Foi necessária muita sofisticação eletrônica para resolver os problemas criados pelo quarto lado do triângulo

Tem mais de cem anos que os engenheiros se dedicam a tornar o automóvel mais eficiente. Uma ideia que nem passou pela cabeça dos pioneiros que o projetaram no final do século XIX: os alemães e franceses que fizeram movimentar – com um motor de combustão interna – uma trapizonga sobre rodas, não ambicionavam nada além.

Esta história centenária passa por altos e baixos que apontam o carro como herói ou vilão em cada época. Hoje ele está mais “para as ameaças do inferno que pelas esperanças do paraíso”…(apud Omar Khayyam, séc. XI).

Para tentar mantê-lo o mais distante possível da “cidadela ardente”, as fábricas estabeleceram três objetivos para tornar o automóvel menos agressivo ao meio ambiente : o primeiro lado do triângulo na eficiência do motor, o segundo no alívio do peso e o terceiro na redução das forças que resistem ao seu movimento.

Reduzir a ineficiência do motor a combustão interna não é tarefa simples, pois trata-se de uma engenhoca com princípios de funcionamento arquitetados há mais de cem anos, sem modificações essenciais desde então. Seu avanço tecnológico mais acentuado só se deu recentemente, com a interferência da eletrônica em seu comando.

O segundo lado vem sendo conduzido pela engenharia de materiais, com resultados extraordinários no desenvolvimento de componentes mais leves e resistentes. A óbvia utilização do aço se curvou diante de outros metais, plásticos e compósitos. As próprias siderúrgicas correram para elaborar aços especiais e combater a invasão do alumínio. Projetos de novos automóveis focam cuidadosamente este objetivo e os resultados já se fazem observar, com alívio de até 20% no peso original de alguns modelos. Numa destas picapes americanas, por exemplo, a nova geração tem 300 kg menos que a anterior. Alguns de nossos modelos médios e compactos já se utilizam de modernos processos para produzir componentes de carroceria, com laser ou estampagem a quente do aço, reduzindo significativamente seu peso sem perder resistência.

O terceiro lado se apoia na redução dos vetores que dificultam a movimentação do veículo. O mais importante é a barreira de ar à sua frente. O esforço exercido pelo carro para vencê-la cresce geometricamente com a velocidade. E se reduz com o aperfeiçoamento da aerodinâmica do automóvel, através de simulação de suas formas em computadores e ensaios em gigantescos túneis de vento. Estão lembrados das imponentes grades (rigorosamente verticais) dos automóveis das décadas de 30? Ou da frente da Kombi? Imaginem o esforço necessário (e a energia despendida pelo motor) para vencer a massa de ar à sua frente em velocidades superiores a 100 km/h.

Além da aerodinâmica, há outros fatores que dificultam o rolamento de um automóvel no asfalto. Um deles está sendo aliviado com os pneus “verdes”. Que, aliás, já estão em sua segunda geração, os “super verdes”. Há outros atritos a serem reduzidos na mira dos engenheiros, como rolamentos de rodas e outros componentes móveis da transmissão.

A engenharia das fábricas vem oferecendo boas soluções aos desafios mecânicos impostos pelos três lados deste triângulo. Só não imaginava, até um passado recente, que poderia se dedicar também a um outro fator, o humano, igualmente importante na evolução do automóvel e de seu alinhamento com os anseios da sociedade. Seria o quarto lado que está se viabilizando com muita sofisticação eletrônica: a substituição do motorista, que muitas vezes põe a perder todos os recursos tecnológicos presentes no carro, mesmo nos mais modernos. O automóvel autônomo é a resposta que faltava para fechar este ciclo de desenvolvimento. Eliminar o volante e a besta quadrada que vai atrás dele é a solução natural para mais este lado do triângulo e transformá-lo num quadrado que se fecha em suas próprias soluções.

BF

A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
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  • Olha. Na boa. Como um site com o nome AUTOentusiastas deixa um cara que não gosta de carros escrever?
    Caraca, hehehe!
    O automóvel autônomo é a resposta que faltava para fechar este ciclo de desenvolvimento. Eliminar o volante e a besta quadrada que vai atrás dele é a solução natural para mais este lado do triângulo e transformá-lo num quadrado que se fecha em suas próprias soluções
    Acho que essa foi a baboseira do milênio!

    • Mike, de pleno acordo, total baboseira. A coluna só entrou porque colunistas são independentes, é do jogo. O pior é que Boris é um autoentusiasta, conheço-o há 50 anos.

      • Belford

        Bob na minha opinião o Boris está sendo sarcástico!!!!

        • Belford, pode ser, mas a tônica não passa isso.

    • celso

      E como alguém que não consegue interpretar um texto vem fazer neste site ?

  • Evolução não se discute…É inevitável, para o bem ou para o mal! Porém, a conclusão que tiro do texto é que, não havendo como o ser humano evoluir, criamos mais um lado no triângulo, inoculamos o acéfalo digital e despreparado dentro do falso cubo mágico da individualidade e assim disfarçamos de “necessidade” tecnológica admitir o fracasso que somos como raça!

    • Huttner, concordo totalmente com seu raciocínio, menos que é inevitável.

  • Estava pensando a mesma coisa… Melhor um post editorial patrocinado, que uma tosquice dessas, rsrsrs!
    Vira e mexe, sai o texto desse colunista, penso: “Agora vai”
    Mas é sempre a mesma coisa. “Mimimi carro é ruim, mimimi motorista é ruim”…

  • André K, as máquinas podem nos substituir perfeitamente nos elevadores, aviões, trens, máquinas operatrizes etc; nos automóveis, toscamente.

  • Marco Schneider, dois.

    • C. Ramiro

      Quatro!!

      Não duvido chegar o dia que vamos ter que nos esconder em uma estradinha do interior no meio do nada para burlarmos a lei vigente, desligarmos o robô com um sistema “gato” fora da lei e assumirmos o volante !!

      • Caio Azevedo

        Num carro autônomo não existe (não existirá) necessidade de volante, faróis, retrovisores (inclusive o interno), pedais, manopla de câmbio, painel de instrumentos, interruptores (buzina, seta, alerta, limpador de para-brisa etc.).

  • Francisco Greche Junior

    Eu não vou cair nessa pegadinha e debater novamente este assunto.

  • Alexandre, bem à TV Globo, “Alarme de bomba num shopping da zona sul de São Paulo…”

  • lero lero

    Grande Boris!

  • Fred

    Ah tá, compare o chassis/monobloco, reforços estruturais, barras de proteção etc. em ambos os carros e verá o quanto houve de evolução, sim. Não fosse tão evolução e o up! pesaria ainda mais.

    • eNe

      Tudo bem, mas mesmo assim não me convenço.

  • Nicolas Zorzi Lima

    Ótimo text BF, é um caminho sem volta, para a infelicidade de muitos, entre os quais me incluo. Acredito que o mundo das pessoas normais está fadado a ter carros elétricos, sem graça e sem motorista. Com a recente tentativa alemã de bloquear a fabricação de veículos movidos de derivados de Petróleo, só confirma que o apocalipse automobilístico está chegando.

    Contudo vejo o lado bom disso e uma possível evolução na fabricação de gasolina sintética, de biocombustíveis (diesel e álcool) e assim manter esta ineficiente, mas extremamente carismática besta chamada motor de combustão interna.

    Forte abraço,

  • Alexandre, o Boris me telefonou pedindo para informá-lo que se trata da Ford F-150.

  • C. Ramiro

    A cada dia que passa chego a triste conclusão que a solução é realmente eliminar o motorista, tendo em vista o bando de maus motoristas presentes no trânsito.

    Porém, ao meu ver, uma outra saída plausível seria endurecer cada vez mais a obtenção da permissão para se dirigir um automóvel.
    Sério ! A maioria das pessoas à frente de um volante hoje não parecem terem feito curso para tal de tanta falta de conhecimento na arte da direção.

    Como acho que a segunda opção não será aplicada, a eliminação do motorista acaba sendo o futuro inevitável….

    Espero estar bem morto e enterrado quando isso acontecer…

  • Luís Carlos K.

    Estás de brincadeira, querendo comparar um up! 2016 com Corcel 1970!

  • Christian Bergamo

    Bueno, como aficionado por aviação que sou, trabalhando nesse meio há quase dez anos, digo, a automação dos automóveis ainda tem muita mas muita lenha pra queimar antes de chegar a 100% de automação. Poderemos ter no futuro próximo alguma automação monitorada, como acontece hoje com as aeronaves. E mesmo assim se fará necessário ainda por muitos anos que as bestas atrás do volante saibam como agir em caso de falha da automação. Vejamos o exemplo da aviação que já está na pesquisa e desenvolvimento da automação há anos. Basta pesquisar um pouco sobre a luta que as fabricantes travam para deixar seus sistemas mais seguros uma vez que, ao mesmo tempo em que a automação tornou muitos voos mais seguros, também já causou acidentes, com perda de inúmeras vidas e pode escrever é o mesmo caminho que os automóveis seguirão. Ainda bem. Pois o prazer de dirigir e domar a máquina, faz o sangue de pilotos e muitos motoristas ferver, é o que lhes dá motivo para viver.
    Usando o exemplo da aviação, não há hoje avião algum, mesmo os com maior e melhor nível de automação, capaz de colocar no chão uma aeronave em condições de tempo ruins, como ventos de través, tempestades, ou em alguma das várias pistas do mundo com condições desafiadoras como pequena distância disponível, condições topográficas ao redor do aeródromo adversas etc, para tudo isso ainda dependermos e continuaremos dependendo de pilotos experientes. E caso a automação falhe, afinal, assim como seres humanos são falíveis, não há sistema eletrônico 100% seguro, quem estará lá para corrigir o problema?
    Para mim, um sistema 100% autônomo ainda está muito distante. AINDA BEM.

    • Christian, permita-me aplaudir de pé seu comentário. Acrescento ao que você disse que as fabricantes não estão dando um tiro n’água com essa aposta, mas um tiro no pé, eliminando do seu produto o maior atrativo de todos: possuí-lo e dirigi-lo.

  • Christian, já está esclarecido. É o Partido Verde que quer propor à União Europeia tal banimento em 2030. Nada de governo nem parlamento alemão nisso. O UOL, por um colunista, deu notícia errada.

    • Alexandre Zamariolli

      Um partido político tentando eliminar na marra uma expressão de individualidade a pretexto de “pensar no bem comum”? Essa conversa não me é estranha.
      Partido Verde, mas pode chamar de Melancia: verde por fora, vermelho por dentro!

  • WillMDias

    Bom comentário.

    Acrescentando com um pouco de humor, acho que a humanidade, irá para algum futuro próximo do que vimos em filmes de futuro apocalíptico com a raça humana subjugada pela automação e IA.

  • Newton (ArkAngel)

    Interessante saber como produzirão ecologicamente alguma forma de energia ecológica…a mente desse pessoal parece que não enxerga além dos 1,70 m regulamentares ao redor de si mesmos.

  • Newton (ArkAngel)

    No futuro não haverá mais prazer humano pelo simples fato de que não existirão mais pessoas. Se houver algum fato prazeroso isolado, fica mais ou menos como a história da árvore que cai em algum lugar e ninguém vê.

    • Christian Bergamo

      OK isso é um fato. E eu sinceramente espero que isso aconteça logo para que o resto dos animais possam viver em paz neste planeta. Até lá, precisa mesmo tirar os poucos prazeres que nós meros mortais temos?…

      • Newton (ArkAngel)

        O grande desafio do homem é aprender a viver em sociedade…não a sociedade da maneira que conhecemos hoje, na qual a maioria só não retorna aos instintos animalescos por causa das leis coercitivas, mas sim, aquela em que todos pensam além do próprio umbigo.
        Todos os males tem sua origem no egoísmo.

  • Christian Bergamo

    Andar de ônibus… De fato não gera tanta emoção, já voar, mesmo para o passageiro mais acostumado, acredito que sempre será uma coisa mágica. Se o futuro da aviação for mesmo a automação completa, será uma pena, na maior parte do mundo, voar, seja para pilotos ou para comissários, são profissões que quem abraça, abraça por paixão. Imagina, tirar a possibilidade de um apaixonado por aviação de pilotar sua máquina?…. Eu não quero viver em um mundo assim.

  • Fernando

    Como dirigir não será mais importante e não proporcionará prazer, vamos ter que achar outras formas de criação de prazer, hehehehe. Voltar a beber, fumar, um novo Woodstock, sei lá… já que o mundo esta mais centrado.

    • Newton (ArkAngel)

      Em resumo, evoluir para voltarmos a fazer coisas que fazíamos 50 anos atrás, hehehe, boa! Se algum caminho nos leva de volta ao início, ou seja, é circular, a chance de que tenhamos tomado o caminho errado é grande.

  • Newton (ArkAngel)

    Fica meio estranho, como você disse, chamar o robozinho, usar e pagar…pagar com o quê, já que quase tudo será autônomo e não necessitará da presença humana, e portanto não haverá trabalho com o qual o homem poderá ganhar dinheiro? Isto implicaria na mudança total dos paradigmas do mundo em relação ao que é atualmente.

  • Rafael Alx

    Não, não são mesmo a solução…

    Acho que a solução, como em muitos problemas no nosso país pelo menos, tem que vir de base, da origem, desde uma formação decente para condutores, campanhas, multas pros viciados em smartphones (não tem agentes para isso, vão ter que inventar radar para isso também…)

    Outros fatores pra amenizar as besteiras do trânsito: a popularização do câmbio automático para que os “menos hábeis” não se atrapalhem e atrapalhem tanto o trânsito, e tem outras “babás eletrônicas” como aquelas que mantém o veículo na faixa de rolagem, freiam sozinhas quando detectam a possibilidade de uma colisão, os retrovisores com câmera de ponto cego que avisam ao condutor se há margem para a mudança de faixa, etc etc… Com tudo isso, o carro fica “semi-autônomo”, rsrs…

  • Celso, você está completamente errado nisso.