Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas DEVAGAR COM O ANDOR QUE O SANTO É DE BARRO – Autoentusiastas

Depois de alguns anos ouvindo “nunca antes na história desse (sic) país”, assim, de uma forma vaga e sem precisar prazo, já que o “nunca” no Brasil é muito subjetivo, e sem especificar sequer a qual país se refere, já que “esse” é algum outro que não “este” em que estamos e ao qual nos referimos, agora vivemos a euforia das estatísticas. Furadas, já adianto.

É como se ao citar números absolutos e porcentagens as teorias ganhassem subitamente ares de seriedade. Mas, será que eles foram coletados corretamente? Será que os períodos comparados são os mesmos ou pelo menos guardam algum motivo que permita isso? Não raro comparam-se maçãs com peras e safras de inverno com as de verão.

Anos atrás uma pesquisa feita com usuários de ônibus na cidade de São Paulo perguntava se eles preferiam “ar frio” ou “temperatura ambiente”. A maioria não entendeu a capciosa pergunta e respondeu “temperatura ambiente”. Pronto, a Secretaria Municipal de Transportes usou isso como desculpa para não exigir ar-condicionado nos veículos. E alegava que era assim que a população queria. Quando foi refeita a pesquisa perguntando “ar-condicionado” ou “sem ar-condicionado” a primeira opção ganhou de lavada. Até porque ar-condicionado permite gradações, inclusive de ar quente. E, obviamente, pode ser ligado ou desligado segundo o dia ou o horário. Apenas mais um exemplo de que números sob tortura confessam qualquer coisa.

Pois é. Parece que agora nos vemos novamente nessa triste situação. Somente um mês após implementada a lei que obriga os veículos a circularem com farol baixo ligado nas estradas estaduais e federais as autoridades divulgaram estatísticas que comprovariam o sucesso da medida. Independentemente de ela ser fator de segurança ou não, por óbvio, um mês não é suficiente para estatística nenhuma. Nem dá para fazer uma curva de tendência com isso.

De 8 de julho a 8 de agosto, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) diz que foram registrados 124.180 autos de infração de veículos dirigindo com faróis desligados nas rodovias federais de todo o País. Segundo a PRF nesse período foram registradas 117 colisões frontais em pistas simples em todo o País que deixaram 39 mortos e 67 feridos graves. O número de colisões foi 36% menor do que aquele registrado no mesmo período do ano passado, quando foram registradas 183 colisões frontais que deixaram 88 mortos e 113 feridos graves. O número de atropelamentos também caiu, segundo a PRF, de 131 nas BRs para 88 e o número de óbitos passou de 16 para 10. Os feridos graves passaram de 63 para 43 na comparação dos dois períodos.

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124.000 multas em estradas federais em um mês (foto aconteceubotucatu.com.br)

Até aí, aleluia. É sempre bom ver que há redução de acidentes e de mortos ou feridos. O problema é que não há clareza se foram registrados apenas de dia – apenas um site deu essa informação e a própria PRF não faz essa distinção. Ou seja, não se sabe se o volume caiu realmente por causa do uso do farol durante o dia ou não. Ou se isso se deveu ao menor volume de veículos em circulação em todo o País, como é fato demonstrado pela queda na venda de todos os combustíveis veiculares, redução na produção de veículos, redução no volume de emplacamentos e diversos outros indicadores.

Também foram divulgados números por Estado. O recordista em flagrantes pelo não uso do farol foi São Paulo, com 25.250 multas (18.634 veículos foram autuados por infringir a lei em estradas estaduais). Se considerarmos apenas as multas em rodovias federais o estado recordista é Goiás, com 14.683, seguido do Paraná com 12.976 multas, Minas Gerais, com 12.660, Rio de Janeiro, com 11.100, Santa Catarina, com 10.720. O quê isso significa? Absolutamente nada — justamente porque não números absolutos. Se a frota de São Paulo fosse de 25.250 veículos significaria que, teoricamente, todos eles cometeram a infração. Se fosse de 2 bilhões de veículos seria totalmente irrelevante. E ainda que eu fornecesse o número, que consta das estatísticas oficiais que, sabemos, estão superestimadas pois não se dá baixa na maioria dos veículos, não há números sobre quais veículos estavam de passagem pelo estado mas cá foram multados.

Mas além disso, deveríamos levar em conta o efetivo da Polícia Rodoviária para multar condutores. Se São Paulo tiver, sei lá, 22 agentes, seria uma produtividade altíssima. Mas se tiver 1,5 milhão de agentes isso significaria que poucos condutores foram flagrados com os faróis desligados nas estradas federais durante o dia.

Mas, por que alguém divulgaria uma estatística assim tão açodadamente, com somente um mês? Bem, como jornalista e eterna repórter, sempre me pergunto isso. Ou, como dizem os advogados, cui bono? Quem se beneficia? E não é difícil chegar a uma resposta. O senador José Medeiros (PSD-MT) foi o relator da proposta ao Senado que com a redação de Lei 13.290 modificou o Artigo 40 do Código de Trânsito Brasileiro e que agora obriga motoristas a acenderem os faróis nas estradas durante o dia. A profissão dele? Ex-policial rodoviário federal. Diga-se de passagem isso, em si, não significa necessariamente algo errado, mas costuma ser um indício de motivos — bons ou ruins. Tem ainda outra variável. Como a lei só se aplica a rodovias federais e estaduais o volume também guarda proporção com a extensão deste tipo de rodovia em cada estado. Em Fernando de Noronha, por exemplo, a única estrada existente é uma BR, a 363, de 7 km de extensão que corta a ilha principal do arquipélago de ponta a ponta e ocupa boa parte do território.

No Estado de São Paulo, a Polícia Militar Rodoviária estima que no último mês houve queda de 9% em relação ao mesmo período de 2015 no total do número de acidentes e de 6% no número de atropelamentos. Significa algo? Também não por não distinguir noite e dia. Aliás, o que certamente diminuiria em muito o volume de acidentes é se realmente fosse fiscalizado o uso de faróis durante a noite, especialmente motos. Parece que nenhuma tem luz na traseira! Isso sem falar em faróis desregulados, caolhos, azul vela de macumba e outras excentricidades que em nada atendem ao Código de Trânsito Brasileiro e são comuns à maioria dos veículos em circulação.

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Mas se não há estudos em países tropicais, a lei é útil? (foto fronteiraurgente.com.br)

Especialistas em trânsito também fazem ressalvas à lei. O chefe do departamento de Medicina de Tráfego da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Dirceu Rodrigues Alves Júnior, diz que “O principal elemento num deslocamento é a iluminação. Na rodovia, de longe você já vê que é um veículo que está à frente, seja um dia de sol, neblina ou chuva”. Há muitos que dizem que outro problema é que faltam estudos que comprovem a eficiência da lei em países tropicais. É fato, já que tudo o que se cita no Brasil é baseado em estudos no Hemisfério Norte – especialmente Canadá e Escandinávia. Por mais que adore aquele país, como diz o Jean-François, meu amigo canadense, lá o inverno dura 8 meses, o outono 3 e o verão apenas 1. Não dá para emular coisas, não?

E tem mais. Se a velocidade ultrassônica das marginais e das principais avenidas em São Paulo reduziu em 37,5% o volume de acidentes, como alega a Prefeitura, se os acidentes nas estradas estaduais e federais caíram 9% por causa dos faróis ligados, se a velocidade de 30 km/h reduz em 50% o risco de morte em caso de atropelamento comparado com 40 km/h entre outras fórmulas matemáticas e estatísticas citadas pelas autoridades já deveríamos ter um número negativo de acidentes. Poderíamos começar a colidir uns com os outros que só chegaríamos a aparecer nas estatísticas lá por 2023 – isso para quem acredita piamente sem questionar e analisar melhor cada dado que é divulgado.

Mudando de assunto: Não quero deixar de mencionar o exemplo montessoriano que se extrai da lorota dos nadadores americanos. Mentira tem perna curta e é para profissionais. Dá muito trabalho, exige coordenação, coerência e, claro, combinar com os russos — no caso, os frentistas, o motorista de táxi, os guardas da Vila Olímpica… Especialmente em tempos de Big Brother, com câmeras de segurança em todo lugar.

NG

A coluna “Visão feminina” é de total responsabilidade de sua autora e não reflete necessariamente  opinião do AUTOentusiastas.

Sobre o Autor

Nora Gonzalez
Coluna: Visão Feminina

Nora Gonzalez é jornalista, foi repórter (inclusive de indústria automobilística) e editora da Gazeta Mercantil e de O Estado de S. Paulo durante muitos anos. É fã de carros desde pequena, especialmente de Fórmula 1.

  • Nora, os políticos criam multas para enganar o povo. Na verdade as multas hoje são impostos disfarçados.

  • János Márkus

    Pois é… Aqui em Brasília praticamente todas as avenidas de fluxo rápido são rodovias. Resultado, acende-se o farol na garagem. Os incautos que ainda não se habituaram estão na estatística daqui que aponta para 17.000 autuações em UM mês.

    • János, e essas autoridades de trânsito safadas não sabem, ou fingem que não sabem, que quando uma rodovia está em área urbana ela não é considerada rodovia, mas via urbana. O conceito consta do Manual de Sinalização editado pelo Contran.

      • lightness RS

        Eles não sabem, ou fingem que não sabem, muita coisa…. preguiça pura.

  • Luciano Ribeiro

    Confesso que até hoje eu não entendi a implicância de você com a lei, particularmente acho que ajuda e muito em estradas de pistas simples, onde a necessidade de visualizar o carro que vem em sentido contrário é de suma importância. Falam-se das multas aplicadas, oras, se temos ciência da lei e não obedecemos, corremos sim o riso de sermos multados, aí a culpa não é do governo que nos multou, mas nossa de não obedecermos a lei. Em estradas de pistas dupla, como a maioria em São Paulo, acho pouco importante essa lei, mas estados como Minas Gerais e Bahia, onde quase todas as estradas são de pistas simples, um simples uso do farol durante o dia, ajuda bastante ao se fazer uma ultrapassagem. Como viajo com frequência, desde muito tempo já usava o farol baixo durante o dia, independente de estudos em países tropicais, acredito que a lei, na prática e sem teorias, vai reduzir o número de acidentes, e mais, como estamos falando de vidas, uma pessoa que deixa de se acidentar já é um belo resultado, pois não podemos tratar vidas como apenas percentuais estatísticos, pois para salvar uma única vida, vale qualquer lei.

  • Fat Jack

    Nora, a divulgação dos números só foram divulgados por serem menores e servirem como “álibi” para a medida (ainda que feita desta forma “porca” e sem critérios claros definidos que você mencionou), caso estes mesmos números indicassem o caminho inverso certamente o comparativo seria trimestral ou semestral dependendo do prazo necessário para que a tendência de revertesse.
    Eu confesso que depois dos dados apresentados pelo Sr. Jilmar Tatto que indicavam o espaço de frenagem em m2 para justificar as reduções de velocidades das marginais, eu vejo qualquer número divulgado por qualquer órgão público sob gigantesca desconfiança.

  • Celio, toda lâmpada tem vida útil. Quanto mais forem usadas, mais perto fica o fim da vida útil.

  • Marcelo R.

    “Depois de alguns anos ouvindo “nunca antes na história desse (sic) país”, assim, de uma forma vaga e sem precisar prazo, já que o “nunca” no Brasil é muito subjetivo, e sem especificar sequer a qual país se refere, já que “esse” é algum outro que não “este” em que estamos e ao qual nos referimos, agora vivemos a euforia das estatísticas. Furadas, já adianto.

    É como se ao citar números absolutos e porcentagens as teorias ganhassem subitamente ares de seriedade. Mas, será que eles foram coletados corretamente? Será que os períodos comparados são os mesmos ou pelo menos guardam algum motivo que permita isso? Não raro comparam-se maçãs com peras e safras de inverno com as de verão.”

    Nora,

    Ultimamente tem sido difícil assistir/ler o noticiário, justamente pelo que você expõe no texto. Fico revoltado/inconformado com todas essas estatísticas mentirosas divulgadas, sem nenhum questionamento pela maior parte da imprensa, salvo raras exceções como o Ae. Parabéns!

    “Anos atrás uma pesquisa feita com usuários de ônibus na cidade de São Paulo perguntava se eles preferiam “ar frio” ou “temperatura ambiente”. A maioria não entendeu a capciosa pergunta e respondeu “temperatura ambiente”. Pronto, a Secretaria Municipal de Transportes usou isso como desculpa para não exigir ar-condicionado nos veículos. E alegava que era assim que a população queria. Quando foi refeita a pesquisa perguntando “ar-condicionado” ou “sem ar-condicionado” a primeira opção ganhou de lavada. Até porque ar-condicionado permite gradações, inclusive de ar quente. E, obviamente, pode ser ligado ou desligado segundo o dia ou o horário. Apenas mais um exemplo de que números sob tortura confessam qualquer coisa.”

    Eu sou contra ar-condicionado em ônibus. Praticamente em todas as vezes que eu peguei ônibus assim equipados, a temperatura não estava em um nível confortável. Ou o “ar” estava desligado ou, se estava ligado, ele não estava regulado para manter uma temperatura confortável, estava regulado para manter uma temperatura maior do que a devida. Muitas vezes o mesmo ocorre nos trens do metrô e da CPTM, assim equipados. Ou o maquinista congela todo mundo ou cozinha todo mundo, é difícil um que regule a temperatura de forma correta. Fora o fato das janelas lacradas, que tornam a viagem uma tortura quando algum mal cheiro toma conta do ambiente… Por tudo isso eu prefiro os ônibus sem ar e com as janelas normais, que podem ser abertas sempre que necessário.

    “…azul vela de macumba…”

    Eu ri muito com essa! A Parati veio com essas porcarias e foi a segunda coisa que eu fiz voltar a normalidade, após retirar os filmes dos vidros.

    Um abraço!

  • Marcelo R.

    Só na cabeça dessas criaturas para 41 km/h ou 51 km/h, falando-se de São Paulo, serem considerados excessos de velocidade…

  • Luiz AG

    Farois desregulados, luz de neblina acesa sem necessidade, uso de lâmpadas impróprias, nível de transparência dos vidros, uso de acostamento, falta de utilização de seta…

    Já dava para encher os cofres públicos só fiscalizando, mas dá um trabalho…

  • Caio Azevedo

    Aqui no Rio de Janeiro tem mais gente usando farol de dia do que à noite.

  • Diogo

    Nora, em relação a regra dos faróis: nesta semana, todos os dias, vejo uma viatura da PRF parada no mesmo local (na descida de um viaduto, em ponto cego à distância) com dois policiais de bloco na mão, multando aqueles com farol desligado. Detalhe é que no trecho, devido ao trânsito, a velocidade média é de 30 km/h. E, no máximo 5 km depois do local onde ficam os policiais, vejo no mínimo dois acidentes por dia.

    Quanto aos nadadores americanos, querer contar mentira na terra de Eduardo Paes… É muita inocência!

  • Luciano, o transtorno?
    1) Não é natural ligar farol de dia.
    2) Esquecer por qualquer motivo e ser multado, além de levar 4 pontos na CNH.
    3) Andar com as luzes traseiras ligadas durante o dia.
    4) Ocasionar ligeiro aumento de consumo de combustível.
    5) Saber estar fazendo algo desnecessário.
    6) Contribuir para o emburrecimento do motorista brasileiro, o de precisar ver farol para saber que vem carro no sentido contrário.
    7) Abreviar a chegada do fim da vida útil das lâmpadas.
    8) Tirou dos motociclistas a vantagem de conspicuidade que tinham, pois agora tem-se um mar de faróis ligados.
    9) O autor da lei e os outros imbecis que a aprovaram desconhecem a matéria. Onde o farol ligado é obrigatório, nos países de nível intelectual elevado, é um farol mais fraco, que não incomoda.
    10) Sequer consideraram a as luzes de rodagem diurna por LEDs ou farol fraco.
    Está bom ou quer mais?

  • João Lock

    Aqui onde moro observo nas ruas muitos carros com farol ligado durante o dia. Porém à noite, quando se faz necessário e de uso obrigatório, a maioria, usa lanternas ou combinação de lanternas e farol de neblina. Se as autoridades de trânsito e políticos não ajudam, o zé povinho não fica atrás também. Logo, estamos deste jeito por culpa nossa.

  • TDA, burra e que na esteira da burrice emburrece o motorista brasileiro, que passa a perceber carro em sentido contrário só se estiver com o farol baixo ligado. Aí ele vai aos EUA e…

  • Álvaro Luiz, esse é um caso de faca de dois gumes. Ao mesmo tempo em que o motorista vê o outro de farol ligado, acha que tudo bem, pode ultrapassar, desligado exige mais cálculo da velocidade. mais cuidado. Fora que o “mar de faróis” incomoda, razão para se ter adotado na Escandinávia e no Canadá o farol de uso diurno, que é o mesmo farol baixo alimentado com 10 volts para que se veja a “bola” mas não haja incômodo. E outra, os motociclistas da noite para o dia passaram a ficar menos conspícuos, já que todos os veículos passaram a circular de farol baixo ligado.

  • Ronaldo, esse assunto do farol baixo é nauseante para mim.

  • Luciano, que desafio sem nexo! Esqueceu que passei anos entre Rio e São Paulo quando era pista única? E várias estradas saindo de São Paulo? Não por causa de meia-dúzia de ceguetas que todo mundo devia ligar farol de dia.

  • Lemming, coisa de idiotas completos. Claro que a relação existe, mas o efeito é desprezível em velocidades de cidade.

  • PMR Luciano, permita-me perguntar se vocês autuam ultrapassagem com linha amarela contínua quando se trata de um caminhão numa subida a 20 km/h e a via permite 80 km/h; e também se motoristas estão sendo multados por não ligar farol baixo em rodovias que atravessam trechos urbanos. Pergunto porque segundo o Manual de Sinalização emitido pelo Denatran, nesse caso a via será considerada urbana, e por não ser rodovia, definida pelo CTB como via rural pavimentada, não é obrigatório ligar farol de dia. Entretanto, sabe-se de autuações, por exemplo, no trecho urbano da Via Anchieta que sai do Sacomã.

    • Thiago Teixeira2

      Seguindo estritamente a lei, tem que multar o carro que ultrapassa o caminhão. Não cabe bom senso do agente, juridicamente! Não o fazer incorreria em outras implicações paro colega ai.
      Certamente, nos locais que deixam dúvida quanto uso de faróis durante o dia, existe um manual interno, que pode ser consultado por qualquer cidadão.

      • Thiago, negativo, cabe sim o bom senso e o juízo do agente da lei. Vou lhe dar um exemplo. Quando na década de 1980, por causa do embargo árabe, os EUA instituíram o Limite Nacional de Velocidade de 55 mph (88 km/h) nas rodovias, quando um motorista obediente começava a prejudicar a fluidez era normal carros da polícia rodoviária emparelharem e mandar o motorista acelerar. Não há motivo nesse mundo para ficar atrás de um caminhão muito lento se eu posso fazer uma ultrapassagem rápida e segura. A lei mandar fazer isso é desrespeito ao cidadão. Toda lei tem espírito e ele não pode prejudicar ninguém. Para isso existe a velocidade mínima, evitar tensões desnecessárias dos motoristas. Se esse manual que você diz existir (onde?) diz que é obrigatório ligar faróis em rodovias quando atravessam um cidade, está errado e mostra a incompetência (ou safadeza) das autoridades de trânsito.

  • João Carlos

    É de doer saber que quem cuida do trânsito não sabe que de dia existe uma solução para dar conspicuidade: DRL, luz de uso diurno.

  • Lemming, perderam o pouco da vergonha que tinham na cara.

  • PMR Luciano, certamente, a velocidade mínima é igual a metade da máxima, mas há muitos casos de esse mínimo não ser respeitado. Se eu fosse agente de trânsito não autuaria, pela diferença de velocidade significar que o tempo gasto na manobra é exíguo e não oferece risco para ninguém (falando de trecho reto com visibilidade, bem entendido). Sobre rodovia, acho que você não percebeu o detalhe de quando ela atravessar zona urbana será considerada via urbana. Não sou quem diz, mas o Manual de Sinalização emitido pelo Denatran.

  • Mike, é isso aí. É o caso também de ficarem à espreita de quem ultrapasse um caminhão-lesma numa subida. Eles conhecem os pontos direitinho.

    • Bob, eu quase tomei uma paulada dessas, ano passado.
      Estávamos indo ao Paraguai, em dois carros. Eu e um amigão. Ele na frente, uns 30 m um do outro, era uma daquelas baixadonas, longas sabe? Pista simples, e dá-lhe faixa contínua.
      Nisso saiu um Fusca de um sítio, e começou se arrastar na estrada. Meu amigo sem perder tempo, “meteu” para esquerda e tchau Fusca. Eu preferi esperar começar a subida, e com ela a terceira faixa. Andei aquele pedaço a 40~50 km/h, quando o besouro foi para a faixa da direita, passei.
      Lá no topo do morro, meu amigo parado, e um Fluence da PRF, o agente dando aquela canetada, rsrsrsrs…
      Parei, para esperar o companheiro, e fui prosear com os caras.
      Meu amigo tomou aquela multa milionária e eu ganhei os parabéns do agente…
      Ah, se ele soubesse que eu só não fiz a mesma coisa, por já os terem visto de outros carnavais, rsrsrsrsrsrs!

      • Mike, eles sabem direitinho onde ficar, safado-esperteza!

  • Renato, essa é para o “Acredite…(longa e enfisêmica arfada)…se quiser.”

  • RoadV8Runner

    Nora,
    Se nesta terrinha tupiniquim o pessoal usasse estatística corretamente, veria que muita lei ridícula está totalmente equivocada, no que se refere a reduzir acidentes de trânsito. Nossas ruas são essa bagunça total justamente por falta de estudo sério, que leve a soluções boas de fato.
    E você menciona no texto uma armadilha de se recorrer a pesquisas populares a fim de aprovar ou não determinado assunto. Dependendo da forma como a pergunta é formulada, você induz as pessoas a escolherem justamente a opção que você quer que seja a escolhida. Por esse motivo é que regimes ditatoriais adoram recorrer a plebiscitos para legitimar leis que afrontam a liberdade e a democracia. Qualquer semelhança com uma certa (des)governanta de uma conhecida nação é mera coincidência…

    • RV8R, isso me lembra “a pesquisa” da CET de que 90% da população aprova o rodízio.

  • RV8R, desconhecimento da lei por quem tem obrigação de conhecê-la. Fim da picada.

  • RV8R, boa, mais essa ainda. Autoridades analfabetas, é o que temos.

  • Lightness RS, há quantos anos você usa seu bom senso nisso de ligar farol em estrada?

  • lightness, acertou: resistência a mudança para algo idiota feito para achacar o cidadão, sem razoabilidade e sem necessidade.

  • Murilo, inacreditável o que acabei de ler, a associação de dar/receber passagem associado ao farol ligado. Traduzindo, você acha válido forçar ultrapassagem se valendo do farol ligado de dia. E se for noite?

  • PMR Luciano, multar por farol desligado no período diurno em rodovia dentro de zona urbana é ilegal. Sobre isso não cabe discussão. Rodovia é via rural pavimentada, está no próprio CTB. Se o Brasil estivesse no rol dos países sérios, antes de os agentes da autoridade de trânsito saírem multando a rodo, teria de ser adotada a sistemática no país inteiro de nas rodovias haver placa indicativa de Zona Urbana ao entrar numa e outra de Fim de Zona Urbana ao sair. É assim que se faz, mas nossa desordem administrativo-jurídica não deixa.

  • Lucas dos Santos, sabe o porquê das explicações “fantásticas” desses dois sites (se me contassem eu não acreditaria, só mesmo lendo)? É que o brasileiro é um povo muito inteligente…

  • Thiago Teixeira, o bom senso cabe a todos e em tudo, senão a figura do juiz seria dispensada. Conheço bastante o CTB, o art. 280 inclusive. Que bom que você concorda que no caso do caminhão não seria lavrado o auto de infração. Bom sinal. Agora, você há de concordar que a lei que modificou o art. 40 do CTB tinha de ser regulamentada pelo Contran antes de vigorar, e não ficarmos nessa bagunça, nessa indefinição de hoje. Essa é mais uma prova de que o Brasil não é um país sério. Ninguém quer nada com nada.

  • Nora Gonzalez

    Murilo Denoni, minha revolta é contra estatísticas mal coletadas ou torcidas de forma a “provar” algo que elas realmente não conseguem provar. Apenas isso. Meu carro tem DRL e está configurado para acender automaticamente ao dar partida – e uso luz diurna muito antes de a lei obrigar isso. Aliás, uso o tempo todo e não somente nas estradas, como já disse nesta coluna há meses (http://www.autoentusiastas.com.br/ae/2016/06/formula-nao-entende-carros-nossos-politicos). Em nenhum momento afirmei que a lei é ruim ou boa, apenas que os números mostrados contemplam um período muito curto e que faltam dados para embasar que ela teria bons resultados. Não sou eu, mas muitos estudiosos, inclusive o Fernando Calmon aqui neste espaço (http://www.autoentusiastas.com.br/ae/2016/05/coisas-brasil) já disseram que não há estudos em países tropicais que provem que a luz ajuda. Dizer “eu acho muito bom” ou “sempre notei” é um direito seu (e de todos) mas precisamos mais tempo e melhores dados para confirmar ou negar isso seriamente. Especialmente as autoridades.

  • Nora Gonzalez

    Luiz Alberto Melchert de Carva, grata pelas palavras. Tive um chefe que discutiu com uma repórter na minha frente porque ela havia escrito (não chegou a ser publicado) que o queijo prato era 120% mais barato num supermercado do que no outro. Ele perguntou sarcasticamente: então o cliente saiu com o queijo e ainda recebeu dinheiro? Sei que não poderia haver um número negativo de acidentes, mas será que as autoridades sabem disso?

  • Corsario, e dá um trabalho danado…

  • Luciano, o problema é não haverem estudos e tampouco a regulamentação da lei, missão da qual o Contran omitiu às escâncaras e cidadãos estarem sendo multados irregularmente. Fora a questão de motociclistas saírem perdendo feio nessa, deixaram de ser conspícuos em meio ao mar da faróis baixos ligados. Esse assunto todo é muito importante para ter sido tratado de maneira relapsa como foi. Relapsa e objetiva no sentido de aumentar a arrecadação dos três níveis de administração, como não poderia deixar de ser. Me dou o direito de afirmar que em 56 anos dirigindo jamais senti falta de conspicuidade de outros veículos trafegando em sentido contrário ao meu sob condições de luminosidade normal, e digo mais, quem disser que já está mentindo.

  • Não, PMR Luciano, me desculpe. O Manual de Sinalização não dá margem a dúvida quando diz que rodovia em via urbana é tratada como tal. Quem diz é o Denatran. Independe de qualquer outra providência legal e/ou administrativa, de quem seja o “dono” do trecho. Reforça o conceito a definição, pelo CTB, de rodovia: via rural pavimentada. Ninguém, com um mínimo de conhecimento de Geografia, pode confundir campo com cidade. Os seus superiores estão malhando ilegalmente os cidadãos, isso é fato mais do que evidente.

    • Luciano

      Bob, reitero o que eu disse: não fazemos autuação em via urbana, apenas em rodovias estaduais e federais delegadas. Não fazemos nada de ilegal, pode ter certeza! Não fale uma coisa dessas sem saber. Mesmo porque atuamos e autuamos na rodovia estadual mediante convênio com o DER, caso contrário não poderíamos fazer nada. Os meus superiores e eu não temos nada a ver com isso. Quem define o que vai ou não ser feito na rodovia é o DER e não a polícia rodoviária. Eu até gostaria que certos trechos não fosse rodovia estadual, pois nos daria menos trabalho para atender acidentes… Quem faria isso seria os PMs “da rua” e não nós do policiamento rodoviário. Menos “dor de cabeça” pra gente… rsrsrs

      • Mas, Luciano, você autuam em rodovias estaduais ou federais delegadas que atravessam perímetro urbano ou não? Entendi que autuam.

  • Piantino, de fato.

  • Lightness, luz só é extremamente necessária quando a luminosidade é baixa, ou para fazer jus ao seu apelido (rsrsrs).

  • Thiago, então mais uma razão para o policial usar o bom senso e não autuar num caso desses.

  • A cidade, onde pessoas vivem, trabalham ou estudam. Características urbanas. Leia essa matéria que você vai ver o conceito, http://www.autoentusiastas.com.br/ae/2016/04/sp-039-rodovia-educadora/

    • Luciano

      Heheheh! Você é engraçado!

      Já li essa excelente matéria e me deu náuseas tamanha a repulsa ao ver o termo “lombadas” — eu as odeio! E, não! as rodovias que eu faço “multas” não é como a SP-039. Passam “por fora” das cidades. Não existe padarias, escolas… Talvez ficou “mal entendida” a minha colocação anterior.

      • Lucas dos Santos

        Bob,

        Após acompanhar toda a conversa entre você e o Luciano é que eu fui entender o que a legislação realmente quer dizer com “trechos urbanos” de rodovias, no que toca à obrigação da utilização dos faróis. Diante disso eu só digo uma coisa: precisamos URGENTE de uma Resolução do Contran para esclarecer esse ponto!

        Vamos rever o que diz o Manual Brasileiro de Sinalização: “Trechos de vias rurais inseridos em áreas urbanas, cujas características operacionais sejam similares às de vias urbanas, devem ser classificados como tais“.

        Vejamos que não basta o trecho de “via rural” apenas estar inserido em área urbana, é necessário que suas características operacionais sejam similares às de vias urbanas para que sejam tratados como vias urbanas. Em outras palavras, rodovias que tenham características de vias urbanas, devem ser tratadas como vias urbanas. Mas, se a rodovia atravessa a cidade sem perder as suas “características operacionais”, ela continuará a ser classificada como via rural, mesmo que situada em perímetro urbano.

        A “rodovia educadora” do seu artigo, demonstra muito bem um “trecho de via rural inserido em área urbana, com características similares às de vias urbanas”. Ou seja, ali há calçadas, casas, escolas e todo o mais que se encontra em uma via urbana. É um trecho urbanizado. Nesse trecho, de acordo com o critério do Manual Brasileiro de Sinalização, a utilização do farol baixo não deve ser obrigatório, pois não pode ser considerado rodovia.

        Agora, veja o trecho a seguir, da BR-376, que corta a minha cidade:

        http://i.imgur.com/bBb0RVl.jpg

        É uma rodovia que, apesar de passar pelo meio da cidade – a ponto de “dividir” a cidade em “pra-lá-da-rodovia” e “pra-cá-da-rodovia” – ela não perde as características de rodovia. O acostamento está lá, a mureta de proteção que divide a via está lá, do outro lado há uma defensa metálica separando uma via marginal, travessia de pedestres é feita somente por passarelas, nenhum cruzamento é em nível, a velocidade praticada é de 80 km/h… O tipo de construção que pode ser feito na beira da rodovia é bastante restrito – nada de imóveis residenciais – e a via é de total responsabilidade da concessionária.

        Pelo que o Luciano explicou, nesse caso o uso do farol baixo deve ser cobrado, pois, mesmo passando pelo meio da cidade, continua sendo uma rodovia. O problema é que quando se fala em “trechos urbanos” de rodovias, acaba-se colocando “no mesmo balaio” tanto rodovias como esta quanto rodovias como a já citada SP-039 e isso não pode ocorrer! É por isso que precisamos, com urgência, de uma Resolução do Contran separando esses dois casos, para nos trazer alguma segurança e impedir que o conceito de “trecho urbano” tenha mais de uma interpretação.

        Essa alteração no CTB jamais deveria ter entrado em vigor sem o amparo de uma Resolução. É impressionante a capacidade que nossos legisladores têm de transformar algo que deveria ser simples e direto em uma fonte inesgotável de problemas!

        • Luciano

          Perfeito, Lucas dos Santos! Falta “trazer a luz” esses pontos no escopo da lei 13.290/2016.

  • Fat Jack

    Um motorista que não sabe o que é farol baixo é o retrato incontestável da falta de competência na formação de condutores e de quanto todo esse sistema era e é absolutamente falho, e o quanto isso expõe a todos nós motoristas ao risco de vida diariamente.

    • Fat Jack, também fiquei estupefato quando li sobre isso aqui. Chega a ser surreal.

  • C. A. Oliveira, do dicionário Calda Aulete:

    (ru.ral)

    a2g.
    1. Ref. ou inerente ao, próprio do ou localizado no campo (paisagem/população rural); CAMPESTRE [ Antôn.: urbano. ]
    2. Que leva a vida no campo ou faz dele seu meio de subsistência (produtor/trabalhador rural); AGRÍCOLA

    Pelo exposto acima uma via rural é localizada no campo, e rodovia é uma via rural pavimentada; já estrada é uma via rural não pavimentada, ambas definições que constam do Código de Trânsito Brasileiro, que é uma lei federal. Note que o antônimo de rural é urbano. Então temos vias rurais e vias urbanas. De modo algum uma via rural é inserida em zona urbana, pois ela seria uma via urbana. Ficou claro agora?

  • lightness RS, de tudo o que já se falou a respeito você parece não ter entendido que em condições de visibilidade normal de dia a visualização adicional pelo farol ligado é absolutamente desnecessária e que o mar de faróis ligados é incômodo, além de “ocultar” os veículos de duas rodas. Está mais do que evidente que objetivo da obrigação é contar com a antinaturalidade de ligar farol de dia para aumentar o faturamento de municípios, estados e Distrito Federal.

  • lightness RS, as motos pela pequena área frontal são incomparavelmente mais difíceis de serem visualizadas que um automóvel.

  • Renato Texeira

    Mas acho saudável as pessoas discutirem bastante esta e outras leis de trânsito e não aceitar simplesmente como povo-gado, já que envolve a segurança de todos. Um bom exemplo recente que me recordo é sobre o limite de velocidade estabelecido na BR-290 aqui no Rio Grande do Sul. Teve que ocorrer muita reclamação (e infelizmente muita infração) para a PRF e demais responsáveis pela rodovia se darem conta que era perfeitamente possível e mais seguro trafegar em certos trechos a 100 km/h, no lugar de 80 km/h, e fazer a alteração necessária nos limites de velocidade.

  • Luciano, essa foi mesmo incrível. O cara tem que ser totalmente alienado para ultrapassar um carro da polícia rodoviária em plena faixa contínua.

  • Fat Jack, é mesmo ridículo tudo isso. Está aí a herança de mais uma lei maldita.

  • Fat Jack, grande ideia!

  • Luciano, não existe bom senso em ultrapassar sem a certeza de que a manobra pode ser feita sem ameaçar o tráfego contrário. Inclusive a multa para isso foi revista há coisa de dois anos para R$ 1.915,40, dez vezes o valor anterior. Foi pouco, tinha de ser 20 vezes. Já ultrapassar um caminhão lento faz a manobra bem rápida, dificilmente será ameaçadora. Sou por extremo rigor com multas, como trafegar pelo acostamento, que deveria ser “infração hedionda”. Primeira vez, um ano sem dirigir. Se houver reincidência, cassação definitiva da CNH. Já vi uma Belina em estado bem ruim ultrapassar carros pelo acostamento encostado a um posto da PRF, mesmo sentido, na Fernão Dias. Logo depois vi uma viatura sair no encalço do miserável, a vi atrás da Belina e em vez da fazer a abordagem, ultrapassou-se e foi embora. Acredite se quiser.

  • ochateador

    Adicione carregador de bateria a pilha.

  • marcio pessoa de faria neto

    Custa sim, RS, principalmente em carros sem DRL de fábrica. Manter os faróis baixos acesos neste carros significa acender do farolete às luzes de placa, passando pelo painel, console e também as lanternas traseiras, e isto aumenta o consumo elétrico do carro e abreviará a vida útil de alguns componentes, como alternador e bateria, e adivinhe quem pagará a conta no eletricista? Não será o governo nem o patrulheiro rodoviário. Faróis foram concebidos para uso noturno ou em situações de baixa ou pouca luminosidade e nas estradas os motoristas”conversam” piscando os faróis.

  • Que lamentável, Thiago. Sinto muito por você a perda de um colega e que ele repouse em paz. Quanta irresponsabilidade desse motorista! Deve ter sido preso, pago fiança e saído como se nada tivesse acontecido, para “responder em liberdade”.