Grande Prêmio do México teve lista tríplice para definir o terceiro lugar. Hamilton venceu e Rosberg, segundo, segue líder do campeonato após corrida decidida com vários pesos e várias medidas.

Largada do GP do México foi marcada por freada arrojada do vencedor Lewis Hamilton (Foto Red Bull) mexico GP DO MÉXICO: VÁRIOS PESOS E VÁRIAS MEDIDAS 20161101 Coluna F1 MexicoGP Largada RedBull

Largada do GP do México foi marcada por freada arrojada do vencedor Lewis Hamilton (Foto Red Bull)

O resultado do GP do México, a antepenúltima etapa da temporada 2016 da F-1, já entrou para o folclore da categoria e não foi apenas por causa das manobras discutíveis de Max Verstappen e Sebastian Vettel. Os comissários desportivos da FIA certamente erraram mais do que os próprios pilotos e usaram pesos e medidas diferentes para punir ou inocentar quem saiu da pista e manteve a posição, particularmente Lewis Hamilton e Nico Rosberg.  Os dois pilotos da Mercedes saíram da pista logo na primeira curva, um “S” direita-esquerda-direita, como você pode ver aqui: o inglês porque perdeu o ponto de freada e inaugurou uma via expressa entre o início e o final do trecho em questão; o alemão saiu da pista empurrado por Max Verstappen.

Maquiagem do "Día de los Muertos" sintetiza fim de semana de Max Verstappen (Foto Red Bull) mexico GP DO MÉXICO: VÁRIOS PESOS E VÁRIAS MEDIDAS 20161101 Coluna F1 MexicoGP Max

Maquiagem do “Día de los Muertos” sintetiza fim de semana de Max Verstappen no GP do México (Foto Red Bull)

O caso de Hamilton sequer foi levado em consideração, enquanto no outro os comissários Garry Connelly, Silvia Bellot, Danny Sullivan e Jorge Rodriguez entenderam que nem Rosberg nem Verstappen poderiam ser considerados total ou parcialmente culpados pelo incidente. Nesse mesmo vídeo é possível ver o acidente provocado por Estebán Gutiérrez, que ao tocar no carro de Esteban Ocón provocou uma colisão do francês contra o do sueco Marcus Ericsson. Igualmente, foi julgado que “nenhum piloto poderia ser considerado total ou parcialmente culpado pelo incidente”.

A antológica disputa entre VIlleneuve e Arnoux, em Dijon, empanpou a vitória de Jabouille no GP da França de 1979 (Arquivo pessoal)  mexico GP DO MÉXICO: VÁRIOS PESOS E VÁRIAS MEDIDAS 20161101 Coluna F1 1979 FrenchGP

Disputa entre VIlleneuve e Arnoux, em Dijon, ofuscou a vitória de Jabouille no GP da França de 1979  (Arquivo pessoal)

A série de discussões sobre toques e batidas em disputas de freadas ou ultrapassagens tem ganho protagonismo nesta temporada, cortesia do estilo arrojado de Max Verstappen. Dentro do clima atual o antológico GP da França de 1979 jamais terminaria sem desclassificações ou punições. Pouca gente se lembra que essa prova marcou a primeira vitória de Jean-Pierre Jabouille e de um Renault turbo, mas quase todos lembram da eletrizante batalha entre Gilles Villeneuve e René Arnoux, que bateram rodas várias vezes nas últimas voltas da corrida disputada em Dijon-Prenois.

Punições deixaram o público sem saber onde encontrar o terceiro colocado (foto Ferrari) mexico GP DO MÉXICO: VÁRIOS PESOS E VÁRIAS MEDIDAS 20161101 Coluna F1 MexicoGP Estadio

Punições deixaram o público sem saber onde encontrar o terceiro colocado no GP do México (foto Ferrari)

O lado negro da força dos regulamentos esportivos atuais é que sua aplicação se dá em 50 tons de cinza e dentro de um contexto onde o politicamente correto dita a moda de quem é mocinho e quem é bandido. Nomes como Jody Scheckter, Riccardo Patrese, Ayrton Senna, Michael Schumacher e, mais recentemente, Sebastian Vettel e Romain Grosjean causaram episódios que terminaram em circunstâncias nem sempre isentas de trabalhos de funilaria e pintura, alguns desses trabalhos demandando empenhos braçais e econômicos em grau considerável. O fator recorrente nessa história é a renovação necessária de pilotos e aqui entra a questão do milhão de dólares: porque os métodos de trabalho dos comissários esportivos não evoluem na mesma proporção. É necessário evitar que se repita o que aconteceu após a bandeirada do GP do México.

Vettel fica cada dia mais famoso por reclamar durante a corrida (Foto Ferrari) mexico GP DO MÉXICO: VÁRIOS PESOS E VÁRIAS MEDIDAS 20161101 Coluna F1 MexicoGP Vettel

Vettel fica cada dia mais famoso por reclamar durante a corrida (Foto Ferrari)

As voltas finais da corrida mostraram uma bela disputa pelo terceiro lugar, com Verstappen se defendendo dos ataques de Vettel, que por sua vez via o carro de Daniel Ricciardo cada vez mais nítido nos retrovisores do seu Ferrari. Já famoso por sua relutância em permitir uma ultrapassagem por quem quer que seja, o holandês travou rodas e saiu reto na curva 1, na penúltima volta e “obteve vantagem indevida para manter sua posição”, conforme decisão dos comissários desportivos. Não demorou nada para Vettel começar a resmungar e cobrar punição ao adversário; demorou menos ainda para replicar iradamente a mensagem vinda do box que Charlie Whiting estava tomando providências. O alemão nem havia recuperado o fôlego quando se viu lado a lado com Daniel Ricciardo quando os dois se aproximavam do estádio.

Ricciardo herdou o terceiro lugar após comissários punirem Verstappen e Vettel em menos de cinco minutos (Foto Red Bull) mexico GP DO MÉXICO: VÁRIOS PESOS E VÁRIAS MEDIDAS 20161101 Coluna F1 MexicoGP Ricciardo

Ricciardo herdou o terceiro lugar após comissários punirem Verstappen e Vettel em menos de 5 minutos (Foto Red Bull)

Quando a bandeirada baixou Verstappen juntou-se a Lewis Hamilton e Nico Rosberg para a cerimônia no pódio. O entrevero entre o jovem da Red Bull e o já veterano da Ferrari pareceu ter sido resolvido quando Vettel foi chamado às pressas para ocupar o terceiro lugar no pódio, e, logo em seguida, receber o troféu de terceiro colocado. Três minutos mais tarde e os 15 pontos do terceiro lugar mudavam de mãos mais uma vez: o piloto da Ferrari foi punido com dez segundos (o dobro da penalização imposta a Verstappen), e caiu para quinto lugar. Neste vídeo você pode se inteirar de quanto pano sobrou para fazer mangas ao acompanhar as declarações dos três pilotos sobre o que aconteceu nessas emocionantes voltas.

Em resumo, uma série de acontecimentos frustrantes para o público, para os pilotos e para os patrocinadores que perderam a oportunidade de subir ao pódio por uma decisão burocrática. Se usar uma lista tríplice para definir o terceiro colocado, qual a consequência que semelhante falha provocaria se a colocação em jogo fosse a vitória?

Nico e Lewis fizeram as pazes no final da temporada (Foto Mercedes) mexico GP DO MÉXICO: VÁRIOS PESOS E VÁRIAS MEDIDAS 20161101 Coluna F1 Nico Lewis

No México Nico e Lewis fizeram as pazes após temporada conturbada (Foto Mercedes)

Indiferente a isso, os dois pilotos da Mercedes seguiram sua toada e ao final da corrida trocaram gestos há muito esquecidos na disputa pelo título: conversaram e trocaram cumprimentos. Foi uma cena que, por pouco, não aconteceu. Ao travar roda na freada para a primeira curva, os pneus do carro de Hamilton ovalaram e quase custou um pit stop para troca de pneus. Uma breve análise entre Toto Wolff e o engenheiro Simon Cole evitou a parada. “Se a decisão do título não estivesse em jogo teríamos chamado Lewis para trocar pneus”, disse o austríaco após a prova, cujo resultado e informações você vê aqui.

Rosberg demonstrou segurança e foco durante todo o fim de semana. Título está mais próximo (Foto Mercedes) mexico GP DO MÉXICO: VÁRIOS PESOS E VÁRIAS MEDIDAS 20161101 Coluna F1 MexicoGP Nico

Rosberg demonstrou segurança e foco durante todo o fim de semana. Título está mais próximo (Foto Mercedes)

Com o resultado do México Hamilton tornou-se o segundo maior vencedor da história da F-1 (51), junto com Alain Prost e atrás apenas de Schumacher (91). O título deste ano, porém, parece mais próximo de acabar nas mãos de Nico Rosberg: na análise mais simples de combinações possíveis, a vitória no GP do Brasil, permitirá a ele igualar o feito de Damon Hill, o primeiro filho de campeão mundial a repetir o feito do pai. Keke Rosberg, pai de Nico Rosberg, foi o melhor da temporada de 1982.

 

500 Milhas de Londrina já tem 33 inscritos

500 MIlhas de Londrina se consolida como uma das provas de longa duração mais tradicionais do País mexico GP DO MÉXICO: VÁRIOS PESOS E VÁRIAS MEDIDAS 20161101 Coluna Logo 500 MIlhas Londrina

500 Milhas de Londrina se consolida como uma das provas de longa duração mais tradicionais do País

A 25a edição da 500 Milhas de Londrina já tem 33 inscritos confirmados para a competição que será disputada no sábado 26 de novembro no autódromo da cidade. Segundo o organizador da prova, Daniel Procópio, a corrida deste ano deverá ser uma das mais disputadas dos últimos tempos:

“Temos a adesão maciça de pilotos do Rio Grande do Sul e de várias equipes de São Paulo, o que vai garantir um grande espetáculo. A programação terá várias outras atrações, incluindo uma prova do campeonato regional e outra da Fórmula 1600.”

O público terá entrada franca e mais informações sobre a competição podem ser obtidas no site www.500milhasdelondrina.com.br.

WG

A coluna “Conversa de pista” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
  • Pablo Lopes

    Oque eu tenho percebido, é que esses comissários convidados, querem protagonizar o espetáculo, seja com decisões polêmicas, ou políticas e o resultado à princípio é esse, desmotivar o publico, pois pilotos que chamam a atenção como é esse jovem Verstappen, ou Vettel pensarão 2 ou 3 vezes antes de dividirem uma curva em disputa novamente. Os comissários citados ( pois acabei não assitindo a corrida ), eu não conheço, mas até os mais conhecidos dos pilotos quando participam, também cometem erros, que nem faz parecer que estiveram dentro de um cockpit!

  • Clésio Luiz

    Assisti a corrida e não vi nada errado nas decisões tomadas. A penalidade mais severa de Vettel com certeza foi reflexo dos palavrões que soltou no rádio contra o diretor da prova, coisa incompatível com um tetra campeão do mundo que nessa corrida não disputava o primeiro lugar nem o campeonato.

    Corrida de fórmula (open wheel) não admite contato entre os carros, ponto final. Quem acha que “rubbing is racing”, está muito bem servido com a grotesca Nascar americana que valoriza e incentiva agressão entre os carros e pilotos.

    Formula 1 sempre foi e sempre será a formula da pilotagem fina, cavalheiresca na medida do possível. Porque? Porque carros de fórmula simplesmente decolam quando uma roda entra em contato com a outra. Os contatos entre carros de Fórmula 1 são a exceção, não a regra nas suas corridas. Ao contrário de muitos, não assisto corridas torcendo por acidentes. Dan Wheldon perdeu a vida em 2012 na Fórmula Indy, quando seu carro decolou e o esmagou contra o alambrado que envolve a pista.

    Um exemplo da consequência do contato entre carros de fórmula, que por milagre ainda não aconteceu com as mudanças de trajetória que Verstappen anda fazendo e a FIA proibiu:

    • Fat Jack

      “…Formula 1 sempre foi e sempre será a formula da pilotagem fina…”
      Sempre é uma palavra bem abrangente, e neste caso teria de excluir boa parte das décadas de 70 e 80 para estar correta.

  • Fat Jack

    Eu gostava das Nascar, mas depois que virou aquela “sessão trenzinho” em alguns ovais eu perdi um pouco do apetite por ela, aliado a falta de um canal que a transmitisse em casa (se tivesse talvez tivesse mudado de ideia) fiquei com a F1 mesmo.

    • André Castan

      O trenzinho acontece somente nos super speedways (Daytona e Taladega). São 4 corridas por ano. A disputa nesse tipo de oval normalmente acontece nas últimas 30 voltas e é muito intensa e estratégica. O pelotão fica nervoso e qualquer vacilo vem o big one. Concordo que durante a prova é meio monótono, mas a adrenalina no final compensa tudo. Sem falar que qualquer carro dos 40 tem chance de vencer. Não apenas 2.

      • Fat Jack

        Perfeito!

  • Mineirim

    Foi um GP emocionante. Pena que, por culpa dos comissários, o resultado foi o mais confuso de todos os tempos.

  • Fat Jack

    Não disse exatamente isso, como eu comentei com outro colega o que havia era o “palmo-a-palmo”.
    F-1 nunca foi um “destruction derby”, mas disputas apertadas usando cada centímetro da pista eram sim extremamente comuns na época citada.