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O ponto alto da semana? Os míseros 110 km de rodovia que confirmaram o Audi A3 paranaense como sendo um dos carros mais seguros do país, como não poderia deixar de ser, aliás. De projeto recente e de uma marca que faz questão de sublinhar sua excelência técnica, falar que este Audi é seguro é chover no molhado mas, para escapar da obviedade da afirmação, vou aos fatos…

Rodovia SP-280, conhecida também como Castello Branco, que rasga o estado de São Paulo no sentido sudeste-noroeste. Sempre movimentadíssima a hora que for. Numa nublada manhã a redução repentina do ritmo quase bovino de 110-120 km/h me pegou de surpresa. Um átimo de distração. Seria exagero dizer que a tecnologia embarcada no Audi A3 me salvou da colisão, mas seria falso dizer que o sistema não fez diferença.

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Habitat do A3, a rodovia

Premissa básica, não sou contra a tecnologia, muito pelo contrário. Como todo jornalista de “motores” que se preza admirar (e conhecer) a engenharia refinada ocupa um grande espaço no meu HD. Porém, como autoentusiasta “das antigas”, a tendência é repelir invasões ao meu sagrado e prazeroso direito de dirigir e, sendo assim, vade retro carro autônomo! Porém não sou xiita, nem bobo.

Quando muito jovem cheguei a achar coisas como direção assistida, servofreio e câmbio automático inutilidades mas o tempo me mostrou o caminho certo e assim, volto ao A3 e seu valioso sistema Pre Sense, que em palavras pobres agiu quando me distraí, reduzindo a velocidade quando o carro à frente diminui a velocidade repentinamente.

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O Pre Sense funciona realmente, é muito útil (imagem divulgação Audi)

Seja pelo sinal sonoro — um sininho —, seja pela luz vermelha piscando no painel ou seja pela frenagem efetivamente mais potente oferecida, frear o A3 foi moleza. Enquanto eu vacilava, o Pre Sense detectou a aproximação em milésimos de segundo e potencializou a frenagem. Para mim, ao pisar no freio, restou a sensação de que meu anjo da guarda já estava com o pé lá.

Outro ponto positivo percebido nestes poucos quilômetros de rodovia disse respeito ao funcionamento do Adaptative Cruise Control, o controle de cruzeiro adaptativo, erroneamente chamado “piloto automático” da Audi. Ele não só mantém a velocidade preestabelecida como preserva a distância do carro à frente que, aliás, pode ser ajustada de acordo com sua preferência. Qualquer redução da velocidade do veículo que me precedia resultava em redução de velocidade e manutenção da distância. E houve até a situação na qual um carro se enfiou na fresta de repente e o resultado foi uma freada sincera, sem que eu sequer encostasse no pedal.

E para fechar essa santíssima trindade da segurança “by Audi”, me diverti com o Active Lane Assist, que por meio da câmera frontal “leu” as listas que delimitam a faixa de rolamento e manteve o A3 nelas. Capaz até mesmo de fazer curvas de raio longo, o que não pude fazer é largar o volante: o A3 percebia e desconectava o sistema. Mas bastou colocar as mão no volante para o sistema se reinserir automaticamente. Tirei o A3 do prumo, invadindo a pista lateral e o volante resistiu à minha ação, endurecendo e vibrando levemente, situação que não ocorreu quando usei a seta.

Como disse linhas atrás, muita interferência na deliciosa atividade que é dirigir um veículo pode acabar com o prazer . Porém, estes sistemas do A3 são surpreendentemente bem acertados, efetivos e que em nada tolherão o prazer ao volante. De um certo modo este fascinante progresso em segurança pode ser comparado ao que foi a frenagem ABS décadas atrás: hoje o Pre Sense e o Active Lane Assist são vendidos como opcional, mas no futuro deverão estar em todos os carros.

A pequena viagem rumo ao oeste do Estado não serviu apenas para testar as novidades mencionadas acima mas também para conhecer a real entidade do consumo rodoviário, que foi de razoáveis 11,7 km/l usando o álcool como combustível, sem ar-condicionado ligado e sem exagerar no pedal da direita. Um trechinho cheio de curvas também deu a chance de provocar o A3 e medir suas capacidades esportivas. O veredicto? Ótimo, apesar da marcante opção pelo conforto no acerto das suspensões, o Audi A3 sedan é um automóvel bem plantado ao chão, mérito dos bons pneus Pirelli P7 medidas 225/45 R17We, claro, do ajuste de molas e amortecedores que fazem dele um carro muito equilibrado. Mesmo que suspensão traseira tenha sido simplificada, mas não piorada, ao passar de multibraço a eixo de torção.

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O carro à frente determina o ritmo do A3 automaticamente

A presença de um motor pequeno, o 1,4 TFSI, certamente o ajuda pela massa reduzida que grava sobre o eixo dianteiro. Acostumado a frequentar essas curvinhas com outro alemão que em vez do pequeno motor 4 cilindros transversal tem um pesado seis em linha longitudinal (e tração traseira…), senti que o A3 tem uma frente mais precisa. Basta apontar que ele vai, sem tensões nem necessidade de correções. A seção divertimento foi curta para não estragar a medição de consumo mas, nas próximas semanas, vou procurar extrair algo mais do A3 mesmo não vendo nele pretensões esportivas.

No restante da semana, roteiros urbanos comprovaram o que já foi destacado no relato anterior: um carro confortável, esperto, silencioso (filtra maravilhosamente bem a buraqueira) e capaz de vencer lombadas e desníveis sem que frente ou traseira raspem no solo, o que é algo muito bom.

Na sequência estreará a gasolina no tanque, talvez aconteça uma viagem mais extensa, com mais gente na cabine e carga no porta-malas, visto que até agora o belo A3 só levou a mim na maioria do tempo.

RA

Leia o relatório da 1ª semana

 

Audi A3 Sedan Ambiente 1,4 TFSI Flex Tiptronic

Dias: 14
Quilometragem total: 616,4 km
Distância na cidade: 506,3 km (82,1 %)
Distância na estrada: 110,1 km (17,9 %)
Consumo médio: 5,9 km/l
Melhor média: 11,7 km/l
Pior média: 4,1 km/l
Média horária: 19,8 km/h
Tempo ao volante: 31h11minutos

 

FICHA TÉCNICA AUDI A3 SEDAN AMBIENTE 1,4 TSI TIPTRONIC FLEX
MOTOR
Tipo Ignição por centelha, 4 tempos, flex
Instalação Dianteiro, transversal
Material do bloco/cabeçote Alumínio/alumínio
N° de cilindros/configuração 4 / em linha
Diâmetro x curso 74,5 x 80 mm
Cilindrada 1.395 cm³
Aspiração Forçada por turbocompressor com interresfriador, pressão 0,8 bar
Taxa de compressão 10,5:1
Potência máxima 150 cv de 4.500 a 5.500 rpm
Torque máximo 25,5 m·kgf de 1.500 a 4.000 rpm
N° de válvulas por cilindro 4
N° de comando de válvulas /localização 2 / cabeçote, com variador de fase de admissão e escapamento, corrente
Formação de mistura Injeção direta Bosch MED
ALIMENTAÇÃO
Combustível Gasolina e/ou álcool
SISTEMA ELÉTRICO
Tensão 12 V
Gerador Alternador 140 A
Capacidade da bateria 59 A·h
TRANSMISSÃO
Rodas motrizes Dianteiras
Câmbio Automático epicíclico Tiptronic
N° de marchas 6 à frente e uma à ré
Relações das marchas 1ª. 4,670:1; 2ª. 2,530:1; 3ª. 1,556:1; 4ª.1,130:1; 5ª. 0,859; 6ª 0,686; ré 3,185
Relação de diferencial 3,683:1
FREIOS
De serviço Hidráulico, duplo circuito em diagonal, servoassistido, ABS com EBD
Dianteiro Disco ventilado Ø 288 mm
Traseiro Disco Ø 272 mm
SUSPENSÃO
Dianteira Independente, McPherson com subchassi,  braço triangular, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra estabilizadora
Traseira Eixo de torção, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra estabilizadora incorporada ao eixo
DIREÇÃO
Tipo Pinhão e cremalheira, assistência elétrica indexada à velocidade
Diâmetro mínimo de curva 10,9 m
Relação de direção 15,3:1
RODAS E PNEUS
Rodas Alumínio 7,5J x 17
Pneus 225/45R17W
PESOS
Em ordem de marcha 1.240 kg
Carga máxima n.d.
CARROCERIA
Tipo Monobloco em aço, sedã 4 portas, 5 lugares
DIMENSÕES EXTERNAS
Comprimento 4.456 mm
Largura sem espelhos 1.796 mm
Altura 1.416 mm
Distância entre eixos 2.637 mm
Bitola dianteira/traseira 1.555/1.526 mm
AERODINÂMICA
Coeficiente de arrasto (Cx) 0,30
Área frontal (A) 2,12 m²
Área frontal corrigida (Cx x A) 0,636 m²
CAPACIDADES
Porta-malas conforme VDA 425 litros
Tanque de combustível 50 litros
DESEMPENHO
Velocidade máxima 215 km/h (G e A)
Aceleração 0-100 km 8,8 s (G e A)
CONSUMO DE COMBUSTÍVEL INMETRO/PBEV
Cidade 11,7 km/l (G) e 7,8 km/l (A)
Estrada 14,2 km/l (G) e 9,9 km/l (A)
CÁLCULOS DE CÂMBIO
v/1000 em 6ª 47,4 km/h
Rotação do motor a 120 km/h em 6ª 2.500 rpm
Rotação do motor à vel. máxima 6ª 4.500 rpm

 

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