Escolher um automóvel na hora da compra já foi muito mais fácil. Os atributos de desempenho, estabilidade, conforto e beleza eram muito diferentes entre os fabricantes e os consumidores os tinham claramente em seus julgamentos na hora da escolha. O estilo era facilmente identificado pelo consumidor, com a associação à marca do fabricante. A Volkswagen com o Fusca, o Brasília, o Gol e o Passat era vista como fabricante de veículos robustos, duráveis e de fácil manutenção. A Ford com o Galaxie, o Corcel, o Maverick, Del Rey e Escort, tinha imagem de conforto, bom acabamento, economia de combustível, porém com cara e difícil manutenção. A Chrysler dominando a imagem de potência e desempenho com o Dodge Dart, a General Motors representando os carros com atributos funcionais equilibrados, e assim por diante.

Já na década 1960 as revistas especializadas como Quatro Rodas e Autoesporte testavam os automóveis emitindo julgamento passo a passo de seus atributos funcionais, que orientavam o consumidor na hora de desembolsar seu rico dinheirinho. Depois vieram outras, como Oficina Mecânica (que era do nosso colega editor Josias Silveira), Motorshow, Carro, em paralelo com os cadernos de automóveis dos jornais, como o Jornal do Carro, do Jornal da Tarde, e o CarroEtc, de O Globo, para citar os principais. E a partir de meados dos anos 1990, os sites, entre eles o AE. E com os sites e a internet rápida, os vídeos.

Hoje em dia as diferenças percebidas pelo consumidor são cada vez menores entre os veículos das diversas marcas. A melhoria na aerodinâmica os fez parecidos em suas linhas externas; exigências de economia de combustível e menor nível de poluentes os nivelaram por cima em desempenho, com motores mais eficientes e com maior potência específica. Também a eficiência dos freios e a estabilidade direcional os tornaram funcionalmente parecidos entre si. O AE defende não existir mais veículos ruins no mercado o que eu concordo em essência, porém existem muitos outros detalhes que podem fazer a diferença na hora da escolha entre os veículos das varias marcas no mercado.

Posso citar os freios, que mesmo com desempenho semelhante em termos de capacidade de desaceleração e distância de parada, a relação curso-esforço do pedal pode ser muito diferente entre os veículos, a chamada modulação.  Curso do pedal longo ou curto demais são indesejáveis e passam ao consumidor sensações estranhas, inclusive de insegurança. Isto vale também para o pedal do acelerador e da embreagem.

Um ponto que reputo como um dos mais importantes é o sentimento de conexão do veículo com o solo, a chamada estabilidade. Em poucas palavras o veículo deve se comportar amigavelmente, com reações previsíveis e ajudando o motorista a ter segurança, nas mais diversas situações de rodagem. Em curvas se mantendo neutro em sua trajetória, sem reações abruptas de sair de frente ou de traseira, esta principalmente.

É neste instante que entra em cena o time de engenharia de desenvolvimento, que tem missão de tornar fácil e prazerosa a condução do veículo. Agindo nos atributos funcionais, aguça positivamente a percepção do consumidor que passa a entender e valorizar o comportamento do veículo e, consequentemente, a marca. O consumidor pode até não saber tecnicamente a causa, porém o faz sentir-se bem. Quer queira, quer, o corpo fala por si só, refletindo, assimilando e interagindo com as reações do veículo.

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Sensações transmitidas ao motorista pelo meio ambiente, volante de direção, banco, pedais e assoalho

Os atributos funcionais são basicamente conforto de rodagem, estabilidade, direção, freios, sensação de desempenho, dirigibilidade, transmissão, bancos, cintos de segurança, controle climático, visibilidade e espaço interno, controles funcionais, ruídos-vibações-asperezas do conjunto motriz, o mesmo dos componentes eletromecânicos, ruídos de vento e rolagem, iluminação, sistema de entretenimento e manutenção.

Os consumidores

Em verdade podemos dividir os consumidores em emocionais e racionais. Os primeiros julgam os atributos de uma maneira simples, sem definição clara do que os incomoda e/ou os satisfaz. Já os racionais identificam a causa e o efeito, por exemplo, “não gosto da direção com esforço elevado em manobras de estacionamento”, “não gosto da suspensão transmitindo todas as imperfeições da pista, sem o adequado amortecimento”, e assim por diante.

Como os emocionais são a grande maioria dos consumidores, é principalmente a eles que a engenharia deve dedicar mais atenção, simplificando e facilitando ao máximo a operacionalidade do veículo.

Um item superimportante na escolha de um veículo é o trabalho de pós-venda da marca, englobando a assistência técnica, os custos envolvidos e os prazos de entrega dos serviços agendados. Não adianta nada o veiculo ser bonito e funcional se em um serviço de garantia, por exemplo, o proprietário ficar um mês sem o veículo, pela dificuldade de obtenção de peças; ou os custos de manutenção forem proibitivos, afastando o consumidor das concessionárias da marca.

Na hora da compra o consumidor deve sempre manter em mente o tripé BBB — bom, bonito e barato. Com os veículos cada vez mais parecidos entre si e com os atributos funcionais também parecidos, os bons tempos de fidelidade à marca praticamente já não existem mais.

bom-bonito-e-barato  DIFÍCIL ESCOLHA BOM BONITO E BARATO

Tripé Bom-Bonito-Barato

Bons tempos aqueles em que as fábricas mantinham um estoque enorme de peças de reposição e acessórios para suprir a demanda nas suas concessionárias. Hoje em dia o modo estoque zero é a regra geral; quanto menor o investimento nisso, tanto maior o lucro obtido por ser desnecessário imobilizar tanto capital. E o consumidor? Que espere o componente chegar para o reparo, ora…

A maioria dos consumidores compra um veículo por impulso sem considerar os vários aspectos envolvidos no negócio além do seu preço. Custos adicionais como seguro, IPVA, manutenção e reparos, combustível, peças e mão de obra, fazem a grande diferença, podendo tirar o sono do comprador ao longo do tempo.

Tenho um Fiesta Street que uso regularmente no dia a dia. Veículo simples, de fácil manutenção, econômico, seguro barato e mesmo assim levo sustos com os seus custos de manutenção. Por exemplo, quatro pneus 175/65R14 Michelin Energy, mais respectivas válvulas de enchimento de ar, balanceamento e alinhamento de rodas não sai por menos de menos de R$ 1.300. Imagine o leitor o custo para um suve com enormes pneus aro 18 polegadas ou maiores!

Dentre esmagadora maioria de veículos parecidos uns com os outros, existe um nicho em que o desenho da carroceria transmite personalidade, bem diferente entre as marcas. Se enquadram neste aspecto VW Fusca, Fiat 500, MINI, Ford Ka, VW up!, Peugeot 208 e o recente Jeep Compass.  Fica ao critério do leitor lembrar-me de outros que se situam neste grupo. Eu particularmente gosto do desenho do (novo) VW Fusca que modernizou com classe o eterno ícone. Gosto também do MINI, que retrata outra obra de arte no mundo dos automóveis.

S11 ARQUIVO 27/11/2012 JORNAL DO CARRO /ESTADAO Volkswagen apresenta o novo Fusca. ATENÇÃO: material embargado até quinta-feira 29 de novembro de 2012. Fotos: VW/Divulgação  DIFÍCIL ESCOLHA fusca divulga    o

Volkswagen Fusca (foto de divulgação)

Chama-me também a atenção, o bonito Ford Fusion, com seu desenho fluido e grade à la Aston Martin. Particularmente a grade, mesmo sendo bonita, me parece uma mesmice nos veículos da Ford, que vem à procura de uma identidade própria que ainda não chegou.

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Ford Fusion 2017 (foto de divulgação)

Creio que na hora da escolha os sinais positivos e negativos na percepção do produto ficam cada vez mais evidentes. Por exemplo, veículos populares pouco potentes, com dificuldade de partir em rampas e mais lentos nas ultrapassagens — principalmente por quem não é hábil com o câmbio — são rejeitados rapidamente pelo consumidor. Por outro lado, suspensões que isolam os buracos e imperfeições das pistas no dia a dia são tidas como item positivo na hora da compra, traduzindo imagem de qualidade.  Em contrapartida, veículos barulhentos deterioram rapidamente a sua imagem, dando ideia de má qualidade e induzindo o consumidor a reclamar de tudo.  Lembro-me do EcoSport  em que os ruídos na tampa traseira  geraram inúmeras outras reclamações que não eram pertinentes.

Falando de preço, o que é caro e o que é barato? Caro ou barato é a definição simples do que o consumidor aceita pagar, lei da oferta e da procura. Os fabricantes de veículos não cansam de perseguir o ponto de equilíbrio, o break-even point na língua inglesa, ou seja, o que foi estabelecido no plano de negócios da empresa em termos de preço e projeção de vendas do veículo. Se o consumidor paga e o veículo vende eles sobem o preço até o limite na queda das vendas; quando o consumidor deixa de comprar o preço abaixa automaticamente, esta é a regra.

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Ponto de equilíbrio mostrando as curvas de receita e custos em função das unidades produzidas

E vem a pergunta do leitor, como escolher o seu veículo na hora da compra. A resposta é simples e direta: use o seu discernimento que nada mais é do que o seu bom senso na visão mais profunda e abrangente de todos os parâmetros que se protagonizam na hora da escolha. Leve tudo o que foi dito em consideração, tamanho, aparência, desempenho, economia, preço, manutenção. Veja se os pontos que lhe interessam, por exemplo, bom volume do porta-malas ou espaço interno, o carro atende.

E falando de negócios, creio que a General Motors é a empresa que mais utiliza a regra do bom custo-benefício em seus veículos, oferecendo aquilo que o consumidor aceita pagar sem reclamar. Os veículos GM não são os melhores e nem os piores do mercado, eles simplesmente são equilibrados na média como foi e continua sendo a tradição da marca.

Hoje a homenagem vai para a GM com seu Chevrolet Onix, carro mais vendido em 2015, no primeiro semestre de 2016 e tudo indica que repetirá a façanha este ano. É o exemplo de carro equilibrado em preço e conteúdo que o consumidor valoriza sem reclamar.

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Chevrolet Onix 2017 (foto de divulgação)

 

CM

Sobre o Autor

Carlos Meccia

Engenheiro mecânico formado pela FEI (Faculdade de Engenharia Industrial) em 1970, trabalhou 40 anos na Ford brasileira até se aposentar. Trabalhou no campo de provas em Tatuí, SP e por último na fábrica em São Bernardo do Campo. Dono de amplo conhecimento de automóveis, se dispôs a se juntar ao time de editores do AUTOentusiastas após sugestão do editor Roberto Nasser.

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  • Roberto Neves

    Gostei muito deste trecho: “…mesmo assim levo sustos com os seus custos de manutenção. Por exemplo, quatro pneus 175/65R14 Michelin Energy, mais respectivas válvulas de enchimento de ar, balanceamento e alinhamento de rodas não sai por menos de menos de R$ 1.300. Imagine o leitor o custo para um suve com enormes pneus aro 18 polegadas ou maiores!”

    Penso exatamente assim: quero ter o carro (ou a casa, roupa etc.) que quero ter, nem mais nem menos.

    • AC2016

      Fiz uma pesquisa rápida aqui e para um Subaru Forester que usa rodas de aro 18, 255/55 custaria nada menos que 3800 trocar 4 pneus e fazer alinhamento e balanceamento. Isso escolhendo o pneu mais barato do mercado! Então no “mundo real” é bem provável que uma brincadeira dessas saia por menos de 4 mil reais!

    • C. A. Oliveira

      Estava conversando com um colega de trabalho há poucos minutos exatamente sobre isso.
      Antigamente, a diferença de preço entre um pneu com aro de 13 polegadas e um de 17 era imensa. Mas pesquise um pouco o preço dos pneus e verá que a diferença está se atenuando a cada dia (claro, estão nivelando pelo mais caro). Pneus de mesma marca, aros 13 a 15, já estão custando praticamente a mesma coisa.

  • Ronaldo

    “O AE defende não existir mais veículos ruins no mercado o que eu concordo em essência”
    Sim e não. Em termos absolutos realmente não, em termos relativos sim.

  • Carros nada mais são que bens de consumo, e o que motiva a produção de textos como este é que colocamos, todos os entusiastas automotivos, o automóvel num patamar que não lhe é próprio ou cabível. Porém, é o que os entusiastas fazem. E é disso que o mercado vive.

  • RMC

    CM
    Muito legal o texto. Concordo plenamente com suas posições. O exemplo dos pneus é perfeito. Temos em casa um Santana 1989, que foi adquirido zero km. Os pneus que o equipam são da medida 185/70-13 (isso mesmo, aro 13 polegadas). Nesses anos de vida o carro sempre nos serviu muito bem, com seu motor de 2 litros puxando bem o carro mesmo carregado em estrada e por longos trajetos. Esse carro já foi de Brasília a Buenos Aires sem o mínimo problema. Hoje em dia qualquer carrinho econômico usa pneus 175-14 (/70 ou /65) e os da categoria dele têm aro 17 (o nosso Jetta TSI tem 225/45-17!)
    Pegunto: por que esse exagero de medidas, se as antigas eram suficientes? Qual a razão de utilizar aro 17 ou mesmo 18? Os pneus do Jetta são duros e “contam” pros ocupantes tudo o que se passa com as rodas. Certo que é uma versão com motorização superior e que tem que estar preparada para usos mais exacerbados, mas precisaria mesmo usar medidas tão exageradas? E o pior é que esta é uma medida comum nos carros médios hoje em dia, mesmo que tenham motores de 130cv e pesem 1100kg.
    RMC

    • J Paulo

      E o que dizer das lentes dos faróis, hoje em dia? Precisamos disso tudo? Parecem criações de carnavalesco de escola de samba…

  • Mr. Car

    Meccia, para quem gosta de carro, a escolha é difícil mesmo. São muitos aspectos para analisar, e a escolha tendo que preencher o máximo de itens tanto do lado emocional (o que você quer), quanto do racional (o que você precisa e pode). Já minha mãe, por exemplo, se quisesse um carro, entraria na concessionária e simplesmente diria: “quero o mais barato”. Simples assim, he, he!
    Abraço.

  • Cristiano Zank

    Quantos você já teve? Já tive fiat, citroen, vw e peugeot. Hoje tenho Toyota, não digo que é uma lenda, mas apesar de ser simples tem seus diferenciais, principalmente no pós-venda.

    Hoje da vw teria o Up!. O que tive foi um vw polo sedan, 2007, muito bom por sinal. Comprei com 90 mil km vendi com 150 mil. Peugeot 405 Mi16, comprei com 115 mil km vendi com 180 mil, me incomodei muito porque era dificil encontrar peças e o carro já estava bem usado, mas, até hoje foi o que me deu mais prazer ao dirigir. Sem contar os meus dois fuscas.

    Por que tenho um Corolla? Foi uma escolha racional. Carro para viajar e ter no dia-a-dia, não tenho grana para ter dois carros, tem que ser confortável, seguro em conta, com consumo razoável e manutenção possível de ser executada em concessionárias com o mínimo de respeito ao consumidor. Estou satisfeito com ele, sim, seria mais feliz com um subaru, provavelmente sim, mas, não teria a tranquilidade em relação ao seguro e não caberia no meu bolso dois carros. Se o carro vendeu na média 5.000 unidades por mês deve ter seus motivos. Não é lenda, mas, quando se olham os números….

    • Lemming®

      Acho que a ironia da afirmação não ficou clara…rsrs
      E não entendi o quantos você já teve, enfim…
      Já tive o Civic em 96 e foi zero problemas.
      Fiat Uno #fail
      Ford Ka #fail
      Ford Fiesta #honesto
      Suzuki Jimny #bom
      Hoje tenho o move up! TSI e vou ter de criar uma coragem colossal para reclamar do freio traseiro que insiste em colar quando chove.
      Pedal fica duro quando chove.
      Palheta ressecada com menos de 1 ano. No Suzuki foram quase 3 anos para precisar trocar.
      Subaru também é uma lenda, mas a representação no Patropi era uma piada e hoje teve uma certa melhora, mas…

  • Pedro Guerra

    Na minha modesta opinião, a segurança deveria ser uma das principais preocupações do comprador na hora da compra. Mas segurança não vende carro aqui no Brasil.Vejam o exemplo do Onix, que tem apenas 3 estrelas no teste de colisão e é o carro mais vendido.

    • Na questão de segurança, o principal fator é o motorista, que pode se colocar em situações de risco ou sair delas. Está nas mãos dele para onde direcionar o veículo e qual velocidade usar. Minha opinião.

    • Pedro, e não tem gente morrendo por causa disso, tem?

      • Pedro Guerra

        Certamente.

    • WSR

      Boa dica. Comprarei uma Scania 113H levando-se em conta os donos de suves que tenho visto ultimamente, rs.

      • Pedro Guerra

        WSR – Seguindo a sua linha de raciocínio, carro seguro seria um tanque de guerra então. O fato é que, sendo a colisão inevitável, e se tratando de carros normais, melhor estar em um carro com cinco estrelas do que estar em um carro com duas estrelas.

  • eNe

    Chevrolet Onix,
    dos hatch pequenos, que são os meus preferidos, talvez esse seja o único que eu nunca compraria. Sinceramente, não vejo nada nesse carro para tê-lo um dia.
    Cada um, cada um!

  • C. A. Oliveira

    Excelente texto, Meccia. Mas deixo a questão: será que em 2017 teremos algum lançamento, digamos, interessante? Que não seja um SUV que custa seis dígitos ou um 1,0 com estofamento de capa de colchão. Porque anda difícil a coisa. Estou tentando comprar algum carro, mas nenhum agrada. Acho que vou ter que reformar um antigo.

  • Carlos A.

    Caro Carlos Meccia, muito importante a abordagem do seu texto. Eu compro carro à vista, por isso sempre fiz essas contas com os custos de manutenção somando o valor do seguro inclusive e que acabavam influenciando diretamente na minha escolha, principalmente quando mais jovem na faixa dos 20 anos, lembro-me muito bem de estar entre um Gol bolinha e um Palio – na época semi novos – era a minha primeira compra, o primeiro carro em meu nome e com meus recursos. Lembro que o seguro foi determinante, algumas empresas nem faziam a apólice em meu nome para o Gol!!! Acabei ficando com o Palio que inclusive tinha melhor valor (mais barato no mercado de usado) na época em relação ao Gol, por sorte também foi o carro que mais me agradou no geral e que também ofereceu um ótimo custo benefício.
    Isso foi no final dos anos 90, quando já existia uma gama razoável de modelos ‘populares’ no mercado, confesso que não foi fácil escolher. Atualmente é muito mais complexo mesmo, principalmente pelo elevado nível técnico dos carros.

  • Mr MR8

    “…mesmo assim levo sustos com os seus custos de manutenção. Por exemplo, quatro pneus 175/65R14 Michelin Energy, mais respectivas válvulas de enchimento de ar, balanceamento e alinhamento de rodas não sai por menos de menos de R$ 1.300. Imagine o leitor o custo para um suve com enormes pneus aro 18 polegadas ou maiores!”
    Pois conheço donos de Honda Fit que se queixam da baixíssima durabilidade dos pneus!!!

    • Lemming®

      Mas aí é questão de mudar a marca do pneu quando trocar…
      Alguns fabricantes “ixpertos” instalam o jogo de pneus originais para 30 mil km… Não sei se são segunda linha…mas…

  • João Guilherme Tuhu

    Endosso in totum as palavras do Meccia: ‘os veículos GM não são os melhores e nem os piores do mercado, eles simplesmente são equilibrados na média como foi e continua sendo a tradição da marca.’ O pessoal de marketing da VW – e de outras fábricas – deveria ler isso todos os dias.

    A padronização de design por marca, o que se chama hoje de identidade, a despeito da questão de custos, diminui o ‘handling’ da grade de vendas. O mercado fica extremamente setorizado e a perspectiva de fidelização a meu ver diminui: ninguém quer olhar a mesma frente, ou os mesmos instrumentos anos a fio… Mais uma excelente matéria de Carlos Meccia!

  • Eduardo Cabral

    Um dos problemas é saber o que o consumidor quer, ele nunca sabe o que quer. E aí os departamentos de desenvolvimento do produto tomam umas decisões absurdas. Um exemplo que acho um erro de interpretação foi da BMW com os planos da toda série 1 passar para a tração dianteira. A pesquisa disse que 70 ou 80% dos compradores achavam que o série 1 fosse tração dianteira. E daí que o consumidor do série 1 não sabe onde ficam as rodas motrizes? O certo não seria perguntar se ele gosta da dirigibilidade do carro ou se a dirigibilidade é melhor que dos carros da concorrência? Tudo bem que tenham tomado essa decisão, mas justificar a decisão nesta pesquisa que me pareceu absurdo.

    • Eduardo, dirigibilidade apenas em função da quais são as rodas motrizes pertence ao passado.

  • Mineirim

    Bom, bonito e barato. Essa é do tempo dos nossos avós e continua valendo. O problema é encontrar o que é barato… hehe
    A GM parece ter encontrado o seu equilíbrio e apesar de abandonar os grandes modelos do passado (Opala, Vectra, Astra etc.) sem substitutos de ponta.

  • Roberto Mazza

    Agora com 3 meses e 7 mil km e totalmente satisfeito com meu Up Tsi. Mesmo sabendo que ele é pequeno, faço uso quse sempre com apenas eu e esposa a bordo. Realmente ter prazer com algo simples e bem feito (e sem ser caro) é sensacional. Agradeço demais a influência de todos vocês no meu amadurecimento de idéias e processo decisório.

  • Rafael Ribeiro

    Meu último carro, comprado usado no mês passado, bem como o de minha esposa, comprado há um ano, teve profunda influência dos conhecimentos adquiridos no Ae, desde que me tornei leitor, em 2012. Procurei alinhar autoentusiasmo com racionalidade, dentro do orçamento disponível e das preferências pessoais. A escolha ficou até fácil!

    Aproveitando a oportunidade, alguma previsão de um encontro nos moldes daquele do ano passado no Box 54? Com muito pesar, tive que cancelar minha participação (fui um dos premiados com a visita guiada) e estou “seco” para o próximo!

  • Marco

    Na maioria dos casos, a pessoa que pede uma opinião não está realmente interessada no que o outro pensa, mas sim está em busca de uma corroboração para o que ela própria já concluiu como sendo o melhor para si mesma. Isto vale tanto para a compra de automóveis quanto quaisquer outros processos de decisão.

  • O pai de um colega de faculdade sempre dizia para nós:
    – Antes de casar, abra os dois olhos. Depois de casar, feche um.
    Isso não vale apenas para esposa, mas para praticamente qualquer grande investimento.

    Comprei minha Ipanema há 16 anos. E continuo com ela. Nenhum carro novo me oferece o suficiente para justificar a sua troca. Provavelmente comprarei outro, mas a velhinha fiel continuará na família.
    É uma relação curiosa, já que quando o modelo foi lançado pela GM eu pensei “que carro horrível!”.

    Continuo concordando. O carro não é o melhor esteticamente, mas é confiável, potente e com espaço de sobra para pessoas e carga, coisas que levo muito.

    Mas é sempre o velho caso entre casar com a mulher bonitona e perdulária ou casar com a baixinha, nem tão atraente, mas é a que cozinha bem e vai cuidar bem de você e dos seus filhos. A segunda nunca vai encher seus olhos, mas é a que vai te dar paz e tranquilidade pelo resto da vida em comum, provavelmente bem longa. A bonitona? Depois que ela criar um rombo no seu bolso no curto prazo, você vai pedir divórcio e procurar outra.

  • Parabéns, muito bom o texto. Eu penso exatamente assim sobre a GM.

  • WSR

    Faz sentido. O Santana equipado com disco duplo ventilado só aceita roda de 14″ para cima (pelo menos era assim durante algum tempo).

  • RoadV8Runner

    Carlo Meccia,
    Texto muito bacana, como de costume. Uma mistura perfeita entre razão e emoção, pois apresenta os aspectos técnicos importantes e/ou percebidos pelo consumidor, mas sem deixar de lado que a parte emocional também é muito importante na escolha de um determinado modelo.
    Como comentei em outro texto seu, acredito que as fabricantes deixam de explorar a contento os lucros que poderiam ter em vender peças de reposição genuínas a preço justo. Digo justo e não digo barato, pois sei claramente que não é possível conciliar boa qualidade e preço baixo. Porém, o disparate de preços entre as peças genuínas e as paralelas de boa procedência é simplesmente absurda em muitos casos, chegado o item genuíno de reposição custar mais que o dobro de um similar de fabricante paralelo, mas confiável, que fabrica tanto peças genuínas para as fábricas quanto peças paralelas para o mercado, digamos, aberto.
    Mesmo sabendo que devido à maior exigência de qualidade exigido por cada fabricante de automóvel, via de regra, o item genuíno será sempre superior (há exceções, em especial nas peças mais simples, como palhetas de limpador de para-brisa, por exemplo), não vejo como justificar o preço tão mais alto. E isso me incomoda muito, pois sempre prefiro comprar peças de reposição genuínas, justamente para ter meu carro o mais próximo do original possível. Mas isso nem sempre é possível, pois a razão me impede de comprar itens a preços que considero exagerados e que não apresentem desempenho ou durabilidade tão mais superior que justifique o valor absurdo do item.

    • Enrico

      As fábricas e seus concessionários são de uma malandragem atroz; o que dizer da peça fabricada pelo mesmo fornecedor e que é utilizada em dois modelos de valores distintos do mesmo fabricante e têm um preço diferente dependendo se ele está na tabela do veículo A ou do veículo B?

    • Odenir Maffissoni

      Recentemente troquei o rolamento do cubo traseiro do meu 328 1996, procurava o rolamento dizendo que era para BMW, não achava por menos de R$ 400, pesquisei o número do rolamento e consegui comprar por R$ 80,00 marca SKF, até onde sei uma marca boa.

  • REAL POWER

    A Ipanema pode dar muito prazer ao dirigir. Se for as últimas com motor MPFI, melhor ainda.

  • Thiago Teixeira2, quando você finalmente voltar a ter sono, significando que fez negócio, tire o sacos de lixo, pois o Mondeo assim está “feião”.

    • RoadV8Runner

      Esses são sacos de lixo de fato, pois mesmo com o sol que estava no momento da foto, não é possível ver absolutamente nada através dos vidros!
      Semana passada vim para Sorocaba a bordo de um Corolla desse jeito. Pode parecer exagero, mas estava me sentindo “enjaulado”, pois como era noite, não via quase nada da estrada. E, para piorar, ainda tinha um saquinho de lixo mais claro no para-brisa… Nunca me senti tão feliz ao descer de um carro!

      • RoadV8Runner, nada disso importa, para os imbecis o que interessa é que eles acham é que o carro fica “lindão”. E depois ainda dizem que “o brasileiro é um povo muito inteligente”…

  • Cristian Dorneles, por incrível que pareça esse prazo legal inexiste. O Código de Proteção e Defesa do Consumidor diz apenas que deve haver peças enquanto o veículo estiver sendo produzido. Quer um exemplo? Temos um refrigerador Electrolux de 2001 que funciona perfeitamente, mas a vedação de porta, tipo magnética, precisa ser trocada: a fábrica não tem mais a peça e ela é construtivamente diferente das comuns. Para resolver, só comprando um refrigerador novo. Que com 200% de certeza não será Electrolux. Nem o refrigerador nem qualquer coisa dessa marca. Mas sou capaz de apostar que a “capacidade” que resolveu “vamos nos livrar de peças de pouco giro, assim imobilizaremos menos capital” foi premiado e promovido!

    • Enrico

      Vivenciei um dissabor parecido, tenho uma TV Samsung LCD de 40″ fabricada em 2010, uma peça cujo qual nome não lembro e que é responsável pela definição das cores deu pau (inclusive descobri que é um defeito inerente ao modelo) simplesmente não é mais fornecida pelo fabricante! Ou seja, para voltar a funcionar só se eu encontrar outra do mesmo modelo que esteja casualmente quebrada mas com a tal peça em ordem… Samsung nunca mais!

      • Enrico, ridículo e revoltante também, e ainda pior no seu caso, um produto de 2010.

      • Lorenzo Frigerio

        Esses produtos são descartáveis… lá fora! Aqui, no patropi, são “super-premium” – com preço idem.

    • Lorenzo Frigerio

      Electrolux é uma marca que não entra na minha casa. O ReclameAqui e as páginas de reclamações dos jornais estão cheias até a borda com esse nome (outra marca infame é a HP). Pessoas mais velhas têm na cabeça aquela Electrolux sueca, dos aspiradores de pó “Made in Sweden”, mas isso não existe mais há décadas. Essa Electrolux brasileira é que nem a antiga Sharp do Brasil, não tem nada a ver com o “Real McCoy”.
      Entretanto, tenho certeza que você encontrará a peça no mercado paralelo.

    • Odenir Maffissoni

      Tenho uma Electrolux seminova encostada por causa disto.

  • Nelson C, sabe onde fica a segurança da família do André? Numa singela pecinha que fica entre o volante e o banco. Dá e sobra.

  • Roberto Neves

    Perdão: Palio (Fiat) com 3 anos de garantia? Mudaram a política de pós-venda?

  • Roberto Neves

    É como escrevi por aqui há dias: quero o carro (e a casa etc.) que quero, nada mais, nada menos. Você tem a Ipanema porque quer e gosta. Ponto final. Perfeito! Também é perfeita a atitude daquele que troca de carro todo ano porque gosta de mudar a decoração de sua garagem. Cada um vive como quer. Parabéns pela personalidade decidida!

  • ZK, está pavoroso, um verdadeiro lixo! Pobres de espírito, os que acham que carro com sacos de lixo fica “lindão”.

  • ZK, ainda bem que você conhece essa minha cruzada contra a idiotice de colocar sacos de lixo só para o carro ficar “lindão”.

  • Marco

    A cor do carro é linda, o estado estético parece ótimo, mas esses vidros pretos acabam com o conjunto. Parece carro de mafioso.

  • Rogério Ferreira

    O Palio de atual geração é um excelente veículo, tive um 2013, vendido com 50.000 km, motor E.TorQ 1.6. Espaço bom, e boa aerodinâmica, em que pese sua altura do solo. Consumo na estrada na faixa de 15,7 km/l de gasolina com velocidade em torno de 110 km/h. É um desses carros “injustiçados”, e desprezado pela própria Fiat. Merecia com certeza o novo motor Firefly ou GSE, tanto 1,0 quanto 1,3.

  • Lorenzo Frigerio

    Parece ser sujeira no gás, ou gás contaminado. Um fogão é uma coisa muito simplória para dar problema. Na minha experiência, é preciso “sangrar” a tubulação da casa; deixar o gás correr em alta vazão (desconecte o fogão e abra as janelas).

    • Tyrion Lannister

      Não era isso. O gás aqui em casa não é encanado. Foi mais de um ano de problemas e muitos botijões de gás, seria impossível que todos estivessem com problemas. A válvula foi trocada pela assistência técnica e o problema continuou. Só foi resolvido com a troca do fogão. Já tivemos fogões Continental e agora Electrolux e nunca apresentaram algo do tipo.

  • Lorenzo Frigerio

    Você está dizendo, então, que as mulheres não apreciam o prazer de dirigir. Machista, aí, é você… é ou não é?

  • Lorenzo Frigerio

    “Racionalidade” e “Entusiasmo” são mutuamente excludentes. Você não é auto-entusiasta.

    • J Paulo

      Não acho, não.

  • Kar Yo

    Se não me engano essa geração é o do para-choque casca de ovo! Só de olhar já trincava! Dessa safra tem um 2,5 V-6 também.

    • Thiago Teixeira2

      Que eu lembre esse modelo com motor V6 não foi vendido aqui. Só na geração Kinetic.
      O para-choque casca de ovo era cronico no Escort Zetec!

  • João Carlos

    Esse seu último parágrafo diz tudo. Eu adoro tirar o suco de onde uns acham que não tem, por exemplo, os ditos “carros mil”. Como é bom dar um suador em um odiador de carro mil rsrs.

  • Cristian, os fabricantes devem suprir componentes por um período de 10 anos, resultado de um pacto entre os fabricantes. Infelizmente não existe regulamentação federal para o fato.

  • Enrico

    É aquela história já bem conhecida, nos EUA ou mesmo Europa as empresas respeitam seus consumidores e não é por serem almas caridosas mas sim por temor da justiça que impõe rapidamente multas pesadas e ressarcimentos idem, aqui quem reclama perde anos e saúde atrás dos seus direitos e acaba deixando por isso mesmo. Em várias ocasiões absorvi prejuízos por não ter disposição para correr atrás do que me era devido.

  • Maycon Correia

    Carlos, Fiesta Street foi um dos melhores carros que eu já tive. Um prata que realmente não gosto, porém tudo nele era muito acima do esperado. Andava muito bem, econômico, ar muito eficiente, seguro muito barato e risco zero. Ele foi embora realmente por falta de espaço.
    Era um 2004, 4 portas completo.

  • Nelson C, me ache, não, sou infalível, até para me defender de outros ao volante. Isso não é mérito, é dedicação e treinamento de dirigir com segurança, o que faço há 62 anos.

  • Alessandro, nada mais óbvio — para quem compra carro pensando em bater.

  • Ok, Alessandro, esclarecido.

  • Carlos Coutinho, em que você se baseia para tirar esta conclusão? Veja, não estou discordando, porém gosto de entender os comentários em profundidade, para agregar valor às matérias.