Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas DOMINGO NO PARQUE – Autoentusiastas

Domingo passado (9/10) foi realizado o evento “De Portas Abertas” no Campo de Marte, em São Paulo.

Este evento tradicional ocorre todos os anos com o nome oficial de “Domingo Aéreo”, mas este ano o evento oficial foi cancelado em função do apoio da FAB (Força Aérea Brasileira) à segurança dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Evidentemente, o evento deste ano foi organizado às pressas, mas pelo menos não ficamos “chupando o dedo”.

Sou quase vizinho do Campo de Marte, onde o evento é sempre realizado, e por  isso participei de quase todos. É um pouco triste lembrar dos eventos passados, pois eram menores, mas muito melhor organizados e as mostras muito melhor preparadas — e com muito menos gente! Minhas fotos em papel dos anos 1990 que o digam. Ainda assim vale a pena a visita, pois para um entusiasta é equivalente a ir todos os anos às exposições de carros antigos de Águas de Lindoia ou Araxá. São quase sempre os mesmos modelos, mas nunca nos cansamos de vê-los.

O sucesso do evento também é importante em outro aspecto que não pode ser esquecido. A FAB está desativando o Parque de Material Aeronáutico (PAMA/SP), onde o evento é realizado, e deseja instalar ali um grande museu de aeronáutica, aproveitando boa parte do acervo do Museu da TAM, que foi desativado. Mas há grande pressão para que o terreno seja vendido para exploração imobiliária numa área já densamente povoada, degradando ainda mais as condições de tráfego e convívio. Numa cidade como São Paulo, um museu de aeronáutica seria muito bem-vindo, e cabe a nós, cidadãos-munícipes, exigir mais espaço de lazer e cultura do que usar o espaço de espremer mais e mais gente feito pilhas verticais de sardinha em lata porque isso dá dinheiro para uns poucos empreiteiros. A área é pública, e portanto é minha, sua e de todos. Não deve servir apenas o  interesse de poucos.

Mas vamos ao evento.

A visão que se teve dele logo na entrada foi essa:

A multidão no evento é sempre considerável. Deve-se estar preparado para ela. Há filas para várias atividades. É comum as pessoas ficarem mais de uma hora em uma fila por uma simples foto das crianças na rampa de carga do Buffalo ou sentado dentro de um F-5.

Sinto dizer que não cobri a exibição da Esquadrilha da Fumaça desta vez. Na verdade tirei proveito dela. A multidão tornava qualquer aproximação de qualquer equipamento simplesmente impossível, mas quando a exibição começou houve até tumulto do público querendo sair do hangar de manutenção, deixando o local vazio, permitindo o acesso mais livre ao que foi mostrado.

De qualquer forma, a exibição foi uma decepção. Normalmente a Esquadrilha da Fumaça se apresenta com sete aeronaves, mas desta vez vieram apenas em quatro e basicamente fizeram voos em formação, sem nenhuma grande acrobacia, pelo que fiquei sabendo depois.

A visita começou pelo hangar de manutenção.

Primeiro alguns F-5 em processo de manutenção dos motores.

Por aqui temos uma noção do que é um caça por dentro. Vemos a conformação do duto de ar, desde a captação de ar até a entrada da turbina, e como o pacote das turbinas é fechado.

A próxima mostra é a dos motores de aeronaves:

A primeira turbina era usada pelos Mirage E-III BR. A segunda, uma unidade surpreendentemente pequena, é a turbina do helicóptero Esquilo. Depois temos um motor turbo-hélice e a turbina maior de um helicóptero Bell Iroquois/Huey. Por fim, um motor radial, usado no Brasil pelo Albatroz, um antigo hidroavião de concepção parecida com a dos tradicionais PBY Catalina, mas maior, e também pelos Tracker, aviões de patrulhamento naval e antissubmarino que serviam no porta-aviões Minas Gerais.

Começa então uma exposição de carros militares de todos os tipos e épocas:

Como sempre neste evento, sempre há o espaço para a lembrança da participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, desta vez mostrando as coisas cotidianas dos soldados.

 

Munições de canhão de diferentes calibres usados por diferentes aviões de combate e lança-foguetes.

Uma diferença entre as munições de canhão e as de metralhadora é que o projétil da metralhadora é simples munição de impacto, enquanto a do canhão é uma unidade explosiva, como uma minigranada que detona por impacto.

Os foguetes do lança-foguetes são unidades não guiadas e lançadas em salvas contra alvos em terra ou mar, um após o outro e cria uma zona de destruição por saturação. Era usada para “limpar” uma área do inimigo sem que precisão fosse exigida. Hoje, com o barateamento de sensores e de microprocessadores, as unidades inteligentes que se autodirigem ao alvo tornaram esse tipo de armamento praticamente obsoleto.

Aqui podemos ver outros dois F-5 em diferentes estágios de revisão:

 

Podemos ver no primeiro deles o aspecto do duto de ar do motor a partir da frente e um detalhe da entrada de ar.

É digno de nota perceber a placa paralela à fuselagem e à frente da entra de ar. É a placa separadora da camada-limite, uma fina camada de ar de baixa velocidade (em relação à fuselagem) que caso seja tragada pode perturbar o fluxo de admissão e comprometer o bom funcionamento do motor e apagá-lo.

As outras fotos mostram outro F-5, com especial destaque para o trilho na ponta da asa para o disparo de mísseis ar-ar tipo Sidewinder.  O trilho parece muito com o usado em gavetas de vários móveis modernos. As fotos mostram a trava que segura o míssil no cabine durante o voo e no meio dele o local onde é montado o conector elétrico de comando do míssil, no meio do trilho.

O parque também dá manutenção a helicópteros das forças armadas:.

 

 

Ver essa coleção de aeronaves reunida tem um quê de feira de carros antigos. Isso porque a maior parte das aeronaves mostradas já foram desativadas. É o caso dos F-5E, do Xavante (que nem assentos ejetáveis possuía mais), os helicópteros H-34 Super Puma, sem falar nos longevos Bandeirante, Bandeirante de patrulha naval (apelidado como “bandeirulha”), o T-25 Universal…

Há bastante saudosismo em ver estas aeronaves, mas também é motivo de preocupação, pois mostra o quanto o país vem se defasando no assunto de defesa.

Tive que aproveitar o fim do evento para fotografar essas aeronaves, porque durante o evento isto era impossível, dada concentração do público.

Fim de festa, mas não poderia deixar de visitar um “velho amigo” de todos os domingos.

Este é um Mirage desativado que foi instalado na entrada do PAMA/SP junto com uma pequena pracinha. É um ponto de passagem que tenho para meus exercícios físicos com minha bicicleta todo domingo.

Logo ali do lado, há a Praça dos Expedicionários, um memorial dos brasileiros combatentes da Segunda Guerra Mundial. Na praça, um monumento com a hélice de um Republic P-47 Thunderbolt usado na Itália, um hélice de navio que transportou tropas do Brasil para a campanha e um canhão antiaéreo tipo Bofors.

E esse foi o fim do passeio.

Fui para lá bem cedo e voltei já quase escurecendo. Valeu o dia.

Espero que valha também ao leitor.

AAD

Sobre o Autor

André Dantas

Engenheiro Mecânico / Mecatrônico formado pela USP/São Carlos e técnico eletrotécnico pela Escola Técnica Federal de São Paulo. É um tipo de Professor Pardal e editor de tecnologia do AUTOentusiastas. Também acumula mais de 20 anos de experiência em projeto, montagem, ajuste e manutenção de máquinas e equipamentos pesados com sistemas de automação além uma empresa de Engenharia Pericial com foco no ramo automobilístico.

  • Lorenzo Frigerio

    Legal esse Mirage. Lembra os Eurofighter Typhoon.
    E naturalmente… adorei o Dodjão bombeiro!

    • Interessante é o pequeno aerofólio sobre a entrada de ar, como se fosse um canard.
      Foi uma melhoria introduzida no Mirage nos anos 80, após o sucesso do Saab Viggen sueco (antecessor do Griffen que estamos comprando).

      Na época, o desempenho dos Mirage estava muito defasado contra oponentes como o F-16 e o MiG-29, e a instalação do aerofólio diminuiu um pouco essa deficiência.

  • O cartaz pedindo empréstimo!
    Gostei dos veículos militares! Todos já são relíquias.

  • Esses artigos da guerra são sensacionais!

    André, você chegou a ver os carros da F-Inter que estavam lá no PAMA?

  • Wendel Cerutti

    Bacana .

  • Elton Veoitao

    Eu estava lá! Tinha tanta gente que nem vi esses motores expostos. Sempre quis ver de perto um motor radial!

    • Veoitão, ano passado até fiz uma chamada aqui no AE e ninguém respondeu. Fui com um outro leitor porque já tinha conversado com ele antes.

      Por isso não repeti a chamada este ano, mas qualquer coisa, dá um toque e montamos um grupo do AE para esses eventos.

      • Elton Veoitao

        Isso é bom! Se não for longe o próximo evento e eu estiver trabalhando até lá, estou dentro!

  • H_Oliveira, imagina que não. Mas conheci o Museu da RAF, na Base Aérea de Hendon, a 40 minutos de Londres por metrô. Fabuloso. Nesse dia havia uma visita de crianças de escola primária, fiquei admirado com a maneira como tratam a História do país começando por crianças tão pequenas.

  • H_Oliveira, geralmente tem gente vendendo esse material nesses eventos. Tem as bolachas tanto em adesivos para carros como os bordados para uniformes.

    Esses meus aqui são os originais usados nos uniformes dos pilotos da Esquadrilha da Fumaça:
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  • Mr. Car, isso acontece. Mas tem seu lado bom. Se aproveitássemos todas as coisas boas, não daríamos o devido valor para elas.

  • Luciano, os drones americanos são usados com aviões em final de vida útil. Se não usassem como drone, esses aviões iriam para o desmanche.

    • Luciano Ferreira Lima

      Professor Dantas, impressionante um jato mais novo e mais moderno já ter fadiga em sua fuselagem por infinitas horas de voo. Sinal que lá eles treinaram exaustivamente seus pilotos em vez de ficar embelezando o hangar, correto? Se um dia vier a Minas na Zona da Mata, fique aqui em casa para descansar e se alimentar direitinho para o combate, prometo não perturbar, só babar quietinho! kkkk.

    • Lorenzo Frigerio

      Por outro lado o Brasil comprou, acho que do Kuwait ou da Arábia Saudita, um lote de F5 com pouquíssimo uso. Caiu do céu, pois a Aeronáutica domina totalmente a manutenção desses aviões. Fica a sugestão para um artigo futuro sobre eles, escutou, JJ?

  • Que bacana!!! Os motores são demais!

  • Lorenzo Frigerio

    AAD, o nome do Bureau saiu do motor Rolls-Royce?

  • Victor Adami

    Caro André Dantas, sou segundo-sargento da FAB e trabalho no PAMA-SP onde aconteceu o Domingo Aéreo. Parabéns pela matéria, achei muito interessante ler sobre o evento aqui. Realmente o evento já foi maior e com mais atrações, mas, infelizmente, o momento é de aperto geral e isso acabou se refletindo no Domingo Aéreo. Com todo o respeito, gostaria de fazer apenas uma correção: o PAMA não está sendo desativado, pelo contrário, está recebendo mais projetos e mais investimentos. Por fim, convido-o a conhecer nossas instalações e rotina “em um dia comum”, será um grande prazer te acompanhar pelo Parque. Grande abraço.