A Audi criou e está desenvolvendo a ideia de uma suspensão que gera energia. Batizada da eROT, tem como princípio amortecedores rotativos eletromecânicos, de onde vêm a sigla (eletromechanical rotary).

Os amortecedores comuns há muitas décadas são os hidráulicos com óleo e/ou gás, de movimento alternado sobe-desce, que ao absorverem os movimentos geram calor. Em casos extremos, como em provas de rali, o desempenho desses componentes é alterado para maior controle da suspensão, e existem sistemas para arrefecê-los com borrifo de água, daí as imagens muitas vezes vistas de vapor saindo das caixas de roda em provas realizadas em climas frios, principalmente.

Um dos braços conectados à manga de eixo passa movimentos para um gerador, deixando claro que quanto pior a via, maior a energia gerada, podendo chegar a 613 watts em um piso ondulado. Em curvas também é gerada energia, mesmo com piso liso, devido à inclinação da carroceria. A energia é guardada em bateria de 48 V e usada no motor elétrico do híbrido, onde a tecnologia está sendo testada, ou serve também para os acessórios elétricos, depende apenas do projeto desejado.

Melhor ainda, o sistema trabalha ao contrário também, com a energia podendo mover a suspensão para adaptá-la à rodovia, fazendo uma suspensão ajustável, item grandemente desejável. Também acontece de não mais existirem as torres de suspensão que ocupam muito espaço e acabam por definir muito da arquitetura geral dos carros. O espaço poderia ser usado para mais capacidade de carga, ou estilos diferentes, mais baixos junto das rodas.

Não há previsão do sistema ser colocado em produção, segundo a Audi.

JJ

Sobre o Autor

Juvenal Jorge
Editor Associado

Juvenal Jorge, ou JJ, como é chamado, é integrante do AE desde sua criação em 2008 e em 2016 passou a ser Editor Associado. É engenheiro automobilístico formado pela FEI, com mestrado em engenharia automobilística pela USP e pós-graduação em administração de negócios pela ESAN. Atuou como engenheiro e coordenador de projetos em várias empresas multinacionais. No AE é muito conhecido pelas matérias sobre aviões, que também são sua paixão, além de testes de veículos e edição de notícias diárias.

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  • Carlos Miguez – BH

    Pensei o mesmo, no Brasil será sucesso total !!!!

  • invalid_pilot

    Com um desses aqui no Brasil nem precisa abastecer e/ou carregar as baterias kkkk

  • Uber

    No Brasil, isso acabaria com a principal desvantagem dos carros elétricos, a curta autonomia.
    Imaginem isso nas lombadas, praticamente, teremos uma Itaipu sobre rodas!
    xD

  • Ilbirs

    Sobre o eROT, vamos lembrar que amortecedores geradores de energia não são novidade. Temos a invenção brasileira Kers-Cargo, que é direcionada a veículos de chassi.
    Esses amortecedores patenteados pela Audi (e por extensão o grupo VW), têm o tal cunho de serem pensados para carros de passeio, significando aí tamanho menor e mais facilidade de montagem em diversos veículos. Temos a situação incomum de serem amortecedores montados horizontalmente e cujas estruturas pivotam dentro de si, em vez de termos uma haste correndo por dentro de outra. Além da economia de espaço, diz a Audi que há ganhos em conforto sem comprometimento de establidade, pois o tipo de movimento do amortecedor permite que se tenha um acerto bem macio sem que na volta do curso o carro fique oscilando por causa de excesso de maciez, como ocorreria em amortecedores convencionais. Portanto, é um trunfo dos bons também no caso de nosso piso tão “acarpetado”.

    Usos possíveis para essa tecnologia são vários. Se pensarmos no grupo VW, apostaria em vermos esse amortecedor na plataforma ultraflexível MEB, de propulsão totalmente elétrica. Já que se falou também de veículos com propulsão a combustão, teríamos a tal economia de combustível por menor solicitação do alternador usando energia que normalmente seria desperdiçada. A Audi mostrou uma ilustração em que temos esse amortecedor no eixo traseiro, mas também vislumbro uso para o eixo dianteiro, uma vez que evitaria aquelas torres protuberantes geradas por amortecedores convencionais e nessa permitiria mais espaço no cofre, algo especialmente tenso se considerarmos o quanto de largura toma um conjunto propulsor transversal. Esse espaço liberado tanto pode servir para facilitar a vida de um mecânico como também para facilitar a montagem de outros propulsores em compartimentos especialmente estreitos (pense em uma plataforma como a NSF do up! e a transmissão praticamente encostada na travessa esquerda de tão apertada).

  • Cristiano Reis

    Outro dia estava pensando por que não fazem um carro com motores elétricos nas rodas e um motor a combustão gerando energia pros mesmos, iam economizar com um monte de aço, já que a energia viaja por cabos, sem falar que o motor poderia funcionar na faixa de rendimento ideal sempre, e dava para aproveitar esses trambelho aí tudinho, freio, suspensão e o que mais pudesse aproveitar para gerar energia.

    • Cristiano, já fizeram, em 1902, o Semper Vivus, de Ferdinand Porsche! Mas há um bem recente em estudo, o Fiesta eWheelDrive, projeto em conjunto com a Schaeffler. Procure por Fiesta eWheelDrive no Google.

  • RoadV8Runner

    Bela sacada, pois sempre ocorre algum movimento nas suspensões quando se anda com o carro. E, por “mais pronta” que a piada possa parecer, aqui no Brasil o sistema faria enorme sucesso, visto nossas condições medonhas de pavimentação.