Longe de ser o estereótipo do alemão frio e calculista, Paul Rosche nunca escondeu suas origens bávaras: natural de Munique, a mais italiana das cidades alemãs, o engenheiro mecânico formado em 1957 era um dos personagens mais alegres e queridos onde quer que estivesse. O fato de ter viajado o mundo em pessoa ou através dos vários motores BMW que desenvolveu para as pistas dá uma boa noção do tamanho de sua reputação. Sua obra mais famosa é o motor 1,5 turbo de quatro cilindros que foi peça fundamental para Nélson Piquet conquistar seu segundo título mundial, em 1983. Enquanto os fanáticos das “Bimmers” insistiam em dizer que essa máquina produzia 1.500 cv, Rosche não navegou nessa onda:

“Não dá para garantir esse número. O nosso dinamômetro só mede até 1.280…”

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Piquet e o Brabham BMW BT52, combinação campeã na temporada de 1983 (Foto arquivo pessoal)

Sempre afável e acessível, Rosche se aposentou do trabalho na divisão Motorsport da Fábrica Bávara de Motores apenas como funcionário registrado, mas jamais deixou o convívio com o chão de fábrica após se aposentar em 1999. Quando foi decidido restaurar um exemplar do Brabham BT52, primeiro chassi a vencer um Campeonato Mundial equipado com motor turbo, Nocken Paul estava lá para deixar o carro em estado de 0-km para participar do Festival de Velocidade de Goodwood de 2013. Nocken Paul (Paulo Comando de Válvulas) era como Rosche era conhecido por seus pares, tamanha sua capacidade para desenvolver essa peça-chave no funcionamento de um motor.

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O 2002 Turbo de 1973 usava um motor desenvolvido por Paul Rosche (Foto BMW)

A lista de motores desenvolvidos por Paul Rosche para a BMW, marca à qual que sempre se manteve fiel, é enorme. Entre os destaques o 2,0 16V que dominou a F-2 durante várias temporadas e o 6,0 V-12, encomenda de Gordon Murray para equipar o McLaren F1, o primogênito dos carros de rua dessa marca. A encomenda especificava a potência mínima de 500 cv, os primeiros carros saíram de fábrica produzindo 10% a mais que essa premissa. Nas versões de competição esse motor chegou a 620 cv e venceu Le Mans em 1995. Quatro anos mais tarde a marca venceu com um chassi próprio.

Onde quer que esteja, Rosche certamente vai encontrar Brian Hart, outro mago dos motores de quatro cilindros. Os dois eram mais do que conhecidos ou colegas de profissão: eram parceiros de copo, prancheta e graxa e consta que quando os pistões do motor M12/13 de F-1, aquele dos BT52/53, quebravam mais pistões do outra coisa, foi Hart quem ajudou a resolver o problema. Paul Rosche faleceu ontem, 15/11/2016, de causas não reveladas.

WG

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