Seis meses depois de lançar o novo A4 Sedã no mercado brasileiro, chegou a vez da perua A4 Avant, apresentada ontem em São Paulo. Ambos os modelos são produzidos em Ingolstadt e trazem motor 2-litros TFSI Ultra da família EA888 associado ao câmbio S tronic dupla-embreagem (em banho de óleo) de sete marchas. Como no sedã, o motor exclusivamente a gasolina entrega 190 cv de 4.200 a 6.000 rpm, com torque de 32,6 m·kgf entre 1.450 e 4.200 rpm. O resultado é o 0-a-100 km/h em 7,5 segundos e velocidade máxima de 238 km/h, números que satisfazem plenamente considerando essa Avant ser média-grande (4.725 mm de comprimento com entre-eixos de 2.820 mm) e pesar 1.460 kg em ordem de marcha.

A Avant, que chega em versão Ambiente, tem preço público sugerido de R$ 187.990 que inclui o quadro de instrumentos virtual configurável (Audi Virtual Cockpit),  ajuste elétrico do banco do motorista, ajuste lombar elétrico para ambos os dianteiros, ar-condicionado automático, Audi Drive Select, computador de bordo, controle de estabilidade e tração, desliga-liga, bancos em “couro” (material sintético), controlador e limitador de velocidade, espelho interno eletrocrômico, rede no porta-malas, sensor crepuscular e de chuva, volante de direção multifuncional, bolsas infláveis laterais e de cortina além das obrigatórias, alarme, freio de estacionamento elétrico e automático, faróis bixenônio com luzes de rodagem diurna em LED (DRL), lanternas traseiras com lâmpadas halógenas, lavador de faróis, auxílio de partida em aclives, sensor de estacionamento traseiro, abertura de portas e partida sem chave, estepe temporário (fino), entre outros equipamentos.

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Um belo perfil, acho que ninguém discorda

O sistema de áudio compreende o Audi Smartphone integration com duas tomadas USB (uma para dados, outra para carregar bateria de telefones) e entrada auxiliar para Android e Apple (não é espelhamento), o Audi Connect, Audi Sound System, Bluetooth e rádio MMI com navegador.

Opcionais, pintura metálica ou perolizada (R$ 2.000), teto solar panorâmico (R$ 11.000), kit esportivo S Line (R$ 12.500); Pacote Assistance (Audi Pre Sense traseiro, assistente de ponto cego, câmera de ré,  R$ 12.600); e o pacote Tech (mostrador projetado no para-brisa, sistema de áudio Bang & Olufsen 3D, R$ 10.200). Assim, a A4 Avant Ambiente com todos os opcionais sai por R$ 236.290.

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A arte de bem informar

Após a apresentação foi oferecido um breve teste, pegar a rodovia dos Bandeirantes, a SP-348,  até o posto Lago Azul, no km 54, e voltar. Antes mesmo de andar nela a Audi Avant incita a dirigi-la e, principalmente, a tê-la. O motivo, o espaço e o volume para carga, de 505 litros e, com os encostos (20-60-20) do banco traseiro rebatidos, 1.510 litros. E outro motivo, a pureza de suas linhas. E mais um: a expectativa de um rodar magnífico, logo confirmado.

Conjunto motriz, suspensões, direção, freios, mesmo resultado de produção em série, parecem coisa de artesão, tal o grau de perfeição sentido e percebido. O que a Audi batizou de cabine (do piloto) virtual (virtual cockpit) é mesmo notável, proporciona enorme conforto visual e informações prontas, e tudo fácil e intuitivo de usar. Os pneus são Bridgestone Potenza 5001 245/40R18Y, poloneses, enquanto o estepe é T125/70R19M.

Como o novo A4 a Audi introduziu ciclo Atkinson quando em operação em cargas parciais combinado com a injeção no duto, por meio do total controle das válvulas, seja em fase nos dois comandos (em até 40º, contínua, seja pelos dois levantamento de válvulas, chamado pela fábrica de Audi Valvelift System). Em altas cargas a injeção é direta (250 bar). A taxa de compressão saltou de 9,6:1 do 2-litros anterior para nada menos que 11,7:1.

Com essa soução, além dos dados de potência e torque informados acima, em “condição Atkinson” esses  números baixaram para 140 cv e 25,5 m·kgf. O resultado é que com o Cx 0,24  (só 0,01 pior que o sedã), praticamente a mesma área frontal (+ 0,5%) e pesando apenas 33 kg mais que o sedã, o consumo de gasolina — 95 RON, indicado por adesivo na parte interna da portinhola do tanque,  portanto capaz de funcionar perfeitamente bem com gasolina comum — é praticamente o mesmo nos dois modelos.

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Seria necessário o emblema dos quatro anéis entrelaçados para se saber que é um Audi?

O consumo Inmetro/PBVE, ainda não divulgado para a Avant,  indica para o sedã 11 km/l na cidade e 14,3 km/l na estrada. Por um bom trecho na rodovia dos Bandeirantes, eu acompanhado do assessor técnico da Audi, o Lothar Werninghaus, e do jornalista Diogo de Oliveira, editor do Portal R7 da Rede Record, andando na tolerância de medição de velocidade (129 km/h reais) e com ar-condicionado ligado, o computador de bordo acusou 12,7 km/l.

Como o Paulo Keller informou no teste do A4 sedã Launch Edition ontem, a Avant foi passada para  o editor associado Juvenal Jorge, incumbido de fazer o teste “no uso”. Não vai demorar para termos o teste aqui publicado.

Mas como se diz que a primeira impressão é a que fica, a de total excelência desta A4 Avant ficou.

BS

Galeria de fotos:

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  • ALFR

    Salvem as peruas!

  • Fat Jack, a Launch.

    • Fat Jack

      Interessante, oferece então como atrativo extra o preço inferior ao do sedã, além de ser de fato uma linda e eficientíssima perua. Fiquei somente curioso com a potência inferior ao do motor TSI utilizado por exemplo no Jetta.

      • Fat Jack, esse motor é mais novo, tem essa tecnologia de ciclos, é mais econômico.

  • Mr. Car, só mesmo!

  • Fat Jack, 2 bar absoluto, 1 bar relativo no nível do mar.

  • Parabéns, Rafael!

  • Mineirim, minimalista e com todas as informações que se precisa!

  • Ricardo, com esse preço é o jeito mesmo.

  • Ricardo Carlini, não foi só você que não pensou. Eu, por exemplo, e muita gente.

  • Luciano, quando trabalhei na Vemag de em 1966-1967 sempre escolhi a Vemaguet como carro de serviço. E antes disso tinha uma.

    • Luciano Ribeiro

      Tenho o sonho de ter uma, Bob, mas um fato que venho sofrendo com meu Azera 2014 é a altura do solo, essas nossas ruas e esses quebra-molas do inferno me trazem uma preocupação toda vez que saio no carro, motivo pelo qual estou pensando seriamente em mudar para uma caminhonete ou SUV mesmo sem querer. Acredito que no caso da Audi haja o mesmo ”problema”, na verdade não é problema do carro e sim das ruas que são aptas apenas para tráfego de carroças com tração animal, assim como no tempo do Império.

      • Luciano, incrivelmente o trio de ferro alemão não raspa nessas situações.

        • Luciano Ribeiro

          Bob, aqui em Minas Gerais os quebra molas para serem transpassados precisam de tração 4×4, de tão fora do padrão. Todavia, pretendo ver esse carro de perto no Salão do Automóvel em São Paulo.

  • Celso, é isso mesmo, halógenas.

  • Felipe, baita carro mesmo.

  • Jivago, isso duas zonas na Avant, três no sedã; este também só tem sensor de estacionamento atrás. Teto solar também é opcional no sedã. O restante das questões não tenho como lhe responder, são decisões empresariais.

    • Jivago Bottenberg

      Bob,
      Mas segundo o texto do Paulo tem sensor na frente no sedã, é só nesta versão especial?
      Abraço, bom fim de semana

      • Jivago, sim, isso mesmo, só na Launch Edition.

  • Lorenzo Frigerio

    Somente os primeiros Calibra tinham Cx = 0,26. Tinham motor 1,8 de Monza e rodas “chapadas”, sem contar a carenagem sob o motor. Os que vieram ao Brasil tinham Cx = 0,29.

  • Jivago, desculpe a demora em responder, vi agora que este comentário estava na caixa de spam do Disqus, por que não tenho a menor ideia. Sim, mesmo tipo de comando dos BMW. A operação é bem simples, parou o carro e com o pé no freio, é apertar o botão P ergonomicamente localizado na manopla, com o polegar, e pronto. Para sair, ligar motor (com pé no freio, só assim) e colocar em D ou R.

  • Marco

    Este carro é simplesmente maravilhoso, tenho uma Avant 2012 e não me desfaço dela por nada (pelo menos enquanto não der para pegar uma mais nova, o que atualmente está bem difícil…). Imagino com o novo câmbio de dupla embreagem. Estes pacotes Tech e Advance já vem incorporados na configuração original (importada) do carro ou são integrados aqui no Brasil? Em suma, existe algum nível de personalização local ou o carro já vem devidamente “empacotado” da Alemanha?

    • Marco, os Audi importados veem prontos, nada é feito aqui.

  • Luciano Gonzalez

    Somos dois, Rogério!