Mais de 200 mil unidades do Chevrolet Cobalt  já foram vendidas desde 2011, e no começo desse ano ele recebeu finalmente um estilo mais de acordo com as necessidades de mercado. O principal problema foi solucionado com uma dianteira completamente nova. Desapareceu a impressão visual de “farol maior que a roda” que se tinha ao olhar o carro em três-quartos de frente, embora o farol ainda seja de tamanho avantajado. O estilo e concordância entre os componentes faz uma diferença enorme, e parodiando o cômico cantor cearense Falcão, podemos dizer que estilo não é tudo, mas é 100%.

A traseira não era realmente problema, mas também melhorou, com a parte das lanternas fixada na tampa do porta-malas também funcional — acendendo — decisão louvável da General Motors do Brasil, e que deveria ser seguida por outras fábricas que tem carros com lanternas também divididas, mas que não acendem em sua totalidade, parte é ornamental.

Dentro, a versão de topo avaliada no uso, a Elite, tem acabamento em couro na cor Brownstone, bem na moda, também aplicada em outros carros da marca, melhorando muito o interior.

A partir da linha 2017, o Cobalt oferece como item de série o OnStar (leia adiante) também nas configurações equipadas com câmbio manual, sendo de operação grátis no primeiro ano de uso. Depois está-se sujeito a pagar uma assinatura anual se desejar manter o serviço.

No quadro de instrumentos, totalmente digital, há bússola e navegação por setas, chamada de curva a curva.

Há equipamentos bem atuais instalados de série nessa versão, como câmera de ré com guias auxiliares— linhas em vermelho que podem ser desligadas para uma imagem mais limpa —, sensor de chuva para ligar e desligar o limpador de para-brisa, sistema de acendimento automático dos faróis, volante com controle das funções do rádio e telefone,  e acionamento das travas e vidros por controle remoto.

O emblema ECO na tampa do porta-malas é uma importante marcação para chamar atenção ao fato do Cobalt ter passado por melhorias relacionadas ao consumo e emissão de poluentes. Trata-se do resultado do programa Inovar-Auto, lançado em 2013, destinado a ampliar o conteúdo de peças e sistemas fabricados em território brasileiro.

Para isso, um grande pacote de modificações foi implementado, como menos massa, motor mais eficiente, melhor aerodinâmica, menor atrito em freios e rolamentos.

O motor foi rebatizado de SPE/4 ECO, um quatro-cilindros de 1.796 cm³ (diâmetro dos cilindros 80,5 mm e curso dos pistões de 88,2 mm), potência de 106/111 cv (G/A) a 5.200 rpm, e torque máximo  16,8 /17,7m·kgf a 2.800/2.600 rpm (G/A).

Chega a 170 km/h de máxima (com gasolina ou álcool) e é capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em 11,1/10,6 segundos (G/A, números interessantes para o porte e categoria do veículo. Com o motor anterior eram 10,9 segundos (álcool). A retomada de 80 a 120 km/h baixou de 9,6 para 8,8 segundos, um bom número, melhorando bastante a segurança ativa por permitir ultrapassagens mais rápidas, ou seja, menos tempo e distância na contramão. Mas isso com câmbio automático, obviamente, pela redução de marcha automática ao acelerar a fundo.

Isso tudo vem de bielas e pistões mais leves, melhor brunimento dos cilindros, comando de válvulas tubular (oco) mais leve, e óleo 0W20, para menor atrito possível. A bomba de água de arrefecimento consome agora menos potência, pois tem novo desenho de rotor e há menor volume de líquido, advindo de radiador de menor espessura. Com tudo isso, o motor gira mais leve, sobe de giro com mais disposição, e permite melhor eficiência geral.

O comando eletrônico do motor é feito por nova ECM, mais potente, com quatro vezes mais memória e processador 40% mais rápido, ou seja, o mapa de injeção e ignição é mais completo e detalhado e a velocidade maior de processamento permite encontrar os dados certos para controlar o motor mais rapidamente, colaborando para a suavidade de funcionamento e economia.

Nos acessórios elétricos do motor, há variação contínua da rotação do ventilador e o alternador de 100 A  é mais leve e de rolamentos mais livres. Há monitoramento de carga da bateria, que faz o alternador também trabalhar menos para carregá-la, poupando também energia mecânica nesse caso.

Não relacionado diretamente ao programa Inovar-Auto, mas consequência deste, é a recalibração das molas, amortecedores e batente da suspensão devido à menor altura em relação ao solo em 10 mm. Essa redução foi feita para que a quantidade de ar que entra debaixo do carro seja menor, gerando menos turbulência e menor consumo. Mesmo um pouco mais baixo, não há o menor problema de raspar componentes inferiores em valetas ou lombadas, mesmo as exageradas, o que colabora para manter o carro em boas condições. O Cobalt é firme em curvas, de ótima estabilidade em curvas de todo tipo, mas há um certo excesso de dureza em pisos ruins que pode incomodar apenas os mais sensíveis.

Nas mangas de eixo há  rolamentos de atrito diminuído, além de freios de baixo arrasto, sem atrito entre discos e pastilhas quando o pé está fora do pedal. A GM informa que é o conjunto de freio é todo novo, mais leve e com menos componentes.

Para ajudar mais ainda na diminuição de peso, a carroceria teve cerca de 100 componentes modificados, para o resultado muito bom de 36 kg a menos. Isso só é possível graças ao nível tecnológico extremamente elevado na simulação computacional feita na GM, uma das pioneiras nessa disciplina de engenharia no Brasil. Com isso, dezenas de avaliações podem ser feitas sem que se construa um único carro real, com extrema rapidez na avaliação das opções de projeto.

Outro fator importante no consumo é o câmbio automático Hydra-Matic GF6 de nova geração, com menos perdas de potência entre motor e semi-árvores. Pode-se mudar de marcha por tecla ao lado do pomo, mas apenas selecionando a posição M antes (trocas manuais), não tão fácil de usar na pressa, como numa redução em descida, por exemplo. Precisa-se acostumar com a operação para efetivar a ação com rapidez.

O carro vem com pneu Michelin com atrito de rolamento 32% menor, medida 195/65 R15 91H, trabalhando com 35 lb/pol². pressão única para qualquer carga a bordo. O reserva é temporário, T115/70 R16 92M, decisão acertada, pois é bem leve e está lá para quando precisar, podendo ser trocado rapidamente para seguir viagem, embora em ritmo menor (velocidade máxima recomendada 80 km/h). Mas é uma solução muito melhor e conveniente do que eliminar o estepe e colocar um selante e compressor de ar, por exemplo.

Nas características de penetração na massa de ar, houve redução do arrasto em 8%. Além de 10 mm mais baixo, o carro adota defletores de ar em alguns pontos, como à frente do eixo traseiro, um outro  abaixo do alojamento do estepe, fechando quase todo o volume entre este e a capa do para-choque traseiro, defletores à frente das rodas e fechamento parcial da grade inferior no para-choque, na área não usada para arrefecimento do motor. O Cx é 0,33.

O porta-malas é bem grande, 563 litros, que a GM diz ser o maior do Brasil em sedãs. Não tenho  por que duvidar. Bagagem de fim de semana de três pessoas não passa nem perto de o encher; tentei, mas não consegui.

Com todo esse espaço para bagagem e pessoas, o carro é leve, com 1.129 kg em ordem de marcha, mostrando ser uma boa opção para um uso geral.

A acomodação de motorista é boa, mas poderia melhorar. A altura do banco é excessiva, mesmo com ele todo baixado. Sendo Cobalt e Spin derivados, as estruturas de banco tem mesma altura em relação ao assoalho, e no Cobalt o resultado é esse. Com menos altura, quem dirige se sentiria mais bem “encaixado” na posição, algo sempre agradável. Um pouco mais de suporte lateral para o corpo, no assento e encosto, também seria muito bem-vindo, permitindo sentir melhor o carro em curvas.

Para os passageiros, o generoso espaço colabora muito para o bem-estar, e ninguém reclama de aperto. Mas porta-objetos nas portas traseiras seriam de grande ajuda nessa época de telefones, tablets e um sem-fim de acessórios pessoais. Também ajuda muito o silêncio a bordo, com o motor sendo audível apenas em fortes acelerações, algo saudável e que ajuda o motorista a ficar alerta. Apesar da maioria preferir carros silenciosos ao extremo, não compartilho dessa opinião, pois tenho certeza que escutar o veículo é fator de alerta e consequentemente, segurança ativa.

O motor 1,8-L tem relação r/l desfavorável, 0,339, mas não se percebem vibrações e asperezas que incomodem.

O materiais usados no interior tem boa aparência, tanto o couro dos bancos quanto dos painéis de porta e também os plásticos e carpete, além do forro de teto. Todos estão de acordo entre si, sem nada que destoe. Fica claro que não é um carro de luxo, pois para isso precisaria passar por uma escolha ainda superior principalmente do tato e textura dos materiais plásticos.

 

A direção com assistência elétrica funciona regressivamente, ou seja, com maior velocidade tem menor assistência, para evitar que seja muito fácil tirar o carro da trajetória em velocidades de estrada. Esse ponto pode gerar um pouco de estranheza de alguns motoristas, pois para uma mínima correção de trajetória a força é maior para tirar o carro da linha reta do que para colocá-lo na nova trajetória. Tudo isso em pouquíssimos graus de esterçamento, claro, mas nos primeiros quilômetros chega a incomodar um pouco. Depois de alguns dias, a sensação diminui, pela calibração natural da mão do motorista, que já sabe inconscientemente quanto de força deve fazer. Em manobras de garagem, é leve a ponto de ninguém reclamar, facilitando muito  operação. O volante ajuda bastante a sensação de um carro coeso, e tem tamanho e pega ótimos, bem como o desenho geral.

OnStar

Quando esse sistema surgiu em 1996 nos EUA, foi uma primazia da GM. Funcionando via satélite, o carro estava conectado a uma central de atendentes para ajudar o motorista em diversas situações. Depois de 20 anos, torna-se claro que uma simplificação do sistema é possível, considerando-se que  os smartphones têm uma capacidade grande de processamento de dados. E tudo funciona por ele, pareado ou espelhado com o equipamento do carro. Desde que se tenha sinal de celular, bem explicado.

Há muitas funções que são coordenadas pela Central do OnStar, que pode ser comunicada de dentro do carro utilizando-se as teclas no retrovisor interno, ou externamente, por telefone. Os botões no espelho  são o Hands Free, que permite fazer chamadas de mãos livres por reconhecimento de voz. Pressiona-se o botão para solicitar alertas OnStar, realizar ou atender ligações para Central OnStar, e navegar nos favoritos do aplicativo OnStar . O outro botão é o central de assistência OnStar, para fazer contato direto com o Centro de Atendimento.  E o terceiro e último é o botão de emergência,  que realiza chamadas em casos urgentes, não sendo necessário entrar em fila de espera, caso exista.

Há também serviços de grande utilidade para segurança dos ocupantes como, por exemplo, o monitoramento de rota e aviso de chegada a um determinado endereço que seja previamente informado. Se o carro se desviar do caminho estipulado, ou for a outro destino não informado, pode ser avisada a polícia para que verifique a condição do carro e dos ocupantes.

Também há assistência à recuperação do veículo em caso de furto, ou seja, rastreador e localizador. O automóvel pode ser monitorado, e o motor, bloqueado remotamente pela Central de Atendimento, facilitando o trabalho da polícia. Como é fato sabido, seguradoras costumam oferecer bons descontos para carros equipados com rastreadores e bloqueadores a distância.

Há o serviço de concierge, que permite receber aviso de rodízio de veículos, localização e reservas de hotéis, restaurantes e outros; pontos de interesse e turísticos, consultas como previsão do tempo em qualquer cidade, cotação de moedas, resultados de esportes etc.

Há alerta de movimento, que quando o carro é movido, avisa no celular, bem como se o veículo sai de um raio de 500 metros de onde a função é acionada, útil para se saber se o carro entregue para empresas de estacionamento está realmente parado ou circulando para encontrar vaga, bem como se uma velocidade estipulada é ultrapassada, esta particularmente desejada por pais de filhos jovens, que estão nas primeiras fases de direção.

Podem também ser acionadas luzes e buzina via aplicativo no celular, servindo para localizar o carro em estacionamentos grandes, ou para funções divertidas, como para afugentar meliantes, vândalos, aquele vizinho que gosta de encostar no carro dos outros ou até mesmo um cachorro que se aproxime para fazer xixi nas rodas. Desde que se esteja vendo o carro, obviamente.

Um novo serviço OnStar é o de diagnóstico. Por meio de um aplicativo para smartphone, o usuário pode conferir parâmetros do veículo, como a quilometragem total percorrida e a pressão dos pneus.

A tecnologia é capaz de detectar que o automóvel se envolveu em um acidente mais grave. Isso porque há sensores espalhados pela carroceria que identificam situações de anormalidade e podem alertar o Centro de Atendimento. Profissionais capacitados fazem então a análise da ocorrência e, caso não consigam contato com algum dos ocupantes, solicitam automaticamente que uma equipe de resgate vá até o local. Se alguma bolsa inflável for acionada, a Central imediatamente faz uma chamada aos serviços de salvamento.

Em resumo, o Cobalt com o câmbio automático está bem atualizado para o mercado a que se destina, com equipamentos e características bem atuais. Não irá decepcionar seus proprietários, e quem trocar o modelo anterior por esse com mecânica muito melhorada irá gostar muito da redução de custo do quilômetro rodado.

JJ

Nota: vídeo adicionado às 16:50.

 

FICHA TÉCNICA CHEVROLET COBALT LTZ/ELITE 2017
MOTOR
Designação  SPE/4 ECO 1,8
Tipo Ignição por centelha, 4 tempos, flex
Instalação Dianteiro, transversal
Material do bloco/cabeçote Ferro fundido/alumínio
N° de cilindros/configuração 4 / em linha
Diâmetro x curso 80,5 x 88,2 mm
Cilindrada 1.796 cm³
Aspiração Atmosférica
Taxa de compressão 12,3:1
Potência máxima 106 cv (G), 111 cv (A) a 5.200 rpm
Torque máximo 16,8 m·kgf a 2.800 rpm (G), 17,7 m·kgf (A) a 2.600 rpm
N° de válvulas por cilindro 2
N° de comandos de válvulas /localização/acionamento 1 / cabeçote / correia dentada
Acionamento de válvulas Indireto por alavancas-dedo com fulcrum hidráulico
Formação de mistura Injeção eletrônica no duto
Comprimento da biela/relação r/l 129,75 mm / 0,339
Rotação de corte (limpo) n.d.
ALIMENTAÇÃO
Combustível Gasolina e/ou álcool
SISTEMA ELÉTRICO
Tensão 12 V
Bateria 50 A·h
Alternador 100 A
TRANSMISSÃO
Rodas motrizes Dianteiras
Câmbio Transeixo automático epicíclico de 6 marchas mais ré
Relações das marchas 1ª 4,449:1; 2ª 2,908; 3ª 1,893:1 4ª 1,446:1; 5ª 1,000:1; 6ª 0,742:1; ré 2,871:1
Relação de diferencial 3,14:1
Relação do conversor de torque 1,742:1
FREIOS
De serviço Hidráulico, duplo circuito em diagonal, servoassistido, ABS
Dianteiro A disco ventilado Ø 240 mm
Traseiro A tambor Ø 200 mm
SUSPENSÃO
Dianteira Independente, McPherson, braço triangular, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra estabilizadora
Traseira Eixo de torção, mola helicoidal e amortecedor pressurizado
DIREÇÃO
Tipo Pinhão e cremalheira, eletroassistida indexada à velocidade
Relação de direção 16:1
Voltas entre batentes 2,8
Diâmetro mínimo de curva 10,9 m
RODAS E PNEUS
Rodas Alumínio  6Jx15
Pneus 195/65R15H
Estepe Temporário T115/70R16 com roda de aço 4Bx16
PESOS
Peso em ordem de marcha 1.129 kg
Carga máxima 385 kg
CARROCERIA
Tipo Monobloco em aço, sedã 4-portas, 5 lugares
AERODINÂMICA
Coeficiente de arrasto Cx 0,33
Área frontal 2,26 m²
Área frontal corrigida 0,75 m²
DIMENSÕES EXTERNAS
Comprimento 4.481 mm
Largura sem/com espelhos 1.735/2.005 mm
Altura 1.508 mm
Distância entre eixos 2.620 mm
Bitola dianteira/traseira 1.507/1.506 mm
Distância mínima do solo 124 mm
CAPACIDADES
Porta-malas 563 litros
Tanque de combustível 54 litros
DESEMPENHO
Velocidade máxima 170 km/h (G e A)
Aceleração 0-100 km/h 11,1 s (G) e 10,6 s (A)
CONSUMO DE COMBUSTÍVEL (INMETRO/PBEV)
Cidade 12,1 km/l (G) e 8,3 km/l (A)
Estrada 15,1 km/l (G) e 10,4 km/l (A)
CÁLCULOS DE CÂMBIO
v/1000 em 5ª/6ª 38,0/51,2 km/h
Rotação a 120 km/h em 6ª 2.340 rpm
Rotação à vel. máxima (5ª) 4.480 rpm

 

JJ

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