A Honda CRF100L Africa Twin será a primeira moto Honda fabricada no Brasil a receber o emblema da asa em seu tanque de combustível. Esse emblema só é colocado nos mais modernos e sofisticados modelos da marca; portanto ela é o que a fabricante considera o seu melhor em termos mundiais. E cá entre nós, se o “seu pior” já é bom…

A origem do modelo remete ao Rali Paris-Dakar, onde na década de 80 as vitórias nessa famosa e dificílima prova ensejaram a Honda a produzir a Africa Twin XRV 650, uma moto de rua bem semelhante ao modelo vencedor do rali. Em 2015, um ano após sua apresentação como protótipo no Salão de Milão, a nova Africa Twin chegou ao mercado. E agora veio para o Brasil sendo fabricada em Manaus. A partir de dezembro estará à venda nas concessionárias.

Peso seco: 212 kg  LANÇAMENTO: HONDA CRF1000L AFRICA TWIN AFRICA TWIN 206

Peso seco: 212 kg

O motor transversal de dois cilindros em linha, de 999,1 cm³, gera 90,2 cv a 7.500 rpm e 9,3 m·kgf a 6.000 rpm. Tem cárter seco, duas velas por cilindro e suas 4 válvulas por cilindro são acionadas por um só comando. O virabrequim é a 270° e tem árvore contrarrotativa para suavizar seu funcionamento. Nele, tudo foi feito para que fosse compacto, com baixo CG (centro de gravidade) e leve. E para dar maior leveza ao conjunto, o motor não é parte estrutural do chassi, e este é formado por um berço semiduplo em aço. O tanque de combustível, de 18,8 litros, está o mais baixo possível, também para baixar o CG. O vão livre do solo é de 250 mm. A altura da sela é ajustável: 850 mm e 870 mm.

 

A Africa Twin Travel Adventure vem equipada com bauletos  LANÇAMENTO: HONDA CRF1000L AFRICA TWIN AFRICA TWIN 439

A Africa Twin Travel Adventure vem equipada com bauletos

A Africa Twin visa competir com as grandes estradeiras oferecendo o mesmo e um algo mais, maior leveza e agilidade, para que com ela se possa ir sem dramas aonde essas grandes estradeiras não vão ou vão com dificuldade, ou seja, além de ser boa de estrada pretende ser boa para o fora-de-estrada. Simplificando, no linguajar motociclístico, pretende ser mais maneira. Particularmente, acho a ideia muito boa, pois o espírito de uma viagem de moto, para mim, envolve poder se aventurar por onde der vontade.

A embreagem tem um sistema que evita tranco na roda motriz, mesmo que seja solta (acoplada) abruptamente, isso para que, por exemplo, numa curva esse possível tranco não provoque a perda de aderência do pneu traseiro. Ela tem ABS, mas pode-se desligar o da roda traseira, o que é ótimo, principalmente no fora-de-estrada, onde muitas vezes convém travar a roda traseira para provocar uma derrapagem controlada.

Ela tem quatro níveis de controle de tração, o que é conveniente quando mãos inexperientes aceleram essas motos potentes, principalmente na chuva; e tem a opção de desligar completamente esse controle eletrônico, o que é conveniente para os motociclistas mais habilidosos.

Assistência não só no Brasil, mas também em países vizinhos  LANÇAMENTO: HONDA CRF1000L AFRICA TWIN RDUR9224lr

Assistência não só no Brasil, mas também em países vizinhos

No Brasil, serão duas versões disponíveis: Africa Twin (R$ 64.900) e Africa Twin Travel Adventure (R$ 74.900), esta última com a adição de bauletos para acomodação de bagagens.

A Honda pretende vender ao redor de 1.200 unidades por ano. Dá três anos de garantia e o Honda Assistance 24 H, que garante assistência durante todo o período de vigência da garantia em território brasileiro, assim como na Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai.

Mais detalhes virão quando eu pegar uma dessas para uma matéria no uso, que não sou bobo para deixar de dar uns passeios com ela.

AK

 

FICHA TÉCNICA CRF1000L AFRICA TWIN
MOTOR
DescriçãoDois cilindros em linha, transversal, comando no cabeçote, 4 válvulas por cilindro, arrefecimento a líquido
Cilindrada (cm³)999,1
Diâmetro e curso (mm)92,0 x 75,1
Taxa de compressão (:1)10,0
Potência máxima (cv/rpm)90,2/7.500
Torque máximo (m·kgf/rpm)9,3/6.000
TRANSMISSÃO
CâmbioSeis marchas
SUSPENSÃO
DianteiraGarfo telescópico invertido, curso de 230 mm
TraseiraPro-Link monoamortecedor multiajustável, curso de 220 mm
FREIOS
DianteirosA disco, Ø 310 mm, com ABS
Traseiros)A disco, Ø 256 mm, com ABS desligável
PNEUS
Dianteiro90/90-21 M/C (54H)
Traseiro150/70-18 M/C (70H)
CAPACIDADES E PESOS
Tanque de combustível (L)18,8
Peso a seco (kg)212
DIMENSÕES (mm)
Comprimento2.334
Largura932
Altura1.478
Distância entre eixos1.574
Distância mínima do solo250

Sobre o Autor

Arnaldo Keller
Editor de Testes

Arnaldo Keller: por anos colaborador da Quatro Rodas Clássicos e Car and Driver Brasil, sempre testando clássicos esportivos, sua cultura automobilística, tanto teórica quanto prática, é difícil de ser igualada. Seu interesse pela boa literatura o embasou a ter uma boa escrita, e com ela descreve as sensações de dirigir ou pilotar de maneira envolvente e emocionante, o que faz o leitor sentir-se dirigindo o carro avaliado. Também é o autor do livro “Um Corvette na noite e outros contos potentes” (Editora Alaúde).

Publicações Relacionadas

  • Mr. Car

    Keller, quando for pegar uma destas para o “No Uso”, me descola uma RAM 1500 que eu vou atrás, como carro de apoio, he, he! E por falar nela…vai rolar uma matéria com a picape dos meus sonhos?
    Abraço.

  • rodrigo

    Sessenta e cinco mil é muita coisa. Estou com ideia de comprar uma Triumph Tweet Twin para andar no dia a dia. Alguém sabe se a manutenção é muito complicada? (mais cara que a de uma CG eu já sei que é. Quero saber se dá muita manutenção, se aguenta nossa buraqueira, etc.)

    • Marúcia Paulino Baiocchi

      Eu tenho uma Triumph Thruxton 900. Quanto a robutez é um tanque de guerra. Nem toma conhecimento das ruas de Goiânia, “a Aleppo brasileira”. Revisões por ano ou a cada 10 mil km. A moto anda muito bem. Tem torque em baixa, é girador e barulho (lindo) da CB 450. Para viajar cansa um pouco: guidão baixo, pedaleira recuada .Street twin é bem melhor: levinha, cambio é uma manteiga, com embreagem deslizante. Ou seja amigo: para de frescura e compre. Make yourself comfortable!

  • Thiago Teixeira2

    Muito bom esse sistema que evita os trancos nas trocas de marcha. É algo que atrapalha muito a condução das motos essas “batidas”. Acentuam mais ainda quando a corrente não está com a tensão correta.
    A correção que os cgzeiros fazem e na manete, a cada curva ou manobra, aumentando o desgaste da embreagem.

  • Razyr Wos

    Pena que, com esse preço, acho que não vai vender muito. But then again, às vezes o próprio mercado nos surpreende…talvez o peso da marca Honda faça a diferença nesse segmento também. É esperar para ver. Mas eu esperava de 53 a 55 mil reais na versão básica…e talvez no máximo uns R$ 60-62 mil pela versão com os bauletos.
    E fiquei surpreso com a queda na potência também; lá fora a Honda anuncia 95 cv…
    Enfim, torci o nariz pra essa moto quando ela saiu, pelo fato do motor ser em linha, e não em ‘V’ como era a antiga…mas depois de um tempo passei a gostar dela…e muito. rsrs
    É uma moto que eu consideraria no futuro, mas não sei se conseguiria andar nela; mesmo com 1,80 m, não sei se conseguiria manter os dois pés plantados no chão, provavelmente não.

  • J. Jota

    Gostei muito da moto e com certeza ela já está no meu “radar” quando for trocar a minha.

  • George Zoe Toubas 250 S

    Boa noite…quero deixar os parabéns ao site pelas matérias e publicações, muito boa as configurações, abraço e parabéns ao grande profissional e piloto do nosso Automobilismo Bob Sharp.

    • George, muito obrigado pela leitura do AE e pelas palavras relativas a mim.