina está se espalhando… os usineiros vão ficar podres de ricos.

    • Lorenzo Frigerio

      Eles não produzem álcool, não vejo razão para isso. A menos que queiram trocar gasolina por álcool com o Brasil.

  • F A, é um índice, portanto não tem unidade de medida. Mais alto o número, mais durável é o pneu.

  • Leônidas Salazar

    As antigas correntes de comando eram pesadas e ruidosas, por isso a correia dentada de borracha foi ganhando espaço, mas a tecnologia não parou de avançar, por isso a nova geração de correntes de comando estão leves e silenciosas com a mesma ou maior robustez e durabilidade.

  • Caio Ferrari

    Também sou plenamente favorável ao uso das correntes de comando. Depois de dores de cabeça com um motor equipado com correia dentada, exijo uma correia/corrente “Life Time” para um próximo carro.
    É muito difícil arrumar algum mecânico que faça a manutenção correta deste componente. Neste sentido, convido-lhe a assistir o procedimento de troca da correia dos motores EA-211 e ver o tamanho do problema!
    Como dizem, todo motorista tem o seu “não”. O meu é com a correia dentada.

  • Brenno

    Vale ressaltar que veículos das marcas Honda e Toyota já utilizam a bastante tempo. E não apenas em veículos mais caros, pelo contrário, meu Zetec de 1999 já utiliza dessa estratégia. Agora, o sistema também exige manutenção, principalmente no tensionador hidráulico, que no caso do Zetec, só funciona bem com peça original. Caso contrário, fica parecendo uma máquina de costura.

  • Lorenzo Frigerio

    As antigas correntes não eram grande coisa em durabilidade. Por isso, as correias, que eram muito mais fáceis de trocar. Hoje existem outras ligas, outras têmperas, outros óleos. Mas a correia ainda é uma opção para motores populares, mesmo porque a qualidade desse sistema também melhorou.

  • Daniel S. de Araujo

    Existe a necessidade de se pensar do ponto de vista econômico: a cadeia do combustível é composta por refinaria, distribuidor, posto e consumidor. É lógico que quando os preços aumentam não ocorre o repasse integral para as bombas pois há a redução da margem de lucro. E é lógico também que quando o preço cai, haverá recomposição da margem.

    Mas mesmo assim vi diversos postos (e até de boa aparência) vendendo gasolina a R$3,19 o litro, na região do Aeroporto de Congonhas, coisa que há muito não via.

    O álcool, em contrapartida, subiu demais. E enquanto o governo “meter a colher” onde não se deve o mercado não se acomodará e anualmente viveremos essa confusão.

    Quanto a correia dentada, é item de manutenção preventiva e que não dura menos que o especificado pelo fabricante, desde que você use uma peça de boa procedência. Tensionador? É melhor nem mexer se estiver em ordem pois muitas vezes troca-se um rolamento de primeira linha por um de terceira. Isso sem considerar que o seu rolamento sofre menos esforços que um rolamento de roda, por exemplo. É só fazer a coisa certa que correia não atormenta.

  • Mineirim

    Sobre o “kit vapor”, que leva para o motor os gases emitidos pelo tanque de combustível, esse dispositivo é de série nos carros atuais: cânister.

  • Ricardo, a Porsche acabou de fazer isso no 911 RSR.

  • C. A. Oliveira, certamente seu comentário foi rejeitado (e não apagado) por constituir (e continuar constituindo) uma impropriedade e uma ofensa à indústria automobilística e seus engenheiros. E veja se aprende que palavras de baixo calão são inaceitáveis aqui no AE, razão para um que você empregou ter sido substituído por ‘desconsideração’.

  • Renato Texeira

    Com relação ao tópico “punição”, eu concordo plenamente. Acho que as campanhas de trânsito estão longe de países que tratam de forma séria os problemas no trânsito. E dinheiro para isso não falta. Só na Funset (fundo nacional de segurança e educação) sobra muito dinheiro todo que fica à mercê dos políticos e suas politicagens. Lembro de uma notícia de alguns anos atrás onde sobraram R$ 200 milhões neste fundo, onde boa parte deste dinheiro foi utilizado para ajudar a aumentar o valor do superavit primário.

  • Jonas, acho que há um engano, a troca da correia nos GM é feita sem nenhuma dificuldade ou trabalho adicional. E a correia dentada não tem os problemas alardeados, exagero puro, inclusive do colunista. Veja quantos carros desde o Chevette em 1973, Passat em 1974, o motor Ford 2.3 OHC usados em vários modelos, foram fabricados até hoje, são milhões.

  • Marcelo

    Sobre os pneus: desconheço qualquer pneumático que não venha grafado na borda o tredwear.
    P.S.: De nada adianta uma etiqueta se o motorista não cuidar da calibragem e da geometria da suspensão.

  • Marcelo

    Boris, gostei do tópico “famigerada”!
    E digo mais, que volte a correia dentada na borracha e a boa e velha direção hidráulica com bomba e óleo.

  • Marcelo

    Mais baixo o número, mais o pneu agarra, mais grip tem.
    Aderência é uma coisa, tração é outra.

  • Francisco Ornero

    Já tive problema com a correia dentada em uma Fiat Elba, alguns dentes quebraram em plena Avenida JK em São Paulo (às 6 da tarde), e aí já viu as válvulas entortaram e o prejuízo foi grande, sem falar que o motor nunca mais ficou o mesmo.

    Hoje sempre prefiro os carros atuais que possuem comando de válvulas com corrente.

    No passado tive Corcel e Belina que utilizavam corrente, só que naqueles modelos antigos as correntes não eram boas como as de hoje, com o tempo faziam grande barulho demostrando que estava na hora da troca.

  • Fernando, no up! a troca da correia dentada é cada 120.000 km ou 4, 5 anos.

    • Fernando

      Sim Bob, além do VW também a Ford tem a correia dentada banhada a óleo com vida útil mais longa também, mas são exceções.

    • Tenho um Gol 1,8 AP ano 90, a última troca foi feita em 2004 e há uns 55.000 km. Fui eu mesmo e meu pai trocá-la e vimos que ainda estava boa a mesma apesar da idade e quilometragem, então não troquei.

      Agora vou checar a correria dentada uma vez por ano, considerando ainda que você disse que trocavam a cada 100.000 km e o manual do proprietário não diz nada. E ainda o Livro Conheça o seu Passat 84, não dava prazo para troca, apenas pedia para acompanhar o desgaste para então fazer a troca quando aparecesse algum problema como destes muito gastos ou trincas.

      Então não acho necessário trocar a cada 5 anos a correria dentada.

  • Fat Jack, faltou foco ou foi uma coluna multifocal?

  • Brenno

    Na mosca!

  • Abasteci gasolina em um posto do interior paulista e eu mesmo medi a porcentagem de álcool e deu apenas 18%. Isso se deve a entressafra, pois o álcool anidro não é barato.

  • Creio que não seja um caso pontual, pois este posto é o melhor da cidade e também o mais caro.
    Eu medi porque sempre abasteco nno mesmo posto aqui em São Paulo-SP, então resolvi testar nesta cidade do interior.
    No meu posto de confiança pago 3,85 reais na gasolina aditivada, e no mesmo bairro você acha gasolina por 3,15 reais.
    Assim creio que gasolina barata é sinal de batismo na certa.