Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas MUDANÇA MUNDIAL E ESPERANÇA LOCAL – Autoentusiastas

O último fim de semana ilustra muito bem o momento que vivemos. Num clima de mudança mundial e esperança local, os autoentusiastas de plantão puderam acompanhar os primeiros sinais do que vem por aí no ambiente da F-1, onde Chase Carey começa a mostrar suas garras e sonhar que a famosa rivalidade entre gaúchos e paulistas pode brotar sementes que façam renascer o automobilismo brasileiro.

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Rosberg: 200 corridas e 22 vitórias na F-1 (Foto Mercedes)

A primeira parte desta abertura foi em Cingapura, onde Nico Rosberg venceu o GP local e reassumiu a liderança do Campeonato Mundial de Pilotos. A parte final reuniu um público que em tudo lembrou a máxima de Brooklands, histórico circuito oval próximo a Londres: “No crowd but the right crowd”, numa tradução livre algo como “nada de multidão, mas o pessoal do meio lotou a casa”. No Brasil, disputada no autódromo Velo Città, em Mogi Guaçu (SP), a edição 2016 da 500 Quilômetros de São Paulo foi dominada pelas equipes gaúchas, em particular pela equipe formada pelo trio Emilio Padron, Fernando Fortes e Henrique Assunção, que além da vitória largaram na pole position e fizeram a volta mais rápida da prova.

GP com final interessante

Famosa pelo clima quente e úmido, a cidade-estado de Cingapura viu um GP com final dos mais interessantes, em que pese o domínio demonstrado por Nico Rosberg durante o fim de semana. Poucas vezes o alemão que algumas corridas atrás era mais uma vez dado como derrotado pelo seu companheiro de equipe Lewis Hamilton, venceu pela terceira prova consecutiva — e oitava vez no ano —, e reassumiu a liderança que ocupou durante a maior parte da temporada. Conquista que teve elementos de suspense devido ao alto desgaste dos freios — o traçado urbano do extremo oriente é apontado como o que possui o maior número de curvas, a maioria delas em ângulo de 90º —, ao arrefecimento do motor e à exaustão dos pilotos, estes últimos detalhes consequência do clima local.

A corrida, cujo resumo você pode assistir aqui, começou com emoção: Max Verstappen largou mal e ao desviar do holandês o espanhol Carlos Sainz acabou tocando no alemão Nico Hulkenberg, que rodou e foi de encontro ao muro do box.

Batida de Hulkenberg na largada marcou o GP de Cingapura (Foto Red Bull Content Pool)

Batida de Hulkenberg na largada marcou o GP de Cingapura (Foto Red Bull Content Pool)

Com a intervenção do safety car, para limpar os detritos espalhados pela reta de largada todo o grid foi desviado para o pit lane (frente dos boxes), enquanto agentes da competição se encarregavam de remover os pedaços do Force India do piloto alemão.

Hamilton se defendeu até o fim dos ataques de Räikkonen (Foto Mercedes)

Hamilton se defendeu até o fim dos ataques de Räikkönen (Foto Mercedes)

Aparentemente o melhor motor Renault para esta prova foi direcionado para o carro de Max Verstappen, porém foi Daniel Ricciardo quem materializou o maior obstáculo ao domínio dos Mercedes de Rosberg e Hamilton, que terminou em terceiro.

Ricciardo conseguiu mais um pódio, festejado com sua alegria peculiar (Foto Red Bull Content Pool)

Ricciardo conseguiu mais um pódio, festejado com sua alegria peculiar (Foto Red Bull Content Pool)

O australiano optou por usar pneus supermacios no terceiro trecho de sua corrida e conseguiu criar alguma emoção na base de suaves prestações: chegou a tirar mais de um segundo por volta da diferença que o separava do líder, mas foi obrigado a aliviar seu ritmo para conservar os borrachudos e tentar um novo ataque nas voltas finais. Resumo da ópera: cruzou a linha de chegada 488/1000 de segundo atrás do vencedor, que comemorou com sua 22a vitória a 200ª largada em sua carreira iniciada no GP do Bahrein de 2006.

Ricciardo cruzou a linha de cehegada meio segundo atrás do vencedor Rosberg (Foto Mercedes)

Rosberg cruzou a linha de chegada com menos de meio segundo sobre Ricciardo (Foto Mercedes)

O fim de semana no paddock de Cingapura, no entanto, teve como personagem principal alguém que não é visto nos pódios ou sequer aparece no grid de largada. Na verdade sua relação mais prática com o esporte foi ter defendido o time de rúgbi das universidades Colgate, onde graduou-se em Economia, e Harvard, onde fez pós-graduação. Este esportista amador é o americano Chase Carey, que desponta como novo homem forte da F-1.

Carey deu indícios que quer corridas em cidades como Los Angeles, Miami e Nova York (Foto myinforms.com)

Chase Carey deu indícios que quer corridas em cidades como Los Angeles, Miami e Nova York (Foto myinforms.com)

Em apenas um fim de semana já é possível delinear seu estilo de trabalho: após percorrer todos os boxes ao lado de Bernie Ecclestone, a quem não perde oportunidade de louvar pelo trabalho que o inglês desenvolveu até agora, Carey repetiu o percurso sozinho e conversou separadamente com cada chefe de equipe. Cauteloso, evita anunciar o que vai acontecer, no máximo sabe-se que ofereceu a cada uma a opção de comprar ações da nova administradora da categoria e que indica Los Angeles, Miami e Nova York como possíveis locais para um novo GP.

Chase Carey foi o foco de atenções da imprensa, mas pouco revelou sobre seus planos (Foto Redes Sociais)

Chase Carey foi o foco de atenções da imprensa, mas pouco revelou sobre seus planos (Foto Redes Sociais)

Tão grande quanto esse impacto é o  movimento no balcão de apostas sobre a possível aposentadoria de Bernie Ecclestone. O fato de Herbie Blash (junto com Charlie Whitting, um dos seus mais fiéis e longevos colaboradores) ter anunciado sua aposentadoria ao final desta temporada indica que o circo armado por Ecclestone já está sendo desarmado. Fala-se de um período de três anos para que o criador do império F-1 siga atuando ao lado de Carey. Poucos apostam que vai durar tanto.

O resultado completo e todos os números e comunicados que documentam o GP de Cingapura. você encontra clicando aqui.

 

500 Quilômetros revivem espírito dos anos 1960/70

Veteranos do automobilismo marcaram presença nos 500 Km (Foto Endurance Brasil)

Veteranos do automobilismo marcaram presença na 500 Quilômetros (Foto Endurance Brasil)

Tradição iniciada no final da década de 1950, a rivalidade automobilística entre gaúchos e paulistas consolidou-se nas décadas seguintes e gerou importantes conquistas para o esporte brasileiro: fomentou a popularização dos carreteras e as corridas longas no País, fez surgir pilotos e competições em Santa Catarina e no Paraná e incentivou a criação de vários autódromos. Mais recentemente essa sadia rivalidade adormeceu por razões variadas, mas tudo indica que as diferenças foram superadas: a presença maciça de equipes do Rio Grande do Sul e de de uma solitária escuderia de Santa Catarina — estandarte levantado pelo empresário Alexandre Finardi —, criou um clima de congraçamento e reunião na competição disputada no autódromo Velo Città e vencida pelo trio Henrique Assunção/Fernando Fortes/Emílio Padron.

Um grid variado em cores, chassis e motores e um grupo disposto a reviver o automobilismo tradicional (Foto Endurance Brasil)

Um grid variado em cores, chassis e motores e um grupo disposto a reviver o automobilismo tradicional (Foto Endurance Brasil)

Os modelos MRX, Moro, Tubarão (desenvolvido a partir do MRX de Luiz Fernando Cruz), o Tornado de Cali Crestani, modelos como Espron, Aldee e outros deram cor e diversidade a um automobilismo atualmente marcado por categorias monomarca em um grid que teve modelos como o Cobalt Força Livre de Ney Faustini pai e filho, o Mitsubishi de Guiga Spinelli/Leandro de Almeida/Duda Pamplona e até mesmo um Mercedes Benz E-320 tripulado por José Curado/Eric Darwich/Eduardo Rimoli.

O carro vencedor dos 500 km de São Paulo, pilotado por Emilio Padron, Fernando Fortes e Henrique Assunção (Foto Endurance Brasil)

O carro vencedor dos 500 km de São Paulo, pilotado por Emilio Padron, Fernando Fortes e Henrique Assunção (Foto Endurance Brasil)

Tão interessante quanto essa variedade foi notar a presença de sobrenomes históricos desempenhando funções que agora espelham dinastias como as iniciadas por Ronaldo Ely e Victor Steyer. Ian Ely largou para sua quinta corrida e mostrou que tem habilidade para replicar as boas atuações do pai Ronaldo. Entusiasmado com o potencial do filho, Ely está investindo na equipe Satti Racing, onde desponta outro jovem valor, Daniel Claudin, que liderou com calma e autoridade a fase inicial da corrida.

Ronaldo Ely e o filho Ian, que vem se destacando na categoria Endurande (Foto Rodrigo Ruiz)

Ronaldo Ely e o filho Ian, que vem se destacando na categoria Endurande (Foto Rodrigo Ruiz)

Na área dos boxes, outra dinastia se destacava cuidando daquele que era, possivelmente, o maior carro do grid: o Mercedes-Benz E 320. Rodrigo Telles segue os passos do pai, Caio Luiz “Caíto” Mattos de Queiroz Telles, nome que ficou famoso por preparar os Opalas de Pedro Victor Delamare e da equipe Itacolomy, duas referências na história do automobilismo brasileiro. Outra dupla de pai e filho era a formada pelos paranaenses Jair e Duda Bana. Em boxes adjacentes a figura de veteranos como o preparador Antônio Ferreirinha e o piloto Djalma Fogaça reforçava o clima de reunião de apaixonados.

 

Rodrigo e Caíto Queiroz Telles, pai e filho unidos no entusiasmo pelo automobilismo (Foto Rodrigo Ruiz)

Rodrigo e Caio Luiz  “Caíto” Queiroz Telles, pai e filho unidos no entusiasmo pelo automobilismo (Foto Rodrigo Ruiz)

O desempenho dos vencedores Assunção, Fortes e Padron, além de consistente em todo o fim de semana como também mostrou que o bom trabalho liderado do clã Andrade tem adversários a altura do desempenho dos carros da equipe do piloto e preparador Tiel, idealizador dos protótipos Tubarão desenvolvidos a partir do MRX projetado por Luiz Fernando Cruz. Enfim, a corrida promovida por Silvio Zambello — filho do saudoso Emilio e atual líder do departamento esportivo do Automóvel Clube Paulista —, mostrou que as bases para resgatar a família do automobilismo brasileiro estão vivas e saudáveis. Sem dúvida pode-se melhorar o espetáculo, mas em épocas como a que vivemos, é muito mais produtivo investir no que se tem e fazer as correções necessárias ao longo da caminhada.

Não bastasse tudo isso o programa teve ainda largadas para as categorias Classic Cup, F-1600 e Lancer Cup, categoria local, e mais um edição do Encontro dos Campeões, que reúne pilotos do passado. A reforçar o clima o clima de camaradagem e confraternização a postura elegante de Eduardo Souza Ramos, idealizador e proprietário do Velo Città. Esse autódromo particular é reservado a eventos da marca Mitsubishi e eventos particulares. Abrir suas portas para uma prova como a 500 Quilômetros de São Paulo é uma forma de colaborar para o renascimento de um automobilismo onde preparadores e construtores podem expressar sua capacidade de criar e desenvolver novas soluções práticas em mundo cada vez mais estigmatizado pelo vírus da monomarca.

 

Audi falha, Porsche vence e Toyota completa o pódio

Terceira vitória consecutiva da Porsche no Circuito das Américas (Foto WEC)

Terceira vitória consecutiva da Porsche no Circuito das Américas (Foto WEC)

Os atuais campeões mundiais de Resistência — o trio formado por Timo Bernhard, Mark Webber e Brendon Hartley e seu Porsche 919 Hybrid — venceram a 6 Horas do Circuit das Américas (COTA), competição disputada na pista de Austin, no Texas,  sob forte calor. O Alpine Sigmatech A460 de Nicolas Lapierre, Gustavo Menezes and Stephane Richelmi venceu na categoria LM P2.

Os dois Audi mostraram condição de vencer mas tiveram problemas: o carro de Lucas Di Grassi, Oliver Jarvis e Löic Duval teve problemas elétricos mas ainda assim terminou em segundo, e o de Andre Lotterer, Benoit Treluyér e Marcel Fässler envolveu-se em um acidente com um retardatário. O Toyota TS 050 HYBRID de Mike Conway, Stéphane Sarrazin e Kamui Kobayashi ficou em terceiro. Outros brasileiros participaram da prova: Bruno Senna — que pilotou um Ligier JS Nissan P2 com Ricardo Gonzalez e Dilipe Albuquerque, ficou em nono lugar; Pipo Derani, com carro semelhante e também tripulado por Ryan Dalziel e Chris Cumming, em 13o.; Fernando Rees, com Aston Martin Vantage da classe LM GTE PRO, terminou em 20o. e teve como parceiro Darren Turner.

WG

A coluna “Conversa de pista” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a  opinião do AUTOentusiastas.

Sobre o Autor

Wagner Gonzalez
Coluna: Conversa de Pista

Jornalista especializado em automobilismo de competição, acompanhou mais de 300 grandes prêmios de F-1 em quase duas décadas vivendo na Europa. Lá, trabalhou para a BBC World Service, O Estado de S. Paulo, Sport Nippon, Telefe TV, Zero Hora, além de ter atuado na Comissão de Imprensa da FIA. É a mais recente adição ao quadro de colunistas do AUTOentusiastas.

  • Alex Ctba

    Estava achando a corrida bem monótona, até começarem as estratégias. Realmente a F-1 mostrou porque é um esporte de equipe, pois as boas estratégias fizeram Vettel, que largou em último, chegar em quinto, permitiu a Hamilton não perder o pódio para o Kimi, e quase fez com que Ricciardo conseguisse uma improvável vitória, diante do domínio da Mercedes.

    Foi sensacional o ultimo stint da prova, e tenho certeza, manteve todo mundo na expectativa até a bandeirada final. O australiano, que para mim é um dos melhores pilotos da F-1 em atividade, está colocando ordem na casa, contra o badalado Verstappen.

  • Wagner Gonzalez

    Fattie,
    Realmente foi muito bonito ver a gauchada sair da toca e subir a serra em direção ao Velo Città. Havia um clima de camaradagem no ar e cheiro de tempero bom saindo do fogão a lenha. Em que pese a cor de passado dessas palavras, os protótipos tem um padrão de construção e qualidade elogiáveis e que melhoram a cada nova unidade produzida. Os ingredientes para um banquete estão aí e como diria o vendedor de bugigangas, “quem não vai comprar que não atrapalhe o negócio”…

  • Wagner Gonzalez

    Mineirim,

    Esses números impressionantes são decorrência do maior número de provas por temporada. Ainda que inflem os indicadores, ajudam a demarcar épocas no esporte.