Caro leitor ou leitora,

O AE está com mais um editor, desta vez “pinçado” do nosso universo de leitores. Você já deve ter lido as várias matérias que ele escreveu como colaborador espontâneo, a primeira em 25/04/12 — “Torque ou potência, qual interessa mais?” — e reprisada em 3/o1/16, e a última em 25/06 deste ano, a história do Electra, símbolo da Ponte Aérea. Entre essas ele escreveu sobre motores aeronáuticos a pistão em 30/08/14, sobre o avião treinador nacional Paulistinha em 20/11/14, discorreu sobre motores a álcool em utilitários, caminhões e tratores em 3/08/15, e fez uma verdadeira ode ao avião Douglas DC-3 em 17/01/16.

Este novo editor se chama Daniel Araújo, 37 anos, formação acadêmica em administração de empresas, mas sobretudo um autêntico autoentusiasta. Além das matérias, o leitor deve conhecê-lo bem pelos comentários, pois ele é participante ativo do espaço.

Conhecia-o virtualmente desde meu tempo no Best Cars, mediante frequente troca de e-mails, intensificada desde que o AE existe, portanto, há bem mais de oito anos.

Coisa de um mês atrás eu e o PK conversando sobre o site, falei em convidarmos o Daniel para ser editor dada a excelência dos seus textos, com o quê o meu sócio e editor-geral, mais o terceiro sócio, o editor de testes AK, e o editor associado JJ, consultados, concordaram de pronto. Convite feito ao Daniel — por e-mail, ele reside no interior paulista — e o imediato e efusivo “Eu aceito!”.

Para selar a admissão do Daniel, aproveitamos uma vinda dele a São Paulo (ele é paulistano) e marcamos uma reunião, ele, PK e eu, quando finalmente, depois de mais de dez anos, eu e o Daniel nos conhecemos pessoalmente. Mais pró-forma do que qualquer outra coisa, já nos conhecíamos (muito) bem pelo mundo virtual.

Desnecessário dizer que foi um encontro agradabilíssimo.

Ele começa como editor com uma interessante matéria sobre veículos, nada de fulgurantes carros esporte, mas…. tratores de pneus, segmento que ele também conhece bem.

Seja bem-vindo ao grupo de editores e colunistas do AE, Daniel!

Bob Sharp
Editor-chefe


 

UM POUCO SOBRE TRATORES AGRÍCOLAS DE RODAS

Por Daniel Araújo

Devido à lida rural, atividade profissional que exerci por nove anos ininterruptos, acabei me tornando um apaixonado por tratores agrícolas. Nessa atividade, meu contato diário com essas máquinas, diretamente relacionadas com a chamada “Revolução Verde”, aprendi a admirar e a respeitar essas fascinantes máquinas que passaram por um incrível desenvolvimento nestes últimos 30 anos.

Mas afinal, o que é um trator? Longe de querer montar uma dissertação de Doutorado no assunto (até porque não sou técnico nisso), podemos definir o trator como uma máquina de tração apta a ser acoplada aos mais diversos tipos de implementos, desde uma simples carretinha até uma colheitadeira de grãos (os famosos “foguetinhos”, colheitadeiras de milho de uma linha) e frutos (café). É um conjunto composto de um motor, câmbio/diferencial e rodados, que pode ser pneus ou esteiras, todos acoplados formando um conjunto. Especificamente neste texto, o enfoque será nos tratores de pneus e de quatro rodas.

Derriçadeira de grãos de café tracionada por trator (https://i.ytimg.com)   UM POUCO SOBRE TRATORES AGRÍCOLAS DE PNEUS DERRI  ADEIRA 1

Derriçadeira de grãos de café tracionada por trator
(https://i.ytimg.com)

Nos tratores de pneus, a estrutura pode ser monobloco, chassi, semichassi, além dos articulados, máquinas mais raras. As máquinas monobloco são os modelos mais comuns e se constituem em motor, câmbio e diferencial formando um conjunto estrutural onde até o bloco do motor (em alguns casos, o cárter) é parte integrante. Todos os tratores abaixo de 100 cv no motor possuem esse tipo de construção.

Estrutura monobloco de um Massey Ferguson 50X; observe como a frente do trator é fixada no bloco do motor e este, ao câmbio e ao diferencial (www.agrolink.com.br)  UM POUCO SOBRE TRATORES AGRÍCOLAS DE PNEUS MASSEY 50X MONOBLOCO 1

Estrutura monobloco de um Massey Ferguson 50X; observe como a frente do trator é fixada no bloco do motor e este, ao câmbio e ao diferencial (www.agrolink.com.br)

Os modelos de chassis por sua vez possuem os componentes montados em chassis tipo longarina. É um arranjo mais comum em tratores de alta potência que necessitam de um conjunto mais reforçado. Os semichassis são conjuntos híbridos de diferencial e câmbio estruturais acoplados a uma estrutura de chassis dianteira que suporta o eixo dianteiro e o motor. É usado em modelos equipados com motores não estruturais. O caso mais emblemático são os tratores CBT, em sua maioria equipados com motores Mercedes-Benz de 4 e 6 cilindros (OM314 do caminhão leve 608 D e OM352 do L-1113) que são apoiados em travessas compondo o conjunto dianteiro.

Esquema de chassis integral do trator John Deere 6110E (www.deere.com.br/pt com adaptação do autor)  UM POUCO SOBRE TRATORES AGRÍCOLAS DE PNEUS JOHN DEERE 6110E ESQUEMA 1

Esquema de chassis integral do trator John Deere 6110E (www.deere.com.br/pt com adaptação do autor)

As imagens acima são de um CBT 2015 sucateado e mostram bem o esquema de subchassi: pelo fato de o motor Mercedes OM352 não ser estrutural, o monobloco se “estende” formando um berço onde vai montado o motor (www.mfrural.com.br)

E quando se fala em motores, até um passado não tão distante os tratores agrícolas (e mesmo alguns industriais) empregavam motores diesel “multiuso”, que podiam ser empregados tanto em aplicações agrícolas, veiculares, estacionárias e até marítimas! Embora um motor de ampla gama de aplicações apresente como vantagem a economia de combustível e a abundância de peças de reposição a baixos preços, por outro lado tais engenhos podem não apresentar uma curva de potência e torque adequada para operações agrícolas.

Exemplificando com números, o Ford New Holland e seu motor de aplicação agrícola FNH-Genesis de 7,5 L da abertura dessa matéria produz 122 cv a 2.100 rpm e a 1.200 rpm, rotação de torque máximo, o motor já entrega 82 cv. O Valmet 1280, com seu MWM D-229/6, 6 cilindros e 5,88 L, produz 126 cv a 2.400 rpm e 41 m·kgf de torque a 1.400 rpm. Nesta mesma rotação, são 80 cv de potência, ou 2 cv a menos que o Ford/New Holland! Contudo, o MWM D-, por ser um motor empregado em caminhões, motogeradores e até barcos com diferenças mínimas (na maioria dos casos, apenas regulagem na bomba injetora), é um motor que é fácil e barato de arrumar peças de reposição para uma retifica, e dada a menor cilindrada, mesmo trabalhando em rotação mais alta, são geralmente mais econômicos que seu congênere feito especificamente para uso agrícola. Por outro lado, um motor desenvolvido para aplicações agrícolas apresenta como vantagem o desempenho superior devido à sua curva de potência, que embora possa ser, no pico, semelhante à de um motor não agrícola, ao longo da faixa de rotações ela é maior e melhor distribuída.

O aproveitamento da potência do motor faz da transmissão dessas máquinas um componente importantíssimo: um bom escalonamento de marchas faz a diferença entre um bom trator e outro mais limitado. No passado era comum o emprego de seis combinações de velocidade (3 marchas reduzidas e 3 marchas normais — para uso de 0 a 30 km/h) utilizando caixas de marcha do tipo engrenagem deslizante, robusta mas de pesado e difícil engrenamento para operadores inexperientes. Neste sistema, o engrenamento da marcha se dá por meio do movimento da própria engrenagem como um todo, diferentemente do sistema de engrenamento permanente, onde as engrenagens giram livremente sobre a árvore e quem faz o seu acoplamento são as luvas de engate, solidárias à árvore e quando encaixadas na engrenagem da marcha, torna-a solidária também à árvore.

Geralmente a disposição dos câmbios consiste em uma caixa de marchas com uma saída multiplicada ou não (a famosa “reduzida”), que em composição com o diferencial e o tamanho dos pneus formará a velocidade de trabalho do trator

Hoje as caixas têm pelo menos 12 combinações de marchas à disposição do operador em caixas de engrenamento permanente, muitas delas sincronizadas e com a alavanca empregando trambulador e acionamento lateral e não mais localizada entre as pernas do operador! Um maior número de marchas em um trator permite o trabalho da máquina dentro de uma velocidade “ideal” para a função, de acordo com o implemento acoplado/tracionado.

tabela-de-velocidades-massey-4275  UM POUCO SOBRE TRATORES AGRÍCOLAS DE PNEUS TABELA DE VELOCIDADES MASSEY 4275

Tabela de velocidades de um Massey Ferguson 4275 ano-modelo 2016; observe a quantidade de velocidades disponíveis, uma delas a mais adequada para a operação e o local onde se está operando (imagem do catálogo online da Massey Ferguson)

Há situações como tracionando colheitadeira de café em que a velocidade ideal de trabalho pode ser inferior a 800 m/h (metros por hora!). Por outro lado, há atividades que não requerem velocidades tão baixas (embora velocidades excessivas não sejam benéficas). Para pulverização de plantações, fertilização com carretas, gradeação de solo, o uso de velocidades baixas não contribui para um serviço bem feito. Por outro lado, altas velocidades tornam o serviço ineficiente. Por isso, a necessidade de se buscar o melhor compromisso entre uma operação bem feita e agilidade é de suma importância para economia de combustível e o bom aproveitamento da operação realizada. Em pulverizações de lavouras de café, por exemplo, a velocidade que eu costumava usar era de 5 a 6 km/h em média, o que no exemplo acima, seria o uso da 5ª marcha.

E exatamente por conta dessa característica de andar tão lentamente, os tratores não apresentam hodômetro e sim horímetro. Como nos aviões, consumo de combustível, as manutenções preventivas e a durabilidade de um motor agrícola se medem em função do número de horas de funcionamento. Outros instrumentos importantíssimos do painel de um trator são as luzes-espia (as mais importantes são a da pressão do óleo e do alternador) e o termômetro do sistema de arrefecimento, um instrumento importantíssimo, pois é através dele que o operador detectará se um radiador está tampado com folhas ou detritos, por exemplo. O indicador do nível de combustível também consta no painel de muitos tratores, embora normalmente funcione somente quando a máquina é nova.

Os agregados dos tratores agrícolas são diversos e normatizados por normas da International Organization for Standardization (ISO). A tomada de força, por exemplo, tem número de estrias para acoplamento de eixos e rotação de trabalho, ambos determinados pela norma ISO 500 e os braços hidráulicos, normatizados pela norma ISO 730. Outro item comum, talvez o mais usado em um trator, consiste na barra de tração (chamado por muitos de “rabicho”), usado para o acoplamento de implementos e carretas.

sistema-hidraulico-cat-3  UM POUCO SOBRE TRATORES AGRÍCOLAS DE PNEUS SISTEMA HIDRAULICO CAT 3

Braços hidráulicos para colocação de implementos (foto https://s3.amazonaws.com)

No passado, o trabalho com a terra ou era feito com pessoas e enxadas ou, quando a área era maior, com o uso de implementos de tração animal. E apesar da indústria automobilística, houve um hiato de tempo para o desenvolvimento da indústria de máquinas agrícolas. No Brasil de antigamente, trator em fazenda era artigo de alto luxo, coisa restrita mesmo. Poucos fazendeiros possuíam (e tinham condições) de ter um trator em sua propriedade: os implementos agrícolas eram poucos, a manutenção, complicada. Nos anos 50 começaram a chegar às primeiras máquinas agrícolas, todas importadas e em sua maioria, movidas a gasolina. Em muitos casos, chegavam encaixotados e o comprador tinha que arrumar alguém para montar.

As atividades executadas eram, em sua maioria, o uso de enxadas rotativas para cultivo, nivelamento e destorramento de solo e eliminação de plantas daninhas. Foi nessa época que o próprio Ministério da Agricultura começou a incentivar a mecanização agrícola com o desenvolvimento do famoso “Coffee Train” Allgaier Porsche P-312, uma curiosa máquina projetada para os cafezais, cujo assunto já passou por aqui em no AE.

Anúncio do Ford 8BR brasileiro; agradecimentos a Lucas Nori Micheletti (http://tratoresantigos.blogspot.com.br)  UM POUCO SOBRE TRATORES AGRÍCOLAS DE PNEUS ANUNCIO FORD 8BR 1

Anúncio do Ford 8BR brasileiro; agradecimentos a Lucas Nori Micheletti (http://tratoresantigos.blogspot.com.br)

Mas foi apenas no final dos anos 1950 que o Geia (Grupo Executivo da Indústria Automobilística) passou a se preocupar com a indústria de máquinas agrícolas, especificamente com os tratores. E apenas neste momento é que começam a surgir os primeiros tratores brasileiros, saga esta iniciada em dezembro de 1960 com o lançamento do famoso trator Ford 8BR, equipado com motor Perkins 4.203 de 4 cilindros e 3,3 L, seguido pelo Massey Ferguson 50X, Valmet 360, o Fendt, Zetor, Deutz (e seus lendários motores diesel em linha arrefecidos a ar), além do Oliver 950, produzido pelas Indústrias Pereira Lopes, de São Carlos, e se transformou na CBT – Companhia Brasileira de Tratores.

Nos anos 70 começou a difusão de tratores e máquinas agrícolas pelos campos brasileiros. Os tratores começaram a ganhar potência, saindo da faixa dos 50 cv médios de todos os modelos fabricados até os 120 cv do CBT 2400 equipado com motor Detroit Diesel 4.53 produzidos até 1979, ano em que a Detroit Diesel encerrou (pela primeira vez) suas operações no país.

CBT 2400 com motor Detroit Diesel (agradecimento a Lucas Nori Micheletti, que por sinal está restaurando um!)  UM POUCO SOBRE TRATORES AGRÍCOLAS DE PNEUS CBT2400 1

CBT 2400 com motor Detroit Diesel (agradecimento a Lucas Nori Micheletti, que por sinal está restaurando um!)

Os anos de 1980 e 1990 já presenciaram a consolidação da mecanização agrícola e do crescimento da potência dos tratores, uma imposição dos novos implementos agrícolas de maior porte e/ou maior capacidade. O uso de tração integral (surgida inicialmente no Valmet 118 de 1981), motor turboalimentado (1982, com o Valmet 138), os modelos plataformados (existe uma separação entre o local onde vai o operador e a estrutura do trator, geralmente fixada sobre coxins), além do uso de cabines fechadas e com ar–condicionado, trouxeram uma nova realidade para essas máquinas, outrora desconfortáveis e brutas e que hoje oferecem conforto próximo (se não maior, em alguns casos) de um automóvel para o operador.

Os anos de 1980 ainda viram alguns ensaios (desastrosos, por sinal) do uso de motores a álcool em aplicações agrícolas e em veículos comerciais médios e pesados. Atualmente, os lançamentos da indústria focam no incremento de potência de seus produtos e o downsizing dos motores: o já citado Valmet 138 de 1982 empregava um MWM TD-229/6 turbodiesel de 5,88 L turboalimentado, 138 cv a 2.300 rpm, enquanto hoje seu congênere BH135i utiliza um Sisu turbodiesel com pós-resfriador, 4,4 L e 137 cv à mesma rotação, uma curva de potência mais adequada para os trabalhos agrícolas e  empregando sistema de injeção direta mecânica por bomba injetora rotativa.

Essas melhorias vêm sendo incrementadas dia após dia e a indústria não para em sua constante busca por inovações. As novas fronteiras agrícolas, os maciços investimentos de produtores rurais por tecnologia e a crescente abertura de novas frentes agrícolas fazem do Brasil um mercado atraente tanto para as empresas já consolidadas quanto para novos entrantes (como Budny, LS Tratores e a própria Agrale, outrora focada apenas em modelos leves). E apesar da crise, anualmente existem novidades no setor!

Como o leitor pode ver, tratores são máquinas complexas que, como os automóveis, estão em constante evolução e compõem um mundo de engenharia e tecnologia que fascina quando conhecemos e convivemos de perto.

DA

 

Sobre o Autor

Daniel Araujo

Administrador de formação acadêmica, é antes de tudo, um apaixonado por automóveis e aviões. Busca compreender a história existente em um projeto e os porquês técnicos envolvidos. Sua atuação como como gerente de empresa agrícola durante 9 anos aguçou ainda mais essa curiosidade e a levou para os utilitários, máquinas e motores e veículos comerciais. Após excelentes contribuições pontuais ao AE se tornou editor regular.

Publicações Relacionadas

  • Davi Reis

    Daniel, ainda não tive tempo de ler o texto, mas gostaria de deixar os meus parabéns de bate pronto! Seus textos e seu conhecimento sempre se destacaram nos sites e também no grupo do Quadrados Perfeitos. Saudações a todos os editores!

  • Clint Eastwood

    Parabéns, certamente pessoas do seu potencial que fazem do Autoentusiastas um portal diferencial em relação a grande maioria de sites automobilísticos no Brasil, saindo da mesmice. Boa sorte e bom trabalho.

  • Lemming®

    Primeiramente os parabéns ao Daniel pela conquista e reconhecimento!
    Quanto aos tratores, máquinas incríveis e que fizeram parte da infância. Massey 50x, Valmet e depois o Ford. E a barra de tração sempre chamamos de “engate”…hehe
    Ótima matéria!

  • Mauricio Scherer

    Excelente a diversificação do tema! Trabalho nesta área e é uma satisfação ver o assunto aqui abordado.
    Contribuindo, gostaria de dizer que SISU e VALMET — como marcas que são — não existem mais, tendo passado recentemente a se chamar AGCO Power e VALTRA respectivamente, ambas com sede em Mogi das Cruzes, SP, e parte do grupo AGCO;
    Marco importante é o estabelecimento de limites para emissão de poluentes que terão efeito no início do próximo ano para máquinas agrícolas acima de 75 kW e que certamente trará um novo capítulo a esta história, em constante mudança!

  • Mr. Car

    Em tempo, Daniel: já que o assunto é inerente ao mundo rural, que conhecemos tão bem, aí vai:

    Uma das coisas que eu mais gostava quando tombava terra, era ver pássaros como o Quero-Quero e o Carcará se aproximarem em busca dos insetos e larvas que ficavam expostos, he, he!
    Abraço.

  • Lucas Vieira

    Resta saber o destino que a MAN vai dar agora a linha de motores da International/Navistar/MWM/Maxion, pois agora há uma gama quase infinita de motores diferentes com a mesma aplicação.

    • Daniel S. de Araujo

      Essa é uma boa pergunta. A sobreposição de produtos foi a principal marca registrada da fusão MWM com a International Engines. Uma mesma empresa oferecendo o “Maxion” S4, o D-229, o série 10, série 12, os diesels de alta rotação da familia HS (HS2.5, HS2.8 e o NGD3.0E) junto com o MWM Sprint 4.07 e 4.08, enfim, uma mistura que pouca gente entendeu.

  • Claudio

    No início do emprego de tratores muitos acidentes fatais ocorriam quando ao tracionar um implemento muito pesado as rodas dianteiras se levantavam e o trator tombava sobre o tratorista. O problemas foi resolvido com o “engate de três pontos” como pode-se ver no anúncio do trator Ford 8BR. Com estes pontos de engate fica impossível acontecer este evento quase sempre fatal. Foi desenvolvido pela Massey que abriu mão da patente para todos fabricantes o pudessem adotar e assim a todos beneficiar. A barra de tração que aparece numa das fotos é apenas para rebocar implementos leves.

    • Daniel S. de Araujo

      Até hoje há quem chame esse sistema de “Sistema Massey”

  • Daniel S. de Araujo

    A dificuldade das engrenagens deslizantes, além de ser uma transmissão de acionamento mais pesado, seu engrenamento em movimento também não é dos mais simples e se não der o tempo exato, a marcha não entra nem raspando.

    Os americanos chamam as caixas de engrenagens deslizantes de “crashbox”.

  • Luciano Ferreira Lima

    Onde tem carcará, tem cobra. Bom saber, precaução nunca é demais.

  • Luciano Ferreira Lima

    Mr. Car operando trator? Que legal!!

  • Claudio

    Os tratores e colheitadeiras mais modernos fabricados no Brasil tem um grau de sofisticação inimaginável para quem não é da área. Os sistemas de condução autônoma guiado por GPS é uma delas.Nela a máquina se dirige sozinha ficando o operador apenas observando e só intervindo em caso de pane ou emergência e faz com que as rodas passem exatamente onde passou na operação anterior, que são várias durante a estação de crescimento. Assim é desejável porque as rodas compactam o solo e assim dificulta a penetração da água da chuva e o desenvolvimento das raízes com efeito muito negativo no rendimento das culturas. A precisão depende do sistema. Um, que é gratuito, tem uma margem máxima de erro de 20 centímetros;outro que paga uma taxa anual, a margem de erro é de 10 cm e o mais preciso(TKS)tem uma margem de apenas 2,5 cm ( dizem os técnicos que geralmente é em torno de 1cm apenas).
    Discute-se a necessidade de tal precisão mas em todo o caso pode-se perguntar se uma Lamborghini,Ferrari,Rolls- Royce etc são tão sofisticados.
    Para terminar, o trator está na vida de todos nós porque é o principal instrumento da produção agrícola e por enquanto ainda não surgiu um ser humano que não precise de comer para viver.

  • Victor H, dois pedais de freio: exemplo prático do que tanto se fala hoje, vetoração por torque. Ao frear a roda interna à curva o veículo tende a girar para aquele lado. O mesmo nos tanques e nos tratores de esteira.

  • Leonardo Moraes

    Parabéns Daniel! Merecido! É isso aí!

  • Leandro

    Excelente texto, parabens!

  • Daniel S. de Araujo

    Victor, tem sim!

    Geralmente o bloqueio fica situado num pedal acionado com o pé direito do operador. É de acionamento meio canhestro visando exatamente evitar que seja acionado indevidamente e forçando o operador a pensar na situação que se valerá do recurso.

    Antigamente os Massey Ferguson 85 e 95 tinham o bloqueio via alavanca abaixo do assento do operador. Mas dava margem ao esquecimento e consequentemente, a danos no diferencial.

    • Boa! muito bem pensado este sistema. Valeu!

  • Daniel S. de Araujo

    Valeu Alessandro!

  • Fórmula Finesse

    Excelente “aquisição” para o AE; seja bem vindo Daniel!! (Agora, ler a matéria – rsrsrsr)
    P.s: Como tenho participação em um sítio, os tratores também fazem parte da minha vida semi diretamente; dos Agrale 4100 que empinavam (!!!) nas subidas com disco de arado a Massey Fergunson dos anos sessenta, convivo com certa frequência com alguns tratores e implementos.

  • Daniel S. de Araujo

    Esse trator era fabuloso! Aliás a Engesa fabricou produtos para indústria automobilística que mereciam um post a parte: Os kit´s 4×4 da Engesa, que podiam equipar os caminhões Chevrolet D-60, Ford F-600, alguns Mercedes 1519 além da Veraneio e da F-1000.

  • Daniel S. de Araujo

    Valeu Luciano! Logo logo falarei da minha joinha!

  • Odenir Maffissoni

    Bem vindo ao time Daniel, na foto da sucata do CBT 2015 na realidade é CBT 2105, abraço.

    • Daniel S. de Araujo

      Saiu errado! Valeu!

  • Ricardo kobus

    Daniel,
    A cor do nosso Valmet é originalmente vermelha com as rodas brancas e a grade do radiador também branca, pois, existem vestígios embaixo da cor amarela de um vermelho parecido com grená.
    Um primo de minha mãe tinha um 80 nessa coloração.
    E o MWM dele é um D-222 4 cilindros, recentemente eu consegui um material técnico com a MWM.
    Pode ser uma excelente matéria essa mudança de cor dos tratores Valmet.
    Abraços!

  • AC2016

    “Embora normalmente funcione somente quando a máquina é nova.”
    Cresci na roça, em fazenda.. e isso é uma verdade absoluta. Os marcadores de combustível eram o primeiro item a parar de funcionar!
    Saudade de passear no Ford 1610 que tinha por lá…

  • Eduardo Cabral

    Muito bacana, o que eu sempre gostei nos tratores é o leiaute de F-1, com motor e transmissão estruturais.

    Uma das razões do 229 ser tão pesado é que ele tem bloco estrutural. Picapes, geradores e demais aplicações sem motor estrutural deveriam usar o X-10, que é mais leve e tem cabeçotes melhores.

    Na Turquia tem um da Otokar que usa esse Deutz arrefecido a ar. Se não me engano tem versões até Euro II. Quem for na Turquia pode ver e ouvir: http://bus-and-coach-photos.com.s3.amazonaws.com/11965.jpg

    • Daniel S. de Araujo

      Eduardo, o série 10 também é estrutural…e muito pesado. Aliás, o série 10 esforça demais o chassis das F-1000 1997 e 1998 pois o peso seco sesse motor, em sua versão 4 cilindros, beira os 500kg!

  • Lemming®

    Pois é…só quem viveu em fazenda para passar por essas…hehe
    Na “minha época” já tive sorte. Ford com DH…rsrs

  • Wendel Cerutti

    Motoscrapers eram meu sonho de consumo na infancia , kkk .

  • Roberto Mazza

    Parabéns, Daniel! Belíssimo texto! Obrigado por compartilhar!

  • Daniel S. de Araujo

    Eduardo, anos atrás havia uma espécie de reformatório aqui onde moro. Era um local onde havia um pastor evangélico que abrigava menores infratores, tudo por ordem judicial (não me pergunte como acontecia tal feito). E o pastor desenvolvia um interessante trabalho onde as meninas exerciam corte e costura (tudo supervisionado), e os meninos, mecânica. E dessa mecânica a maior parte das coisas que se faziam era juntar sucatas e fazer funcionar. Além das inúmeras picapes F-75 rodando com motor Perkins A3.152 do 50X, a coisa mais maluca que eu vi foi um caminhão Chevrolet C-60 (gasolina) que teve seu motor retirado e em seu lugar, adaptado um raríssimo Deutz 6 cilindros do DM110! E funcionava!

    • Eduardo Mrack

      Interessantíssimo, veja só, então já existiu um tempo em que pastores faziam algo de útil ! Estas experiências com adaptações e “misturança” de coisas sempre nos ensinam muito, coisas boas e ruins.

  • Daniel S. de Araujo

    Verdade! O barro do Paraná parece um chiclete!

  • agent008

    Daniel, parabéns por passar a integrar o seleto corpo de editores do site! Um pequeno relato de quem também depende destas máquinas no dia a dia. Trabalhamos com maçã e nesta atividade, como em qualquer outra do setor agrícola, o trator é essencial. Utilizam-se modelos “fruteiros”, mais estreitos, em geral com potência na faixa de 75 cv (similares aos para o café) — isto é importante para que possam passar pelas filas de árvores (em geral espaçamento de 3,5 m) sem danificá-las. A velocidade de “livro-texto” para pulverização é de 4,6 km/h e corresponde à 4ª. simples do Massey 275, trator mais tradicional no setor. Recentemente adquirimos modelos LS, com ar-condicionado e filtro de carvão (para o operador não respirar resíduos de defensivos) e cabine feita na fábrica (Massey, Valmet e John Deere usam cabine feita por terceiros). Potência de 60 cv apenas com motor 2,5 de projeto Mitsubishi — em comparação ao Massey (Perkins 4,4 l) ou Agrale (MWM 3,9 l) é um motor pequeno, mas mais econômico; daqui a 5 anos saberemos a respeito de sua resistência. Até recentemente não havia notado a questão de que os motores dos compactos costumam a ser estruturais, e confesso que não vi como é este LS (vou olhar na próxima oportunidade), mas parecem máquinas de qualidade. Um abraço, aguardo por novos artigos!

  • Antonio do Sul, oportuno, você falar nisso, pois é a mesma sensação que tenho, embora sempre haja comentários de leitores contrários a qualquer assunto que não seja automóvel. Vou estudar isso com o PK.

  • Ewerson, lembrar que freios independentes servem também para desatolar o trator. Trava-se a roda atolada e a que está no seco, traciona.

    • Ewerson Matia

      Realmente. E foi assim que por muitos anos o Brasil se virou com tratores 4×2…

  • AC2016

    E no inverno precisava esquentar o óleo, senão não pegava nem a porrete!

    • Lucas Vieira

      Esse era um problema particular do motor Perkins, haha! Até os caminhões Chevrolet sofriam desse mal, só pegavam no tranco.

  • Ewerson Matia

    Daniel, o 283 eu não conhecia. O 275 e o 290 ainda são comuns de se ver no Paraná (há tratores novos, mas os velhinhos sempre estão trabalhando em alguma tarefa auxiliar).
    Por falar em tratores, lembrei-me de outro: CBT 1105. Olhem a coluna de direção: https://uploads.disquscdn.com/images/d040df4d4d9e29dbf3b82f24b3c553e43db892d0c74cb54b6e36040b97932d36.jpg

    Acredito que era deslocada para dar espaço para a longa viagem da alavanca de câmbio: https://www.youtube.com/watch?v=Q364Pf2_Jd4

  • Ewerson Matia

    Reconheço a evolução dos tratores (hoje, predominantemente 4×4), mas tenho uma queda pelos 4×2 antigos. No mundo dos tratores, são como Jaguar e Ferrari dos anos 50 e 60 com capôs longos, cabines recuadas, tração traseira e muito braço do motorista! https://uploads.disquscdn.com/images/6528432f8b0e211a1fc8c6eac97f07e16b2d8eb4b703d1b21aa93db1d8a52561.png https://uploads.disquscdn.com/images/8861d6cc965aaf5a23c568002b57e6dfcd3a5ce2cdd26964aa8eb8f157c46de8.jpg

  • Lucas dos Santos

    Boas-vindas ao Daniel ao AE, agora como editor! Além de autoentusiasta legítimo, tem um vasto conhecimento sobre máquinas e veículos pesados, bem como sobre motores Diesel. Será um prazer ler matérias sobre esses assuntos por aqui!

    Execelente matéria sobre os tratores agrícolas. São máquinas fantásticas e muito engenhosas. Foi interessante conhecê-las um pouco aqui.

  • Geovane Paulo Hoelscher

    Caro Daniel, que texto entusiasmante! Obrigado.

    Se não fosse ler a sua ficha, juraria que é engenheiro.

  • Lucas Vieira

    Na verdade não foi feito especificamente para esse caminhão, foi um desenvolvimento da MWM para os novos níveis de emissões que estavam por vir, um desenvolvimento natural, comparável ao OM352 que virou OM366. O L80 é exatamente um VW 8-140 que era vendido na mesma época no Brasil, eram fabricados aqui e exportados para a Alemanhã, inclusive alguns excedentes desse modelo foram vendidos no Brasil mesmo.

  • agent008

    Acredito que os 5 ou 6 km/h são perfeitamente utilizáveis também na maçã, bastaria ajustar na vazão dos bicos do pulverizador e na concentração da calda de forma a continuar a mesma dosagem por hectare. Aqui os 4,6 se consagraram devido à onipresença dos MF 75x e posteriormente 275/4275 sendo esta a velocidade de trabalho com a rotação correta para pulverizar, estando na 4ª simples.