O Cesvi — Centro de Experimentação e  Segurança Viária, fundado em 1994, é uma organização dedicada à pesquisa da reparação automobilística.  Com base na congênere espanhola Cesvimap, tem grande atuação no campo do estabelecimento dos tempos de reparo de veículos acidentados, essencial tanto para oficinas quanto seguradoras.Seu trabalho é tão importante que as fabricantes submetem seus produtos ao Cesvi antes mesmo de serem lançados para estudos de reparabilidade. Estes envolvem até impacto de baixa velocidade (até 15 km/h).

O Cesvi é ativo também nas questões de segurança no trânsito por meio de estudos e campanhas.

Sediado em São Paulo, no bairro do Jaraguá, edita bimestralmente a revista Cesvi, na qual relata sua atividade e outros assuntos de interesse geral, entre eles a segurança viária. Mais sobre o Cesvi em www. cesvibrasil.com.br.

O vídeo dá melhor ideia do que é o Cesvi e o que faz:

 

A Década de Ação para Segurança no Trânsito

Na recente edição junho-julho da revista há um breve mas interessante resumo das estatísticas referente ao assunto trânsito com vistas ao programa da ONU “Década de ação para segurança no trânsito” (2011-2020), destinado a poupar 5 milhões de vidas no mundo inteiro. Veja alguns dados:

> 2011 foi o ano em que começou a contagem da década. As metas deveriam ser atingidas até 2020.

> 50% de redução nas mortes é a meta da Década da ONU. Nós cinco primeiros anos, entretanto, o Brasil só reduziu 6%.

> 626 projetos de lei constavam em tramitação na Câmara dos Deputados até 25 de janeiro deste ano, para modificar o Código de Trânsito Brasileiro.

> 79 países tiveram uma queda nas mortes no trânsito desde 2010, enquanto oito países passaram a matar mais em suas vias.*

> Apenas 17 países alteraram suas leis entre 2011 e 2014, adotando melhores práticas em relação aos fatores de risco de acidentes.*

> 1,2 milhão de pessoas morrem e 50 milhões ficam lesionadas todos os anos por causa da violência no trânsito.

> 270 mil pedestres morrem em acidentes automobilísticos todos os anos.**

Entre as vítimas de acidentes de trânsito no mundo, 90% são de países em desenvolvimento, nações que detêm apenas 54% dos veículos em todo o mundo.*

Das mortes mundiais em acidentes de trânsito, 40% se concentram em três países: Índia, China e…Brasil!*

* Organização Mundial de Saúde, Relatório sobre a Situação Global de Segurança no Trânsito 2015
** Nações Unidas

E aqui?

Como se vê, no que tange o Brasil, temos um enorme caminho a percorrer e, pelo jeito, a segurança no trânsito aqui é mera utopia. Enquanto pessoas realmente competentes e interessadas na gestão do trânsito não ocuparem as posições-chave no sistema mediante seleção técnica e não política; enquanto a Justiça for benevolente com os criminosos no trânsito; enquanto o Congresso Nacional votar leis idiotas e inócuas com a “lei seca” e a recente que obriga farol baixo nas rodovias durante o dia; enquanto a autoridade de trânsito não trabalhar de fato na fiscalização, preferindo que câmeras façam o papel de caixas registradoras; enquanto não se adotarem velocidades regulamentadas realistas que demandem um mínimo de habilidade ao dirigir; enquanto continuar a proliferação de lombadas — e agora lombofaixas — que ensinam e treinam os motoristas a serem idiotas em vez de lhes incutir responsabilidade; enquanto a sinalização rodoviária não for perfeita, verdadeira e que imponha respeito pelo seu lado educativo; enquanto autoridades de trânsito idiotas aplicarem placa de parada obrigatória (Pare) na entrada das rotatórias; enquanto não for coibida a utilização sistemática faixa de rolamento mais à esquerda sem necessidade; enquanto não houver fiscalização presencial permanente abordando motoristas infratores; enquanto não houver atenção a veículos em estado que visivelmente represente perigo ao trânsito; enquanto os que recebem a carteira de habilitação mal saberem dirigir; enquanto a autoridade de trânsito fizer vista grossa a veículos que não oferecem visibilidade mínima do motorista pelos vidros da condução (sacos de lixo), nunca chegaremos ao final do longo caminho da paz e segurança no trânsito.

Menos papel e mais ação é o que precisamos.

BS

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