Depois de lançar o suve T5 no Brasil, no final de fevereiro deste ano e dois meses depois eu ter feito o teste dele “no uso”, a JAC Motors apresentou nesta sexta-feira (18) a versão com câmbio automático CVT. Longamente aguardada por muitos, pois segundo o diretor-presidente da JAC aqui, Sérgio Habib, 75% dos crossovers e suves vendidos no Brasil são automáticos, a versão do T5 com o automatismo proporcionado pelo câmbio CVT deverá fazer muitos olharem com olhos diferentes este chinês que tem tudo menos a “carronalidade” de seu país. Isso quer dizer que de chinês não tem nada.

Frisei isso bastante nos dois textos com linka cima, que recomendo reler ou ler, uma vez que seria redundante falar tudo aqui de novo.

O JAC T5 automático CVT chega com o mesmo preço da versão manual de seis marchas, R$ 69.990 — seu preço definido R$ 5.000 mais, R$ 74.990, mas no começo, como promoção, será vendido pelo mesmo preço do do manual. Até quando, a JAC se absteve de informar.  As versões manual e automática conviverão e a previsão de vendas é 300 veículos por mês.

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A novidade do JAC T5 é o câmbio automático CVT

O câmbio é fornecido pela empresa belga Punch Powertrain e resultou num acréscimo de peso de apenas 10 kg aos 1.210 kg da versão manual de seis marchas, que tem o mesmo número de marchas, só que virtuais. A conexão do motor com o câmbio é por embreagem em banho de óleo.

As trocas de marchas virtuais são feitas pela alavanca seletora trazendo-a da posição D para a esquerda, quando o câmbio entra em modo S e a faixa de relações fica mais estreita e o acelerador fica mais rápido. A partir desse ponto pode-se trocar manualmente. Para sair do modo a alavanca é levada para a direita, voltando ao D. Para voltar ao S, novamente  traz-se  alavanca para mais perto. Tudo fácil e intuitivo. E quando em trocas manuais é indicado no centro do velocímetro a marcha em uso.

A sensação de trocas é perfeita, como se tratasse de um câmbio de relações próximas, embora nas reduções não haja aceleração interina. A ligação mecânica proporcionada pela embreagem contribui para a boa sensação. Quando o motor chega a 6.250 rpm é feita a troca ascendente automaticamente.

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Identificação externa do novo câmbio

A operação automática é boa, permite retomar sem variar logo a rotação, que só aumenta ao se pisar mais fundo no acelerador. Esse aumento provoca invasão do ruído do motor um pouco maior do que seria desejável, menos percebida na versão de câmbio manual.

A última relação do CVT dá uma v/1000 um pouco menor que no câmbio manual, 38,6 km/h contra 41, 9 km/h, o que eleva o giro a 120 km/h de 2.900 para 3.100 rpm. O controlador automático de velocidade, inexistente na versão manual, com comando no raio esquerdo do volante, é fácil de usar.

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O mesmo T5, só mudou o câmbio

A JAC não informou consumo, que deve ser um pouco maior do que com o câmbio manual, que pelo Inmetro é, com gasolina, 9,6/12,2 km/l cidade/estrada, e com álcool, 6,8/8,2 km/l.  O carro que dirigi estava com gasolina e na rodovia dos Bandeirantes, sentido Capital, saindo do km 84, o computador de bordo indicou 10,0~10,5 km/l a 120 km/l, mas sem ar-condicionado. O único problema, de fato, no T5 é o tanque de apenas 45 litros. Pelo menos mais 5 litros seriam bem-vindos.

Elegante, espaçoso e com ótimo porta-malas, e seis anos de garantia, é certeza de tranquilidade, combinado com um rodar confortável e uma excelente estabilidade. Sua dotação de itens de conforto, comodidade e conectividade é elevada, como pode ser visto na lista abaixo em seguida à ficha técnica.

O consumidor que deseja passar ao mundo dos suves tem no JAC T5 uma boa opção considerando tudo o que foi dito nas duas matérias anteriores, e agora, com o CVT, um peso importante a mais na sua decisão.

 

BS

 

FICHA TÉCNICA JAC T5 CVT
MOTOR
TipoQuatro cilindros em linha, transversal, bloco e cabeçote de alumínio, duplo comando de válvulas, corrente, variador da fase na admissão,  16V, flex
Diâmetro x curso (mm)75 x 84,8
Cilindrada (cm³)1.499
Formação de misturaInjeção no duto
Potência (cv/rpm) (G//A)125/6.000 // 127/6.000
Torque (m·kgf/rpm) (G//A)15,5/4.000 // 15,7 m·kgf/4.000
Taxa de compressão (:1)10,0
TRANSMISSÃO
Conexão motor-câmbioEmbreagem em banho de óleo
Fornecedor do câmbio/tipoPunch Powertrain (Bélgica)/VT2
CâmbioTranseixo automático CVT, seis marchas virtuais com comando pela alavanca, tração dianteira
Faixa de relações (:1)2,415 a 0,443 – ré 2,68
Espectro (:1)5,451
Relações das marchas virtuais (:1)1ª 2,41~2,28; 2ª 1,51; 3ª 1,00; 4ª 0,83; 5ª 0,65; 6ª 0,52
Relação do diferencial (:1)5,76
SUSPENSÃO
DianteiraIndependente, McPherson, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra estabilizadora, em subchassi
TraseiraEixo de torção, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra estabilizador integrada ao eixo
DIREÇÃO
TpoCaixa de pinhão e cremalheira, assistência elétrica indexada à velocidade
Diâmetro mínimo de curvan.d.
FREIOS
DianteirosA disco ventilado
TraseirosA disco
ControleABS, EBD e auxílio à frenagem
RODAS E PNEUS
RodasAlumínio, 6Jx16
Pneus205/55R16V, inclusive estepe
CONSTRUÇÃO
TipoMonobloco em aço, suve, 4 portas, 5 lugares
AERODINÂMICA
Coeficiente aerodinâmicon.d
Área frontal2,28 m² (calculada)
DIMENSÕES (mm)
Comprimento4.325
Largura1.765
Altura1.625
Distância entre eixos2.560
Bitola dianteira/traseira1.480/1.475
Distância mínima do solon.d.
PESO
Em ordem de marcha (kg)1.220
Carga útiln.d
DESEMPENHO (COM GASOLINA OU ÁLCOOL)
Velocidade máxima (km/h)192
Aceleração 0-100 km/h (s)12,3
CAPACIDADES
Tanque de combustível45 litros
Porta-malas600 litros
CÁLCULOS DE CÂMBIO
v/1000 máxima (km/h)38,6
Rotação a 120 km/h em 6ª3.100
MANUTENÇÃO
Revisões10.000 km ou 1 ano
Troca do óleo do motor10.000 km ou 1 ano
Troca do óleo do câmbio40.000 km

 

EQUIPAMENTOS JAC T5 CVT
Acionamento elétrico dos vidros dianteiros e traseiros
Acionamento uma-varrida do limpador da pára-brisa
Ajuste elétrico dos retrovisores externos
Ajuste de altura do banco do motorista
Alarme antifurto
Alças de teto (3)
Antena de rádio impressa no pára-brisa
Apoio de cabeça (3) para no banco traseiro
Ar-condicionado digital e automático
Assistente de partida em aclive
Banco traseiro dividido 60:40 e rebatível
Bancos revestidos em couro com costura vermelha
Barras de teto longitudinais
Câmera de ré
Cintos de 3 pontos retráteis p/ os passageiros do banco traseiro
Cintos dianteiros com pré-tensionador
Computador de bordo com hodômetro parcial, consumo médio e instantâneo, autonomia, velocidade média e tempo de viagem
Controle automático de velocidade com comando no volante
Controle de estabilidade e tração desligável
Desembaçador traseiro
Espelho retrovisor interno prismático
Faróis de neblina
Iluminação do porta-malas
Indicador da marcha em uso quando em manual
Lavador e limpador traseiro, com temporizador
Luz traseira de neblina
Luz de rodagem diurna (DRL) por LEDs
Luzes de leitura dianteiras
Luzes de segurança nas portas
Monitor de pressão dos pneus
Para-sóis com espelho e iluminação
Pisca-3
Porta-óculos
Porta-revistas no encosto dos bancos dianteiros
Regulagem de altura do facho dos faróis de lâmpadas halógenas
Repetidoras das setas nos espelhos
Sensor de estacionamento traseiro
Sistema multmídia Foxconn com conexão HDMI, Bluetooth, MP3, USB, SD card e função Mirror Link em tela tátil de 8 pol.
Terceira luz de freio
Sobretapetes
Tomada 12 V
Travas elétricas com controle remoto, travamento a 15 km/h
Vidro do para-brisa com faixa degradê
Volante com comandos multifunção
Volante revestido em couro

Sobre o Autor

Bob Sharp
Editor-Chefe

Um dos ícones do jornalismo especializado em veículos. Seu conhecimento sobre o mundo do automóvel é ímpar. História, técnica, fabricação, mercado, esporte; seja qual for o aspecto, sempre é proveitoso ler o que o Bob tem a dizer. Faz avaliações precisas e esclarecedoras de lançamentos, conta interessantes histórias vividas por ele, muitas delas nas pistas, já que foi um bem sucedido piloto profissional por 25 anos, e aborda questões quotidianas sobre o cidadão motorizado. É o editor-chefe e revisor das postagens de todos os editores.

Publicações Relacionadas

  • Paulo Júnior

    Boa tarde, Bob.
    Tenho duas dúvidas sobre este belo carro e chineses.
    1) o que o senhor achou do comportamento dinâmico? Conseguiu perceber se a rigidez torcional, estabilidade vi que o senhor elogiou, mas o comportamento em curvas, se conseguiu testar em alta velocidade, agrada? O carro não fica devendo aos concorrentes de mesma faixa, como Duster, EcoSport, Etc…
    2) sempre tive o pé atrás com durabilidade/confiabilidade dos chineses, seja na parte mecânica, seja no acabamento, mas li em algum lugar, não me lembro onde, que, salvo engano a JAC, oferecia para testes justamente de imprensa, alguns modelos com uma quilometragem mais alta, procede?
    No mais, achei um belo carro.

    • Paulo Júnior, sim, estabilidade, comportamento em curva irrepreensível, tudo isso comentei bastante na primeira matéria citada e com link. Você deve ter lido aqui mesmo matéria do Josias Silveira, “JAC J3 com mais de 100 mil km” (http://www.autoentusiastas.com.br/2016/07/jac-com-mais-100-mil/). A JAC Motors tem um programa de deixar jornalistas andarem com carros de alta quilometragem.

  • Hélio, desconheço. Mas leia sobre a empresa em http://www.punchpowertrain.com . Clique em ‘Customers’ para ver as marcas que o utilizam.

  • Marco Antonio, a conexão desligável do motor com câmbio existe em todo veículo terrestre com motor a combustão interna, independente de o câmbio ser manual ou automático. Ou seja, todos os automóveis exceto os elétricos e os a vapor (não ria, já existiram) precisam de algum tipo de conexão desligável que permita o motor funcionar em marcha-lenta com marcha engatada. Todos os carros de câmbio manual têm embreagem a seco. Os de câmbio CVT, embreagem a seco, embreagem em banho de óleo ou conversor de torque. Todos os automáticos do tipo convencional (epicíclico) têm conversor de torque, que é um acoplamento hidráulico.

    • Marco Antonio há 35 anos atrás

      Bom dia Bob, Obrigado pelo esclarecimento!

  • C. A. Oliveira

    Chama a atenção a grande distância entre o centro do eixo dianteiro e a extremidade do para-choque. Extremamente desproporcional. Se a dianteira fosse mais curta ficaria bem mais agradável esteticamente.

    • Nelson C

      Se fosse mais alta, também melhoraria muito. A dianteira é claramente desproporcional ao restante do carro.

  • Lorenzo Frigerio

    O carro foi fornecido pela fábrica com sacos de lixo pretos? PFFFFFFFF!!!!!……..

    • Lorenzo, foram aplicados aqui. Falei com o Habib ontem, me jurou que vai parar com isso. Lembra-se que arranquei os sacos de um J3?

  • Francisco Ornero

    Tenho a impressão que com essa frente comprida pode raspar em qualquer valeta ou saída de garagem.

  • Douglas

    O problema é a rede de concessionários, aqui em Maceió fechou há um bom tempo, em Natal fechou na mesma época também e em Brasília só tem uma.

  • Douglas, não sei. Vou atrás e lhe informo.

  • Douglas, não arranquei porque não era carro de teste que ia ficar comigo, era apenas por algumas horas. Mas se incluísse percurso à noite eu tiraria.

  • George Zoe Toubas 250 S

    Deixo aqui meus cumprimentos a matéria deste grande profissional e piloto Bob Sharp,
    Grande Abraço meu amigo!

  • al, questão de projeto, desígnio do estilista. Não raspa em rampas, já usei o T5 manual durante uma semana e nem na rampa de saída da garagem do eu prédio raspa; tampouco em lombadas.

  • Douglas, no motor 1.499-cm³, biela 135,7 mm, r/l 0,312; no 1.332-cm³, 140,5 mm e 0,268.

    • Douglas

      Bob,
      Fico bastante agradecido, só aqui no AE que temos esse tipo de informação.

      • Douglas, de nada. Esse é um dos nossos compromissos, informar, ir fundo, compartilhar conhecimento e experiência.

  • Roberto Neves

    Caramba! 600 litros de porta-malas! Que beleza!

  • Rogério Ferreira

    Minha torcida para que a marca JAC prospere. Gosto muito do J3 e do J5, são carros que eu compraria com tranquilidade.

  • Douglas

    Aqui em Maceió e em Natal foi a mesma coisa, abriram e logo fecharam.
    Mas a JAC pelo menos deixou uma oficina credenciada aqui para atender os carros em garantia, coisa que a Lifan não fez.

  • HugoCT

    Realmente esse carro me surpreendeu ao vivo. Detalhe: só não vende mais porque tem a questão do limite de importação, se não ia dar trabalho para a concorrência.

  • Andre Maruska

    Fiz o teste no T5 com câmbio CVT. Já tive um J6 e gostava muito dele. Mas o T5 realmente me fez pensar em voltar para marca. Gostei muito do acabamento do carro. Difícil dizer que é da mesma marca. Câmbio muito bom onde você pode optar por trocar marchas como carro comum ou deixar sem troca para melhorar conforto. Peguei um carro que estava com meros 3 km, fui o primeiro de Curitiba a dirigi-lo. Estava um pouco amarrado mas mesmo assim gostei de como andou. Muito meu estilo de dirigir, mais calmo e sempre pensando em economia. Para mim na cidade marcou 10 km/l no computador de bordo. Show de bola o carro e torço que prospere para poder pegar um usado no futuro.