“You can’t always get what you want
But if you try sometimes you might find
You get what you need”

Certa vez o meu amigo Nilo me perguntou: como é que os caras liberam um carro assim para produção? Feio, sem graça, sem nenhum atrativo especial? Quem são essas pessoas? São cegos ou estúpidos?

Tive que fazer uma pausa para pensar antes de responder. Eu já trabalhei na indústria e participei ativamente de projetos provavelmente muito parecidos com o que provocou a pergunta. Sim, este fato talvez somente ajude a provar como verdade a suposição do Nilo. Mas não só de gente como eu se faz a indústria. Muita gente inteligentíssima trabalha nela, muitas mesmo, talvez até gente inteligente demais para seu próprio bem.

Não é para menos. Projetar automóveis é algo extremamente complexo. Imagine que toda tecnologia dos celulares tem hoje que ser repetida nos carros, uma área nova e gigante chamada “infotainment”. Indústria da moda? Brincadeira de criança. Investir em tecidos e desenhos de roupas que serão vendidos em um ano é arriscado? Imagine carros inteiros que gastam literalmente bilhões em investimento, e serão lançados em três anos. Em ambos os casos, se você previu erradamente o futuro da moda, do que é palatável para a população, se deu mal. Mas garanto que as consequências são muito piores para o executivo da indústria automobilística.

Carros são simplesmente os bens de consumo mais complexos da indústria de massa. Cada componente dele provavelmente necessita de mais tecnologia e know-how que qualquer computador ou televisão moderna. E é uma indústria massacrada por legislações draconianas, por uma opinião pública ingrata, e por uma concorrência ferrenha. Uma quantidade imensa de cérebros poderosos é necessária apenas para manter a roda girando. E infartos, cirroses e gastrites, fatos do cotidiano.

Adivinhar a reação do público ao estilo de um carro, quatro anos antes de seu lançamento, é simplesmente impossível. A não ser que o estilo em questão seja extremamente conservador e derivativo, mas a previsão aí é de que não vai ofender ninguém, mas também não apaixonar ninguém. Mas acreditem, erra-se mesmo quando se tenta algo conservador. Fácil falar “feio!” quando já é uma opinião popular e generalizada, num comentário na internet. Bem mais difícil é dizer o mesmo ao criador da obra, um especialista no assunto com uma vida dedicada ao ofício, num ambiente controlado, com um monte de gente em volta que só vai concordar com qualquer besteira que você diga, simplesmente porque você é o chefe.

Mesmo que você ache feio, como saber se você está certo? Falamos de um produto do futuro, e esta gente estuda isso a fundo. Quem é você para saber mais que eles? Mas uma vez que você diga sim, é como um trem partindo da estação: vai chegar a seu destino em quatro anos, gastando uma fortuna imensa na viagem, invariavelmente. Não dá para mudar de ideia no caminho e pedir para ele voltar. Se errou, já era. E erros, como sabemos, acontecem nas melhores famílias.

Mas não foi isso que respondi ao Nilo. Consegui, em minha pausa, uma explicação bem melhor e mais pragmática. Mais ou menos assim:

Imagine que você pudesse fazer um carro só para você. Vamos descontar o fato de que você é um entusiasta do automóvel e sabe exatamente o que quer, porque a maioria esmagadora da população simplesmente nem sabe o que quer. Vamos imaginar todos como você, que curte e entende carros.

Pois bem, seu carro você faria baixo, leve, com um motor de alta potência específica. Mais ou menos um Lotus Seven, talvez, mas com uma carroceria mais moderna. Talvez motor central-traseiro. Mas note que fazê-lo seria extremamente fácil. Tem que agradar apenas a você mesmo, uma pessoa apenas.

O carro, na verdade, nem precisaria de regulagem de posição do banco. Era só montá-lo na sua posição preferida, e boa. Podia ser moldado à suas costas, também, negando a necessidade de um reclinador de encosto. O entre-eixos, daí, podia ser bem curto, visto que você é um sujeito baixinho. Pensando bem, o carro todo podia ser em ¾ de escala, visto que você é quase um piloto de autorama (não podia perder a piada com a desvantagem vertical do amigo).

Agora imagine que eu fosse seu sócio no carro. De cara, com meu físico de jogador de basquete (ok, aposentado e barrigudo, vá lá), o entre-eixos ia aumentar, fruto do trilho de ajuste do banco bem grandão (estamos nós dois praticamente nos limites de biótipos). Maior e mais pesado, o carro ia precisar de outro motor. E eu ia preferir tração integral ao invés de tração traseira. E não gosto de conversível como você, precisamos de um teto rígido. Colocamos um teto solar grande lá para você sentir ventinho, mas a rigidez de teto rígido é indispensável. Ainda bem que gostamos de motor girador, porque se fosse fã de potência em baixa rotação íamos ter que colocar um V-8 lá… E nem vou entrar na seara que tenho família e você não, porque vamos acabar com uma perua e não um carro esporte!

Percebeu como agradar duas pessoas em um mesmo carro já é um problema? OK. Agora imagine agradar dez mil pessoas todo mês, por pelo menos seis anos. Pessoas de vários credos, cores, posições sociais, estado civil, peso, estatura, idade. Por isto, talvez, um carro que você acha ridiculamente ridículo, na realidade, apenas não foi feito para você. Foi feito para outras pessoas. Pelo menos quinhentas mil pessoas diferentes de você precisam comprar um. Você não precisa nem gostar nem muito menos comprar, camarada. Pode ficar tranquilo com sua perua Audi de 500 cv, que ninguém morre por isso.

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Singer 911: customizado a seu gosto. Se precisas perguntar quanto, não podes pagar

Por isto é difícil para o entusiasta sem dinheiro conseguir algo que gosta realmente. Para os ricos, mesmo que não curtam McLarens e Rolls-Royces produzidos em série, sempre existe gente pronta para fazer algo customizado para você. Singer 911, Icon FJ, Aston Martin Works, e outros. O resto dos meros mortais, porém, fica preso ao fato de que coisas para serem baratas precisam ser fabricadas aos milhões, e de preferência em lugares que não queremos conhecer, como Indonésia, China e São Bernardo do Campo.

Resta-nos então modificar os nossos carros, em débeis tentativas de aproximá-los mais do que desejamos. Ou comprar uma máquina de solda e começar a fazer algo nós mesmos, com resultados na maioria das vezes tristes. Mas se não podemos ter exatamente o que queremos, temos que nos contentar com o que existe. Eu lido com isso de uma forma que sempre deu certo: escolhendo o carro e os opcionais com cuidado. Nunca teremos o carro perfeito, mas podemos nos esforçar para chegar o mais próximo disso.

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Meu Cruze: Hatch, manual, tecido, e vermelho sólido. Um carro que deixou saudade

Veja por exemplo o meu Cruze vermelho de primeira geração, que Deus o tenha em bom lugar. Toda vez que digo que tive um carro desses, muitos torcem o nariz. Óbvio, faria o mesmo se só conhecesse os sedãs automáticos com banco de couro e pintado em preto, prata ou branco. Se especificados assim, como a vasta maioria deles foi (fazendo inclusive o câmbio manual sumir da lista de opcionais da nova geração recém-lançada), a maioria das qualidades que adorava no meu sumiam completamente. Se nunca andasse no meu, não acreditaria que um carro pudesse mudar tanto com um par de opcionais.

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Mas neste caso tudo muda de forma clara e definitiva. Os bancos de couro eram duros, escorregadios e desconfortáveis, enquanto os meus, de tecido (bem chinfrim por sinal), com o mesmo desenho, eram macios, mas firmes, aconchegantes, deliciosos. O câmbio manual de seis marchas era uma delícia para cambiar, a embreagem levíssima e positiva, e faziam o motor (liso, girador, vocal, se não lá muito forte) ficar divertido, com um grito a altas rotações gostoso, porque acontecia apenas quando queríamos. No auto, qualquer pressão no acelerador fazia cair uma marcha e a rotação ir à estratosfera, me incomodando. Eu não gosto de câmbio automático no geral, mas a calibração deste só piorava as coisas. Eu odeio o Cruze sedã auto e amo o hatch manual com bancos de tecido.

Não tem muito a ver com o tema desta conversa, mas aproveito para falar que não gostei do novo. Não que isso seja um problema para a marca da gravata, porque certamente ele vai vender muito melhor, e vai agradar mais gente que o anterior. Porque melhoraram o sedã automático, justamente a versão que eu preferia ver morta! Também não gostei do fato de que abandonaram totalmente o estilo do antigo para algo mais em linha com a concorrência, mas, de novo, vai fazer o carro no mínimo mais desejado que o anterior. E hoje de qualquer forma tal coisa é irrelevante: não posso mais comprar Cruze. O meu custou 58 mil reais em 2013, e o novo está perto de 100.

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Como estragar um carro (net car show)

Antes que alguém reclame da minha birra com câmbio auto, devo dizer que ela tem ficado mais suave com o tempo, e com a melhoria de alguns câmbios deste tipo. Existem carros hoje que nunca compraria com câmbio manual: o Audi RS 7 é o mais claro exemplo. Um veículo tão veloz e tão seguro em qualquer situação como aquele pede que comande apenas acelerador, freio e direção: se fosse trocar marcha ia perder velocidade e fluidez, por melhor que fosse nisso. Ele troca marchas para baixo e para cima, sozinho, de uma forma tão perfeita que passei a acreditar em telepatia.  Na verdade é um veículo que opera num patamar de velocidade tão maior que o normal que outras regras se aplicam. Uma nave espacial terrestre.

Existem carros também que, embora acredite que ficassem ainda melhor com câmbio manual, são plenamente aceitáveis com automático. Um exemplo fácil são os BMW série 3. Não deixaria de comprar um porque só é automático.

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Audi RS 7: somente automático (foto PK/AE)

Mas na maioria das vezes ainda acho que câmbio automático estraga qualquer carro. Estraga mesmo, tipo fruta velha: costumava ser boa, mas agora ficou podre e só serve para o lixo. Como se não bastasse o exemplo do Cruze acima, recentemente fiz uma viagem em outro Chevrolet que me restaurou a fé nesta verdade que costumava ser absoluta.

O carro em questão é o Spin. Já o conhecia da época do lançamento, quando fiz uma viagem em um LTZ automático completo. Na época, todo LTZ era automático e tinha sete lugares; se você quisesse ter câmbio manual tinha que ser a versão mais simples LT, com apenas cinco lugares. Dizer que não gostei do carro então é pouco. Achei que o câmbio trocava de marchas feito um jovem hiperativo que cheirou meio quilo de cocaína com alto índice de pureza, e ainda assim o carro não se movia satisfatoriamente. Apesar do ajuste de suspensão sublime (firme, mas confortável, e uma delícia em curvas), o carro me pareceu apenas feio e lerdo, e me esforcei para esquecê-lo.

spin

Mas recentemente, como disse, fiz uma viagem em outro exemplar mais recente, também LTZ de sete lugares, mas agora equipado com câmbio manual. Não era o recém-lançado MY17, com novo motor e seis marchas, mas sim um 2016 com apenas cinco marchas. Não esperava nada, apenas transporte, mas esta pequena mudança teve efeitos enormes.

O câmbio, para minha surpresa é bem esportivo, com relações empilhadinhas uma atrás da outra, e quinta real, não overdrive, a velocidade máxima atingida nela. E esta pequena mudança foi suficiente para  transformar o carro de um lerdo e tranquilo movedor de pessoas para um improvável furgãozinho esporte. Incrível.

O motor sobe de giro suave e com vontade, e me animou a dirigir como há muito não fazia: feito um maníaco. Realmente me diverti horrores. O conjunto motor-transmissão mais esperto acaba por realçar as excelentes qualidades do chassi, que sempre foram surpreendentes: é possível dirigir o furgãozinho de passageiros feito um carro esporte. Comportamento perfeito em curvas, absorção de impactos invejável, nível de ruído interno baixo, direção precisa, freios positivos. Um verdadeiro carro esporte fantasiado de capivara gigante. Não é algo que chamaria de veloz, mas, por Deus, como é divertido para andar à moda! Incrível que um carro feioso, grandalhão e desajeitado em estilo, e obviamente criado para levar famílias em viagens tranquilas, pode ser tão divertido. E tão diferente da versão automática…

A única reclamação é que é limitado a 176 km/h, ainda longe da faixa vermelha do conta-giros em quinta. O carro é obviamente capaz de muito mais…

MAO

 

 



  • Renato

    Que histórias, MAO.

    Excelente texto e leitura leve, empolgante. Acho que me enquadro sua categoria de preferências. Aliás, creio que a maioria dos autoentusiastas que frequentam esse ambiente. Mas pelo visto, viramos um nicho específico cada vez mais esquecidos.

  • Fat Jack

    “…Adivinhar a reação do público ao estilo de um carro, quatro anos antes de seu lançamento, é simplesmente impossível…”
    Em partes, não é, ainda que beleza seja algo absolutamente subjetivo. Por isso mesmo eram feitas as clínicas (acho que algo que também já entrou em desuso), e alguns veículos lançados nacionalmente vem de experiências em outros países (caso do Etios, vindo da Índia), onde mesmo antes do lançamento já havia uma crítica forte ao seu design (principalmente no sedã).
    “…Não dá para mudar de ideia no caminho e pedir para ele voltar. Se errou, já era…”
    Também em partes, basta ver com que agilidade a Honda, refez o Civic ‘recém-lançado’ lá, em 2 anos estavam apresentando algo novo e mais bem recebido pelo público. Sinal de que o caminho certo não era tão tortuoso, mas que por algum motivo (talvez o custo produtivo) ele não foi escolhido inicialmente.

  • H_Oliveira

    Excelente texto. Eu realmente sou meio avesso ao câmbio automático. Sim, dirigi poucos carros com câmbio automático, e esses em test drives (no salão do automóvel, por sinal). Mas eram carros realmente desejáveis (Audis R8 e RS 4, já dirigi também o Nissan Leaf, também em test drive), mas pelo fato de serem automáticos, sei lá, acho que fica faltando algo.

    Sobre o texto, um pouco off, mas sobre o fato de construir um próprio carro, já pensei em tentar fazer um Seven, mas com minha experiência limitadíssima em soldagem e as dificuldades inerentes, imaginei a caca que iria sair e está quase que descartado tentar! kkk

    • MAO

      H_Oliveira,
      Obrigado!

  • Daniel S. de Araujo

    MAO, excelente artigo. Retrata bem a dificuldade que um verdadeiro Autoentusiasta sente ao adquirir um veículo. Talvez seja por isso que eu tenha uma enorme dificuldade em comprar um veículo, e depois, de vendê-lo. O apego como se tivesse medo de que fosse dificil de arrumar outro carro novamente com as caracteristicas desejadas.

    • MAO

      Obrigado, Daniel!

  • VeeDub

    Quando o cruze foi lançado, me recorde de ter solicitado um com câmbio manual para fazer o test-drive, e a vendedora me olhou como se eu fosse doido.

    • MAO

      VeeDub, mas durma tranquilo que você não está louco. O resto do mundo é que está. O manual, neste caso, é muito melhor.

  • Licergico

    Pô … Indonésia eu queria conhecer … o lugar é lindo tem praias maravilhosas vários picos fantásticos !

    • MAO

      Praias lindas, sim, mas pobreza, pobreza… É como o RJ, bonito, lindo, maravilhoso, povo alegre e divertido, mas com muita pobreza demais para ser realmente agradável.

  • Pedro M.

    Excelente texto! Bancos de tecido, câmbio manual (MQ200), suspensão firme sem ser desconfortável, motor com boa pegada em baixa (VHT), bom comportamento em curvas.. Acho que não preciso de mais nada. Quem sabe um motor mais forte (THP, TSI, Ecoboost).. e mais horas e horas em uma estrada cheia de curvas! A complexidade de projetar um carro aliada à necessidade de agradar um público maior em cada nova geração, faz com que alguns carros percam a sua real essência, e apenas façam parte do mercado como genéricos da concorrência.

    • MAO

      Pedro, Obrigado!

  • MAO, seu puto! Você é muito bom na escrita. Muito bom o texto. Estes dias eu estava andando num carro automático,com motor dianteiro e tração traseira, subindo uma estrada com lama e a mudança de rotação do motor não era acompanhada pela mudança de velocidade esperada e não se sabia o que era patinação do conversor de torque e o que era da roda. Tinha nos dois, porque a velocidade era baixa e as vezes a traseira ficava com vontade de ir pro lado. Num manual teria mais sensibilidade.

    • Fernando

      Essa é uma situação que piora a nossa expectativa conforme o câmbio que decide por si as trocas. Já dirigi algumas vezes carros com câmbio automático(porém tração dianteira) em estradas de terra/lama e realmente sei do que fala, eu ficava até meio confuso mas acabei tentando e conseguindo entender um pouco o que o câmbio faz em determinadas condições, e quase sempre a solução era reduzir um pouco a aceleração, ou usar modo “low” ou sport.

      Mas isso também varia bastante conforme o carro e câmbio, tenho um outro carro com câmbio automático e tração traseira e tirando a “patinagem” inicial do conversor nas saídas, quase sempre ele mantém uma boa proporção de rotação e velocidade, e então a sensação não é ruim, dá até para perceber situações de freio-motor. Mas é justamente o caso em que é importante um controle de tração, porque em piso molhado, tração traseira e aceleração, noto como é fácil tirar do trilho, e então em uma situação inesperada de perda de tração por exemplo em estrada e em velocidade mais alta, já considero que a falta de tocar manualmente acaba por serem úteis alguns gnomos eletrônicos.

    • MAO

      Valeu Victor!

  • TDA

    MAO também não consigo gostar de bancos em couro, prefiro muito mais o tecido comum dos bancos, mas estou começando a me render aos poucos aos câmbios manuais. Ultimamente tenho ajudado meu pai a escolher um carro novo e uma exigência é que seja automático, então fizemos testes em vários modelos. Os câmbios mais recentes estão muito bons de guiar, mais inteligentes e menos perceptíveis. Ainda não fazem o milagre de gastar menos combustível do que os manuais só que entregam conforto e desempenho muito bons.
    Por enquanto ainda continuo com meu manualzinho com embreagem que me dá alegrias na estrada, mas no futuro não tão próximo, talvez, quem sabe…

    • MAO

      TDA, Sim, estão melhorando. Como falei, tem até carro que fica melhor com eles. Mas…
      Obrigado pelo comentário!

  • Rafael Ribeiro

    Sempre tive carros com câmbio manual, mas cada vez fica mais difícil adquirir um assim equipado. O atual (4 anos) e o próximo que vai entrar na minha garagem (save the wagons!) não tem esta opção. Mas para me “desintoxicar” desta sina, ainda tenho dois ótimos “brinquedos” em casa: o Fiat 500 Sport da minha mulher e um Fusca 1300-L, que dirijo semanalmente para não perder o velho estilo de tocar…

  • Christian Bernert

    MAO, gostei muitíssimo do seu artigo, inclusive dos detalhes, que me fizeram rir bastante.

    Já tive muitas conversas deste tipo com gente que gosta e conhece muito de carros e também com gente que mal entende os princípios básicos de funcionamento de um carro. Isto me fez descobrir algo muito simples: sabe qual é o melhor carro do mundo? O meu! Lógico, se eu não achasse isso teria comprado outro, ou seria uma pessoa meio irracional. Isto evidentemente considerando que a relação custo X benefício faz parte do julgamento sobre o melhor carro do mundo. E por mais que eu queira que não, o meu vizinho, que tem um carro bem ridículo na minha visão, tem também o melhor carro do mundo para ele. E não adianta discutir.

    Mas eu descobri uma coisa muito chata também. Sou um cara incrivelmente medíocre. Descobri isso porque eu tenho um carro que está entre os mais vendidos no mundo. Então quer dizer que tem uma quantidade enorme de gente que pensa como eu. Realmente acho que não sou nada original mesmo.

    Por fim está de parabéns a equipe multidisciplinar que projetou cada item do meu carro. Afinal os caras devem ter mesmo uma “bola de cristal” muito boa pois conseguiram prever exatamente o meu gosto e ao mesmo tempo o gosto de milhões de pessoas mais por este mundão que Deus criou, com ênfase nos detalhes.

    • MAO

      Christian, Obrigado!

  • antonio carlos cavalcanti

    Por isso que minhas compras de carro sempre foram emocionais. Perdi muito dinheiro mas não arrependo. Jamais compraria um carro que eu não fosse com a cara dele.

  • Flying Like a Bird

    MAO, divertidíssimo seu texto!
    Meu Nissan March cabe na sua descrição… hatch, bancos em tecido, manual e vermelho sólido. Pergunte se penso em vender após os 45mil km bem rodados em 1 ano e meio?

    • MAO

      FLB, Obrigado! Boa escolha de carro!

  • Alex Ctba, a dificuldade se fazer hatches compactos aerodinâmicos é assegurar a habitabilidade.

  • Rogério, você é um verdadeiro autoentusiasta!

    • Rogério Ferreira

      Nossa Bob, obrigado… é uma honra!

  • Claudio, “rodão” para ficar “lindão”…

    • José Henrique V. Guimarães

      Rodão fica lindão… e com a altura imposta (essa é a desculpa oficial) para a suspensão pelas nossas vias, ficamos com carros ruins aerodinamicamentes, bebendo mais por isso, mas que passam por qualquer coisa… a pancada que a roda leva? é só um detalhe…

  • Fat Jack, esses câmbios robotizados não têm tranco, mas uma interrupção de potência muito grande (aquilo que passou a se chamar de “cabeçadas”), embora estejam cada vez mais menores.

  • Cristian_Dorneles

    Pois é, impressionante como podem piorar um produto, em função do público ”alvo’, que na grande maioria dos casos não entende nada de carro.

  • WSR

    Como acertar um carro:

    • Cristian_Dorneles

      Linda.

    • MAO

      Coisa linda! Que pena que não trouxeram… E o Cobalt daria uma bela perua também.

  • Lorenzo, mais velhas do que eu, só como referência, pois com 10 para 11 anos eu andava muito com o Oldsmobile 88 Hydra-Matic do meu pai. Estranho, o que você disse sobre ficar trocando marcha, pois é um ato tão automático quanto caminhar.

  • Luiz AG, se não fosse pelo lucro não existiria nenhuma atividade industrial, comercial e de serviços. Tenho certeza de que não é esse o mundo que você quer.

  • Caio, fico imaginando ele dirigindo…

    • Lorenzo Frigerio

      36 anos de carteira, Bob… eu sei dirigir, quase de olho fechado. Agora, dizer que o comentário é ofensivo, realmente ele quis ver isso, à beira da má-fé. Não tem nada a ver. Você tem 73 anos e pronto. Meu pai, se vivo, estaria com 82. Outra geração, outro Brasil.

      • Lorenzo, errado: outra geração, mesmo Brasil.

  • Tuhu, já dirigi alguns BMW com o automático ZF 8HP que dão interina nas reduções.

  • Fat Jack, exemplo perfeito de má verbalização, desconhecimento do significado de tranco.

  • Lucas, não está longe o dia de surgirem cursos para aprender a dirigir (verdadeiramente) carro com câmbio manual… Me lembro como se fosse hoje, lançamento do primeiro Sentra em março de 2007, o foco foi no câmbio CVT XTronic, dirigi-o, achei-o ótimo. No dia havia um ou dois com câmbio manual de 6 marchas disponíveis e eu fiz questão de andar num, por curiosidade. Pois na comparação imediata foi como sair do inferno e chegar ao céu, era outro carro, responsivo, divertido, entusiasmante. Daqui a pouco, ao meio-dia, entra matéria do Arnaldo sobre esse tema, o câmbio automático estar sendo útil para quem não sabe usar as marchas em carros de motores pouco potentes e/ou elásticos.

  • Racer

    Dá para dizer o mesmo de quem prefere um automático: são para preguiçosos e para quem não consegue coordenar o trabalho acelerador/embreagem/troca de marchas.

  • André Castan

    Excelente texto, MAO! Exatamente como eu penso. Acabei de comentar no texto do AK. Deixem escolhermos os nossos carros pelo amor de deus… Não nos obriguem a comprar o que não queremos, pois pelo menos eu, não comprarei.

  • Milton Evaristo

    Os dois defenderam opiniões opostas atacando quem as têm, e não
    comentando o objeto em si. É o kill the messenger, como dizem os
    americanos.

    A facilidade em dar opinião e o anonimato da internet gera isso. Com a internet também deu asas ao nosso íntimo que querer impor à força nossas preferências. Já notou a chuva de comentários do tipo, “com o preço desse zero km eu compro um BMW 1990” ?

  • Felipe S. Rangel

    Muito bom texto!!! Tenho um câmbio automático da GM “hiperativo que cheirou meio quilo de cocaína” no singelo motor 1,4. E é isso mesmo: você conseguiu fazer a analogia perfeita. Comentário parecido foi o que tentei fazer na reportagem do Prisma LTZ 2017 automático, perguntando se o câmbio estava equilibrado. Mas para minha surpresa entre o manual e o automático, o autor prefere o automático, justamente pelo comportamento do câmbio (que reduz ao leve toque no acelerador). No caso, até havia me sentido mal, achando que eu era um dos únicos que pensava ao contrário. Mas estou mais aliviado em saber que outro Autoentusiasta também pensa ou sente como eu. Ainda assim, contrariando sua visão de mundo, prefiro os automáticos pelo processo cansativo de ter que ficar trocando de marchas em congestionamentos. Mas concordo que estes (principalmente o câmbio da GM) precisa evoluir muito e ser mais seguro de si. 🙂

    • Felipe, isso é justamente o que este autoentusiasta aqui não gosta nesse tipo de programação de câmbio automático, acelerar um pouco e logo reduzir marcha. É uma função exagerada do acelerador. Gosto de eu decidir quando trocar. Mas como o Arnaldo disse, para quem não domina a técnica de dirigir (ou acha que trocar de marcha dá um trabalho danado), é adequado.

    • MAO

      Obrigado Felipe!

  • Lorenzo, tudo bem, esqueçamos.

  • Lucas, você sempre será bem-vindo!

  • Racer

    Sorento, da geração anterior. Sim, as trocas funcionam bem. Ela só não permite subir marcha sem que esteja na velocidade ideal, para cada marcha. A 5ª só entra a partir de 60 km/h, por exemplo.

    • Welyton F. Cividini

      Obrigado pela resposta!

      • Racer

        E complementando: ainda temos as duas em casa, a manual e a automática. Tirando a comodidade em congestionamentos, a MT é melhor na desenvoltura e na performance, além de mais econômica.

  • RoadV8Runner

    Depois que passei três semanas dirigindo um carro automático, descobri que a vida fica muito mais sem graça ao volante, o que voltou a ser um item de exclusão na compra de um carro. Tudo bem que o carro não ajudava em nada (era um Corolla e seu indeciso câmbio de quatro marchas), mas não dá…
    Devo ter um jeito muito particular de dirigir, pois são raras as vezes em que não discordo das trocas de marcha nos carros com câmbio automático. Em geral, a troca sempre ocorre antes ou depois do que gostaria, seja ascendente ou descendente. Em alguns carros até tolero essas divergências, mas por que passar por isso quando eu mesmo posso decidir quando trocar de marcha? E, ainda por cima, economizo uns trocados na compra do carro com câmbio manual.

  • Eric, sim, está na agenda de testes.

    • Eric-BA

      Obrigado pela atenção, Bob.

    • Delfim

      Eu preferiria um Sport com o motor 1,5T e a caixa manual.

  • Fórmula Finesse

    Que tolice…

  • Delfim

    Ainda que mal pergunte, MAO : trocou seu belo Cruze por qual outro carro?

  • MAO

    Claudio,
    Concordo! Mas confesso que adorei a aderência e maciez dos Kuhmo que vieram nele.

  • MAO

    Obrigado, Daniel!

  • MAO

    Rogério,
    É isso mesmo, esse é o espírito!

  • MAO

    FF,
    Eu que agradeço o comentário! Valeu!

  • MAO

    Rodrigo, Obrigado!

  • MAO

    Obrigado Matheus!

  • MAO

    Valeu, Lemming!

  • MAO

    Não vejo como bicho de sete cabeças, e as vezes até gosto deles. Mas na vasta maioria das vezes prefiro um pedal de embreagem.
    Sobre ficar trocando no transito pesado, fazendo sentido ou não, não me incomoda em nada. Nem tudo precisa fazer sentido, no sentido principalmente do que pode ser sentido, e não medido.Sentiu? rs.

  • MAO

    João, Obrigado!
    E discordar pode, claro, principalmente neste quesito, totalmente subjetivo!

  • MAO

    Diogo, Obrigado!

  • MAO

    Luiz,
    Sim, é por lucro. Mas é difícil e sofrido.
    Aeronaves não são de massa. Milhares por mês falamos…as vezes dezenas e centenas de milhares.

  • MAO

    Obrigado Mario!
    Não andei ainda nesse DSG. Mas andei em outros DSG da empresa e adorei, realmente ficaram muito bons.
    Andei num Golf manual, porém, e gostei tanto que não imagino algo melhor.
    Discordar pode sim Mario, claro, mas acho que se aumenta muito o tal “martírio” de ficar usando embreagem no transito. Fazer 1h de bicicleta ou musculação é uma delícia e se paga bem pelo privilégio, mas usar embreagens hidráulicas macias? Oh, o terror! rs.
    Abraço!

  • MAO

    Lorenzo, é isso aí! Valeu!

  • MAO

    Parabéns L641, pelo Sandero!
    Você fez o que todo entusiasta que pode devia fazer, como obrigação para preservação da espécie!

  • MAO

    Vê se não some de novo! Abraço!

  • Físico de jogador de basquete!? Altura quase de jogador de basquete.
    Mais um post seu que eu gostaria de ter escrito!

    • MAO

      Aposentado e barrigudo! Só sobrou a altura!
      Valeu camarada!

  • MAO

    Braulio, adorei esta, e vou usar: boi é comida e não móvel! Abraço!

  • MAO

    Eric, muito obrigado!

  • Bera Silva

    Bom, acabei lendo só ontem, mas vou deixar um comentário mesmo assim. Só tem noção de quantas peças e sua complexidade quem já mexeu em seu próprio carro. A quantidade de parafusos, porcas, peças, fios, conectores… é de assustar.
    É curioso notar e totalmente paradoxal que: com a facilidade atual de se conseguir ferramentas e o conhecimento disponível e já sedimentado sobre como fazer um automóvel, o que permitiria o surgimento de diversos pequenos fabricantes, produzindo veículos menos generalistas e mais adaptados ao gostos dos consumidores; somos empurrados para um mundo de poucos fabricantes e modelos cada vez mais parecidos, moldados por burocratas que não entendem o automóvel.