Fotos: autor e divulgação

Após apenas quatro anos a Mercedes-Benz atualiza mais uma vez a linha de comerciais Sprinter, igualando-o ao modelo europeu em estilo. Manter o produto alinhado com os mercados externos é caminho atual e futuro. Foram adicionados itens de tecnologia muito importantes para aumentar a segurança, e o conforto é também superior agora.

O modelo anterior, de 2012, é o chamado segunda geração, e era quase totalmente novo em relação ao de 1997, quando foi lançado substituindo o MB180. Agora a atualização é menor, mas importante para mantê-lo como o veículo mais desejado do segmento, e com a maior rede de concessionárias — 200 — no Brasil.

Esse ano é muito importante para a Mercedes-Benz, já que comemora 60 anos aqui. Como não poderia deixar de ser, o modelo atualizado já é 2017. Desde o seu lançamento em 1997 já foram vendidos mais de 120 mil veículos com as diferentes opções de comprimento, entre-eixos, motorização e carrocerias, que agora para 2017 chegam a 60 variações, contando com as carrocerias fabricadas por implementadores como, por exemplo, uma que estava exposta, para carga seca, aberta, feita em alumínio. No mundo todo, a linha tem mais de 3 milhões de veículos produzidos. Os modelos vendidos no Brasil são fabricados na Argentina.

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Carroceria de alumínio pesa 160 kg e é quase 300 kg mais leve que uma de madeira e metal tradicional

A Mercedes-Benz está sempre muito bem informada com o mercado, e mostrou que os segmentos de furgões de carga e de passageiros cresceu bastante entre 2011 e 2016, 14% no primeiro e 9% no segundo, respectivamente. Além destes, o veículo chamado apenas de “chassis”, que compreende a cabine sem carroceria atrás, pronto para montagem de variados tipos de carroceria, cresceu também nesse período, 16%.

Para passageiros e motorista, o conforto melhorou, com bancos de espumas de densidade melhorada, regulagem de altura para o do motorista, além de ajuste de altura e dist6ancia do volante. São melhorias que provêm de pedidos dos usuários. “A estrada fala e a Mercedes ouve” é a frase proferida pelos profissionais da empresa.

O painel de instrumento e os painéis de porta têm porta-objetos para facilitar a vida de trabalho de quem precisa de um carro desses, além do console do tipo prateleira no teto, junto aos para-sóis, muito útil para itens leves, como papéis, por exemplo.

Na parte de tecnologia, freios a disco nas quatro rodas em todas as versões, com assistência antibloqueio (ABS); distribuição eletrônica de força de frenagem; controle de tração que atua na potência do motor e também nos freios das rodas traseiras, independentemente; assistência de frenagem, que atua 100% assim que a força do motorista sobre o pedal passa dos 75% do máximo, ajudando no encurtamento da distância de parada, acompanhado das luzes de freio piscando 3 vezes por segundo.

Esses sistemas trabalham em conjunto, havendo um detetor de peso bruto total, que, através de células de carga, consegue identificar as variações no peso do carro e informar o controle de estabilidade para trabalhar com parâmetros para tais variações. O controle de estabilidade é dos mais sofisticados que existem, incluindo o detetor de risco de capotagem em baixa velocidade, que mede a aceleração lateral gerada por manobra brusca, e que faz omesmo em alta velocidade. A diferença entre baixa e alta é complexa, já que depende do ângulo e velocidade com que se vira o volante, além do peso bruto.

O pacote de segurança ativa tem também o controle que aproxima as pastilhas dos discos ao se tirarrapidamente o pé do acelerador, como quando se depara com uma situação de emergência, e outro destinado a secar e aquecer os discos quando se enfrenta chuva, atuando levemente o freio para que o pequeno atrito remova a água da área de frenagem do disco. Esses itens são também encontrados nos carros da Mercedes, como a perua C 180 Estate Avantgarde que testei há algumas semanas.

E para completar esse conjunto tecnológico, está sendo introduzido o assistente de intervenção de ventos laterais que evita os desvios de trajetória provocados por tais ventos ou em ângulos variados, notavelmente sensíveis em veículos altos. Este atua a partir de 80 km/h, nos freios do lado de onde o vento vem, trazendo o Sprinter de volta à trajetória apontada pelo volante. Trata-se de uma inovação que vem do furgão menor Vito, e que coloca o motorista em situação de tranquilidade mesmo com ventos fortes.

Atuando também ativamente (evitar acidentes), o Sprinter conta com faróis DRL, de uso diurno, com lâmpadas separadas do farol normal. Assim, fica eliminada a possibilidade de multas conforme a nova lei em vigor nas estradas. Basta ligar o carro e eles acendem, sem ligar as luzes traseiras.

Também em iluminação, os faróis de neblina acendem em curvas, quando se vira o volante, auxiliando a iluminação para onde se estiver curvando. Engatada a ré, acende-se o farol do lado oposto para onde vai a traseira, para iluminar a área por onde a dianteira do carro irá passar.

As lanternas traseiras tem quatro lâmpadas, com a luz de freio sendo as duas superiores, para melhor visualização.

No conforto, bancos para passageiros são mais altos e largos, todos tem apoio de cabeça, item ainda não obrigatório por lei em transporte coletivo, e revestimento em tecido de grande resistência igual ao do Vito, lançado em novembro do ano passado.

A linha é composta basicamente dos modelos 313, 415 e 515. O primeiro algarismo é o mais próximo do PBT, 3.500 kg no 313, 3.880 kg no 415 e 5.000 kg, no 515. Este último tem rodado duplo na traseira, e não pode trafegar acima de 90 km/h pela legislação brasileira. Por isso, não possui o sistema de correção de vento lateral, já que ele só atua acima de 80 km/h, e o grande entre-eixos ajuda muito na estabilidade direcional.

Os dois outros algarismos definem a potência do motor diesel de injeção direta OM 651LA,  13 é o motor de 129 cv e 15, o de 146 cv, ambas a 3.800 rpm. O torque máximo é de 31,1 m·kgf no primeiro, e 33,6 m·kgf no segundo, sempre entre 1.200 e 2.400 rpm, fato que verificamos nas subidas dentro do fazenda e condomínio Dona Carolina, em Itatiba, SP, onde realizou o evento de apresentação à Imprensa.

A mecânica é a mesma do modelo 2016, unicamente com câmbio manual ZF de seis marchas. Não foi confirmado se uma caixa automática está ou não em estudos, mas acredito  ser um caminho normal e inevitável

O carro é bem confortável e fácil de dirigir. Eu nunca havia nem sequer sentado no banco do motorista de um Sprinter, e logo me dei bem. A partida do motor só funciona acionando o pedal de embreagem até o fundo, ótimo pela economia de energia da bateria, que não precisa girar também o câmbio, e por segurança, evitando um salto caso o carro esteja engatado. Isso é prática de muitos motoristas, inclusive eu mesmo.

O painel é muito bem feito, com os instrumentos agrupados corretamente, e luzes=espia bastante úteis e fora dos padrões normais de automóveis, como o indicador de filtro de ar do motor saturado, dos pré-tensionadores do cinto de segurança com problema, o de lâmpadas queimadas que atua até mesmo nas luzes da placa de licença e o de desgaste de pastilhas de freio. Tudo isso ajuda bastante o condutor, que vai rodar muito todos os dias, e tem nesse tipo de auxílio um inestimável ajudante

Há rádio com CD, MP3 e com conexão Bluetooth, entradas para cartão de memória do tipo SD e AUX-In, fechamento central das portas por controle remoto e acionamento elétrico de vidros, travas de portas e retrovisores

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Painel claro, prático e bem desenhado, com materiais de ótimo padrão, superior ao de vários carros de passageiros.

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Passageiro do centro tem cinto de três pontos e há faixa degradê no para-brisa

O circuito de teste oferecido mostrou as ótimas qualidades de dirigibilidade da linha, com algumas curvas onde consegui fazer acender a luz do controle de estabilidade. As diferenças de peso entre o furgão longo de 21 lugares e o guincho-plataforma é enorme e mostrou que se um é um pouco lento para acelerar, o outro passa a ser empolgante para a categoria de “caminhõezinhos”.

As trocas de marcha são fáceis, leve e suaves, tanto a alavanco quanto o pedal de embreagem são bem leves, mostrando qualidade mecânica. O freio é tem modulável, auxiliado pelo curso longo do pedal. Pisa-se fraco no pedal, freia fraco, pisando mais forte, freia mais forte. evitam-se as “cabeçadas” dos passageiros. Nível de ruído é ótimo, o motor é audível mas não incomoda. O ar-condicionado é silencioso. Continuará sendo um bom lugar para trabalhar e viajar.

Os furgões de carga tem duas opções de alturas internas (1.650 e 1.940 mm) e quatro comprimentos (5.245 /5.910 /6.945 /7.345 mm). Além das portas traseiras, há portas corrediças de ambos os lados, facilitando ao máximo a carga e descarga. Os de passageiros tem versões 9+1 (9 lugares mais motorista), 15+1, 17+1 e 20+1, sendo estas três últimas com bancos reclináveis para todos os passageiros. As portas traseiras dão acesso a um pequeno porta-malas, e o acesso de passageiros é feito por porta corrediça apenas na esquerda, com 1,32 m de comprimento, permitindo entrar e sair com facilidade.

O preço da versão básica de chassis é de R$ 102.000,00, 5% acima dos praticados no modelo 2016.

Agradecimento especial ao Márcio Martins, do site vipmarcas.com.br, de Campo Grande, MS, que fez o vídeo abaixo.

JJ



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Sobre o Autor

Juvenal Jorge
Editor Associado

Juvenal Jorge, ou JJ, como é chamado, é integrante do AE desde sua criação em 2008 e em 2016 passou a ser Editor Associado. É engenheiro automobilístico formado pela FEI, com mestrado em engenharia automobilística pela USP e pós-graduação em administração de negócios pela ESAN. Atuou como engenheiro e coordenador de projetos em várias empresas multinacionais. No AE é muito conhecido pelas matérias sobre aviões, que também são sua paixão, além de testes de veículos e edição de notícias diárias.

  • JJ, você é O cara!

  • Lucas Vieira

    Difícil Lorenzo, o preço do Sprinter não ajuda, e mesmo entre os furgões, é o mais caro. O custo de manutenção dele é elevado, uma simples troca de óleo passa dos R$ 600,00, o que é uma realidade distante dos usuários de Kombi. Acho que quem pegou o lugar das Kombi foram em parte os chineses, Fiorino e HR.

    • Clésio Luiz

      A manutenção é cara mas é bem mais espaçada do que a de um automóvel. Lembro de conversar com um dono de Renault Master, anos atrás, sobre os custos do veículo e fiquei impressionado com a alta quilometragem entre as trocas de óleo. Não lembro os valores agora, mas eram muito superiores aos automóveis de passeio.

      Fora que uma van dessas tem a capacidade de 2 a 3 Kombis, dependendo do modelo. Então o custo pode até ser mais baixo por passageiro transportado.

  • Rafael, correto, e a internet veio ao encontro dessas pessoas, pela facilidade em darem suas opiniões.

  • Gostei desse review. Vocês poderiam postar mais matérias sobre os médios e grandes.