A Mercedes-Benz é uma marca das mais desejadas em todo mundo. Vai ganhar o campeonato de Fórmula 1 de 2016 e depois de anos enfrentado o sucesso da BMW e Audi está com uma linha completamente renovada, com apelo mais jovem e esportivo.

Nada como a concorrência ferrenha para mexer com os brios dos fabricantes, principalmente de engenheiros alemães. E assim o mais recente slogan da Mercedes-Benz é The best or nothing (O melhor ou nada)! Seus produtos são os melhores? Possivelmente alguns deles em algum critério possam ser. Não acredito que valha a pena discutir muito esse tema. Ou ser formos discutir temos que dar uma olhada no slogan de outras marcas, como por exemplo o da BMW que é Sheer driving pleasure (Puro prazer em dirigir). Quem quiser pode procurar o vídeo do novo 540i e reparar que a certa altura ele mostra o motorista acionando o modo autônomo. Talvez a BMW possa voltar a usar o slogan anterior The ultimate driving machine (A definitiva máquina de dirigir).

Mas um slogan como esse, além de passar uma mensagem para o mercado e consumidores, também serve para desafiar todos os funcionários de empresa. Feito um compromisso público, não há como não honrá-lo. Ao menos para os fortes de caráter. E isso a Mercedes também é!

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Na Mercedes, o melhor do melhor, o crème de la crème, o suprassumo, o estado-da-arte, o puro desejo do autoentusiasta, está na AMG. E para mostrar isso ao mercado a Mercedes-Benz vem organizando anualmente o AMG Performance Tour que aconteceu em outubro e onde eu pude dirigir vários modelos AMG, inclusive o Mercedes-AMG GT S, no autódromo Velo Città.

Foi um dia intenso, com muitos carros e atividades, muita informação! Por isso acabei demorando para escrever essa matéria. Simplesmente é impossível relatar tudo com muita profundidade. Então resolvi focar nas minhas impressões e quando necessário ou oportuno, recheá-las com alguns dados. E tudo complementado com o vídeo.

Nesse tipo de evento não há muito tempo para conversa ou preparação. Como o AE não leva acompanhante ou assistente tive que me dividir entre a diversão pura e o trabalho para tentar captar imagens e vídeos minimamente decentes ao mesmo tempo que colhia informações e sensações.

Escolha um e vai! No destaque o lindo C43 Coupé

Escolha um e vai! No destaque o paradoxal e opulente S63 Coupé

Antes de entrar nos carros vale uma breve explicação das três áreas de atuação da AMG. A AMG Line cuida de customização estética dos modelos Sport da Mercedes-Benz, como rodas, para-choques e mudanças apenas cosméticas. A AMG Performance fabrica os motores ou faz a preparação mecânica dos carros além do visual. Os motores V-8 e V-12 são fabricados pela própria AMG no conceito “um homem, um motor”, em que o mesmo técnico monta apenas um motor de cada vez do começo ao fim, quando recebe uma plaqueta com a assinatura do técnico. Coisa fina, do jeito que a gente gosta. Já os novos V-6 são fabricados pela Mercedes. E há ainda a AMG Sports Cars, responsável pelo desenvolvimento e fabricação de carros completos, como o SLS e o GT. Aí a coisa fica séria!

Este evento também foi palco do lançamento do AMG C 43 4MATIC Coupé que se juntou ao sedã. O primeiro ponto a se notar é a designação 43. Mas calma que o 63 continua existindo, embora também diferente. Esse 43 representa o novo V-6 biturbo de 3 litros de 367 cv de 5.000 a 6.000 rpm e torque de 53 m·kgf de 2.000 a 4.200 rpm. Como alguém me disse durante o evento, esse não é o AMG puro-sangue. Mas ele faz muito sentido. Os V-8 são máquinas extremas e nem todo cliente da Mercedes quer ou tem condições de dirigir algo assim, mas gostaria de possuir um AMG mais tratável para o dia a dia.

O C43 Coupé (foto: Malagrine)

O C43 Coupé (Malagrine)

O que me marcou tanto no sedã quando no cupê é o equilíbrio e a suavidade. O zero-a-100 km/h é vigoroso, com 4,7 s e a pegada do motor já desde baixas rotações. A caixa automática epicíclica de nove marchas é rápida, muito precisa e não deve absolutamente nada às de dupla embreagem. Mas a tração integral 4MATIC se por um lado deixa a tocada mais confiante, limita um pouco a diversão. Porém para o uso diário é um carro que impressiona e satisfaz , e não deve causar desconforto para a família.

E quem reconhece um AMG mesmo de costas, só pelo som, terá dificuldade de reconhecer esses modelos. Embora com som ainda encorpado devido ao excelente trabalho nos escapamentos, trata-se de um V-6 e com turbos que abafam o som.  Na pista o cupê leva vantagem sobre o sedã por ter a carroceria mais amarrada, rígida, e além disso tem o desenho mais esportivo e bonito. Seria a minha escolha entre os dois. E esse tratamento visual da AMG nas linhas arredondadas do Série C caiu muitíssimo bem.

Do C43 eu pulei para o supercarro AMG GT S. Já ao sentar e se acomodar ao volante percebe-se que o GT S se trata de um esportivo puro. Baixo, capô longo, dois lugares, bancos bem esportivos e próximos ao eixo traseiro, e um seletor que mostra a indicação race! Logo ao sair dos boxes eu já percebi os pneus traseiros de largura de 295 mm no limite da tração, o que significa o máximo de pressão do banco nas costas. E no modo Sport+ com controle de tração mais permissivo, já é possível ter o controle total do carro nas curvas usando o pedal do acelerador.

A caixa automática tem apropriadas sete marchas e recebe a designação MCT (Multi Clutch Technology / Tecnologia Multi Embreagem). Mas não se engane, pois trata-se de uma caixa epicíclica em que e o conversor de torque é substituído por uma embreagem multidisco para aumentar a esportividade e eficiência. Eu praticamente só usei o modo automático que até faz acelerações interinas nas reduções.

O impressionante é que o carro é tão equilibrado que quando se passa do limite com o acelerador basta um leve alívio para correção. Com 1.645 kg ele parece levíssimo para os 510 cv a 6.250 rpm e os notáveis 66,3 m·kgf de 1.750 a 4.750 rpm. Trata-se de um V-8 biturbo de 4 litros. A primeira volta foi bem tranquila, com um misto de receio e respeito. Na segunda já foi possível obter alguma descarga de adrenalina. Mas apenas duas voltas não são suficientes para se obter a confiança necessária para explorar o GT S como se deve. O GT S leva míseros 3,8 s de zero a 100 km/h e atinge 310 km/h de velocidade máxima.

Na sequência formam duas voltas no C63 S sedã. A Mercedes também apresentou nesse evento o C63 S Coupé mas como só havia uma unidade no Brasil ela não foi para a pista. O 63, que na verdade era um V-8 de 6,2 litros aspirado, agora é um 4-litros biturbo, o mesmo do GT (ou quase o mesmo), com também 510 cv de 5.500 a 6.250 rpm, só que aqui com ainda mais torque, 71,3 m·kgf de 1.750 a 4.500 rpm. A caixa também é a mesma do GT S, com 7 marchas. Com peso de 1.700 kg o zero-a-100 km/h é feito em apenas 3,9 s e a velocidade máxima é de 290 km/h. Ou seja, é um GT S familiar. E aqui, assim como no GT S, a AMG conseguiu um som de escapamento encorpado, com flapes internos que são acionados conforme o modo de direção.

Mas com a tração apenas na traseira fui obrigado a entrar na pista no modo “mata leão”, ou seja, a menor tentativa de diversão era censurada pelos controles eletrônicos. Assim o carro fica a prova de nó-cegos, mas a prova de diversão também. Apenas no finalzinho das míseras duas voltas o instrutor percebendo minha frustração ajustou o seletor para modo Race. Aí eu pude perceber um pouco da ignorância desse carro. Eu acho incrível como o C63 não é tão venerado quanto o BMW M3. Talvez por ele ter sido sempre algo mais bruto, com o 6,2 litros ali na frente. Mas agora,com o 4-litros, talvez seja interessante um mano a mano com o conterrâneo.

O Famoso motor AMG M156, de 6,2 litros e aspirado

O famoso motor AMG M156, de 6,2 litros e aspirado

Logo na sequência eu tive a chance de dar uma volta rápida, hot lap, com um piloto da Academia AMG. Um cara bem gente fina que fez a volta completa do jeito que imaginava ser possível. Powerslide, ou derrapagem de potência, de ponta a ponta, só controlando no acelerador, sem a necessidade de usar o freio de estacionamento (que seria impossível por ser elétrico e com acionamento por botão). Foi divertidíssimo.

Mas calam aí! Ainda não acabou.

Ainda falta falar sobre o speedboat (barco de alta velocidade) S 63 Coupé. Opulência. Essa é uma das palavras que servem para descrever esse carro fantástico. Apesar de ai ainda o S 65 V-12! Mas de qualquer jeito, o S 63 Coupé é algo extremamente intrigante, um paradoxo, com luxo numa ponta e esportividade na outra e mais de 5 metros e 2.000 kg unindo os dois.

Quando eu vi esse carro no Salão do Automóvel de 2014 fiquei alguns bons minutos o admirando e me imaginando sentado ao seu volante. E depois de andar na pista ainda não fiquei satisfeito. Com todo esse tamanho e peso obviamente seu lugar é na estrada. O V-8 bi turbo de 5,5 litros gera 585 cv de potência a 5.500 rpm e incríveis 91,8 m.kgf de torque de torque de 2.250 a 3.750 rpm. Este certamente é o carro com o maior torque entre todos que já dirigi. Sua ficha técnica mostra que de zero a 100 km/h ele leva apenas 3,9 s e sua velocidade máxima atinge 300 km/h. O seu interior é algo de outro mundo, e os bancos nos abraçam durante as tomadas de curva. Couro para tudo que é lado, e o painel completamente digital. Viagens longas ou passeios tranquilos combinam mais com ele.

E para finalizar a Mercedes ainda montou uma pistinha de prosolo, com muitas curvas e pequenas retas que exigem o máximo de agilidade e resposta de acelerador e freios. E para essa atividade escolheu o caçula invocado AMG A45, com seu 4-cilindros turbo e tração integral 4MATIC. Esse motorzinho é o 4-cilindros 2-litros mais potente do mercado com incríveis 360 cv a 6.000 rpm e 45,8 m·kgf  de 2.250 a 5.000 rpm. Com o zero-a-100 km/h em 4,5 s, tamanho compacto, peso de 1.555 kg e direção rápida, a pistinha pode ser feita em 28 segundos. Adrenalina pura!

Após ter passado o dia na “Disneylândia” deu pra ter uma boa noção do que a AMG representa. É realmente coisa muito séria. Se eu tiver que resumir essa experiência em uma palavra ela é precisão. Potência despejada nas rodas através de uma interface muito bem calibrada, pedais do acelerador e freio, sistema de direção e suspensão além de chassis muito rígido. Tudo isso funcionando como um relógio suíço, atendendo os comandos de forma precisa, o que transmite confiança e segurança. em todos os modelos testados. Minha conclusão é que decidir entre um AMG, um RS ou um M está cada vez mais difícil.

Tudo o que está no texto pode ser bem melhor observado no vídeo.

PK

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