As fábricas criam alternativas para tornar o financiamento mais atraente e estimular as vendas de carros zero-km

Desde que Michel Temer assumiu a presidência e Henrique Meirelles (foto), o comando da economia, houve uma inflexão na curva que retrata o estado de ânimo do mercado. Ela pode não ter apontado ainda para cima mas, pelo menos, não continua mirando o porão.

Mas só otimismo não resgata empregos, não baixa a inflação nem faz surgir crédito no mercado. São reações lentas e previstas para o próximo ano, na melhor das hipóteses. Mas os executivos não cruzam os braços à espera da retomada da economia e imaginam fórmulas para atrair o consumidor. Se funcionarem na época de vacas magras, bombariam ainda mais lá na frente com o mercado em alta.

Se o financiamento é uma considerável barreira e espanta clientes, pois falta crédito e os juros estão elevados, a ideia é criar alternativas para estimular negócios. Toyota e Honda, por exemplo, lançaram quase simultaneamente no mercado um plano para financiar carro zero-km num esquema muito semelhante ao do leasing.

Chamado de “Ciclo Toyota” ou “Plano Unique Honda”, o consumidor dá uma entrada de 30% a 40% do valor do carro e financia outros 30% ou 40% em 12, 24 ou 36 parcelas mensais. E o valor residual, de 30 ou 40%, pode ser amortizado com a recompra do automóvel pela concessionária, que paga 85% do valor da tabela Fipe. Ou refinanciado em até 18 meses caso o freguês tenha interesse em permanecer com o carro.

O governo vai dar também sua contribuição para agilizar o financiamento e reduzir juros. Atualmente, recuperar o carro de um consumidor que se tornou inadimplente é uma novela mais longa que as da Globo.  São tantos empecilhos burocráticos que até fazer valer uma ordem judicial de busca e apreensão já se passaram meses (anos, às vezes…) e a financiadora acaba recebendo o carro em situação deplorável. Entretanto, está para ser implementada uma nova ferramenta jurídica que agiliza seu resgate, tornando possível a apreensão 60 dias depois de confirmada a inadimplência. O que reduziria sensivelmente os custos das financeiras e que poderiam, então, diminuir as taxas da operação. No frigir dos ovos, o financiamento do carro seria mais atraente e os justos deixariam de pagar pelos pecadores.

Por outro lado, o consórcio vem se tornando uma boa alternativa ao financiamento do automóvel. Quanto mais difícil a obtenção de crédito e os juros elevados, maior a adesão ao plano consorcial. Que tem vantagens e desvantagens, mas que chama a atenção atualmente por algumas das normas estabelecidas pelo Banco Central. Uma delas que passou a atrair o consorciado é a valorização da carta de crédito, entregue ao contemplado por sorteio ou lance. É como se fosse um cheque ao portador emitido pela administradora para se comprar um produto qualquer.

Entretanto, caso o consorciado tenha interesse em adquirir um automóvel, mas o modelo esteja em fim de linha e já anunciado seu substituto para daí a três ou quatro meses, nenhum problema: o valor de face da carta de crédito é atualizado mensalmente pelo índice Selic. Ou seja, se o novo modelo for um pouco mais caro, o consorciado continua tendo condições de adquiri-lo sem nenhum desembolso extra. Ao contrário, se ele mantém a carta no bolso e deixa para fechar o negócios três meses depois e o carro não teve aumento de tabela, o consorciado poderá comprar um modelo de maior valor. E finalmente, uma vantagem extra: os rendimentos financeiros obtidos pela valorização da carta de crédito não estão sujeitos a Imposto de Renda. Uma bela opção de aplicação!

BF

A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

Sobre o Autor

Boris Feldman
Coluna: Opinião de Boris Feldman

Boris Feldman é engenheiro elétrico formado pela UFMG, também formado em Comunicação, jornalista especializado em veículos e colecionador de automóveis antigos. Além da coluna Opinião de Boris Feldman no AUTOentusiastas, é colunista do jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, e do jornal O Povo, de Fortaleza e tem o programa de rádio Auto Papo, na emissora Alpha FM, de São Paulo, e em mais 38 emissoras pelo país, com três edições diárias.

Publicações Relacionadas

  • Fat Jack

    Essa estratégia recente da Toyota (a meu ver) só deve pegar os mais desavisados (ok, não são poucos), pois os percentuais de entrada e finais são relativamente elevados, os prazos são curtos e a recompra por 85% da FIPE não me parece grande coisa (15%- num carro de R$70 mil são mais de R$10 mil de prejuízo!), e as regras do refinanciamento (dado que o interesse é vender novamente um novo) como a taxa de juros, como fica?
    Perdoem-me a descrença, mas fiquei com a clara sensação de um belo jogo de números, e muito, mas muito pouco além disso.

    • Mr. Car

      Também não me convenceu. O único tipo de financiamento que me interessaria, seria um com juros americanos. Como não vou ver isto, estou fora, he, he!
      Abraço.

      • André Castan

        O banco me liga umas duas vezes por mês… “O senhor não tem nenhum projeto para realizar? Oferecemos uma linha de crédito especial…” Minha única pergunta, (apenas para não desligar o fone na cara do promotor). Qual a taxa? O promotor titubeia e solta um 3,xx ao mês. Eu digo não, obrigado. Quando você tiver uma taxa abaixo de 1% ao mês para me oferecer, pode me ligar de novo.

      • marcio pessoa de faria neto

        MR. sem falar que a propaganda veiculada na TV ridiculariza o cara com um espanador nas mãos tirando poeira de um Corolla ano “dois mil e pouco”, e a esposa do cara ainda o chama de mané.

  • Daniel S. de Araujo

    “E finalmente, uma vantagem extra: os rendimentos financeiros obtidos
    pela valorização da carta de crédito não estão sujeitos a Imposto de
    Renda. Uma bela opção de aplicação!”

    Só essa frase invalida tudo o que foi escrito acima. Desde quando consórcio é aplicação financeira? Só na cabeça do Gerente do Banco que quer bater meta e do Sr. Boris Feldman (que anda aprendendo economia nos discursos de Dilma Rousseff). Consórcio devolve o saldo remanescente de fundo de reserva e que você pagou por ele e o rendimento de aplicações sim. Mas não é uma aplicação financeira pois não tem índice de referência, não é corrigido monetariamente (o indexador é o valor do bem-referência) nem há uma taxa de juros embutida. Isso é aplicação financeira???

    É uma aberração um colunista afirmar que consórcio é uma “bela aplicação”. Uma aberração tão grande quanto falar de carro “1000 cilindradas” ou “fios de alta voltagem”.

  • Fernado

    O problema ao meu ver que os preços desde os mais básicos estão muito elevados. Um trabalhador assalariado não tem como pagar uma prestação de um veículo. Qualquer financiamento de R$ 20.000,00 já extrapola o valor de R$ 600,00 mensais. Para quem paga imóvel já inviabiliza, pois serão no mínimo R$ 1.000,00 fixos todo mês se a prestação do imóvel for R$ 400,00 . Chutei valores baixos, mas a tendência são valores maiores e salários mais achatados.

  • Invalid, se impostos não forem desonerados nunca sairemos desse buraco.

  • invalid, não quando houve desoneração do IPI os preços baixaram, não se lembra?

  • Fat Jack, é apenas uma proposta de financiamento, utiliza quem quer.

  • Mingo, o Boris apenas transmitiu o plano da fabricantes. Ninguém é obrigado a aceitá-lo.

  • Davy, você está absolutamente enganado, não tem nada de situação difícil nisso. Primeiro, trata-se de uma coluna e colunistas são livres para se expressar (guardadas questões éticas), representem ou não nossa opinião. Isso é citado no final de toda coluna, nunca viu? Segundo, um dos papéis dos veículos de comunicação é informar, e isso é o que foi feito. O colunista tomou conhecimento do produto financeiro e tem todo o direito de publicá-lo. O leitor fica ciente e soberanamente decide se usará ou não a modalidade de financiamento informada. É tão simples!

  • Gerson Biava Borjas

    Fora bandido Temer, volta Dilma.

    • É mesmo, traidorzinho da pátria? Pode desistir, a gorda fecal está fora. E já vai tarde. E suma-se daqui.

      • Mr. Car

        Pena que não tive tempo de ler a mensagem deletada, Bob, para ver o tamanho da besteira, mas imagino que tenha feito muito bem em aplicar o passa-fora, he, he!
        Meu abraço e meu apoio, he, he!

        • Mr. Car, coisa de petistazinho-verme.

  • Diogo, considero essas exigências plausíveis.

  • Filipe, vai ver que isso pode acontecer mesmo!

  • Lucas, refletir sobre besteira? Perda de tempo.

  • Caíque313131, essa arrumação que você, eu e todos esperamos, só depois que a gorda fecal for impedida. Está quase.

  • Antônio do Sul, exatamente, disse tudo.

  • Como diria o Bob, isso não vai acontecer porque “dá um trabalho”…