Está programado para o Salão de Paris, que começa em 1º de outubro, a apresentação do motor com taxa de compressão variável pela divisão Infiniti, marca de luxo da Nissan.

A empresa vem trabalhando há cerca de 20 anos no projeto, que pode ser considerado uma revolução na história dos motores de combustão interna, resolvendo aquele que é provavelmente o maior problema fundamental, a taxa de compressão ideal. O VC-T pode trabalhar com qualquer taxa entre 8 e 14 para 1, permitindo admitir-se que poderá funcionar corretamente com gasolinas de baixa octanagem. A sigla é simples, e significa variable compression – turbocharged (compressão variável – turboalimentado)

Pela imagem de divulgação da Nissan, é possível ver o esquema geométrico projetado para mudar a posição de uma peça de ligação pivotada,  que tem o pé da biela de um lado e o braço de acionamento desse pivô do outro. Ele está montado ao redor dos mancais do virabrequim. Todo controle é eletrônico.

O resultado prático é que o pistão mantém seu curso, mas lá em cima o volume da câmara de combustão muda, pois o ponto-morto superior varia sua distância para a câmara de combustão. Para taxas menores (combustível pior ou mais  potência necessária), volume maior. Para taxas maiores, volume menor.

A diminuição da taxa vem acompanhada de um aumento da pressão do turbocompressor, aumentando a potência sem que ocorra detonação. Já em velocidades de cruzeiro, com acelerações nulas ou suaves, a taxa aumenta, com consumo mínimo.

A Nissan-Infiniti declara que o motor tem o torque e a eficiência energética de um turbodiesel avançado, sem as emissões que são sempre mais críticas do que nos motores Otto.

Não há números de potência e torque divulgados ainda, mas o motor é de dois litros e quatro cilindros, e por fora, não há diferenças significativas para um motor normal.

Apenas para constar, a Saab, antes de ser 100% comprada pela General Motors, em 2000, projetou e construiu um motor de compressão variável que foi muito testado, mas não entrou em produção. Esse assunto foi abordado no AE há alguns anos, veja mais sobre ele aqui.

JJ

Sobre o Autor

Juvenal Jorge
Editor Associado

Juvenal Jorge, ou JJ, como é chamado, é integrante do AE desde sua criação em 2008 e em 2016 passou a ser Editor Associado. É engenheiro automobilístico formado pela FEI, com mestrado em engenharia automobilística pela USP e pós-graduação em administração de negócios pela ESAN. Atuou como engenheiro e coordenador de projetos em várias empresas multinacionais. No AE é muito conhecido pelas matérias sobre aviões, que também são sua paixão, além de testes de veículos e edição de notícias diárias.

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  • Hilton, o motor ainda não está em carro nenhum comercializado e você já está preocupado com preço?

  • Certo, Hilton, uma tecnologia dessas se popularizar é altamente improvável.

  • Hilton, pela complexidade do sistema.

  • Thunderiano, quando usa gasolina adulterada com solvente, aquelas baratinhas de posto sem bandeira, você quer dizer, porque se a gasolina for correta não ocorre detonação.

    • Thunderiano – HO!

      Não Bob, a gasolina qualquer que seja 85 octanos ou até mesmo 98 octanos. O que acontece é aquele barulho de lata batendo quando um 1,0 flex faz uma meia embreagem de leve. Todos fazem esse ruído característico de motor flex. Já com um combustível de alta octanagem, como o etanol, no qual o motor tem a taxa de compressão apropriada, não ocorre esse ruído. Afinal, o motor flex foi projetado para ambos combustíveis, mas o projeto é taxa de compressão para etanol e adaptação para gasolina. E o inverso não seria possível.

      • Thunderiano, você se esquece que tenho vasta experiência com carros flex e a gasolina com taxa de compressão alta e isso que você diz, “barulho de lata”, que imagino você estar se referindo a detonação, só pode ser isso, só acontece se a gasolina estiver fora do padrão de octanagem. Como pode você achar que as engenharias das fábricas validariam um produto se houvesse detonação com gasolina? Pare com essa bobagem, isso não existe!

  • Minoru, o curso do pistão é função exclusiva do raio da manivela do virabrequim e o comprimento da biela em nada influi no curso.

  • Thunderiano, primeiro, o reconhecimento de combustível está bem rápido hoje. Segundo, com o período de transição mais lento, mesmo que ocorra detonação, ela é temporária, curta, sendo um preciosismo descabido tal reclamação, quanto mais que ela logo é abortada pelo gerenciamento do motor. É procurar pelo em ovo para reclamar, tem gente que adora isso. Terceiro, só gasolina adulterada com solvente, que não tem a iso-octana e que tem menos octanagem que o regulamentar, ocasiona detonação. Nada a ver o que você diz sobre variação de mistura do álcool com a gasolina.

  • Thunderiano, resposta: estão.