Desta vez vou falar de um segredo. Bem, já não tão segredo assim, pois já foi até divulgado em matéria numa revista alemã e em publicações internas da Volkswagen no Brasil. Isso sem falar numa postagem no Facebook que registrou milhares de acessos e compartilhamentos. O que apresento aqui é o acervo — privado — de carros da Volkswagen que contam a história da fabricante no Brasil. Trata-se de um patrimônio de alto nível, tanto pelos itens que o compõem, como pelo estado impecável dos carros, fruto de uma dedicação excepcional de funcionários que promoveram a manutenção e ampliação deste significativo patrimônio histórico cuja importância ultrapassa os limites físicos da fábrica Anchieta da Volkswagen.

O título desta matéria — “Schatzkiste” — significa “Baú do Tesouro” e foi como a revista alemã Käfer Revue (revista do Besouro) se referiu à parte do acervo de veículos históricos da Volkswagen brasileira que teve a oportunidade de visitar, mostrada em reportagem publicada em 30 de abril de 2014. Esta é uma edição especial da conhecida e longeva revista Gute Fahrt (‘boa viagem’ em alemão) que desde sempre teve e tem uma ligação direta com o Grupo Volkswagen.

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Este acervo também foi citado na página 8, da edição 421 de 3 de novembro de 2014 do boletim interno Jornal da Volkswagen,  uma publicação dirigida aos funcionários da empresa.

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Reprodução da página 8 do Jornal Volkswagen dedicada ao acervo

Mesmo sendo mantido cuidadosamente vedado a olhos indiscretos, a publicação de um álbum de fotografias no Facebook causou uma grande comoção entre os apreciadores da marca Volkswagen no Brasil. Este álbum mostrou a visita realizada no dia 11 de maio de 2016 por um grupo de 80 aposentados da Volkswagen, dividido por razões de logística em dois grupos de 40 pessoas. Foi visitada uma parte do acervo de carros antigos e documentação histórica que foi sendo recolhida ao longo dos anos por iniciativa de funcionários profundamente comprometidos com a história da Volkswagen do Brasil, na qual os carros produzidos são testemunhas de tudo que foi feito por aqui.

O acervo, que já reúne 84 veículos, foi iniciado na década de 1980 por um grande entusiasta da marca, Guenter Karl Hix, que era o chefe do Departamento de Estilo, atual Design Center. Neste período, foi iniciado o acervo com uma Variant II 1980 e um Brasília 1982, ambos zero-quilômetro. O trabalho de formação do acervo contou com o dedicado trabalho de Antônio Ferreira de Souza Filho, Wolfgang Mathias Pfeifer, Cláudio Conde, e vários outros. Em 2004, José Luiz Hellmeister Loureiro passou a gerir o acervo, dando continuidade aos trabalhos de preservação deste tesouro.

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Lado a lado uma Variant II e um Brasília

O acervo possui carros originários da própria fábrica, em estado de novos, alguns foram comprados no mercado e restaurados e atualmente há 25 carros aguardando restauração. Estão guardados em duas outras áreas da fábrica, devidamente preservados e mantidos em estado de funcionamento.

Os últimos veículos incorporados ao acervo foram à última Kombi e o último Furgão produzidos no mundo em novembro de 2013, e a Kombi Last Edition nº 56, homenagem aos 56 anos de produção do modelo no país.

Como exemplo dos carros resgatados do mercado nos últimos anos, há um VW 1600 4-portas “Zé do Caixão”, um VW 1600 TL 1973 e um VW Gol 1300L 1980. Este último participou da Primeira Edição do Gol Fest realizada no Sambódromo de São Paulo em 10 de abril de 2010 para comemorar os 30 anos de produção do Gol. Este carro consta como sendo o primeiro Gol que recebeu Placa Preta, um atestado de originalidade.

Esse Gol 1300 L, pouco tempo após ter participado do Gol Fest, foi colocado à venda e o diligente Guilherme Sabino, então responsável direto pelo acervo, soube do fato e conseguiu adquiri-lo, onde ficará marcando sua presença para as gerações futuras. O Guilherme Sabino explicou que “O que mais motiva a equipe responsável pelos veículos é poder preservar, por meio deste acervo, a memória daqueles que ajudaram a construir a história do sucesso da Volkswagen do Brasil. Não existe outra motivação que impulsione essas pessoas a manter esta iniciativa que não seja a paixão e o carinho pela marca Volkswagen!”

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Cerimônia da colocação da Placa Preta no VW Gol 1300L no Gol Fest, da esq. para a dir.: Mauro Saddi da Assobrav, Thomas Schmall, presidente da VWB na época, Arnaldo Bruno, jornalista Fernando Siqueira, Fábio Pagotto (FBVA) e Flávio Padovan, então diretor de Vendas e Marketing da VWB (foto Blog da Paraguaçu)

Por muitos anos este importante acervo foi sendo ampliado por meio do uso inteligente de dispositivos internos como, por exemplo, a transferência de carros de testes internos — cujos custos já faziam parte da verba de desenvolvimento e seu destino seria o sucateamento — para o acervo mediante transferências patrimoniais sem custo. Com isto foram preservados muitos carros que atendem perfeitamente à finalidade de preservação de carros da marca produzidos no Brasil.

Já os veículos adquiridos de colecionadores passaram por um complexo sistema de aprovação que exigia seis assinaturas de executivos de alto nível, mas houve a compreensão e apoio destes para o aumento do patrimônio por este meio.

Um dos tesouros do acervo, incorporado em 2012, são os cartuchos com as microfichas com os arquivos de produção que foram resgatados por Guilherme Sabino, mas que precisam ser analisados quanto ao conteúdo de informações, coisa que ele não teve tempo de fazer antes de sua aposentadoria. O Sabino conseguiu localizar um aparelho leitor destas microfichas em perfeito estado de uso que agora também está no acervo, permitindo o acesso às informações. Certamente esta documentação é de grande interesse histórico e merece um tratamento especial. Mas este material ainda não está em condições de permitir acesso para pesquisas, tampouco foi liberado para tal.

Com muita visão, inventividade, iniciativa e arrojo o patrimônio foi sendo ampliado e preservado até atingir o nível relatado nesta matéria.

O Gol do Senai

Para dar um exemplo de como carros que tinham como destino o sucateamento acabaram no acervo, veja o caso do Gol do Senai, que aqui é descrito pelo mentor deste, Paulo Guino, que me relatou:

“O ‘Carro do Senai’ foi uma doação da VW para o Senai como objeto de treinamento para os alunos de Mecânica de Automóveis. Esse veículo fazia parte de um programa que não permitia a sua venda, por isso ele foi doado ao Senai para Treinamento, onde mais de 3.000 alunos o montaram e desmontaram.
Fui fazer uma visita ao Senai Felix Guisard, de Taubaté, em maio de 2010, pois eu havia sido convidado para ser paraninfo de uma turma de alunos. Ao passar pela oficina o diretor Fernando Takeo me disse que como esse carro já estava lá há muitos anos, ele ia ter que se desfazer dele. Perguntei se ele não queria devolvê-lo para a Volkswagen (eu já tinha um plano traçado para este veículo). Ele prometeu verificar, e duas semanas depois ele me respondeu que sim, o carro poderia ser devolvido.
Enviei uma carta solicitando o veículo e o mesmo veio para fábrica de Taubaté, sendo restaurado pelo Miguel Correia, chefe da oficina de reparos de veículos especiais.
Aí, com ajuda de uma pequena “vaquinha” para compra de algumas peças faltantes, o trabalho foi feito, o carro ganhou uma pintura nova e todos os detalhes necessários para que ficasse zero novamente.
Minha intenção inicial era criar um pequeno acervo para a Fábrica de Taubaté, que é a fábrica do Gol, mas depois, devido a mudanças internas, os planos foram alterados e este carro, com toda a sua carga histórica, acabou sendo incluído no acervo da fábrica Anchieta, ainda bem…”

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O “Gol do Senai” com Paulo Guino, um dos carros que ele ajudou a salvar para o acervo

Neste exemplo podemos ver como a boa vontade, o senso de oportunidade e a intenção de preservação, aliada à uma ação efetiva, permitiram que mais um carro fosse acrescentado ao acervo da fábrica Anchieta — praticamente sem custo — gerando um item do patrimônio que passa a ter um valor inestimável para a manutenção da história da Volkswagen no Brasil. Mais um esforço vitorioso movido pelo amor à marca.

 

O álbum da visita

Este é o álbum da visita citada no início da matéria, originalmente publicado no Facebook pelo Paulo Guino e que faz parte do acervo dele.

O executivo José Luiz Hellmeister Loureiro, responsável e grande incentivador do acervo, fez uma apresentação aos participantes antes do início da visita.

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José Luiz H. Loureiro fala aos visitantes no auditório da Ala 20

O álbum começa com a visita parcial ao acervo de 84 veículos, visto pelos visitantes ao adentrarem ao salão. A curiosidade da foto fica com esse míni Gol amarelo que tem motor e anda. Quem descobriu um jipe no fundo à esquerda aguarde um pouco que logo vamos falar dele.

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Vista parcial

Uma das “joias da coroa” é um VW SP1 1972, uma grande raridade, pois foram fabricadas somente 85 unidades.

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Paulo Guino não perdeu a oportunidade de tirar uma foto ao lado desta raridade

Carlos Claus Janeba ao lado da Kombi 1961, um dos veículos adquiridos de colecionadores e que foi meticulosamente restaurado.

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Carlos Claus Janeba e a “Velha Senhora”

Este quadro na parede retrata Heinz Nordhoff, que foi presidente mundial do Grupo VW, responsável pela instalação da VW no Brasil. Ele está portando a Ordem do Cruzeiro do Sul conferida pelo presidente Juscelino Kubitschek por ocasião da sua visita ao Brasil e inauguração da Fábrica Anchieta da Volkswagen do Brasil, em São Bernardo do Campo, em 19 de novembro de 1959. Este quadro foi mais um dos inúmeros resgates feitos pelo incansável Guilherme Sabino, que não perdia a oportunidade de ir ampliando os itens do acervo com objetos de cunho histórico.

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Paulo Guino sob o quadro do grande líder mundial da VW, Heinz Nordhoff

Considerado o primeiro Gol placa-preta do Brasil, o veículo é admirado pelos visitantes: trata-se de um Gol 1300 L 1980 que foi incorporado ao acervo por Guilherme Sabino.

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O incrível estado de originalidade deste Gol é admirado pelos visitantes

Muitos dos itens que aparecem na próxima foto foram resgatados e restaurados pelos colegas da fábrica e estão sendo cuidados com todo o empenho. Vários relógios como o que aparece na foto ficavam distribuídos pelas Alas. Este em particular era da Oficina da Engenharia da Ala 17 e foi “encontrado” pelo amigo Guilherme Sabino, então curador do acervo. Ele conseguiu a sua transferência patrimonial para o acervo e promoveu a sua restauração e o colocou em lugar de destaque.

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Em primeiro plano dois itens chamam a atenção, o grande relógio e, à direita, a lateral de um jipe…

Este é o Fusca “Itamar” branco transformado para conversível para ser usado na inauguração da linha de montagem do modelo pelo presidente Itamar Franco em 1993. No total quatro Fuscas foram assim transformados pela firma paulista de personalização de veículos  Sulan. O branco está no acervo; o azul havia sido adquirido pelo ex-presidente Itamar Franco e hoje faz parte de seu memorial. O preto ficou com o ex-presidente da Autolatina, Pierre-Alain De Smedt. Há um quarto, vermelho, que havia sido comprado pelo Comandante Rolim Adolfo Amaro, o fundador da TAM.

Era para que todos participassem da festividade, mas devido à inusitados protestos de funcionários dentro da fábrica, somente o azul e uma Kombi conversível, que aparece numa foto adiante, acabaram sendo usados.

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O lindo Fusca convertido para conversível, que foi preparado para a festividade de inauguração da linha de fabricação do renascido Fusca em 1993, depois chamado pelo mercado de Fusca “Itamar”

A seguir o ex-curador do acervo, Guilherme Sabino, primeiro à direita, fazendo apresentação técnica detalhada de cada modelo, sob o vigilante olhar do gerente da área, José Luiz H. Loureiro, de terno, segundo à esquerda do Sabino.

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O Guilherme Sabino, com base no seu aprofundado conhecimento do acervo, fez a descrição dos modelos expostos

Outro registro da visita guiada. Os painéis nas paredes foram confeccionados para a visita comemorativa dos 60 anos da Volkswagen no Brasil, realizada no dia 10 de novembro de 2013 e que foi registrada na matéria: “Mega-Visita Volkswagen” com a qual comento a minha participação neste evento inesquecível.

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Detalhe para os grandes painéis nas paredes produzidos para a da festa de 60 anos da Volkswagen no Brasil

Esta Kombi 1988 foi preparada no período da Autolatina para levar visitantes à produção. Havia um segundo modelo, que foi vendido. Ela era usada em ocasiões especiais, como a inauguração da linha de montagem do Fusca “Itamar”.

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Kombi conversível para visitas e ocasiões especiais

Nesta parede há uma homenagem ao grande designer Márcio Lima Piancastelli, com a foto da equipe em torno de um VW Brasília, e dos quadros com seus desenhos.

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Recanto Piancastelli numa das paredes do acervo

Agora sim, vamos falar um pouco de uma das maiores raridades do acervo, trata-se do VEMP – Veículo Militar Protótipo. Uma peça única. Este veículo foi construído em 1976, sem muito alarde, para participar de uma licitação de veículos militares leves promovida pelo Exército Brasileiro. Ele, inclusive, participou de testes no duríssimo campo de provas do Exército no Rio de Janeiro, na Restinga da Marambaia, e até que obteve uma pontuação muito boa, pois tem tração nas quatro rodas! Mas o fato de ter um motor traseiro foi citado como justificativa para a sua desqualificação e quem acabou vencendo foram o Jeep Willys e o utilitário Toyota Bandeirante. Esta história até que lembra um pouco a do “SCHWIMMWAGEN II FEITO PELA PORSCHE”  que relatei aqui no AUTOentusiastas.

Depois de ser desqualificado, o VEMP passou a ser usado para rebocar protótipos na fábrica, e acabou sendo um pouco descaracterizado. Novamente o Guilherme Sabino reconheceu o valor deste veículo, conseguiu a sua transferência para o acervo e promoveu uma difícil restauração, pois da documentação de sua originalidade tinham sobrado somente algumas fotos, como a que segue mostrando o VEMP em pleno teste pelo Exército (esta foto fez parte da apresentação inicial da visita proferida pelo José Luiz H. Loureiro). Sabino conseguiu inclusive restaurar a operacionalidade da tração 4×4. Certamente este é um dos assuntos menos comentados pela Volkswagen até agora.

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Como no caso dos testes do Porsche 597 “Jagdwagen”, alguns testes eram feitos puxando uma carretinha e o VEMP se saiu galhardamente (foto Volkswagen, acervo Guilherme Sabino)

Uma foto tirada quando todo o grupo de visitantes estava ao lado do VEMP atentamente ouvindo a sua incrível e desconhecida história. Detalhe para a capota, outro item que teve que ser refeito, pois a original tinha se perdido no uso como reboque na fábrica. Certamente muitos destes “cabeças brancas” da Volkswagen também não sabiam desta história, daí o interesse de todos.

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“E agora com vocês o VEMP, o Veículo Militar Protótipo”

Kombis comemorativas que marcaram época. Estas Kombis são modelos que foram construídos pelo departamento de Estilo e que deram origem às séries especiais que viriam a ser produzidas. Como protótipos,elas não poderiam ser vendidas e seriam destruídas, mas graças à proatividade do pessoal do acervo elas estão aí muito bem na foto! A do fundo registrou o fim da era do motor arrefecido a ar, foi uma série que infelizmente não foi numerada. A do meio comemorou os 50 anos de fabricação da Kombi no Brasil e seu número é 00 de 50. E a em primeiro plano é a Last Edition que marcou o fim mundial da fabricação deste tipo de veículo, com o número 0000 de 1200.

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A série de Kombis comemorativas

Uma trinca de raridades, o VW Sp1, um VW 1600 TL e um VW 1600 quatro-portas, todos em excelente estado de conservação.

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Sonhos de muitos colecionadores

Ala dos “mais moderninhos”, a saber, do primeiro plano para trás: Gol 1300 L 1980, Gol GTI 1993, Gol Geração II 1999 (zero-km), Gol Geração III 2001 (zero-km) e Gol Geração IV 2008 (zero-km); excetuando o 1300 L 1980, todos já são da era de motores arrefecidos a água, a exceção do Gol 1300 L 1980.

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Seleção de Gols de diferentes gerações

Um exemplo clássico do resgate de veículos para o acervo é esta Kombi Bombeiro 2005, que foi desmobilizada e seria vendida, mas foi integrada no patrimônio do acervo e o pessoal dos bombeiros da fábrica fez questão de equipá-la com tudo que ela tinha em condições de uso. Agora isto tudo faz parte da história resgatada no acervo. E ainda existe uma Kombi Ambulância sendo restaurada para a mesma finalidade.

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Kombi Bombeiro 2005

Este foi o primeiro grupo, todos aposentados, que teve permissão para visitar o acervo, mais o grupo dos organizadores, Loureiro, João Marques, Marcelo Cavalcante da VWP que coordenou a visita histórica, com um grupo de ex-colegas da VW.

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Felizes os visitantes fazem a tradicional foto em grupo para registrar este raro acontecimento

Esta é grande paixão do Guilherme Sabino, o “Zé do Caixão” adquirido de colecionador e foi meticulosamente restaurado na Volkswagen, tornando se uma das grandes joias do acervo.

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Guilherme Sabino e um de seus maiores desafios, a restauração deste VW 1600 de quatro portas

Adiante, o veículo que participou do recorde de resistência em janeiro de 2003 em Interlagos e que foi também foi pilotado pelo Sabino, que é um piloto de testes com larga experiência: ele começou na Volkswagen exercendo exatamente esta função; como piloto de testes ele avaliou veículos em várias partes do mundo como, por exemplo, no Irã.

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Guilherme Sabino ao lado do Gol que participou do teste de resistência em 2003 e que hoje está preservado no acervo

Para finalizar esta série de fotos, segue a que registra o que Paulo Guino teve a honra de inaugurar, com o seu comentário: o Livro de Visitas do acervo. Nesta oportunidade ele agradeceu ao colega José Luiz Hellmeister Loureiro, executivo que atualmente responde atualmente pelo acervo, pelo empenho na gestão desta incrível iniciativa.

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Paulo Guino abrindo o Livro de Visitas do acervo

Aqui cabe o reconhecimento ao abnegado trabalho de várias gerações de funcionários da Volkswagen a quem se deve a existência e manutenção deste acervo que merece ser tratado com respeito até que surja a possibilidade se transformar num setor de preservação específico. Espero que esse importante acervo venha a ser colocado à disposição do público interessado pela marca e por seus produtos.

Como sonhar não é proibido, eu sonho com a possibilidade de este acervo ser colocado à disposição da história da indústria automobilística brasileira na forma de um Museu Volkswagen. Poderia ser uma “Mini-Autostadt” com espaço para os carros do acervo, espaço para palestras e biblioteca do acervo técnico de antigos. E muito mais… Como eu disse, sonhar não é proibido e ainda não paga imposto.

AG

 

Para este trabalho contribuíram de maneira importante os amigos Guilherme Sabino e Paulo Guino, que proveram consultoria, material fotográfico e informações específicas. Agradeço aos dois pelo apoio.
Os créditos das fotos, revista e informativo interno da Volkswagen foram dados no texto da matéria.
NOTA: Este trabalho traz um material histórico elaborado com cuidado e atenção, mas que pode ser passível de correções visto que se baseia, na maioria dos casos, em informações de pesquisa tanto em documentos, livros, internet ou até de testemunhos.
Nossos leitores são convidados a dar o seu parecer, fazer suas perguntas, sugerir material e, eventualmente, correções, etc. que poderão ser incluídos em eventual revisão deste trabalho.
Em alguns casos material pesquisado na internet, portanto via de regra de domínio público, é utilizado neste trabalho com fins históricos/didáticos em conformidade com o espírito de preservação histórica que norteia este trabalho. No entanto, caso alguém se apresente como proprietário do material, independentemente de ter sido citado nos créditos ou não, e, mesmo tendo colocado à disposição num meio público, queira que créditos específicos sejam dados ou até mesmo que tal material seja retirado, solicitamos entrar em contato pelo e-mail alexander.gromow@autoentusiastas.com.br para que sejam tomadas as providências cabíveis. Não há nenhum intuito de infringir direitos ou auferir quaisquer lucros com este trabalho que não seja a função de registro histórico e sua divulgação aos interessados.
A coluna “Falando de Fusca & Afins” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

 

Sobre o Autor

Alexander Gromow
Coluna: Falando de Fusca & Afins

Alemão, engenheiro eletricista. Ex-presidente do Fusca Clube do Brasil. Autor dos livros "Eu amo Fusca" e "Eu amo Fusca II". É autor de artigos sobre o assunto publicados em boletins de clubes e na imprensa nacional e internacional. Além da coluna Falando de Fusca & Afins no AE também tem a coluna “Volkswagen World” no Portal Maxicar. Mantém o site Arte & Fusca. É ativista na preservação de veículos históricos, em particular do VW Fusca, de sua história e das histórias em torno destes carros. Foi eleito “Antigomobilista do Ano de 2012” no concurso realizado pelo VI ABC Old Cars.

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  • Eduardo Duarte

    Maravilhoso, simplesmente maravilhoso, muito obrigado por mostrar essa linda matéria.

  • João Cesar Santos

    Tudo muito bonito, mas e as microfichas? Quando a VW do Brasil irá disponibilizar as certidões de nascimento dos nossos VW?

    • João César, foi explicado no texto.

    • Caro João Cesar Santos,
      A sua pergunta certamente tem eco em milhares de colecionadores brasileiros e até internacionais, onde veículos Volkswagen brasileiros estão – incluo-me neste grupo de interessados.
      Mas as coisas não são assim automáticas, e “entre o antes e o depois, existe o durante”…
      Repito o que disse em um comentário anterior: que bom que estas microfichas, que estavam sem um paradeiro conhecido até pouco tempo atrás, apareceram num lugar dedicado à preservação, que é o acervo (ao menos por enquanto). Mas para poder mimetizar aqui o que é feito no AutoMuseum Volswagen de Wolfsburg, agora com a emissão, mediante um pagamento, de “Certidões de Nascimento” de veículos brasileiros, requer uma, ainda inexistente, estrutura organizada, com pessoal apto a fazer pesquisas no arquivo guardado em microfichas e o acabamento final com a emissão do certificado em si, com o seu envio ao interessado.
      Tudo isto implica em investimento e de definição empresarial. Talvez as microfichas tenham que ser digitalizadas para a sua preservação, pois muitas já mostram sinais de desgaste (escaneamento uma a uma e arquivamento de tal maneira que o resultado seja facilmente localizado através de um programa de arquivamento dedicado), isto também implicaria e investimentos e definições empresariais.
      O que podemos fazer é esperar que o pessoal da Volkswagen, a quem cabe tomar decisões deste naipe, reconheça a importância deste material e que seja viabilizado o acesso de interessados, como no AutoMuseum, também mediante o pagamento do serviço – para ajudar a cobrir as despesas. E que os originais sejam tratados com o bem merecem como importantes testemunhas de boa parte da história automobilística brasileira, já fazem parte de um patrimônio histórico nacional!

  • Marcelo R.

    Sensacional! Onde está este tesouro? Na fábrica da Anchieta?

    • Sim, meu caro Marcelo R., mas num local incerto e desconhecido…
      Inacessível aos nosso olhos, ao menos por enquanto.

  • A Volkswagen fez o que a Ford não fez. Este post vem a calhar em contraponto à minha matéria “Outras histórias” no AUTOentusiastas, em que reclamo que no Brasil não se preserva o passado.

    • Meccia, sabe por que a Ford não fez? É que isso dá um trabalho danado…

      • Tudo dá trabalho, principalmente fazer bem feito…a VW está de parabéns. Pena que o acervo não está aberto ao público em geral.

  • Roberto Neves

    Fantástico! Parabéns ao autor e a todos os envolvidos!

  • Hugo Bueno

    Sensacional! Parabéns ao grupo pela louvável iniciativa de se preservar um pedaço da história da indústria automobilística brasileira, principalmente considerando que vivemos em um país que pouco valoriza preservação do seu passado, sendo um exemplo clássico o Museu Nacional do Automóvel de Brasília, cujo curador, Sr. Roberto Nasser, vem travando uma enorme luta na tentativa de mantê-lo “vivo”. Imagino o quanto foi árdua e difícil a execução deste projeto, pois com os orçamentos cada vez mais apertados, menos as empresas investem em iniciativas deste tipo. Mas, como pudemos ver aqui, as vezes basta somente vontade, determinação e criatividade para que sonhos como esse se convertam em realidade! Ao amigo Alexander, muito obrigado por compartilhar conosco mais uma matéria espetacular!

    • Hugo, belo comentário, obrigado em nome do AE.

    • Meu caro amigo e brilhante co-autor de várias matérias, Hugo Bueno,
      Eu divido os seus parabéns com o AUTOentusiastas que abriu espaço para esta importante publicação; e com os amigos Guilherme Sabino e Paulo Guino.
      Há vários aspectos tristes em matéria de museus de automóveis antigos no Brasil, como o Museu do Roberto Lee, o natimorto museu da GM, o Ulbra, o Museu Nacional do Automóvel que foi despejado para que aquela área se transformasse num “arquivo morto” da Rede Ferroviária Federal, tudo isto seguido de um infeliz etc.
      O que temos que torcer muito, e contribuir no que possível for, no sucesso deste acervo da Volkswagen no Brasil, para que ele se estabeleça, algum dia, como Museu de acesso ao público interessado.
      Que o futuro nos traga o tão desejado Museu da Volkswagen no Brasil…
      Um grande abraço!

  • Cláudio P

    Caro Alexander, compreendi perfeitamente, estas informações estão bem claras em sua matéria, aliás, brilhantemente escrita como sempre. Já havia tomado conhecimento sobre o acervo quando da publicação de algumas fotos no Facebook. Mas agora muito melhor com suas explicações. Apenas, diante de algo tão maravilhoso, quis externar meu desejo de conhecer esse acervo. Além das rasões óbvias de um entusiasta sou também filho de um funcionário aposentado da VW. Já tinha compartilhado esse assunto com meu pai, o que trouxe boas lembranças, e já sabia da improvável, talvez impossível, chance de uma visita. Uma das minhas memórias mais importantes é justamente sobre uma visita a fábrica da Anchieta que participei em 1983. Quem sabe um dia isso seja possível de novo. Se for, o que importa mesmo de tudo o que eu disse é que já sou um dos primeiros da fila.
    Abraços

  • Fat Jack, não é exatamente particular, tudo o que lá está pertence à VWB. Mas resulta do empenho de alguns funcionários graduados, conforme explicado na matéria.

    • Fat Jack

      Obrigado pela correção, Bob.

  • Realmente deve ter sido uma “parada dura” caro Silvio!
    Mas a perseverança do Paulo Guino e de seus colegas de Taubaté devem ter dado um bom jeito nas coisas, pois o carro ficou muito bonito!
    Grato por seu comentário.

  • Salve Lorenzo,
    De acordo com o Guilherme Sabino, tem Passat sim e tem Santana também, inclusive um Santana Chinês. Estão a espera de uma restauração.
    mas repito o que eu já disse anteriormente: ” este acervo foi sendo formado pela ação de funcionários abnegados, não sendo objeto de um procedimento sistemático em nível empresarial – que tivesse a meta de preservar todos os modelos que foram produzidos. O que foi sendo possível resgatar foi resgatado – e ainda bem que o foi.”

  • Eduardo Sérgio

    Alexander, onde estão os últimos Fusca fabricados no Brasil em 1986 e 1996?

    Quanto a esse museu de carros VW, parabéns pelo esforço dos funcionários e pelo apoio da fábrica. Nesse museu espero que façam parte do seu acervo o Voyage Los Angeles e o Gol GT (84 a 86).

  • Pablo Lopes

    Gromow, como é possível a visitação a este belíssimo acervo?

  • Pablo Lopes

    É um diferencial o que acontece na AutoStadt, a visitação dos clientes ao Museu, pois os compradores podem optar por buscarem seus carros na fábrica! Estou me preparando pra um dia poder ir (apenas visitar), porém aqui no nosso país seria até mais interessante se também pudéssemos desfrutar de algo similar, para adquirirmos ainda mais conhecimento da história da indústria nacional!

  • Muito boa complementação, caro Guilherme Sabino!
    Assim “nossa” matéria vai ganhando em conteúdo através das respostas às perguntas de nossos leitores.
    Isto é muito bom.
    Obrigado!!!

  • Mas não foram numeradas, caro Fórmula Finesse,
    Parabéns por ter um Last Edition, privilégio de poucos.

  • BlueGopher

    Lamentável o desinteresse da GM.
    Um de meus tios comprou uma das primeiras picapes Chevrolet Brasil 1963 (modelo que inaugurava os quatro faróis) e que era justamente a esteve exposta no Salão do Automóvel de 1962.
    Pela sua raridade, por estar em estado original e bem cuidada, nos anos 80 ele a doou para o então futuro museu GM.
    Soube que foi restaurada, espero que continue em boas mãos.

  • BlueGopher, não é questão de gosto. Anfavea = Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores.

  • Luciano Gonzalez

    A história do VAMP e do engenheiro espanhol que cuidava da homologação junto ao exército é muito engraçada.
    E após o descarte do VAMP pelo exército brasileiro, este serviu à engenharia VWB.. Dois amigos meus dizem que o utilizavam como meio de transporte da fábrica II (antiga Vemag) até a Anchieta.

  • Luciano Gonzalez

    Vi essa Kombi chegando. O processo de restauração foi incrível, afirmo sem medo de errar que não existe uma nesse nível no Brasil, nenhum restaurador tem a estrutura existente dentro da VWB.
    Está tudo registrado e muito bem guardado em mais de 500 fotos.

  • GSabino

    Caro Renato, esta Kombi foi totalmente desmontada, a carroceria foi jateada e enviada ao depto. de funilaria de protótipos onde todas as correções foram realizadas com a substituição das peças que foram soldadas por peças novas ponteadas, foi colocada na linha de montagem da Kombi no período noturno para passar no banho de KTL, após isto foi preparada e pintada em poliéster, recebeu motor, câmbio, sistema elétrico e suspensões zero-km, acho que não deve existir outra Kombi com este nível de restauração.

  • Marcio Klitzke

    Não existe um outro acervo na própria VW? Lembro de ter visto fotos do BY nele.

  • Rafael Schelb

    Cara, que delícia de matéria! Sensacional. E parabéns aos envolvidos. Que sirva de lição para as outras fabricantes.

  • Eduardo Sérgio

    Talvez os fabricantes de automóveis no Brasil levem a efeito a idéia de constituir acervo próprio – inclusive sob a forma de museus abertos à visitação pública –, se isso trouxer para eles um bom retorno institucional e de mercado. Bastaria à Volkswagen, por exemplo, começar a contabilizar interessantes resultados através de divulgações na mídia para que os demais fabricantes seguissem o mesmo caminho. Isso, com certeza, estimularia a prática do antigomobilismo no Brasil.

    Porém, parece que não há perspectivas nem interesse em que isso se torne realidade. Infelizmente.

  • Carlos Spindula

    Deve ser lindíssimo esse GTS Pointer vermelho, lembro bem deles quando saíram, davam ainda um status tremendo!

  • Há coisas que nos deixam emocionados mesmo, caro colega Thiago Lima,
    A gente não consegue aquilatar o que nossos atos geram nas pessoas que estão a nossa volta. Como foi esta sua, mais do que gentil, iniciativa decorrente daquela palestra no Mackenzie. Que bom que aquele evento foi suficiente para ter deixado esta impressão em você, isto é mais do que gratificante.
    O meu muito obrigado parece pálido ante a grandeza de seu gesto, mesmo assim, muito obrigado!!! Mas muito obrigado mesmo!!!

  • Pingback: “SCHATZKISTE”, O BAÚ DO TESOURO | Fusca Pfau()

  • Concordo plenamente com a sua colocação, caro Bera Silva, eu também espero que este acervo receba o status que merece dentro da organização da Volkswagen do Brasil e que o acervo vire museu num lugar onde o acesso do público não conflite com as normas de segurança da Fábrica. Suas palavras sobre a participação de brasileiros na fabricação e no uso dos produtos da Volkswagen no Brasil calam fundo dada o seu acerto. espero que seu post seja lido pelas pessoas certas, a quem elas são dirigidas.
    Parabéns por suas sábias palavras.

  • Rogério Oliveira

    Tudo bem, Gromow?Nossa, estou sem palavras! Em meados de 1987, quando fui office-boy na VW, tinha conhecimento bem superficial de que existiam carros guardados em estado de zero-km, mas como tinha 14 anos não tinha noção da grandiosidade que isto viria a ser! Por acaso você conhece este acervo? Caso positivo, em que Ala está localizado este local? Vejo que também possuem um Fox, o qual tenho certeza que era protótipo! Grande atitudes de todos os envolvidos! Adoraria retornar à VW e conhecer este espaço maravilhoso! Mas sei que isto é impossível!
    Obrigado pelo compartilhamento deste informação! Estou paralisado!!!!
    Obs: Vejo que o Andreas S. M. Wolfsohn está lá!

  • Paulo Coelho

    Fui muitas vezes a este acervo da Volkswagen, tudo isto graças ao “mestre” Sabino que sabe tudo e cada detalhe sobre estes veículos antigos fantásticos, onde me ajudou muito com minha Kombi e Fusca antigos enquanto ele esteve trabalhando lá na VW. Este acervo mostra que há uma forte preocupação da fábrica da VW com sua história, onde mantém estes modelos impecáveis. Acredito que a VW o mantém também para eventos ocasionais assim como dia de visita à fábrica, visitas de jornalistas, visitas de ex-funcionários VW; aos poucos as coisas vão acontecendo.