Muitas raridades acabam sendo encontradas por acaso. Esta foi também a história deste “Santo Passat”, descoberto pelo Roberto Hypólito Braga Caldeira*, leitor e amigo que compartilhou este achado comigo. Um achado que acabou revelando um raro veículo de exportação que acabou ficando por aqui mesmo — um “Made in Brazil” originalmente destinado à Nigéria, um país africano.

Tudo começou quando Mário Sérgio Chizini da Fonseca** confiou ao Roberto Hypólito uma difícil tarefa, a de ajudar a achar um veículo diferente para integrar a sua atual coleção composta de uma Variant 1970 azul Diamante e de uma Lambretta Li 1965.

A jornada começou em Guarapuava (PR), quando o paulistano Roberto Hypólito, que lá vive há algum tempo, viu em um garageiro (como são chamadas as revendas de carros por lá) um Fiat 147, ano 1983. O Mário foi avisado e lá foram os dois ver o carro. O carro era um branco Corfú, bem íntegro, a álcool, e os detalhes importantes foram fotografados. O vendedor de pronto ligou o carro e sem mesmo injetar combustível ou forçar a partida, funcionou de primeira, para espanto do Roberto Hypólito.

O painel estava em ordem, estofamento por fazer, rodas originais, tudo indo bem até o momento em que ao checar os documentos foi verificado que o carro estava registrado como Fiat Top, um modelo especial produzido até 1982. Infelizmente, o modelo em questão era na verdade um Fiat 147 C 1,3, ano 1983. Esta opção teve que ser descartada, pois a intenção era colocar placa preta nele, o que seria impossível, pois foi registrado errado ou algo aconteceu… Nunca saberemos a verdade. Alguns detalhes deste Fiat:

O que acabou condenando este carro foi o seu registro como Fiat 147/Top, coisa que ele na verdade não é. Alguns detalhes desta constatação:

A busca voltou à estaca zero e o foco mudou para São Paulo. Ele encontrou, através da internet, uma Belina I ano 1977. Como a distância para ver o carro era grande, 670 quilômetros, o cunhado do Roberto Hypólito, que tem uma oficina de funilaria no bairro de Santo Amaro, foi convocado para ver o carro. Novamente um bom candidato, documentos batendo, chassis, motor, tudo perfeito a não ser por alguns detalhes na caixa de ar e portas, além de não aguentar a viagem para Guarapuava (a ideia era levá-lo rodando). A opção foi desistir deste carro, apesar de no geral estar bem original, mas os custos, tanto de transporte e recuperação dos múltiplos detalhes de funilaria e mecânica a serem feitos, seriam muito altos.
No visual esta Belina I aparentava ser uma boa candidata (fotos site Maxicar):

Eis então que em busca em site de negócios regional, um Passat foi encontrado na cidade paranense de Prudentópolis, vizinha a Guarapuava (60 quilômetros). Ano 1986, modelo 1987, dando a impressão inicial de que era um iraquiano pela cor, até que a lateral dele fosse vista através de fotos: duas portas! (o iraquiano era quatro-portas). Sabia-se que era ano 1986 modelo 1987 (por ser ano e modelo diferente, era produção pós-outubro/1986).

A esta altura o Roberto Hypólito falou com o Mário: “Vou ver este carro. Pelo valor (R$ 8.000,00) vale a pena pegar, se não acharmos o que é, dá para fazer uma geral nele e ganhar um dinheiro em cima revendendo-o, pois parece ser bom”.

Mário deu o OK e o Roberto Hypólito foi até Prudentópolis ver o misterioso Passat. Chegando lá ele viu que realmente não era iraquiano, pois não tinha o console maior central parecido com o do Village ou Pointer, tinha quatro furos em baixo do painel indicando que havia algum tipo de suporte de rádio. Motor, a numeração era mesmo de um MD-270 e o velocímetro ainda estava lacrado, registrando incríveis 74.000 km. O motor funcionou de modo supermacio, o carro estava íntegro, poucos detalhes a serem feitos. Havia sido repintado dos vidros para baixo.

Para comparar algumas fotos da versão iraquiana do Passat , 4 portas, motor MD-270, ar-condicionado, console central completo e encosto de cabeça traseiro:

Novamente veio a decepção, mas a resolução foi a de verificar que carro era aquele, tentando cruzar dados. O vendedor passou a numeração do motor e chassis, o cruzamento dos dados mostrou que se tratava de um motor MD-270 com câmbio de quatro marchas. Plaqueta de cor 094, vermelho Fênix. Isto acabou aguçando a curiosidade do Roberto Hypólito.

Para verificar a cor foi usada uma tabela de cores da Lazzuril, como mostrado abaixo, e a cor vermelho Fênix foi confirmada:

ag-62-foto-17  SANTO PASSAT AG 62 Foto 17

Tabela de cores

Outro aspecto de originalidade foram as rodas compatíveis com a documentação do carro:

Seguindo as descobertas em relação a este carro, foi verificado o número do chassi que indica o Passat “32Z*HP”:

ag-62-foto-20  SANTO PASSAT AG 62 Foto 20

Numeração do chassi (a parte final foi coberta)

Que modelo seria? Um Pointer disfarçado? Um Village? Não poderia ser, pois, estes modelos pelo que se sabia já eram equipados com motores AP-600 e câmbio de cinco marchas. Já a análise do interior revelou uma semelhança com o Passat iraquiano, mas nem tanto.  Veja outras fotos do Passat desconhecido no dia em que foi adquirido. Detalhe para o console central pequeno. Interior “Chateau” vermelho, incluindo colunas e sem encosto de cabeça traseiro. Câmbio de quatro marchas. O compressor do ar condicionado tinha sido retirado, pois tinha quebrado.

 

Origem do apelido “Santo”

A única informação que se tinha, era a de que este carro tinha pertencido a um centenário convento/escola de freiras (Colégio Maria Imaculada Virgem Maria) em Prudentópolis desde 0-km, como foi possível ver pelo certificado de registro e licenciamento do veículo, ainda dos tempos de placas amarelas, onde se lia que o proprietário era a Associação da Imaculada Virgem Maria.

ag-62-foto-33  SANTO PASSAT AG 62 Foto 33

Certificado de registro e licenciamento do Passat ainda do tempo das placas amarelas, indicando ser o carro 1986, modelo 1987, sendo o primeiro certificado sido emitido em 30/12/1986

Em pesquisa posterior se descobriu que o tal convento/escola fazia parte de uma sociedade de educação conduzida por freiras que têm escolas em várias cidades paranaenses. A matriz desta associação fica no bairro das Mercês em Curitiba e esta associação se dedica à educação infantil, pré-escola, ensino fundamental, educação profissional de nível técnico etc.

A filial de Prudentópolis, onde o Passat desta história ficou até o início do ano de 2016, tem sua sede num prédio majestoso e possui instalações amplas com lindos jardins.

ag-62-foto-34  SANTO PASSAT AG 62 Foto 34

Sede da Escola de Freiras, da Escola da Associação da Imaculada Virgem Maria de Prudentópolis (Foto Google Maps)

Para as crianças há recantos que mais parecem um miniparque temático e as demais instalações são exemplares (fotos do site da escola):

Mas um dia chegou a hora da despedida e as freiras organizaram um bingo em janeiro de 2016 para arrecadar fundos, cujo prêmio maior foi o carro. A ganhadora, d. Cristiane, como não tinha interesse pelo carro decidiu vendê-lo e o colocou no garageiro onde o Roberto Hypólito o encontrou em março. Dado o envolvimento com as freiras é que o carro ganhou o apelido de “Santo Passat”.

 

Lá de Prudentópolis o Roberto Hypólito ligou para o Mário e disse que, mesmo se não descobrissem o que era, dava para revender e ganhar um dinheiro em cima, não se ficaria no prejuízo.  O Mário topou, o carro foi comprado e o Roberto Hypólito iniciou a viagem para Guarapuava. Ele relatou: “Cravei 150 km/h nas retas de volta para Guarapuava, uma loucura, mas estava testando o carro. Perfeito, macio, redondo! Carro firme, alinhado. As freiras cuidaram bem dele!”

Antes do Roberto Hypólito sair da loja, o lojista disse que este carro era para ser um modelo de exportação para a Índia. Ao que ele retrucou: “Não seria para o Iraque? ” Ao que o lojista disse que não. Isto deixou o Roberto Hypólito mais intrigado ainda.

À noite, chegando em casa o Roberto ligou para o Mário, para que ele viesse buscar seu carro. Então ele começou a pesquisar na internet buscando por Passat indiano, Passat Índia, coisas do gênero. Ele achou um blog, que depois não conseguiu reencontrar, que falava de um tal de Passat nigeriano e uma foto em resolução bem baixa de um carro parecido com o modelo que ele havia trazido.

Aí ele mudou o foco da pesquisa e a busca passou a ser por modelos antigos de exportação. Até que no site Home Page do Passat foi encontrada a matéria: “Passat Nigeriano hibernando”

Quando o Roberto Hypólito viu a foto, ele quase caiu de costas: era um carro idêntico!

ag-62-foto-40  SANTO PASSAT AG 62 Foto 40

Foto do Passat nigeriano anteriormente descoberto pelo site Home Page do Passat, de nosso amigo André Grigorevski

 

Analisando a matéria, ele descobriu então que tinha encontrado um tesouro despercebido por muitos. Resumindo: era um Passat nigeriano vermelho Fênix, produção outubro de 1986. Rodas datadas de agosto de 1986, era único dono, as freiras não tinham porque descaracterizar o carro de alguma forma. Equipado com ar-condicionado e o xeque mate: motorização MD-270 (em plena produção de AP600) com câmbio quatro-marchas.

Os quatro furos encontrados embaixo do painel eram para fixar um simples suporte de rádio por meio de parafusos. Após intensa busca na internet, foram encontrados somente um suporte preto quebrado, e outro marrom.

Eles conseguiram fazer a réplica deste suporte em compósito de fibra de vidro e também conseguiram encontrar o rádio que equipava o modelo na época, um Bosch Los Angeles, em perfeito funcionamento.

ag-62-foto-41  SANTO PASSAT AG 62 Foto 41

Eis a foto do suporte de rádio original que serviu de modelo (Foto Mercado Livre)

Depois de um tempo o ar quente estava funcionando e o ar-condicionado foi consertado; e o som que equipava este tipo de carro na época, um Bosch Los Angeles, foi instalado e passou a funcionar de novo, inclusive o toca fitas! Pura nostalgia!

ag-62-foto-42  SANTO PASSAT AG 62 Foto 42

Ar-condicionado e equipamento de som instalado na réplica do suporte de rádio; ambos operacionais

Depois disto, eles descobriram também que os 8 mil reais investidos inicialmente pelo Mário era um valor irrisório perto da história deste veículo. Aliás, a história do Passat nigeriano será detalhada numa próxima matéria.

Agora, oito meses depois da compra, o Santo Passat está inteiramente restaurado, vistoriado e aguardando a documentação retornar do Detran para substituição das placas cinzas pela mais do que merecida placa preta!

 

Fotos pós-restauração

O carro foi cuidadosamente restaurado com sucesso, e está numa condição impecável. Certamente os cuidados das freiras com o carro foram importantes para que o carro esteja nestas condições.

 

AG

 

ag-62-foto-71  SANTO PASSAT AG 62 Foto 71

Roberto Hypólito Braga Caldeira

(*) Esta história foi enviada por Roberto Hypólito Braga Caldeira, aficionado por automobilismo desde criança, que hoje é presidente do Clube de Autos Antigos Volks do Lobo, localizado na cidade de Guarapuava – PR (caavl@outlook.com). A oportunidade de fazer este trabalho surgiu em decorrência de um comentário que o Roberto Hypólito fez à matéria do Passat 4M.

 

 

 

ag-62-foto-72  SANTO PASSAT AG 62 Foto 72

Mário Sérgio Chizini da Fonseca

(**) Mário Sérgio Chizini da Fonseca é sócio-fundador do
Clube de Autos Antigos Volks do Lobo e proprietário
dos exemplares descritos nesta matéria, em especial do Santo Passat.

 

 

 

 

 

NOTA: Este trabalho traz um material histórico elaborado com cuidado e atenção, mas que pode ser passível de correções visto que se baseia, na maioria dos casos, em informações de pesquisa tanto em documentos, livros, internet ou até de testemunhos.
Nossos leitores são convidados a dar o seu parecer, fazer suas perguntas, sugerir material e, eventualmente, correções, etc. que poderão ser incluídos em eventual revisão deste trabalho.
Em alguns casos material pesquisado na Internet, portanto via de regra de domínio público, é utilizado neste trabalho com fins históricos/didáticos em conformidade com o espírito de preservação histórica que norteia este trabalho. No entanto, caso alguém se apresente como proprietário do material, independentemente de ter sido citado nos créditos ou não, e, mesmo tendo colocado à disposição num meio público, queira que créditos específicos sejam dados ou até mesmo que tal material seja retirado, solicitamos entrar em contato pelo e-mail alexander.gromow@autoentusiastas.com.br para que sejam tomadas as providências cabíveis. Não há nenhum intuito de infringir direitos ou auferir quaisquer lucros com este trabalho que não seja a função de registro histórico e sua divulgação aos interessados.
A coluna “Falando de Fusca & Afins” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

Sobre o Autor

Alexander Gromow
Coluna: Falando de Fusca & Afins

Alemão, engenheiro eletricista. Ex-presidente do Fusca Clube do Brasil. Autor dos livros "Eu amo Fusca" e "Eu amo Fusca II". É autor de artigos sobre o assunto publicados em boletins de clubes e na imprensa nacional e internacional. Além da coluna Falando de Fusca & Afins no AE também tem a coluna “Volkswagen World” no Portal Maxicar. Mantém o site Arte & Fusca. É ativista na preservação de veículos históricos, em particular do VW Fusca, de sua história e das histórias em torno destes carros. Foi eleito “Antigomobilista do Ano de 2012” no concurso realizado pelo VI ABC Old Cars.

Publicações Relacionadas

  • Alexandre Zamariolli

    Pintado, revisado, zerado e ainda por cima abençoado!

    • Acho que teria sido um excelente título para a matéria, caro Alexandre Zamariolli!!!
      Você possui o poder da síntese!!!
      Valeu.

  • RMC

    AG
    Que história fantástica! Nunca tinha ouvido falar em Passat nigeriano. Pensava que havia sido só Brasília (VW Igala, por lá). Vale um post dedicado, sem dúvida.
    Só uma correção: na legenda da foto da Variant está 1979, acho que erro de digitação, era pra ser 1970. Já que vai corrigir, corrija também o ano: pode até ser de fabricação de 1970, mas ano-modelo 1971.
    RMC

    • Salve RMC,
      Sim o Igala, como o VW Brasília foi chamado na Nigéria; que foi inclusive montado lá a partir de CKD, como o Fusca. Grato pela correção do ano da Variant, que já foi resolvido – um lapso de digitação…
      Acho que voi colocar alguns erros deste tipo nas matérias para ter um indicativo da atenção como o material é lido por meus queridos leitores…

  • Mr. Car

    Gromow, não me lembro de sequer ter ouvido falar no Passat “Nigéria”, o famosão era mesmo o “Iraque”. E o “Iraque” é um dos meus Passat preferidos, muito pelo interior monocromático vinho, e também pela presença do ar condicionado, não tão comum em carros naquela época, como é hoje. Bela descoberta! Convivi muito pouco com o Passat, pois embora meu pai tenha tido um Village, foi por pouco tempo. Me lembro bem é do alvoroço que causou à época de seu lançamento por ser um VW “água”, e por todo o avanço tecnológico que trazia. Lembro também do primeiro em que andei, um LS marrom “zerinho” que um primo de minha mãe havia comprado. Isto foi na cidade de Birigui (SP), no distante ano de 1974, e eu com meus distantes 10 aninhos de idade. Alguém me empresta uma máquina do tempo, he, he?
    Abraço.

    • O meu pai tece um iraquiano, caro Mr. Car, mas eu confesso que não gostava do estofamento não. Obviamente é uma questão de gosto, e cor e gosto não se discute.
      Fato é que era um caro bem mais completo do que os fabricados para o mercado brasileiro.
      Grato por seu comentário.

      • Mr. Car

        Gromow, a menos que seja uma aberração (tipo “oncinha”, “tigre” ou couro de crocodilo, he, he!), creio que gosto de tudo que seja diferente do “pretinho básico”. Em tempo: vai rolar uma matéria onde você nos conte a história e mais mil curiosidades sobre a Variant II? Sempre gostei deste VW, embora não tenha tido a oportunidade de experimentar, nem mesmo como passageiro. Apenas uma vez entrei em uma, no salão de uma concessionária.
        Abraço.

      • Maycon Correia

        Alexander, já andei em um azul com cinza que o ex sócio do meu pai (aquele da oficina de 1989) teve em 2005 a 2010, realmente aqueles bancos são muito quentes e um tanto desconfortáveis. O ar compensa pois ele realmente gela! Mais os outros detalhes desgraçam o carro. Por isso que eu preferia um Flash ou mesmo um Pointer mesmo sem ar.

  • Luciano Gonzalez

    Espetacular! Pior que já vi um destes, igualzinho ao da reportagem e me fiZ a pergunta:
    Iraque duas portas? Rsrs

    • Esta seria uma dedução lógica, caro Luciano Gonzales, mas agora você já saberá dar o seu douto parecer sobre este tipo muito raro de carros!!!
      Saudações

  • Pablo Lopes

    Maravilhosa história! Santo Passat e “abençoado” Roberto Hypólito!! Obrigado por nos proporcionar mais uma excelente leitura Gomow!!!

    • Salve Pablo Lopes,
      Este foi mais um material que veio através de contatos via Facebook, que tem sido uma excelente fonte de assuntos para esta coluna. Conheço o Roberto Hipólito há muitos anos e foi com muita alegria que acabamos fazendo esta matéria em conjunto.
      O importante é ficar bem alerta Às possibilidades que aparecem para poder serví-las a vocês, caros leitores.

  • Fat Jack

    Surpreendente!
    R$8 k?
    Se fosse um veículo normal de produção já teria sido uma excelente aquisição por esse valor, um veículo raro assim facilmente atinge sem grandes esforços o triplo ou quádruplo desse valor.
    O mais importante (independente do valor) é vê-lo restaurado e em plenas condições e nas mãos de que quem tanto gosta, respeita e preza a história do automóvel nacional (ajuda divina?). Parabéns!

    • Concordo plenamente com você caro Fat Jack!
      Uma sorte grande este carro estar com quem está, recebendo o respeito que ele, na qualidade de uma raridade, merece.

  • Roberto Hypolito Braga Caldeir

    Foi realmente um achado. Não digo que foi o primeiro premio da mega sena por não ser tão antigo, mas foi a quina !!!

    • Realmente uma sorte grande, e sorte grande está sendo poder divulgar este achado aqui com meus caros leitores que sã a razão de ser de todos este trabalho, caro Roberto Hypólito Braga Caldeira. Acho que com a sua participação importante estamos cravando mais um tento na preservação destas séries especiais aqui no Brasil e este ai nem tinha que estar por aqui, mas sim do outro lado do Atlântico.
      Como muitos países africanos mudaram de nome ai vai um mapa atualizado da Nigéria:
      .
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  • Grato Rubergil Jr.,
    Esta coluna está trazendo matérias sobre veículos VW brasileiros pouco conhecidos e a expectativa que estas informações sirvam para que novos exemplares destes veículos sejam reconhecidos e, eventualmente, preservados – compondo com mais detalhes a história desata marca no Brasil!!! Por isto mesmo que quando faço a divulgação deste trabalho no Facebook eu encorajo os leitores de lá para compartilharem as chamadas das matérias.
    Não é só para “cativar leitores” para um caso especial, mas é para ir ampliando os conhecimentos de maneira a permitir que mais e mais pessoas passem a ter como detectar estes tipos de raridades…

    • Cristian_Dorneles

      História da VW no Brasil, sempre surpreendendo.

  • Lorenzo Frigerio

    Muito legal.

  • Arruda

    Tivemos um Passat “Iraque” 4 portas 1977 com uma história curiosa. Comprado 0 km, com pouco mais de um ano sofreu um acidente num cruzamento – uma Kombi cruzou o semáforo vermelho – e deu PT.
    Esse carro passou 10 anos encostado na garagem de casa, até que pela necessidade de um carro “novo” meu pai resolveu recuperá-lo.
    Comprou um chassi 0km na VW e o Passatão foi pintado e montado a partir do zero em casa mesmo. Obviamente ganhou a estética moderna com faróis retangulares e para-choques de plástico. Usamos bastante por uns bons anos, inclusive puxando carretinha com motos.
    Apesar de renovar toda a documentação, nunca conseguiu marcar a numeração no chassi. Com a aproximação do fim da vida do carro, meu pai acabou o doando a um amigo.

    • Esta história é realmente inédita, caro Arruda,
      Um Passat iraquiano “Made at Home”, feito em casa… Acho que foi num tempo em que não se costumava tirar fotos deste tipo de coisa, mas você teria alguma foto desta reconstrução caseira? Seroa interessante ver como foi…
      Grato por ter compartilhado este relato conosco.

  • Carlos A.

    Que história incrível, realmente um achado! Ainda bem que o destino desse Passat foi o restauro e a placa preta. E essa de ‘Passat Nigéria’ foi novidade pra mim, caro Sr. Alexander, obrigado por nos ensinar mais uma!

  • Cláudio P

    Um achado fantástico! Esses modelos de exportação para a Nigéria são muito raros. Alguns anos atrás, no extinto fórum da Home Page do Passat um usuário postou fotos de um “nigeriano” em estado de zero que estava a venda. Este da matéria tem uma história muito especial. Digamos que é quase um milagre (hehe).

    • Salve Cláudio P.,
      Seria bacana ter as fotos daquele Passat nigeriano para o acervo, não é mesmo?
      Concordo que o achar este caso foi mesmo quase um milagre!!!

      • Cláudio P

        Caro Alexander Gromow, infelizmente o fórum da HP do Passat saiu do ar há quase um ano, mas o André Grigorevski fez “backup” do conteúdo antes do encerramento. Lembro que fui num tópico especifico sobre exemplares do Passat ainda zero quilômetro ou excepcionalmente bem conservados. Não sei se ele consegue acessar esse conteúdo, mas realmente seria bacana ver aquelas fotos.

  • Mineirim

    Belo Passatão! Completo e restaurado. Meu primeiro carro “a água” foi um Surf 81. Me deu muitas alegrias.

  • Daniel S. de Araujo

    Sensacional, já tinha ouvido falar de Passat nigeriano mas não sabia que eram padrão “Iraque”. Achei que eram LS/GL comuns, apenas exportados!

    É de arrepiar quando descobrimos algum modelo “incomum”: recentemente descobri um Gol L 1980 cuja numeração de chassis é 000240! Incrível”

  • André

    Nossa! Essa me pegou de surpresa… Passat nigeriano! Esse eu nem imaginava que existisse. Muito interessante!
    Apenas uma pequena correção: lá no início, na descrição da foto da Variant 1970, consta “1979”.

  • Indicador de consumo? É isso mesmo que aparece no painel? Num carro de 1987? Puxa! Bem legal esse Passat e de fato, mosca branca!

    • Caro Ronaldo,
      Naquele época vários carros possuíam este tipo de indicação que era baseada em um vacuômetro, uma indicação aproximada, que servia mais para dar uma indicação para uma direção mais econômica – no caso através de um medidor de vácuo calibrado em Km/l . Em outros carros havia somente uma lâmpada indicando condução em regime econômico, também baseada em um vacuômetro ligado a um tipo de chave de pressão calibrada para acender na faixa de consumo mais favorável – que as vezes era usada para indicar o ponto ideal de trocar as marchas.

      • Maycon Correia

        Alexander, esse se não me engano tinha um medidor de passagem de combustível, semelhante a um medidor de água, e a luz de troca é baseada no conta giros.
        Lembro que no Gol o indicador de troca sempre funcionava e o indicador de consumo apenas na quinta marcha.

    • Helcio

      É isso mesmo Ronaldo. Similar ao dos Passat GL contemporâneos. E a luz espia ousava recomendar o momento da troca de marcha !

    • Jonas Souza Pereira

      É o mesmo quadro de instrumentos do santana da época, caso não esteja enganado

      • Cristiano

        Meu pai possuiu uma Quantum 86 com esse indicador

  • Marcelo R.

    Gromow,

    História sensacional e um modelo de Passat que eu não conhecia. Aguardo a matéria sobre esses modelos de exportação.

    Um abraço!

    • Grato, caro Marcelo R.,
      Quando ficar pronta a matéria irá ser publicada…

      • Maycon Correia

        Alexander, eu vi várias fotos antigas dessas exportações, vamos manter a surpresa. Mais também estou no aguardo da matéria

  • Luiz Alberto Melchert de Carva

    Eu me lembro que o Guilherme Hannud Filho teve um Passat Nigeriano mas era uns dois ou três anos anterior a esse. Conheço uma pessoa que tem um Pointer 1988 absolutamente original e perfeito.

  • WillMDias

    Que maravilha de achado!

    História linda. E eu, só apreciando.
    Mais uma para a grande coleção do Æ.

    • Grato por seu comentário caro WillMDias,
      A bibliografia AUTOentusuasta já está muito boa, uma excelente fonte de referência e estudo.

      • WillMDias

        Realmente

        Curto muito esses “Causos” e histórias que vocês nos contam.

  • Cristiano

    Adoro essas histórias, aqui as freiras andavam em um voyage branco, provavelmente 92 ou 93 cl 1.6 impecável, mas faz tempo que não vejo o carro nem as freiras

  • Eduardo Sérgio

    Gromow, por falar em carros raros, já li que em 1987 foram produzidos aqui no Brasil dois Fusca. Você conhece o motivo da fabricação deles e onde se encontram atualmente?

    • Salve caro Eduardo Sérgio,
      A linha de montagem do Fusca em 1986 foi oficialmente encerrada em junho, parece algo inacreditável que ainda houvesse condições de produzir dois Fuscas em 1987. Parte das ferramentas de fabricação foram entregues a terceiros para a produção de peças de reposição. Funcionários foram relocados, e dispositivos rearranjados, ou sucateados.
      Se ainda existisse peças um carro poderia ter sido montado manualmente na Ala 0 (que era a oficina padrão da Volkswagen no Brasil), lá existiam mecânicos dos melhores (que contavam com o suporte da engenharia em casos mais complexos) que podiam “manufaturar” um carro, mas eu nunca ouvi relato de que isto tivesse ocorrido.
      Portanto esta lenda parece não passar de uma lenda. Quem tiver outras informações que se pronuncie. Pode ter sido um prolema na data de faturamento de veículos em estoque – eu já soube de alguma datas “alienígenas” de faturamento…
      Por falar em montar um Fusca “em casa”, no meu Livro II existe o causo do Adão de Novaies Fernandes que montou um Fusca peça por peça; este causo aparecerá numa próxima oportunidade aqui na coluna.

  • Lorenzo Frigerio

    Sei que existem Santanas “nigerianos”. Está no catálogo de peças VW.

  • Mr MR8

    Mestre Gromow, que belíssimo artigo, como sempre!!! Agora, uma dúvida de ex-dono de Passat: nesse modelo nigeriano não vinha originalmente aquele borrachão preto na parte de baixo da tampa do porta-malas, como nos outros modelos 1986?

  • Salve C.A. Oliveira,
    Acho que as histórias que seu pai contou devem dar uma belo registro das coisas que ocorreram na GM. Como no Brasil carro de 4 portas era considerado táxi (assunto extensamente comentado nos capítulos da matéria sobre o Zé do Caixão) os Chevettes e Brasílias de 4 portas eram dedicados à exportação. Foram fabricados Chevettes de 4 portas e câmbio automático, só não sei se também tinham ar condicionado.
    Você ainda tem uma foto de seu iraquiano? Estamos a busca de fotos destes carros “no uso”.

  • Danniel

    No seriado Narcos, um Chevette 4 portas é utilizado como Táxi nas ruas de Medellin

  • Alexandre Zamariolli

    Dois exemplos de Volkswagen que a irmã guia.

  • RoadV8Runner

    Sequer imaginava (ou sabia) que a VW havia exportado Passat para a Nigéria. Se fosse um Passat comum, os R$ 8.000,00 pagos pelo carro já seriam muito justos, dado o bom estado de conservação. Em se tratando de uma rara versão, saiu uma verdadeira pechincha! Ainda bem que esse modelo teve a sorte de cair nas mãos de quem gosta mesmo de antigos e dá o merecido cuidado após anos de bons serviços. Uma curiosidade: alguém sabe dizer por que a VW usava o motor MD-270 nesses Passat para exportação, ao invés do AP600?
    Muito positivo o fato da coluna passar a trazer histórias de outros VW tão interessantes quantos os “a ar”, enriquecendo ainda mais a informação sobre essas raridades, verdadeiros “ilustres desconhecidos”.

    • Antônio do Sul

      A versão que conheci é de que, no caso do Passat “Iraque” (o que vale também para o “nigeriano”), mantendo-se o motor MD-270, a filial/importador da Volkswagen teria mais facilidade em manter um estoque de peças de reposição para somente um tipo de motor.

  • Maycon Correia

    Realmente isso incomoda! Meu ex Gol tinha isso colocado e depois deu muito uso eu me esquecia dela.

  • Maycon Correia

    Como eu queria uma Quantum ap 2000 com ar e dh e talvez teto solar!
    Não interessa o modelo e nem a cor. Mais desde que inteiro que pudesse chamar de meu.

  • Rogério Oliveira

    Tudo bem GromoW! Conheci este Passat na Ala XIV! Me lembro que me chamou á atenção, era ás 2 portas e ás rodas com copinho plástico, diferente do Iraquiano com 4 portas e mini-calotas! Na época, nem imaginava que não possuía protetor de cabeça nos bancos traseiros e console central!
    Na Ala XIV, tinha várias relíquias, como o Passat Iraquiano e o Santana, ambos Diesel! Também Saveiro Diesel, Fox e Fox Wagon e Voyages com logotipo Amazon! Acredito que neste período de 1986 á 1989, á VW possuía muitos contratos de exportação!
    Agora em relação ao Passat da matéria, ter um Passat já é maravilhoso, agora ter um modelo raro, é espetacular! Foi muitíssima sorte de nosso colegas!

    Até mais!

    OBS:
    Com esta matéria, consegui ler todas suas matérias no Entusiastas! Estou comentando, porque vejo que várias delas, não possuem seu comentário, o que entendo perfeitamente, devido seus compromissos!

    Você conhece o BGT( Bubble Gun Treffen) Águas de Lindóia! Acredito que sim! Tem interesse de ir neste ano, que será realizado no feriadão de 15 de Novembro?

    • Caro Rogério Oliveira,
      Preciso voltar a visitas as matérias, já são 61 e há muito trabalho envolvido nisto que torna a prioridade ter o foco nas matérias ainda por escrever.
      Grato por ter prestigiado esta grande quantidade de matérias e deixar seu comentário em todas elas, certamente foram algumas horas de trabalho!
      No dia 15 de novembro devo estar no Salão do Automóvel para conferir o evento que a Volkswagen vai realizar com carros antigos da marca. Desejo uma boa ida ao BGT!
      Saudações

  • Mais um de seus interessantes depoimentos, caro Maycon Correia,
    Valeu por estar compartilhando estas histórias aqui com a gente!
    “Vamos surfando” em suas histórias…
    Um abraço

  • Valeu caro Fernando,
    Continuamos a garimpar material para matérias como esta. Neste momento mais de 2000 leitores se inteiraram sobre o achado do Passat nigeriano, e muitos que não sabiam que este tipo de carro de exportação existiu passaram a conhecê-lo e que sabe o boca a boca entre amigos não multiplique este número… É mais gente participando, mesmo que involuntariamente da “patrulha do carro antigo nacional”, que poderá ajudar a reconhecer mais relíquias por ai.

  • C.A. Oliveira e demais, nunca notaram que essa luz de troca de marcha era adaptativa? Uma das coisas mais úteis que já vi. Ela “aprendia” o modo de dirigir e passava a indicar de acordo. Era genial.