Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas Autoentusiastas TIRO NO PÉ… – Autoentusiastas

Nem ameaça de perder pedaço do dedo faz o dono atender ao recall

De uma coisa o brasileiro pode se “orgulhar”, pois ele é tão displicente quanto os consumidores de Primeiro Mundo quando se trata de “recall”: pouco mais que a metade dos automóveis envolvidos são levados à concessionária para o reparo. No Brasil e também em outros países.

Diretor de uma fábrica no Brasil comentava recentemente não ter ideia do que fazer com os kits que encomendou ao fornecedor da peça envolvida, pois quase metade deles ainda entupiam seu estoque um ano depois do anúncio do recall.

Como explicar tamanho descaso do consumidor? Ele foi efetivamente informado do recall, pois a fábrica aciona todos os meios de comunicação disponíveis. Sabe que o recall necessariamente envolve a segurança do seu automóvel, que o reparo é gratuito e nem assim leva o carro à concessionária. É o próprio tiro no pé…

Já houve diversas tentativas para aumentar o índice de comparecimento, todos fracassadas. Tentou-se um intercâmbio de informações entre governo, fábricas e concessionárias para impedir que o carro não submetido ao recall fosse vendido pelo dono desleixado, ou pelo menos que a omissão fosse registrada no documento, para alertar o comprador. Nada disso aconteceu, pois as partes envolvidas não conseguiram se entender e articular um sistema efetivo de comunicação entre elas. Milhões de automóveis rodam no Brasil com cintos de segurança que não protegem num acidente. Outros tantos circulam por aí com risco de se incendiar ou soltar uma roda e outras ameaças do gênero.

Um dos “recalls” mais comentados no Brasil foi do mecanismo de articulação do banco traseiro do Fox, que podia ferir ou cortar um pedaço do dedo do motorista que não prestasse atenção nas instruções para movimentá-lo. Houve até uma discussão entre o governo e a Volkswagen que acabou decidindo pela convocação. Pois, acredite se quiser, nem mesmo a ameaça de perder a ponta do dedo sensibilizou um número maior de donos do modelo.

Outro mais recente foi protagonizado pela japonesa Takata, maior fabricante mundial de airbags que tem filial no Brasil. Ela viu abaladas suas finanças ao ter que substituir airbags de quase 20 milhões de automóveis das mais diversas marcas em todo o mundo, inclusive aqui. O disparador da bolsa inflável, quando acionado, pode se romper e atirar estilhaços para o interior do carro. São partículas metálicas voando a quase 300 km por hora contra seus ocupantes que já mataram 13 e feriram dezenas de pessoas em vários países. Marcas japonesas, europeias e americanas foram envolvidas neste gigantesco recall para trocar um componente que, ao invés de proteger, dá o tiro de misericórdia! Além de ter sido considerado o de maior gravidade, é também o que envolve maior número de veículos no mundo.

A bola da vez está com a FCA, preocupada com as consequências de uma falha no projeto do câmbio automático de oito marchas que equipa mais de um milhão de modelos Chrysler e Jeep. Motorista se confunde na posição da alavanca, imagina que o carro esteja travado com a caixa engatada em “P” (de Parking), mas, na verdade, não está imobilizado. Já houve pelo menos um acidente fatal com a hipótese de que o carro tenha se deslocado sem o comando do motorista.

Até que consigam se entender entre si governo federal, fábricas e concessionárias, quem compra carro usado no Brasil deve se precaver e, entre outros cuidados, consultar o fabricante do veículo (ligar para o SAC-0800) informando o número do chassis para saber se o modelo esteve envolvido num recall e, caso positivo, se foi levado à concessionária para o reparo.

BF

A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.


Sobre o Autor

Boris Feldman
Coluna: Opinião de Boris Feldman

Boris Feldman é engenheiro elétrico formado pela UFMG, também formado em Comunicação, jornalista especializado em veículos e colecionador de automóveis antigos. Além da coluna Opinião de Boris Feldman no AUTOentusiastas, é colunista do jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, e do jornal O Povo, de Fortaleza e tem o programa de rádio Auto Papo, na emissora Alpha FM, de São Paulo, e em mais 38 emissoras pelo país, com três edições diárias.

  • Fat Jack

    Uma dúvida que eu sempre tenho a respeito desse assunto é se de fato as fabricantes entram (ou tentam entrar) em contato diretamente com os proprietários de todas as formas possíveis como ligação telefônica ou e-mail (haja visto que no cadastro do cliente estas informações são obrigatórias), ou se somente fazem uso das mídias (televisão e internet) para isso. Não que isso torne o recall menos importante ou tire a responsabilidade do proprietário em buscar informações a respeito do assunto. Quanto a não fazer o recall sabendo de sua existência é realmente uma atitude estúpida, um legítimo “tiro-no-pé”.

    • CorsarioViajante

      Boa questão. Apostaria que alguns fabricantes fazem contato, enquanto outros não.

      • Fat Jack

        Tenho essa mesma suspeita.

        • Christian Govastki

          No que trata dos recall a Honda com certeza não.

          Mas para mandar e-mail todo dia com propaganda para conhecer o “Novo City” eles conseguem o contato.

          As duas concessionárias tem todos os meus contatos e nem assim avisam.

    • André Garcia

      Isso de entrar em contato, quase nada adiantaria para veículos mais velhos. Eu mesmo ano passado atendi prontamente ao chamado de recall de airbag da minha Fielder, modelo 2007. Não sei quantos proprietários houveram antes de mim, mas obviamente por mais que tivessem os dados da primeira proprietária (a nota fiscal está em nome de uma mulher), de nada adiantaria. Para automóveis mais novos e com chamamento de no máximo um ano após a venda do veículo, creio que sua ideia atingiria um público bastante alto.

      • Fat Jack

        Perfeitamente André, há algum tempo atrás surgiu uma notícia de Recall dos Renault Logan, e mesmo sem receber uma comunicação fui atrás da informação para verificar a necessidade ou não do retorno a concessionária. Porém sabemos que essa nossa postura é exceção e não regra nos consumidores brasileiros…

  • WSR

    Não fico espantando com essas coisas. Se nem o manual de um aparelho o brasileiro abre para ler, imagina sair de casa para atender um chamado para reparação. Infelizmente dá muito trabalho – diz o brasileiro, rs.

  • Stark

    A alavanca do câmbio do Jeep Grand Cherokee é bem confusa. Tem um vídeo que mostra o funcionamento dela: https://youtu.be/TpgyxHwV8Fo

    Somado ao costume de muitos americanos em não usar o freio de estacionamento, deixando esse papel para o câmbio, piora a situação.

    Complemento ainda com o comentário do @gustavodornas:disqus:
    “Não é que o carro fica em N quando se coloca em P, o problema é que a alavanca é retrátil e volta pra mesma posição que estava, isso confunde o motorista que acaba saindo do carro com o câmbio ainda no D, R ou N. Isso é facilmente resolvido com alarmes sonoros e visuais. Mas a alavanca é confusa mesmo, vi uns vídeos do funcionamento dela e confunde quem está acostumado com a antiga. Se quisessem inovar tanto, seria melhor fazer só botões então.”

    • Stark, francamente, não vejo dificuldade alguma em selecionar as marchas. Fora que há indicação da selecionada na alavanca e no painel.

    • jr

      Não vi nenhuma dificuldade em fazer uso do câmbio pelo que vi no vídeo, mas acho que seria melhor o deslocamento mecânico da alavanca. Acho que seria uma operação menos sutil.
      O que tinha lido sobre o acidente com o Jeep do ator era que o problema residia no freio elétrico que me parece era acionado pelo pé, não sobre o câmbio. Parece que alguns se confundem ao usá-lo ou o freio não bloqueava o carro mesmo, algo assim.

  • Mr. Car

    Por coisa boba, acho que nem fazem recall. Pelo menos não me lembro de nenhum, agora. Se chegam a chamar, é por haver algum risco para a segurança.

  • Robertom

    Tive um veículo convocado para “recall” uma única vez, fui à concessionária, não tinha a peça, liguei para outras, não tinham a peça, agendei para me ligarem quando a peça chegasse, estou esperando a ligação até hoje, fui a outra concessionária, nada, liguei de novo, nada, até que desisti.
    Vendi o carro depois de um ano por outro motivo, mas no meu caso o “recall” foi uma piada de mau gosto…

  • Luiz AG

    Lorenzo, não sei dizer se a alavanca é responsabilidade de fabricação da ZF….

  • Lorenzo Frigerio

    Alguém aí se lembra da cena de “2001” em que o computador HAL9000 comanda o módulo a atacar o astronauta Poole do lado de fora da nave? Imaginem o que sentiu o pobre ator Anton Yelchin ao ver sua Cherokee avançar sobre ele.

    • Lorenzo, você notou que HAL é o conjunto das letras anteriores a IBM?

  • Maycon Correia

    Existe um erro em pensar que todos os carros fabricados voltarão para fazer um recall.
    Quantos deles nem sequer chegam às concessionárias, são vítimas de acidentes ou de um roubo no caminho. Quantos deles não sobrevivem ao primeiro ano de uso, ou estão na mão de alguém lá no meio do nada, que só usa o carro para ir a missa e olhe lá.
    Brasileiro só se preocupa em poder se aparecer com o carro melhor que o dos outros!
    Comprei um carro zero há uns anos atrás, fiz todas as revisões durante 3 anos, e no apagar da garantia e aos 32 mil km o motor começa a fazer uns barulhos estranhos. E a Volkswagen trocou ele por um motor zero sem argumentar nada! Não precisei gastar um centavo com absolutamente nada! Ainda me devolveram o carro limpo. E documentado. Embora muita gente dizia: gastar com revisão para que? Quando trocaram o motor de graça, os que criticavam ficaram de boca aberta!

    • Tyrion Lannister

      Você foi um cara de sorte. Trabalhei com um rapaz que teve que entrar na justiça pra vw trocar o motor do voyage dele.

  • Mr. Car

    Off-topic: e por falar nisto, música para vocês. A única que eu me lembro com a palavra “recall” na letra (But, please, don’t bring your lips so close to my cheek, my dear / Don’t smile or I’ll be lost beyond recall), he, he!

  • Eduardo Edu

    Basta incluir a verificação do recall junto à vistoria do carro.

  • Davi Reis

    O recall só é realizado quando envolve algum problema que possa prejudicar a segurança dos passageiros. Em coisas que não prejudicam, fala-se em “recall branco”, quando não existe nenhuma convocação mas a rede (a pedido da fábrica) aproveita para resolver algum problema em um modelo ao longo do tempo, enquanto estes passam pelo serviço autorizado.

  • A Jac acha que a quebra do suporte do motor do J2 não é motivo para recall, mesmo acontecendo com vários proprietários:

    http://jacclub.forumeiros.com/t2482-coxin-de-motor-jac-j2

    http://i66.tinypic.com/24gnak7.jpg

    http://i1199.photobucket.com/albums/aa471/rolim_13/IMG-20160602-WA0019_zpsa7wouaew.jpg

    • Rolim, recall só em caso de afetar segurança, o que não é o caso.

      • lero lero

        Ah, então beleza! O Rolim que se dane agora com o JAC dele assim como os donos de PowerShift “Automático”…

        • Lero Lero, todos os JAC em circulação estão em garantia, logo o Rolim e outros não irão se danar e a Ford está atendendo os carros com problema.

  • Newton (ArkAngel)

    Tem certas coisas que são difíceis de entender.
    Muitas vezes, essas pessoas que são fanáticas por estrelas do NCAP são as mesmas que durante o carnaval se embriagam e acabam indo pra cama com qualquer um(a), ou então entram na favela pra comprar maconha. E depois vêm falar em segurança.

  • Bruno Rezende

    A culpa é do fabricante. Meu carro (Nissan Frontier) está com recall do airbag da Takata e não recebi nenhuma carta (o carro é meu desde zero e não mudei de endereço), minha mulher viu de passagem no jornal e comentou, estou há duas semanas tentando agendar e na primeira tentativa, erroneamente informaram que meu carro estaria fora do recall; agora, nas demais tentativas, informam que não têm peças disponíveis, que tenho que continuar tentando.
    Continuarei na lida…

  • Christian Govastki

    E quando as concessionárias não fazem a parte delas?

    Eu levei meu Honda Fit 2005 para fazer as revisões na Honda Plaza e na DF Veículos e fazem quase dois anos que estou esperando eles entrarem em contato para a substituição dos airbags já que não tinham no momento e quando chegasse iam entrar em contato?

    Não adianta só culpar o consumidor. Os fabricantes e suas concessionárias tem responsabilidade também.

  • Rolim, sério, não afeta a segurança.

  • Rolim, claro, do meu ponto de vista. Somos todos livres para expressá-los.

  • Pluto, não há como testar carro usado porque vai depender de como foi usado, como foi dirigido, se sofreu acidente, se avariou suspensão em buracos etc. O que você diz é inviável em sua essência.

  • lero, e a sua cabeça e a do Rolim refletem o ódio pela indústria. Empatamos.

  • j, como assim? Ou estão ou não estão.

  • Newton (ArkAngel)

    Acabei de receber aqui na oficina um Fiesta Powershift com problema no câmbio. Entrei em contato com a Ford, e confirmaram que a garantia desse câmbio foi estendida para 90.000 km devido ao problema. Uma falha no retentor interno de óleo permite que os discos sejam contaminados, o que ocasiona vibração e patinação.