A Fiat apresentou ontem (23) a nova versão do Mobi, chamada Drive [drai’v], cujos destaques são o motor Firefly 1-litro de três cilindros lançado há dois meses no novo Uno e a adoção de direção com assistência elétrica com função City que aumenta a assistência, no lugar da hidráulica. O novo motor não tem mais o  sistema auxiliar de partida a frio por injeção de gasolina.

O Mobi Drive é acréscimo ao resto da linha Mobi, que permanece inalterada com o motor Fire EVO 1-L de quatro cilindros, que que passou por diversas melhorias, entre as quais a elevação da taxa de compressão de 12,15:1 para 13:1, novo comando de válvulas e novos injetores. A base do Drive é o Like/Like On. Veja os preços:

precos  DRIVE, A NOVA VERSÃO DO FIAT MOBI Pre  os

O motor Firefly, como já vimos no lançamento do Uno 2017, é um monocomando de duas válvulas por cilindro e injeção no duto que desenvolve, com gasolina e álcool, 72/77 cv a 6.250 rpm e 10,4/10,6 m·kgf a 3.250 rpm (o maior torque entre os 1-L de aspiração atmosférica). O 1-L EVO entrega 73/75 cv à mesma rotação e 9,6/9,9 m·kgf a 3.850 rpm.

O forte do motor Firefly é consumir pouco. Na cidade, 13,7/9,6 km/l  e na estrada, 16,1/11,3 km/l, gasolina e álcool, números superiores em, respectivamente, em 7,9%/9,0%/12,6%/14,1%. Nota-se ganho maior na estrada, responsabilidade da quinta marcha 5,1% mais longa, de 0,838:1 para 0,795:1, única modificação na transmissão; pneus permanecem 175/6514. Com a mudança a v/1000 aumentou de 31,2 para 32,9 km/h, o que representa 120 km/h a 3.650 rpm.

20161123_153920  DRIVE, A NOVA VERSÃO DO FIAT MOBI 20161123 153920

O Firefly 1-L no seu berço; desapareceu a tampa vermelha do reservatório de gasolina

Com o novo motor, a aceleração 0-100 km/h é em 12,8/12,0 s e a velocidade máxima, 161/164 km/h; antes, 152/151 km/h e 14,6/13,9 s. Não há dúvida quanto ao ganho, embora o quem já tenha comprado ou venha a comprar as versões não Drive terão um carro com disposição próxima e mesma agilidade.

 

Itens de série e opcionais

O Mobi Drive básico e seu preço de R$ 39.870 traz, de série, ar-condicionado, para-brisa com faixa degradê, banco traseiro bipartido, computador de bordo, espelho nos para-sóis, pisca-5, acionamento elétrico dos vidro dianteiros, ajuste de altura do volante e rodas de aço 5,5Jx14, entre outros itens.

Os opcionais estão reunidos em dois kits. Há o Tech, de R$ 4.500, que envolve: faróis de neblina, alarme antifurto com telecomando, acionamento elétrico dos espelhos externos com repetidoras de setas e função orientação para baixo no direito ao engatar ré, ajuste de altura do banco do motorista, detalhes de acabamento interno, alças de teto para passageiros do banco dianteiro direito e traseiro, porta-óculos, apoio de pé para o motorista, bolsa porta-revistas nos encostos dos bancos dianteiros, sensor de estacionamento traseiro com gráfico de aproximação, rádio Connect (Bluetooth; áudio streaming; entrada USB e Aux.), rodas de alumínio e console de teto com porta-objetos e espelho de vigilância interna.

O outro kit é o Tech Live On, alternativo, por R$ 4.650, inclui os itens do Tech e acrescenta volante multifuncional com comandos de áudio e telefone, mais Sistema Multimídia Live On de integração smartphone/Veículo via App(Apple e Android). E há as pinturas metálicas ou perolizadas que custam R$ 1.265.

Tudo somado, o preço do Mobi Drive pode chegar a R$ 45.785.

 

Como anda

O que já foi dito quando da apresentação em abril se repete. Um carro ágil, agradável de andar, uma suspensão excelente em todos os sentidos, com boa posição de dirigir e comando de câmbio muito bom.

No trecho sinuoso entre Tuiuti e Bragança Paulista (SP) as boas características de comportamento logo aparecem, mesmo com os pneus superverdes. Apesar do motor de apenas 1 litro, dá vontade e é um prazer impor ritmo rápido. Como em outros triciíndricos, a partir de 3.500~4.000 rpm vem a sonoridade  bem parecida com a de um motor boxer Porsche de seis cilindros. O corte de rotação limpo ocorre a 6.800 rpm.

20161123_171637  DRIVE, A NOVA VERSÃO DO FIAT MOBI 20161123 171637

O motor Firefly, da nova família Global Small Engines, da FCA, se atém às duas válvulas por cilindro e injeção no duto para conter custo, mas o resultado é bom

A direção eletroassistida, novidade na linha, mostra acerto de calibração e correta percepção de centro. Para manobras, a função City é bem-vinda, deixa a direção incrivelmente leve.

O motor com mais potência e torque contribui para a desenvoltura maior e sua sonoridade com extrema”quietude”  em marcha-lenta a 900 rpm agradam.

O Mobi está longe de ser espaçoso no banco traseiro, o porta-malas de apenas 215 litros é pequeno, mas na cidade seus 3.566 mm de comprimento facilitam as coisas, ajudado pelo diâmetro mínimo de giro de menos de 10 metros (9,96 m). Como ocorre com qualquer carro, tudo é questão de escolher o que se quer, de valorizar o que se aprecia e/ou precisa.

BS

Sobre o Autor

Bob Sharp
Editor-Chefe

Um dos ícones do jornalismo especializado em veículos. Seu conhecimento sobre o mundo do automóvel é ímpar. História, técnica, fabricação, mercado, esporte; seja qual for o aspecto, sempre é proveitoso ler o que o Bob tem a dizer. Faz avaliações precisas e esclarecedoras de lançamentos, conta interessantes histórias vividas por ele, muitas delas nas pistas, já que foi um bem sucedido piloto profissional por 25 anos, e aborda questões quotidianas sobre o cidadão motorizado. É o editor-chefe e revisor das postagens de todos os editores.

Publicações Relacionadas

  • Luciano Ribeiro

    Será que teremos uma versão Abarth para concorrer com o up TSI?

  • Robertom

    Para mim este é o tamanho errado para um carro, pequeno demais, o interior fica superapertado e o banco traseiro só serve para crianças pequenas ou para torturar eventuais caronas.
    Fica a impressão que o Marketing da Fiat quis criar um concorrente para o Up!, evidentemente sem o capricho do carrinho da VW.
    Um veículo apenas um pouco maior e com um custo e consumo semelhante já pode ser considerado de “tamanho decente” para transportar quatro pessoas e alguma bagagem.

    • Robertom, minha impressão é outra. A Fiat pensou numa espécie de 500. Até o entre-eixos é igual, 2.300 mm. Só comprará o carro quem quiser um assim. Se quiser maior tem o Uno.

      • Fat Jack

        Situação complicada para o Mobi. Numa compra racional, que é o forte dos carros de entrada, muitos fatores apontam para o Uno (preço muito próximo, mais espaço, mais portas-malas e até a apresentação da nova motorização nele, enquanto outros vão para o up!, como a opção TSI.

  • Estava sumido, Davi!

    • Davi Reis

      Estive mesmo Bob! Estava em São Paulo para alguns eventos e faltou tempo para acompanhar tudo. E falando em São Paulo, justo quando eu volto para Belo Horizonte teremos o 3º encontro do AE… Quando eu vi a data até conferi para tentar encaixar mas não teve jeito, de novo. Parece até marcação! Rs.

      • Que pena, Davi. Mas haverá outros.

        • Davi Reis

          Não foi dessa vez ainda, mas um dia dará!

  • Caio, é o maior torque entre os 1-litro de aspiração atmosférica, o pico de potência é a 6.250 rpm e vai rápido a 6.800 rpm. Assim, de amarrado não tem nada. Estou testando o Uno com o Firefly 1,3 e o comportamento se mostra à altura do Mobi, apesar dos pneus mistos Scorpio ATR. No vídeo mostro isso bem. Não notei diferença de rigidez torcional.

  • Luciano Ferreira Lima

    Pelo que parece essa gama de motores três-cilindros já não existe aquele problema de na gasolina aparecerem os grilos da detonação como nos flex de quatro cilindros. A respeito de uma frase que li: “compre antes que vire flex” essa nova geração ficou interessante a opção pelo álcool ou pela alcoolina? Ou é melhor a relação custo-benefício mantendo só um tipo de combustível?

    • Luciano, você leu esta frase aqui mesmo. A questão da detonação independe do número de cilindros. Os custos por quilômetro estão em regra iguais, a diferenciação é pontual, depende do preço no posto dos dois combustíveis no posto. Com álcool potência e torque estão maiores ultimamente em relação à gasolina.

  • Marco Antônio, foi esse motor que colocaram na Toro e gostei bastante. Vamos, sim, ver como ficou no Renegade. Aguarde.

  • Lucas Baldo

    Acredito que apesar de ambos possuírem potências máximas parecidas a mesma rotação, o Firefly possui mais torque em praticamente toda faixa de rotação abaixo dela, logo produz mais potência nessa grande faixa de rotação, resultando em uma maior potência média entregue devido a queda de rotação na troca de marcha. Isso ainda é intensificado pela rotação de corte mais elevada. Portanto, o motor Firefly possui melhor desempenho qualquer que seja a faixa de utilização do motor.

  • Jonas Souza Pereira

    Carrinho apertado mas muito prático nas ruas do Brasil, principalmente em cidades antigas de ruas estreitas ou nas largas e congestionadas, bom para quem circula apenas na cidade onde a moda de suves volumosos ganha cada vez mais adeptos.

  • Felipe Dreher Cordova

    Achei o Mobi, principalmente nessa versão como um ótimo segundo carro, pois como carro principal de uma família ele não é muito prático, mas espero que futuramente adicionem os controles de tração e estabilidade como itens obrigatórios, pois são, acho, muito importantes.

  • Fernando Silva

    Bob, lendo seu texto fiquei na dúvida: a diferença de agilidade salta aos olhos ou é apenas mediana? Obrigado!

  • Lucas Vieira

    Bob, procede mesmo essa informação da Fiat. de jornalistas, inclusive você, conseguiram média de 25 km/l nesse carro no trecho Betim-SP. Acho uma marca fantástica essa. Pelo que li, a Suzane Carvalho foi vencedora, com média de 27 km/l. Impressionante e com esse motor e médias estou seriamente pensando em adquirir um.

    • Lucas, procede. Claro, vidros fechados, nada de ar-condicionado ligado, ventilação interna fechada (só abria de vez em quando, para aliviar o calor, que estava forte no dia), uso da “roda-livre” quando possível (rolar desengatado nas descidas), mas lembrando que Betim e São Paulo têm a mesma altitude, portanto havia descidas e subidas. Mas o mais importante é haver limite de tempo para chegar na parada intermediária (para almoço) e no final, não se podia rodar devagar demais. Se ultrapasse o tempo o “concorrente” seria desclassificado. Tanto que a média horária rodando foi ligeiramente superior a 80 km/h, isso na BR-381 Fernão Dias com movimento normal, saindo da fábrica às 11h00. Acredito que andando normalmente, sem pressa, se consiga até 20 km/l.

    • guest, a ressurreição

      A FCA publicou o teste no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=9C211mewz6U

  • Marco de Yparraguirre

    Realmente um upgrade, caro Bob. Ficou interessante.

  • Gustavo

    Também fiquei curioso! Acho que cabe uma matéria de “bastidores”!

  • Lucas, certamente, tanto que ambos, Fire e Firefly, têm potência máxima a 6.250 rpm, potências muito próximas — 73/75 cv e 72/77 cv, respectivamente. A diferença aparece mais para os sócios do “Clube de 2.000 rpm”.

  • João Guilherme Tuhu

    Não dá é para entender esse marketing da Fiat. Essa grade de vendas do Mobi é a coisa mais estranha dos últimos tempos. Parece que a fábrica não tem condição de produzir mais motores novos para atender a linha, e tem que mesclar motores diferentes. Se o ‘vagalume’ é realmente um update, deveria estar em todas as versões do carro.

    • Tuhu, a Fiat tem companhia nisso, a VW: os 1,6 EA111 e EA211 convivem.

  • Iury

    Eta, seria bom.

  • Edmilson, o conceito mudou. Devem ter analisado o que consumia menos, se valer do corte de injeção ou da inércia. Com uso de freio-motor (engatado) a inércia é desperdiçada. É o motivo de se estar adotando a roda -livre em alguns carros, como os da VW/Audi.

  • Leônidas, 28,6 km/l. Mas eu participei hors-concours, já havia feito o teste Betim-São Paulo.

  • Brenno, no corte sujo o motor fica tranqueando; no limpo, o giro apenas não sobe mais.

  • Brenno, escolha do fabricante apenas.

  • Brenno, isso mesmo. 147, 3.710 mm de comprimento por 1.545 mm de largura; Mobi, 3.596 x 1.685 mm.

  • Ricardo, qual o objetivo, qual a vantagem? Possível é, já existe ônibus de ciclo Diesel na Suécia que funciona com álcool, mas é preciso um aditivo no álcool para que “exploda” sob alta compressão de ar. Mas para que isso?

  • Caio, diferenças de método de medição apenas. O consumo Inmetro é normatizado, o das revistas não. E continua válido o ditado “Consumo do nosso carro é o que queremos que ele tenha”.

  • Vitor Medeiros

    Sim, sim, pensei só num “grande” esportivo baseado no Mobi, kkkkkkkkk

  • Claiton Lopes

    Bela matéria, Bob. Com relação a suspensão e comportamento dinâmico o Mobi privilegia mais o conforto ou a estabilidade, ou mantém um compromisso entre estes dois aspectos? Ansioso para ver como se comporta o Uno 1.3 Firefly. Teremos “no uso” com ele?

    • Claiton, compromisso, e dos melhores. O mesmo com o Uno 1,3 Firefly, que se encontra “no uso” comigo. Texto mais vídeo em alguns dias.

  • Thallys, nem uma coisa, nem outra: para não privilegiar potência.