No início do mês consultei um executivo de uma grande rede de varejo que me confirmou estar havendo leve recuperação em seu setor, clientes voltando às compras. Após a apresentação da coletiva de imprensa da Anfavea, no último dia 6,  questionei-o sobre aquela reação e ele se saiu com ”inexplicavelmente, nas duas últimas semanas do mês, os clientes sumiram.”

Varejo de móveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos é bem distinto do de automóveis, são proporções de valor diferentes. Um televisor a LED de 46” custa 1/20 de um carro compacto, mas, em geral, quando um vai bem, ou outro costuma ir também; o mesmo ocorre no sentido inverso. O tempo de reação quando o mercado é comprador é mais rápido no varejo de televisores é mais lento na retração, ou seja, o mercado de automóveis sente antes a desaceleração.

Fato é que os números totais de emplacamentos de autoveículos em setembro foram uma ducha de água fria nas expectativas de recuperação do setor. Em agosto já notáramos que o ritmo de vendas diárias sofrera retração de 7% sobre o mês anterior (minha análise continha um erro de cálculo e apontava apenas -2,6%), mas o maior número de dias úteis de agosto (23 contra 21) camuflou essa “esfriada”. Setembro também teve 21 dias úteis como julho e venderam-se 20 mil automóveis e comerciais leves a menos, ou -11,4%.

Ao todo, venderam-se 159.961 veículos, sendo 155.065 leves, 4.195 caminhões e somente 701 ônibus.

Emplacamentos diários de Automóveis e Com. leves (Fonte: Anfavea)

Emplacamentos diários de Automóveis e Com. leves (Fonte: Anfavea)

 

Gráfico de Emplacamentos Diários de Automóveis e Com. leves (Fonte: Anfavea)

Gráfico de Emplacamentos Diários de Automóveis e Com. leves (Fonte: Anfavea)

Ritmo diário de emplacamentos de automóveis e comerciais leves de setembro foi o mais baixo do ano, 7.384 unidades/dia. A revisão da projeção que a Anfavea fizera em junho projetara média de 8.300 vendas/dia até o final do ano. Caso outubro não apresente nova reação, minhas novas projeções para 2016 ficariam entre 1.944.000 num cenário pessimista e 1.975.000, num otimista, ou 23% abaixo de 2015, automóveis e comerciais leves. Tomara que eu esteja enganado. Pode ser que a Anfavea refaça suas projeções mais uma vez antes do final do ano, que hoje apontam para 2.080.000 autoveículos, sendo 2.014.000 automóveis e comerciais leves.

Nos comerciais pesados, as vendas seguem bastante ruins e enganando as projeções mais conservadoras: a nova aposta de retomada ficou para janeiro de 2017.

Se para muitos bastava uma elevação do grau de confiança para ensaiar reação no consumo, podemos concluir que as pesquisas que mediram esse aumento da confiança são mais ou menos semelhantes àquelas do Ibope antes das eleições. O setor de serviços foi o que mais vem sofrendo neste segundo semestre, em que pese a purgação que vemos na política e mudança de líderes. Mas seguramente após o impeachment da presidente e agora com a aprovação da PEC 241, ocorrida esta semana na Câmara dos Deputados, que limita a expansão dos gastos públicos por alteração na Constituição, prevê-se que os investidores passem a olhar nosso país de forma mais positiva.

Emplacamentos totais de Autoveículos (Fonte: Anfavea)

Emplacamentos totais de Autoveículos (Fonte: Anfavea)

Ranking de setembro e dos nove meses do ano

Em setembro venderam-se 13% menos veículos leves que em agosto. A Honda foi a marca que mais cresceu com +10%, seguida da Mercedes com +9%, Jeep com +2% e Nissan com +1%.

Ainda fortemente afetada por sua disputa com os fornecedores do grupo Prevent, a VW teve menos carros que os clientes queriam estocados em seus pátios e enfrentou queda de 37% nos emplacamentos. Fiat sem crise com fornecedores, mas com revisão estratégica de seu portfólio de produtos em pleno vapor, emplacou -26%, Toyota ficou com -16%, BMW também -16% e Peugeot -15%.

A Chevrolet segue dando as cartas, o Onix manteve o ritmo inalterado e emplacou 12.592 unidades, no acumulado até setembro. A expansão de vendas do compacto é de 20%, num mercado que caiu 22%. HB20 vai firme na vice-liderança e também apresenta crescimento sobre 2015, com +8%. Ka ficou em 3º com 6.611, seguido do Prisma com 5.344, Sandero tomando lugar do Corolla com 4.992.

Mudanças no ranking. O Civic décima-geração chegou e emplacou 2.820 unidades, aparentemente o sedã  japonês tomou compradores do HR-V e do Corolla. Outros que se destacaram também foram o EcoSport, com 2.840 unidades e o novíssimo Nissan Kicks, com 2.367. Curioso que o segmento de suves compactos cresceu 7% em setembro, num mês em que HR-V e Renegade e Duster venderam menos, apontando haver uma nova acomodação entre competidores. Kicks ainda vindo do México sofre limitação em seu crescimento de vendas por conta do acordo de cotas com aquele país.

A onda suve também atinge os produtos fabricados pela Hyundai-CAOA, Hyundai Tucson, mesmo com desenho já cansado, porém oferecendo bom custo-benefício, surpreendeu com 2.012 unidades vendidas. O número de competidores cresce mais que o segmento e logo teremos debutando aqui mais um Hyundai, com modelo baseado no HB20 e ix25.

Fiat anunciou o final de produção do Palio Fire, nestes momentos de crise a autofagia entre modelos da marca italiana não vinha lhe fazendo bem, Palio Fire, Palio, Uno Vivace, novo Uno e agora o Mobi compunham um overlap de modelos e preços que perdurou por anos. Com isso o Mobi ganha mais espaço para crescer e o Palio terá um patamar de vendas mais baixo que antes. Neste ano, as vendas acumuladas do compacto da marca caíram 47% e seu irmão Uno emplacou 59% menos, sempre em relação a mesmo período de 2015.

Nas picapes, ranking teve mudanças sutis, VW Saveiro despencou algumas posições pelo mesmo motivo que outros modelos da marca, a disputa com os fornecedores do grupo Prevent. Agora normalizada a produção, espera-se retomem o ritmo de vendas que a permitia figurar dentre as três picapes mais vendidas.

Fiat Strada seguiu firme na ponta com 4.409 unidades emplacadas, seguida pela Toro, com 3.288, depois Hilux com 2.897, S10 mais próxima com 2.784. Duster Oroch ganhou mais vendas depois que passou a oferecer câmbio automático como opção e reúne potencial para crescer ainda mais.

Num segmento que encolheu 17% no ano, a Hilux manteve seu ritmo inalterado e vendas no mesmo nível que em 2015. Strada caiu 43%, mas quando somamos as vendas dela com a sua irmã maior, a Toro, temos -8%, o que significa que a marca italiana ganhou fatia maior no bolo de picapes e ainda com um produto bem mais rentável. Aliás, a renovação de portfólio da Fiat aliado com mudanças no posicionamento de produtos e preços a ajudaram-na a enfrentar a crise sem afundar as suas finanças. Parece esse tem sido o tom sob a batuta da nova direção.

Por outro lado, o comprador brasileiro terá menos opções de modelos e aqueles que custavam menos de 30 mil reais literalmente desapareceram. Podemos concluir que quando o Brasil reencontrar um mercado do mesmo tamanho que tínhamos em 2012-13, não mais teremos aquela parcela de compradores de produtos sub-30k reais, que em seus bons anos, chegaram a somar pouco mais de 350 mil unidades anuais.

No ranking das marcas, Chevrolet na frente com 28.261 unidades e aumentando sua distância para o segundo colocado no ano, a Fiat, com 21.973, seguido de Hyundai com 16.998, Ford em quarto com 16.004, Jeep fechando as 10 mais. No acumulado até setembro, a Toyota emplacou 1% a mais que mesmo período de 2015 e é a única marca com resultado positivo. Porém Hyundai com -4%, Peugeot -4% e Nissan com -8% podem considerar-se vitoriosas, num mercado que encolheu 22%. As marcas mais impactadas até setembro foram Mitsubishi -43%, VW -37%, Fiat e Ford com iguais -35%. O Onix e Prisma puxam as vendas da Chevrolet para cima, a marca encolheu menos que o mercado, com -15%.

Até o mês que vem.

MAS

Fonte: Fenabrave

Fonte: Fenabrave

 

Fonte: Fenabrave

Fonte: Fenabrave

Fonte: Fenabrave

Fonte: Fenabrave

 



  • rpl

    A era das “quatro grandes” ficou definitivamente para trás. Só lamento pela lastimável situaçao da PSA, que torna sua operaçao no país quase inviável.

    • Rinno Di Jenno

      Realmente, nem aparece direito, e o engraçado é que os carros da PSA são todos de bons a excelentes, sem exceção, principalmente o 208.

  • Bem lembrado.

  • Rinno, notícia furada, o UOL até já tirou do destaque. Foi uma 1º de abril adiantada.

  • Eduardo Edu, sua explicação está errada: o povo ficou cego.

  • Fernando, não vai transferir renda para ninguém, mas estancar a sangria acentuada pelo molusco nove-dedos e pela gorda fecal. Básico e necessário. Contribui para a confiança e deve ajudar muito na recuperação.

  • Marco Aurélio Strassen Murillo

    Fernando, políticas de transferência de renda funcionam quando há renda para transferir e os que irão doar a sua estão de acordo. Quando a Alemanha se reunificou, passaram a conta para o lado ocidental, um valor descontado de seus proventos com prazo longo, porém limitado. Assim eles toparam.
    Quem define os juros é o mercado, que decide se o que tem terá remuneração de quem irá tomar. A doutora foi inventar-se de economista e mexeu onde nunca soube mexer. Deu no que deu.
    Alguns vendem a PEC 241 como a salvação da pátria, não é nem será, está muito longe disso, mas há consenso entre muitos que há de se ter um limite constitucional para gastos públicos para que outros políticos não criem mais gastos sem lastro. A LRF deveria haver sido suficiente, não foi, ao menos serviu para apear o poder de quem não soube usá-lo.

  • Rinno Di Jenno

    Mas se os produtos são bons, e realmente são, pois tenho um, tendo outras marcas e outros carros antes, é o suficiente para mudar a fama. Acho que o grande problema disso tudo foi a reestruturação da marca dos últimos dois anos, onde muitas lojas fecharam, inclusive em grandes cidades. Fechar uma concessionária pega mal, muito mal.

  • Rinno Di Jenno

    O fato é que todo carro quebra, tudo depende do dono, da manutenção que o dono faz, do uso e do zelo das revisões e mecânicos autônomos. Aliás, o último carro problemático que o Brasil viu foi justamente o campeão de vendas e da marca campeã de tradição e confiabilidade, justamente na geração que deveria ser a melhor. O brasileiro não consegue ver certas coisas. Peugeot é carro de ponta.

  • Ana Maria

    O move up! MPI agora atende pelo nome de up! Run… Mais uma versão.
    E o mal do up é ter um design neutro que não agradou o brasileiro que gosta de ostentação. Nem que seja num carro de entrada.

    • Ana Maria, gostar de ostentação chama-se pobreza de espírito.

  • Antônio do Sul

    Ninguém vai tirar nada de lugar nenhum. O que vai ser feito é uma imposição de um teto que abrange globalmente toda a despesa pública, e não essa ou aquela área. Então, para se preservar áreas mais importantes, apenas outras de menor importância serão sacrificadas. As demais alternativas são muito piores: emissão de mais moeda, que gera inflação, ou maior endividamento público, que acaba gerando taxas de juros cada vez mais altas e, a longo prazo, insolvência e falta de recursos para custeio.

  • Antônio do Sul

    Concordo com você! Se o Temer conseguir emplacar essa PEC que cria um teto para o aumento dos gastos e a reforma da previdência, já terá feito muita coisa. Claro que não é tudo, mas estanca a sangria e abre caminho para as outras reformas.

  • Invalid, pior, nem sabe o que esses números significam.

  • Rodrigo, acho que você desconhece a carga de impostos nos automóveis e custos de produção, só pode ser.

  • Enildo, muito bem, os preços altos no Brasil são praticados apenas pela indústria automobilística. Em toda a cadeia de produtos e serviços os preços são adequados e normais. É isso?

    • Enildo

      Bob, infelizmente isso é praticado em toda a cadeia e não somente na automobilística.E nós brasileiros somos os principais responsáveis pelo alto custo de nossos produtos. abraço

  • Enildo, só me traduza o título, por favor.

    • ochateador

      Pelo que entendi. A Alemanha quer propor para a união europeia inteira que os carros a combustão sejam proibidos até 2030 (se vai proibir a venda ou a circulação após essa data não entendi direito).

      tradução do titulo : https://translate.google.com/#auto/pt/Gr%C3%BCne%20wollen%202030%20Ende%20f%C3%BCr%20Verbrennungsmotoren

      • ochateador, é exatamente isso, os verdes estão pleiteando a proibição junto à UE, não é uma decisão do governo nem do legislativo alemão. Esses verdes, junto com os cicloativistas, são a desgraça do mundo!

        • ochateador

          Eles só esqueceram que o transporte pesado é feito por caminhões e trens. Ambos usam diesel.

          Existe algum elétrico que consiga ser melhor que isso?
          Como será produzida a energia elétrica ?

  • Rodrigo, duas coisas. Esse imposto médio que você se refere é sobre o carro pronto. Não estão estão aí considerados todos os impostos da cadeia produtiva. Segundo, de onde você tirou a informação sobre “lucro expressivo em nossa terra”, se nenhuma fabricante publica balanço?

  • Rodrigo Paes, não acreditei no que li. Defesa sem reservas ou cerimônia daqueles que anunciam ou fornecem veículos? Defesa de quê? Entenda uma coisa: NÃO odiamos a indústria automobilística, ao contrário de muitos, que ficam inventando o que falar mal dela para darem uma de estar “ao lado do leitor”. Não precisamos disso. Temos caráter e idoneidade de sobra. Você foi venal em falar em margens sem ter ideia de quanto são e se têm, pois as fábricas são empresa Ltda e não publicam balanço. Apenas “papagaiou” o que os detratores dizem. E esqueça, não vamos mudar nada em nossa postura.

  • Ricardo

    O problema não está somente em “governo”, “impostos”, “custo Brasil”, etc. Na minha opinião, a classe empresarial brasileira tem uma parcela importante de culpa em tudo o que estamos vivenciando hoje, com raras exceções. Dou um exemplo. Há mais ou menos 2 ou 3 meses venho pesquisando a compra de um televisor novo, uma geladeira nova e um ar-condicionado novo. O cenário é de retração do dólar e uma leve diminuição dos índices inflacionários, com uma tendência de queda na taxa de juros. Ao refazer a pesquisa essa semana, constatei que os preços dos produtos que vinha pesquisando aumentaram de forma absurda, beirando os 25%. Qual a razão disso? “Black Friday” chegando… Quanto ao mercado de automóveis, já desisti de falar sobre o valor excessivo cobrado por determinado fabricante, excesso de lucro, etc. Penso que o consumidor, mais do que ninguém, tem o poder de ditar como o mercado deveria se comportar. Se um desejado sedã chega a custar 20% a mais que outro similar, porque não optar pelo similar, forçando as outras marcas a reposicionarem seus produtos? É possível abrir mão de um Civic EX de R$ 100.000 por um C4 THP Tendance de R$ 85.000? Esse é apenas um exemplo que exprime a ideia que quero transmitir. Cheguei a ler outro dia um comentário de algum incauto afirmando que preferia mil vezes pagar R$ 20.000 a mais num Honda para ter “direito” a um pós-venda supostamente diferenciado e a certeza de que o carro não iria quebrar. E acredite, ainda disse que fica normalmente dois anos com o carro e o repassa adiante (repito: vinte mil reais!). Preconceitos e ignorância, nesses momentos, não ajudam.

    • Ricardo, se as fabricantes não publicam balanço, de onde você tirou a informação de “excesso de lucro”? Quanto ao incauto, não vejo nada de insensato ou ignorância nisso, é uma escolha — livre — baseada no conhecimento e/ou experiência dele.

  • Ricardo, de fato, o 208 sem as barras se tornou mortal… O AE desconsidera os NCAPs e suas estrelinhas, por isso seu link foi removido.

  • Ricardo, se você é contra o lucro, eu não sou, como também não vejo nada de errado em remeter numerário para as matrizes das fabricantes aqui instaladas. Sua ideia de que as fabricantes escolheram o caminho do lucro por unidade em vez de volume está completamente errada. Chegamos a perto de 4 milhões de veículos em 2013, quarto mercado mundial, esqueceu? E, de novo, o Custo Brasil é uma falácia, não existe…

  • Ricardo, trata-se de uma proposta do Partido Verde para encaminhamento à União Europeia pedindo o banimento de motores que funcionam com combustíveis de origem fóssil a partir de 2030. Não houve essa resolução.

  • Ricardo, não dá para aceitar esse “constatou-se”. Como, onde, de que jeito? Quanto à falta de transparência, desculpe, porque publicar balanço se não é obrigatório? Revelar seus resultados para os concorrentes? Quantos aos risos da plateia, me desculpe, mas foram risos de bobos alegres, o que o presidente da Anfavea disse foi correto. E, por favor, abstenha-se de chamar fabricante de ‘montadora’, tenho corrigir sempre quando aparece a palavra nos seus comentários (e de outros leitores que insistem nesse erro crasso , também). Basta você verificar o significado do acrônimo Anfavea.

  • Rinno Di Jenno

    Para mim, apesar de ser nítida contenção de custos, o fato não desabona em nada o carro. Cuidado devemos ter em reclamar ou criticar um carro assim, são tantas opções no mercado e ninguém é obrigado a comprar um carro. Fazer um test-drive vale a pena, faça no 208, esqueça a neura.

  • Ricardo, então nada tem a ver com “ganância” das fabricantes, mas com a lei que regula a atividade de distribuição e comercialização, assim entendi. E me parece que não se chegou a nenhuma conclusão sobre as margens de lucro das fabricantes. Quanto ao oligopólio, as quatro grandes vêm perdendo participação: em setembro foi de 52,02%, com tendência a cair mais devido à concorrência crescente. Balanço: perfeito que haja normas para assegurar transparência, mas se não é obrigatório ninguém vai divulgar resultados para a concorrência, a menos que requerido, como você disse. A questão dos preços dos carros aqui e no exterior, tem tudo a ver com o câmbio, como não? Quando o VW começou a ser exportado para os EUA o câmbio marco-dólar era 4:1. Quando passou a 2,5:1 e o preço do Fusca disparou nos EUA. É só um exemplo. Mas obrigado pela sua mensagem cuidadosamente elaborada.