Foi em Sorocaba, interior de São Paulo, numa tarde quente de sábado, no mês de janeiro de um distante 1984, a primeira vez que eu vi um Escort XR3 “ao vivo”. A recordação do modelo Mk3 vermelho Sunburst, desfilando lentamente pelas belas e arborizadas ruas do bairro Santa Rosália, ficou registrada em minha memória. De fato, a imagem era digna de uma campanha publicitária, o carro vindo de frente, exibindo aqueles fantásticos quatro faróis auxiliares em meio ao efeito cinematográfico da camada de ar quente junto ao asfalto. Realmente uma obra de arte, especialmente para um garoto de 15 anos, apaixonado por carros.

Alguns anos depois, a experiência com XR3 se tornou um pouco mais próxima do que apenas contemplação dos modelos pelas ruas e o acompanhamento dos testes e reportagens publicadas nas revistas especializadas. Isso porque, no final dos anos oitenta, algumas idas e vindas das “baladas” e viagens ao litoral paulista foram vividas a bordo de um belíssimo XR3 branco Andino 1987 0-km de propriedade de um amigo mais abastado. Contudo, essas emoções eram curtidas no banco do passageiro.

Naquele tempo as minhas condições financeiras permitam apenas sonhar ou andar de carona naquele icônico esportivo nacional. De fato, minha realidade era um valente Fiat 147 1300 L a álcool, bege Dolomiti, já com quase dez anos de uso, fabricado no início daquela década, porém não menos estimado e valioso para mim. Inclusive, os 147 são parte da minha história também, e hoje tenho um Fiat 147 GLS 1979 impecável, com sua trajetória já devidamente documentada na seção “Carros dos Leitores”de 13/03/2016 do AUTOentusiastas.

Dos anos oitenta aos dias atuais a vida foi seguindo, o tempo passando e alguns sentimentos perpetuados, como, por exemplo, a paixão por carros do passado e especialmente pelo lendário XR3. Nesse sentido, após algumas décadas de trabalho, alguns projetos “supérfluos” podem ser viabilizados sem arrependimentos, como o de pensar em comprar um Escort XR3, de preferência vermelho Sunburst como o mítico XR3 daquela “miragem” mencionada no começo dessa história. Após alguns meses de buscas na internet, indicações de amigos e pesquisas pelas ruas, não tive sucesso em encontrar um Escort XR3 Mk3 em boas condições, na cor desejada (ou qualquer outra) e com um preço justo. Então pensei: Que tal mudar os planos? Quem sabe um Mk4 ainda com coração Ford (motor CHT) ou até mesmo um conversível?

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Assim, passei a buscar por essa nova referência (XR3 Mk4 CHT), e é claro que o número de opções aumentou significativamente, porém ainda assim era decepcionante o estado de muitos Escort XR3 que cabiam ou não no meu orçamento.
Foi então que encontrei em um conhecido site de vendas de automóveis um Escort XR3 CHT 88/89 azul Mistral à venda. O anúncio era lacônico e não fornecia muitos detalhes sobre o histórico do carro, apenas que estava em bom estado. Um aspecto intrigante do anúncio se referia ao valor de venda, que era um dos mais baixos de todos os XR3 disponíveis naquele site na ocasião da pesquisa.

De qualquer forma, resolvi ligar para o proprietário para saber mais sobre o carro. Após algumas tentativas de contato sem sucesso, finalmente um senhor muito educado me atendeu e me disse que valeria a pena ver o Escort XR3. Contou ainda que o motivo da venda era a necessidade de comprar um carro para sua filha. Assim sendo, agendei uma visita no dia seguinte para ver o carro. Logo que encerrei a ligação, de imediato passou pela minha cabeça se não seria mais uma perda de tempo e dinheiro me deslocar por quilômetros até outra cidade para ver mais uma decepção… Por outro lado, sentia que talvez fosse uma boa oportunidade.

Ao chegar ao endereço combinado, um senhor de ascendência oriental me atendeu com uma calma peculiar e me disse que o carro estava em um estacionamento nas imediações, pois há muitos anos não utilizava mais o XR3 no dia a dia e sim outro automóvel mais novo e moderno. Durante nossa breve caminhada fui conhecendo detalhes muito relevantes sobre o XR3 88/89 como, por exemplo, que se tratava de carro de um único dono, com manual do proprietário, estepe original sem uso, chaves-reserva, manutenção em dia, quilometragem baixa, ou seja, possuía todo histórico de um carro de procedência. Claro que apreciei muito essas informações.

Contudo, ao chegar ao estacionamento e ver o carro, confesso que a sensação não foi de amor à primeira vista, ou seja, o carro estava muito sujo, possuía alguns detalhes que, embora de simples solução, saltavam os olhos. Os para-choques muito desbotados, capas dos retrovisores com alguns danos, rodas (originais) maltratadas, pneus de baixa qualidade e fora da medida original, não havia o toca-fitas original, alguns riscos na lataria… Alguns detalhes que prejudicavam a aparência do carro, mas nada assustador demais a ponto de desistir imediatamente, porém não suficientemente maravilhoso para comprar sem uma contraoferta.

Porém, outras qualidades eram instigantes, como a originalidade do veículo — faróis, lanternas, faróis auxiliares e vidros originais, aerofólio em perfeito estado, volante original, teto solar funcionando, tapeçaria ótima, painel sem trincas, forros da porta ótimos, lataria integra (apenas alguns riscos) — enfim, o carro estava de fato muito alinhado.
Feita a “vistoria” estética, o próximo passo foi verificar como estava “funcionando a máquina”, e embora a partida tenha sido de “primeira”, o escapamento estava totalmente comprometido o que tornava difícil avaliar o motor, esse ponto se tornava ainda mais negativo devido à má impressão gerada pelo barulho ensurdecedor do escapamento, que mais se parecia barulho de um FNM em oposição ao esperado ronco grave e esportivo típico do XR3. Outro problema era que o carburador não estava na sua melhor forma, devido ao tempo que o carro estava parado (mais de seis meses), causando algumas falhas na aceleração (acentuadas pela idade das velas de ignição).

Mas nada melhor que dirigir para sentir definitivamente o carro. Certamente sentar no banco do motorista e empunhar aquele volante de pequeno diâmetro e colocar o carro em movimento, mesmo que acelerando timidamente, me fez recordar de imediato o passado e de toda a história que eu havia estabelecido em torno da emblemática sigla XR3. Nesse sentido, contrariamente ao contato visual, a impressão ao dirigir fez-me apaixonar pelo carro, imediatamente eu percebi que o que faltava aquele Escort XR3, era apenas o cuidado de um dono apaixonado… Paixão, a qual provavelmente, o senhor de ascendência oriental já tivesse perdido pelo XR3 azul Mistral 88/89 (último dos CHTs) ao longo dos anos.

Foi extasiante a sensação de dirigir pela primeira vez um XR3 após tantos anos de espera. Paramos em um posto de gasolina para checar a parte inferior e ao levantar o carro no elevador, uma grata surpresa, estava tudo íntegro, a suspensão, chassi e a parte de baixo do motor estavam 0-km, não havia vazamentos, trincas, sinais de mau uso ou de colisões.

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Voltamos para o estacionamento e começou a hora de negociar o preço. Embora o valor fosse bom, estávamos no auge da crise financeira em janeiro de 2016, a qual por sinal nos assola até hoje, e então fiz uma oferta (decente), porém abaixo do preço anunciado. O proprietário não aceitou, conversamos mais um pouco e aí combinamos que eu voltaria a entrar em contato.

De fato, embora já estivesse apaixonado pelo XR3 eu não queria me precipitar e fazer outra oferta naquele momento, pois ainda pretendia no retorno à minha cidade ver um Escort XR3 1985 preto em um município que ficava no caminho de volta. Contudo ao entrar na rodovia Anhanguera caiu uma enorme tempestade (aquela mesma que abriu uma cratera no km 75 sentido capital) e acabei não indo ver aquele MK3. Assim, no dia seguinte, mandei um e-mail ao vendedor e melhorei um pouco a minha oferta, porém ainda abaixo do valor anunciado. Mas após algumas horas de suspense recebo o e-mail de resposta: — Aceito, pode vir buscar o Escort quando quiser!

Nem é preciso dizer que fiquei muito feliz. Finalmente eu seria proprietário de um Ford Escort XR3 após tantos anos de espera. Mencionei que iria buscar o carro à noite logo após sair do meu trabalho, bem como pedi os dados Renavam e placa para as checagens habituais. Quando recebi a resposta com os dados do automóvel, verifiquei uma coincidência inimaginável: a sequência numérica da placa do Escort XR3 azul Mistral que eu acabava de adquirir era idêntica à de placa de um outro carro que possuo, também da marca Ford, e de cor azul! No calor da emoção de verificar todos os detalhes do XR3, no dia anterior, eu nem havia percebido a numeração da placa…

No final do dia encarei uma viagem de mais de 100 km de ônibus e às 21h estava desembarcando na rodoviária local, onde proprietário e sua filha já estavam me esperando para me entregar as chaves do Escort XR3. No curto trajeto entre a rodoviária e o estacionamento onde o carro estava guardado, ele me contou algumas histórias que aconteceram ao longo dos quase 30 anos em que o automóvel permaneceu na sua família.

É interessante que nessas situações nos damos conta do quanto um automóvel com o passar dos transcende seu fim, é surpreendente como uma “máquina” se torna quase como um ser vivo ou como se fosse um animal de estimação ou até mesmo uma pessoa da família. Foi muito interessante ouvir sobre a época que ele comprou o carro 0-km e desfilava pelas ruas da cidade chamando a atenção de pedestres e motoristas no final dos anos oitenta, afinal era um dos automóveis mais caros comercializados no país em 1988.

Bem como as histórias da sua filha, a qual com quatro anos de idade entrava e saia do carro pelo teto solar… Não há como omitir que naquele momento, ao ouvir as histórias e o envolvimento emocional de pai e filha com o carro, tive uma sensação estranha, era como se eu estivesse levando parte da história daquelas pessoas junto com o carro, mas por outro lado me confortava a ideia de que eu continuaria cuidado daquele carro tão bem quanto ele foi cuidado no passado.

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Para relaxar eu mencionei que também tinha uma filha de quatro anos e que adora carros e que provavelmente iria curtir muito aquele teto solar também. Eles riram e ficaram felizes, pois perceberam que aquele automóvel teria um bom destino. De fato, foi emocionante quando dei a partida no carro e antes de partir desejei boa noite ao pai e filha, os quais com olhos marejados davam adeus ao velho Escort XR3.

Passadas essas emoções, outras sensações vieram, como o retorno para casa enquanto seguia pela estrada naquela noite de verão com os vidros abertos me sentindo como aquele garoto que leva a menina mais bonita do bairro para passear pela primeira vez, e mesmo com escapamento danificado e algumas falhas de carburação o destemido XR3 foi cortando tranquilamente a rodovia dos Bandeirantes, como se nunca tivesse deixado de fazer isso nos últimos anos, permitindo que eu chegasse com segurança em minha residência, em Jundiaí, já próximo de uma hora da manhã. Bem que o antigo proprietário me garantiu que não haveria motivo para se preocupar em viajar à noite, pois o carro ia rodando para qualquer lugar do Brasil…

Por fim, em aproximadamente sessenta dias foi possível revitalizar e ajustar o XR3. Não foi difícil encontrar o toca-fitas original e alguns detalhes de acabamento, foi tudo muito tranquilo, apenas necessário um pouco de dedicação e investimento para fazer aquele esquecido Escort XR3 se tornar um automóvel admirado nas ruas novamente.

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Sobretudo, é recompensador olhar na garagem e ver que o carro que permaneceu por mais de 30 anos em minha memória agora está ali pertinho, bem ao meu alcance, e o melhor ainda é saber que em qualquer tarde de sábado ensolarado eu posso ligar o motor, inserir uma fita k7 do Simple Minds no toca-fitas, abrir o teto solar e rodar por aí com a mágica sensação de que, ao contrário do que diria Cazuza, “o tempo para!”… nem que seja apenas por algumas horas.

MC
Jundiaí – SP



  • Leonardo

    Excelente história. E seu XR3 está muito lindo. Convido-o a acessar e site http://www.escortclube.com.br e fazer parte do fórum de discussão do mesmo onde há muita informação sobre manutenção e mecânica. Alguns usuários também disponibilizam para venda peças e acabamentos difíceis de encontrar. Abraço!

    • Marcelo Conte

      Obrigado, Leonardo, vou me cadastrar. Abraço

  • Carlos A.

    Marcelo Conte, essa história é tão boa quanto a outra com seu 147! Falando nisso, como está o Fiat, não o vi nas fotos de hoje.
    Olhando seu XR3, parece que ele saiu da concessionária ontem. Além disso, é muito emocionante ler seus comentários e descobrir o quanto um carro marca a vida das pessoas. Melhor ainda encontrar esse esportivo de época que não sofreu maus tratos e seguirá marcando a vida de mais pessoas, assim como foi com a família do primeiro dono. Cuide bem dele e aproveite para passear e ouvir também as bandas de época nas saudosas fitas k7!!

  • Matheus Ulisses P.

    Parabéns pelo relato e pelo carro, belíssimo! Sou suspeito em falar de azuis, mas essa cor é a realmente linda!
    Adoro o XR3 Mk4, em especial se for CHT!

    • Marcelo Conte

      Obrigado, Matheus, esse azul caiu muito bem no XR3. Compartilho com você sobre o CHT, um motor especial. Abraço

  • Marcelo Conte

    Exatamente, Ricardo! Obrigado. Abraço

  • Oli

    Belo carro e ótima história.
    Só uma dúvida “estepe original sem uso”: para que isso serve? Qual a vantagem de fazer propaganda disso?

    • Marcelo Conte

      Obrigado pelo feedback. Na prática não serve para muita coisa, mas de qualquer forma indica que tem um componente “perecivel” que resistiu ao tempo, pode indicar que não rodo muito, enfim, uma característica subjetiva…

    • Davi Reis

      Acho que é mais psicológico do que qualquer coisa, pode ser um indicativo de que o dono sempre tomou cuidado a ponto de nunca ter precisado do estepe. Mas claro que existem casos e casos. E mesmo sendo um pneu já inapropriado pro uso, acho que acaba sendo uma pequena marca de nascença que resistiu ao passar dos anos.

  • Marcelo Conte

    Obrigado, Mr. Car, com certeza foi excepcional, gosto de todas essas e também em especial a Simple Minds – All The Things She Said – YouTube. Abraço.

  • Marcelo, gostei do relato, eu que trabalhei colado ao projeto do Escort, fico realmente gratificado. Aqui entre nos, eu somente não gosto destas rodas turbo que não são simétricas, lado direito/esquerdo. As rodas trevo, estas sim são sensacionais. Forte abraço

    • Marcelo Conte

      Fico feliz que tenha gostado do relato, legal sobre sua relação com o Escort! É a essa roda é motivo de controversas, até mesmo encontrei vários modelos 87/88 com as rodas modificadas…eu particularmente acho que o charme delas está na assimetria. Abraço.

  • Marcelo Conte

    Obrigado, Luciano. Valeu pelo feedback, o carro está bem bonito mesmo.

  • Luís Galileu Tonelli

    Lamento até hoje ter vendido meu XR3 Fórmula dois anos atrás. Mesmo tendo em casa outro ícone, o Ka XR, um Palio Sporting Interlagos e uma Belina 77 LDO. Nenhum deles é o Fórmula. Parabéns pela aquisição e cuide bem dele, os Gols roubam as atenções atualmente e recebem todas as atenções, com o tempo isso muda e os Escorts serão raros pela pouca atenção. Você já percebeu isso em sua busca.

    • Marcelo Conte

      Esqueci de citar o seu Palio Interlagos, que também é uma raridade… Parabéns pela coleção. Abraço

  • Marcelo Conte

    Com certeza… rs. Abraço, tudo de bom.

  • Juvenal Jorge

    Marcelo,
    saudades desse pequeno Ford. Tive três Escorts, dois deles XR3, e minha namorada, esposa hoje, teve um XR3 também. Éramos conhecidos como o “casal XR3” na época. O meu era 87, prata, e tenho saudades demais dele.
    Um dia procuro outro parecido.
    Seu carro está muito legal, e a cor é minha preferida desse face-lift.
    Parabéns, gostei muito da história.

    • Marcelo Conte

      Boa noite, Juvenal, que legal a sua história do “casal XR3”, acho que merece ser contada nesse espaço, com certeza acho que deve ter havido poucos “casos” desse tipo. Procura um sim, que você não vai se arrepender, aproveita enquanto é possível encontrar alguns sobreviventes. Abraço

  • Davi Reis

    Que história maravilhosa e que carro maravilhoso! Parabéns pela compra, muitas felicidades. Sonho em dirigir um e quem sabe até ter um desses na garagem no futuro.

  • Marcelo Conte

    Obrigado ALFR, legal saber que tantas pessoas tem histórias em comum com o XR3. Se não encontrar o seu Escort 96, talvez um modelo idêntico.

  • Fat Jack

    Eu sou absolutamente suspeito para falar de Escorts, pelo fato de meu pai ter tido alguns (para não dizer vários) e foi com ele (Escort) que eu tive mais tempo com um carro, rodando com ele por mais tempo, andando desde tranquilamente até em velocidades “menos aconselháveis” e fazendo diversas viagens (constantemente sozinho) e são nesses momentos que você acaba conhecendo o carro de verdade.
    É um carro muito interessante, confiável, competente e agradável de guiar (a qualquer velocidade, ao contrário do que muitos apregoam sobre sua estabilidade). As lembranças foram tão boas que há algum tempo atrás não resisti e acabei adquirindo um XR3 MK3 85 para um agradável “remake”, infelizmente acabei tendo que me desfazer dele, mas não foi um “adeus” e sim um “até logo”.
    Parabéns pelo lindo carro e que você construa maravilhosas história na sua companhia!

  • Marcelo Conte

    Caro Bronza, obrigado por ter gostado da história. Belíssima coleção! Três versões fantásticas, mas você tem um aí: o 1985 vermelho Sunburst, que ainda é uma meta para mim…Não sei quando, mas um dia chego lá. Acabei de assistir a sua matéria no ESPN, nem precisa dizer que o seu XR3 está demais, parabéns mesmo pela raridade. Saudações escortísticas!

  • Marcelo Conte

    Obrigado, Fabius, acho que os carros acabam sempre nos lembrando da nossa história, mesmo que indiretamente. Abraço.

  • Marcelo Conte

    Obrigado, Victor, você tem razão, combinam muito bem. Abraço.

  • Marcelo Conte

    Prezado Enrico, muito obrigado pelo seu feedback e pelos elogios ao XR3 e 147. Assim como você, eu acredito que essa paixão por carros e/ou motos, acaba se incorporado à nossa vida de modo tão intenso que faz com que as pessoas as quais convivemos entendam o quanto tudo isso é importante para nós. De fato, o prazer de iniciar projetos de recuperação de carros ou motos nos proporciona algo muito além do que apenas um hobby. É difícil explicar em palavras, mas com certeza você e outros entusiastas sabem o que estou querendo dizer. O seu projeto com o Escort Conversível é um bom exemplo disso, você sabe o quanto é significativo deixar esse carro perfeito para rodar. Você volta a ter 19 anos, revive e vive tudo de novo, lembra dos familiares, amigos e de toda atmosfera dos anos 80… não é fantástico!? Por outro lado, muito legal o seu projeto de restauração da Maxi Puch, você tem uma raridade. Legal que entre as dezenas de veículos que passou por você, houve um 147 Rally! Ainda melhor que foi vermelho, para mim a cor “oficial” desse carro, aquela carburador de corpo duplo fazia muita diferença no desempenho. Abraço e boa sorte nas finalização das restaurações, quando terminar conte as histórias por aqui também.

  • Coruja

    Muito bom.

    • Marcelo Conte

      Obrigado, Nelson!

  • WSR

    Que belo achado, hein? Fui ver um MK3 vermelho, ano 85, em razoável estado de conservação (bem longe do seu) e preço, mas acabei desistindo porque não tinha o teto solar. XR3 sem teto solar é algo como um “XR2 e 1/2”, rs.

    • Marcelo Conte

      Foi mesmo WSR! Está muito difícil compatibilizar preço e qualidade. Você fez bem de não comprar, por mais que o Escort XR3 – MK3 esteja cada vez mais raro e o vermelho sem dúvida uma das cores mais bonitas, comprar um sem teto solar perde um pouco da magia do carro. Boa sorte no garimpo, uma hora você acha.

      • WSR

        É, o teto solar é o charme do XR3. Minha ideia é adaptar um AP 2,0 e, já que é para fazer isso, acho que seria melhor fazer em algum que já fosse mais completinho. Além disso, aqui no ES deve ser meio complicado achar um lanterneiro que faça uma boa adaptação de teto solar.

  • Márcio

    Marcelo, bela história…. Apesar de um pouco mais novo que você (tenho 35 anos) vivi a época desses carros quando eu era criança, sempre fui vidrado em carros e por isso lembro perfeitamente de todos esses modelos icônicos dos anos 80.

    Sobre o Escort, um tio meu teve um L 1986 (preto), ali pelos idos de 88/89, e pouco depois pegou um outro L azul metálico claro (um tom ligeiramente mais escuro que o seu), que inclusive tinha ar-condicionado e o aerofólio traseiro igual ao do XR3 (muuuita gente modificava as versões mais simples visando deixar igual ou com alguns ares de XR3)… Meu tio pegou esse azul ali pelos idos de 89/90 era um carro com um ano e pouco de uso, muito novinho. Ele ficou com esse carro acho que uns 2 ou 3 anos, lembro até da placa (ZH-3844), e em algum álbum de família tem fotos dele, junto com um Santana que meu pai tinha na época.

    Sai da maternidade num Fiat 147 1979, mas depois até os 11 anos de vida convivi muito com VW. Pouco depois de minha chegada ao mundo, meu velho comprou um Voyage LS 1,5 81/82, 0-km (vendeu eu tinha uns 3 anos, tenho vagas memórias dele), onde em 84 comprou 0-km a rara versão Los Angeles (esse eu lembro bem, bancos Recaro, capa Cibié branca com as letras pretas cobrindo os faróis de longo alcance). Em 1987 veio um Passat Flash prata 0-km (também raro) e depois em 1989 um Santana CL 1,8 álcool 0-km…. No entanto, realmente o Escort XR3 (junto com o Gol GTi e os Unos 1.5 e depois 1.6R) era um carro que era chamativo demais… No fim dos anos 80 e 90, morei num prédio e um dos moradores era fã do modelo. Lembro que ele tinha um azul, aquele azul metálico bem vivo, e depois ali pelos idos de 90 pegou um já com motor 1,8, prata, 0-km… Coisa linda, mesmo o então Santana CL do meu pai sendo um senhor carro na época, e ainda seminovo (devia ter 1 ano de uso), aquele Escort era o mais chamativo da garagem.

    Esse Santana terminou ficando com a gente por muito tempo, foi o carro que comecei a dirigir e tenho boas memórias daquele frente enorme levantando nas aceleradas, do câmbio preciso e do volante gigante e pesado (esse não tinha direção assistida . Nessa época que comecei a dirigir o Santana, em 1992, minha mãe comprou uma Elba S 1.3 álcool 87 e em 93 trocou num Prêmio CS 1.5 álcool 89 (motor Sevel argentino), dirigi muito esses dois carros, mas no fim de 95 meu velho comprou um Tempra 95/96 0km (sonho de muitos na época) e o Tempra terminou sendo um carro que me marcou muito, tanto que anos depois meu primeiro carro foi um Tempra 99 8v, comprado em 2004 com 48.000 km e vendido em 2010 com 174.000 km.

    Eu ainda vou fazer algo parecido com o que você fez no sentido de “reviver” o passado, mas de forma diferente… Já a alguns anos localizei o Tempra que foi do meu pai (vendido em 97 com pouco mais de 1 ano de uso e com apenas 23.000 km) e está nos meus planos pegá-lo de volta e guardá-lo para a posteridade… Consegui até fotos do carro, ainda está muito bem conservado (muito acima da média do que se vê por aí) e bem fácil de deixá-lo relíquia! Estou acompanhando o carro (está na cidade de Petrópolis, região serrana do RJ desde 2001 até hoje) e vamos ver quando consigo executar esse projeto, onde de fato creio ter sensações muito semelhantes ao seus relatos!

    Bom, faço ideia de quão bom deve ser ter na garagem um carro antigo que foi sonho e das memórias de tudo o que viveu e irá reviver nos passeios com esse Escort!! E ouvindo Simple Minds então (para mim a melhor é Alive and Kicking), aí vou além do que você disse, o tempo não só para, como até volta!!!

    Abs!

    • Marcelo Conte

      Caro Márcio, obrigado por ter apreciado o texto e compartilhado parte de sua história com os carros que marcaram sua vida. Para a gente que é Autoentusiasta os carros são parte de um passado que nunca esqueceremos. Muito legal o histórico dos seus carros, todos muito legais e em especial o Voyage Los Angeles e o Passat Flash eram sensacionais e exclusivos. Olha, se você tiver a oportunidade de recuperar o Tempra que foi do seu pai, não tenha dúvidas, será um projeto inestimável, vale muito a pena! Boa sorte e que logo volte para sua garagem o Tempra. Abraço