Dando continuidade à parceria com o amigo Hugo Bueno, vamos seguir na linha da matéria anterior sobre o Fusca Série Bravo e veremos o que aconteceu com outras versões standard, pouco conhecidas ou até desconhecidas. O material publicado aqui foi cuidadosamente garimpado pelo Hugo numa perspicaz pesquisa de muitos anos.

O estudo da história dos veículos fabricados pela Volkswagen no Brasil nem sempre passa pelas publicações de revistas especializadas, em especial quando o estudo se refere a modelos e versões que apareceram no mercado de maneira efêmera. Estes veículos, hoje em dia, podem ser considerados como sendo verdadeiras raridades e poucos exemplares ainda preservam suas características originais.

As fontes de pesquisa neste caso, em regra, são anúncios em periódicos de circulação diária e o cuidadoso estudo dos folhetos de fábrica, que costumavam trazer informações muitas vezes de uma maneira cifrada e incompleta.

Em novembro de 1972, a Volkswagen apresentou oficialmente sua linha de veículos para 1973 e nela incorporou, seguindo uma filosofia baseada em sua experiência na Europa, opções de modelos mais despojados, e consequentemente mais baratos, para as linhas VW 1500, VW TL duas e quatro portas e VW Variant. O interessante é notar que a Volkswagen não deu designações específicas para estas versões mais econômicas.

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Anúncio em revista com a linha 1973

A existência de versões diferentes para um mesmo modelo não era alardeada pela fábrica de uma maneira clara, ela não chegou a indicar detalhes das versões em suas publicações. Limitou-se a indicar a existência de opções no texto de anúncios de jornal e, às vezes, na tabela de preços publicadas; em poucos catálogos apareceram curtas chamadas para a existência de modelos mais baratos. Veja dois anúncios, um de revista (acima) e outro de jornal (abaixo), destacando a indicação das opções. Para ambos anúncios o texto se repete:

 “Começando pelo Fusca 1300, que é o carro de menor preço do Brasil, veja só quanta escolha:
– Dois Fuscões, com duas opções de preço;
– Duas Variant, com duas opções de preço;
– Quatro TL (dois com 2 portas e dois com 4 portas), o que significa quatro opções de preço;
– Três modelos esportivos, com três opções de preço (Karmann-Ghia TC, VW SP1 e VW SP2) ”

Abaixo está o detalhe do anúncio acima mostrando as quatro opções de preço para os TL conforme descrito no texto acima:

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Detalhe do anúncio da linha 1973, destacando a existência de quatro modelos de VW 1600 TL, dois na versão standard

Para os Fuscões, Variants e TLs, as alternativas de acabamento, indicadas na tabela de preços do anúncio abaixo, eram chamadas de Opção 1 para os modelos mais baratos e consequentemente mais despojados, e Opção 2 para aqueles que possuíam um acabamento mais completo. No texto da propaganda de lançamento de 6 de dezembro de 1972, publicada no jornal O Globo, é possível perceber que nada é evidenciado sobre as diferenças físicas entre as versões, sendo apenas o preço levado em consideração.

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Anúncio publicado no jornal O Globo em dezembro de 1972

Nos folders institucionais lançados na época, uma pista foi encontrada na segunda página do folder referente à VW 1600 Variant: “Preço – Garantimos que este folheto vai interessá-lo muito, porque ele começa com duas coisas interessantes demais: as duas opções de preço da Variant”. Nas fotos e nas demais imagens, textos e tabelas, nenhuma diferença entre um modelo e outro é citada.

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No caso do folder do VW 1600 TL, assim como no da Variant, a única referência a uma segunda versão, também está na segunda página: “Vamos começar por um detalhe que vai interessá-lo muito: o preço. O TL – 2 portas tem duas opções de preço.”. Texto muito parecido com o encontrado no folder da Variant, foco no preço e nenhuma informação sobre as diferenças relacionadas às duas versões.

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Essa falta de evidências sobre as diferenças e a falta de uma designação distinta entre as versões mais baratas e as mais caras, dificultou até mesmo a divulgação por parte de revistas especializadas e por outros veículos de mídia impressa. Como já vimos, se a VW não batizou esse modelo, o mercado o fez: os modelos mais baratos passaram a ser conhecidos como “Versão standard”. Na revista Quatro Rodas de dezembro de 1972, na matéria referente ao VIII Salão do Automóvel de São Paulo, foi publicada uma foto da “linha de cintura” de uma Variant na cor amarelo Safari cuja legenda diz: “A versão standard da Variant.”

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Versão standard da Variant na revista Quatro Rodas de dezembro de 1972

Como foi dito no início desta matéria, outras mídias impressas como, por exemplo, jornais, que têm mais agilidade devido à frequência diária de publicação e não mensal, como a grande maioria das revistas especializadas, podem trazer informações de grande relevância que acabam se perdendo com o tempo, afinal de contas, quem guarda jornais? Foi o caso desta matéria publicada no jornal O Globo no final de novembro de 1972. O texto, mostra de maneira explícita, todas as características que a VW não informou em seus folders ou propagandas institucionais na época.

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Matéria publicada em O Globo de 24 de novembro de 1972

A matéria do jornal O Globo, publicada em 24 de novembro de 1972, tinha um título que dizia tudo: “Volks elimina frisos em linha sóbria”, destacando as particularidades das versões standard recém-lançadas pela VW. Para o caso do TL e da Variant, foram eliminados os frisos laterais e os frisos de acabamento nos vidros, que permaneceram no VW 1500 standard, apesar de a matéria informar o contrário. Mais um ponto para confundir os aficionados: não houve uma padronização em relação à utilização dos frisos!

Voltando ao TL e à Variant, o interior possuía estofamento mais simples, no mesmo padrão do VW 1300 e não os bancos com costuras em gomos tal qual o modelo “mais luxuoso”; o painel não era revestido de preto e sim pintado na mesma cor da carroceria, não possuía borrachões nos para-choques e sim uma fita adesiva preta e a característica mais marcante: as lanternas traseiras permaneciam idênticas às utilizadas até 1972, diferentes das lanternas maiores que estreavam com a linha 73. Essa característica, associada às saídas de ar estampadas na coluna “C”, que também estreavam na linha 73 definem de maneira indelével a carroceria standard!

Muitos aficionados pela marca Volkswagen talvez nem conheçam essas versões que tiveram uma vida curtíssima muito provavelmente por não terem agradado ao mercado ao qual se destinavam e, consequentemente, não terem trazido o retorno esperado pela fábrica.

A Variant e o TL standard foram incluídos na tabela de preços da revista Quatro Rodas em janeiro de 1973. O TL fez parte desta tabela até agosto de 1973, porém a Variant permaneceu somente até abril de 1973, desaparecendo da tabela a partir de maio. Apenas quatro meses no mercado! Em função disso, e considerando a cultura da época de ir se equipando aos poucos os modelos mais simples até se parecerem com modelos “de luxo”, bem como a utilização destes modelos mais baratos como táxi — no caso do TL, as versões standard tornaram-se verdadeiras raridades, e como dissemos, muitas vezes desconhecidas até dentro do mundo dos amantes de Volkswagen!

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Propaganda da Variant publicada pelo O Globo em 7 de fevereiro de 1973

Propaganda da Variant publicada em fevereiro, com o título: “Sensacional flagrante mostrando a Variant sendo usada para outros fins”, que ressaltava a existência de duas versões de preço com a frase: “Agora, quando v. comprar a sua Variant — que vem com duas opções de preço — descubra uma nova profissão para ela e comunique-nos, enviando uma foto.”. A medida que o tempo passava, a informação sobre as duas opções de preço ia diminuindo.

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Propaganda da Variant publicada no O Globo em 14 de março de 1973

Nesta propaganda, de março de 1973, com o título: “Olha a placa da Variant na praia linda de Santa Catarina”, o chamamento para a existência de duas opções foi feito com a frase: “E v. tem dois modelos de Variant – com opções de preço – para ajudá-lo a escolher mais facilmente.

Nestes dois exemplos, se confirma que a ênfase foi dada à diferença de preço, mas não houve qualquer dica sobre as diferenças físicas entre os modelos de cada opção de preço.

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Propaganda do VW 1600 TL publicada em O Globo em 4 de abril de 1973

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Propaganda da Variant publicada em O Globo em 14 de julho de 1973

Estas propagandas foram publicadas em abril e julho de 1973. Nos textos tanto na propaganda do TL, com o título: “Na hora de trocar o certo… …troque por esta certeza maior”, como na propaganda da Variant, com o título: “Para chegar feliz ao fim de uma longa viagem, nada melhor do que um bom começo”, já não é feita nenhuma referência às duas opções de preço.

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Foto de um VW 1600 TL standard publicada em 15 de janeiro de 1975

Um VW TL “Opção 1” flagrado em plena ação, neste caso como “carro de praça” no Rio de Janeiro em 1975. Pela traseira é possível identificar as lanternas pequenas associadas às saídas de ar na coluna “C”. O para-choque, em vez de “borrachão”, possui uma fita adesiva preta.

Algumas fotos das versões ora em estudo

A primeira análise será a comparação entre o VW 1600 Variant 1972  amarelo Safari, época que não havia duas versões, portanto era a versão única, com uma Variant 1973 “Opção 2” ou seja a versão completa, luxo, verde Hippie/interior preto

Comparando-se o modelo 1972 da Variant com a versão 1973 “Opção 2”, vemos que a maior parte das mudanças se concentrou na parte traseira, onde as lanternas ficaram maiores e foram feitas aberturas para a saída de ar na coluna “C”. Os vidros laterais traseiros perderam o quebra-vento que auxiliava a ventilação interna. No interior, o painel passou a ser revestido de preto ao invés do padrão imitando jacarandá. Para muitos aficionados essa mudança, especificamente, foi um retrocesso em relação ao modelo anterior, pois a aparência de madeira trazia um ar de sofisticação ao interior. Mudaram também os apoios de braço das portas, mas o padrão do revestimento foi mantido, assim como os bancos com costura em formato de gomos.

No caso da Variant “Opção 1” ano 1973, ou seja, a versão standard mais simples, as diferenças são consideráveis em relação ao modelo “Opção 2”, de luxo, um exemplar vermelho Montana com interior areia. Foram retirados os frisos dos vidros (dianteiro, laterais e traseiro) e da carroceria na altura da linha de cintura, dando uma aparência mais despojada. Na traseira é possível ver que as lanternas pequenas utilizadas até 1972 foram mantidas e foram incluídas as aberturas para a saída de ar na coluna “C”, típicas da linha 1973.

Essa característica, lanternas pequenas com as saídas de ar na coluna, é uma marca indelével do modelo standard. Os para-choques perderam os borrachões, substituídos por uma fita preta, e o interior foi bastante simplificado. Os bancos e forrações laterais possuíam o mesmo padrão utilizado no Fusca 1300, inclusive os puxadores de porta, completamente diferentes dos modelos 1972 e “Opção 2” 1973 da Variant. O painel era pintado na cor do carro e não possuía o nicho específico para acomodar o rádio.

Mesmo sendo um modelo considerado standard, havia a opção de cores diferentes para o estofamento, combinando com a cor da carroceria, que no caso do veículo das fotos o estofamento areia combina com a carroceria vermelho Montana, código L-30BR. Muitos aficionados pela linha VW, ao se depararem com uma Variant “Opção 1”, em um primeiro momento podem pensar que se trata de uma restauração malfeita, já que nada é como deveria ser, mas mal sabem eles que na verdade estão diante do que popularmente pode ser considerada uma verdadeira “mosca branca”!

No caso deste VW 1600 TL modelo 1973, cor amarelo Safari, código L-1363, tudo leva a crer que se trata de um TL “Opção 1” que foi sendo equipado ao longo de sua vida o que, como já foi dito aqui, poderia ser feito inclusive nas concessionárias VW. Duas características marcantes desta série estão presentes neste veículo: lanternas traseiras pequenas junto com as saídas de ar na coluna “C” e o painel pintado na mesma cor da carroceria. Aparentemente foram instalados externamente frisos laterais e nos vidros, além de borrachões nos para-choques, que no caso deste exemplar, o borrachão dianteiro é inteiriço, diferente do modelo original bipartido.

No caso do interior, é possível verificar que foi refeito na tentativa de seguir o padrão com costura em gomos, porém apresenta diferenças em relação ao original o que comprova que foi instalado posteriormente. Além disso, foi colocado no painel um nicho para instalação do rádio, tal como era utilizado até o modelo 1972, com a forração imitando jacarandá. O TL “Opção 1” pode ser considerado extremamente raro, pois como foi mostrado acima, em função de ser mais barato, foi muito utilizado como táxi, tornando o veículo das fotos uma verdadeira “mosca branca de olhos azuis”, como diz a sabedoria popular!

Uma das dificuldades que se encontra numa pesquisa destas é obter material fotográfico com exemplos destas raridades que tiveram um período de fabricação curto. Sendo assim fica aí a chamada a todos que toparem com estes carros que nos mandem fotos com o maior número possível de dados, ano do carro, onde a foto foi feita, algum comentário que ajude a levantar a história do carro em questão.

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O conteúdo desta matéria é de interesse histórico e representa uma pesquisa bastante aprofundada do assunto. Fotos de acervo próprio e pesquisa em livros, jornais (em especial O Globo), em sites da Internet (como as do Portal MAXICAR), e conforme indicado em algumas das fotos e no texto. Fotos da Variant Standard 1973 Vermelho Montana de Giovanni Moreira Afonso, Mateus de Assis e Portal MAXICAR, a quem agradecemos também. Material baseado nas informações disponibilizadas por Hugo Bueno – que também enviou propagandas, catálogos e fotos. Os catálogos “VW-1600 TL – VW-1600 Variant” foram emitidos pela Volkswagen do Brasil.
A coluna “Falando de Fusca” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.


Sobre o Autor

Alexander Gromow
Coluna: Falando de Fusca & Afins

Alemão, engenheiro eletricista. Ex-presidente do Fusca Clube do Brasil. Autor dos livros "Eu amo Fusca" e "Eu amo Fusca II". É autor de artigos sobre o assunto publicados em boletins de clubes e na imprensa nacional e internacional. Além da coluna Falando de Fusca & Afins no AE também tem a coluna “Volkswagen World” no Portal Maxicar. Mantém o site Arte & Fusca. É ativista na preservação de veículos históricos, em particular do VW Fusca, de sua história e das histórias em torno destes carros. Foi eleito “Antigomobilista do Ano de 2012” no concurso realizado pelo VI ABC Old Cars.

Publicações Relacionadas

  • Luiz Alberto Melchert de Carva

    Essa série de matérias merece ser concentrada em um livro. Mais uma vez, meus parabéns. Nâo me lembro de o autor ter citado o Zé do Caixão de luxo que tinha pintura de duas cores e bancos reclináveis, se não me engano, com estofamento de couro.

  • Luciano Ferreira Lima

    Como me fez bem essas fotos da Variant. Tenho certeza que meu dia vai ser ótimo! Eu babei nesse TL de 4 portas. A título de curiosidade, as saídas de circulação de ar ora incorporadas na versão 72 melhoravam a ventilação e o desembaçamento em relação as versões anteriores? Grato pela viagem no tempo.

  • Mineirim

    Gromow,
    Então é isso… Meu pai teve Variant amarelo Safari e eu sempre achei estranho o painel pintado na cor do carro. Não que fosse feio, mas conhecidos e parentes tinham TL e Variant com painel revestido de plástico imitando madeira.
    Belíssima reportagem!

  • Carlos A.

    Muito legal essas matérias mostrando detalhes de versões ‘VW’ que tiveram vida curta no mercado. Realmente a falta (ou dificuldade) para registrar esses modelos na época deveriam ser grandes. Atualmente basta um celular para que a foto seja feita, e com direito a uma conferência imediata quanto ao resultado do registro, se for o caso é só tirar outra! Eu estou aprendendo bastante e também apoio um futuro livro sobre o assunto!
    Sr. Alexander, a VWB não possui um acervo de fotografias desses modelos raros?

  • Mr. Car

    Em tempo, Gromow: é capaz que a primeira Variant do meu pai já fosse uma 74 (não tinha as calotas grandes e cromadas, e sim os copinhos centrais pretos em plástico, com o logo da VW em alto relevo.

  • Mr. Car

    Desta parte do e-Book eu realmente não gostei, que sou um destes 9 entre 10 leitores que execram o “livro que não é livro”. Sou fã mesmo é de livro físico, mas estou disposto a fazer o sacrifício, he, he!
    Abraço.

    • C’est la vie caro Mr. Car,
      Não há como pular sobre a própria sombra…
      O que der para fazer será feito.

  • Arruda

    Nossa! Carros coloridos! Que civilização é essa?

  • muito bacana hein. Belo texto.

  • Maycon Correia

    Alexander, matéria belíssima e muito esclarecedora.
    Aquela Variant azul que eu citei na outra matéria era uma 1973 originalmente verde Mentol metálica, provavelmente não era a versão simples, pois ela tinha lanternas grandes atrás, pintura metálica e painel preto, além do friso nos vidros e borrachão no para-choque. Porém os bancos dela e forração lateral não eram do padrão 1973 e sim o padrão 1970/1972 originais. Detalhe para os puxadores de porta pequenos já da linha 1973/ Todos os bancos no seu devido lugar e a forração das passadeiras “carrapatinhos” em cinza rajado. Bancos padrão 1500 e Variant com gomos de tecido liso. Isso que me deixa a dúvida. Detalhe daquela Variant: ela sofreu um acidente grande quando nova e original na cor verde eram apenas: laterais traseiras, para-lamas traseiros, compartimento do motor, e painel de fogo dianteira. O restante foi tudo trocado por peças originais novas em fundo vermelho. E um serviço de lataria extremamente bem feito! Por baixo do azul Caiçara 74/76. Meu pai comentou que era serviço extremamente qualificado e digno de concessionária grande, pois não havia colunas soldadas pela metade como é de praxe em uma troca de teto. E sim pontos de solda nas junções de folhas do teto e laterais, e onde houve peças juntas a solda era quase imperceptível, como na lateral dianteira.
    Descobrimos a plaqueta de identificação da carroceria, estava com verde por baixo de uma camada azul, e atrás da própria plaqueta de identificaçào também era verde. É o detalhe era: absolutamente tudo com carimbo VW, até os faróis.

    Assim como eu vi Fusca 1500 comprado zero em janeiro de 1973 já com os para-lamas da versão 73/ na cor amarelo Colonial e interior marrom café. O dono alega jamais ter trocado os para-lamas! Coisa que naturalmente pode ter sido feita na própria revenda para vender um carro “atual” porém mantinha tampa traseira com 10 rasgos, cor e interior do 1972.

    Quanto à linha básica, eu não duvidaria mesmo que seria aquele padrão de tecidos do 1300 mesmo. Até para baratear a produção, barganhar no preço na compra de volumes maiores e tudo mais.

    • Beleza de relato, caro Maycon Correia!
      Você tem muita coisa para contar mesmo, grato por fazê-lo aqui também.

  • Diney

    Meu pai teve duas Variant marrom xadrez (acho que era esse o nome), viajamos bastante com ela e quebrou muito galho por longos anos.
    Sábado de noite, estava em frente a um hotel em Campo Grande/MS, quando ouvi o som conhecido de um motor vindo pela avenida, quando passou em frente tive a certeza do que ja sabia, um Variant impecável passou e me reportou a infância, e me emocionou com tantas lembranças . E agora lendo este post fiquei mais emocionado ainda. Obrigado, Alexander, por esta bela postagem. Um abraço.

    • Que bacana Disney,
      Estas matérias mexem mesmo com muitos de meus leitores que são remetidos a um tempo passado rico em lembranças. Obrigado por seu comentário sobre a matéria.
      Meu pai teve uma Variant que tinha sido de meu cunhado, quando este morou no Brasil.
      Meu pai cuidava da Variant que andava sempre limpa e bem cuidada, até que um dia ela foi roubada da frente da casa dele, foi uma choradeira geral…

  • eNe

    O ano de 1973 foi de muito ágio. Será que não foi por isso que lançaram essas opções standard para minimizar esse efeito?
    Também foi uma época de pouca produção ou de excesso de vendas, pois a média de entrega de um Fusca era de três meses ou mais. É claro que no pedido era preciso dar uma boa entrada e se o carro quando chegava não era da cor desejada, o prazo de entrega podia ser bem maior.
    Nesse ano um de meus irmãos conseguiu logo seu Fusca 1300, porque a concessionária recebeu um na cor amarela e que ninguém queria.

    • Lembranças preciosas, caro eNe,
      Realmente era uma época complicada…
      Grato

  • Fernando

    Alexander e estas curiosidades que são escavadas junto de outras pessoas interessadas no mesmo, e encontram as explicações que por vezes nem a fabricante na época, queria explicar! rs

    Creio que esta dificuldade em relação aos modelos mais básicos seja difícil também em outras fabricantes, pois mesmo um Chevette, Monza ou Escort em versões Standard eram difíceis de terem as diferenças destacadas, e hoje ver um com seu visual original é muito raro. Pelo menos em dado período se tornou mais fácil reconhecer estes carros pelo chassi, e assim chegar à versão.

    • Salve Fernando,
      Acho que todas as fábricas cozinham com água (velho ditado alemão que se refere ao fato de um problema geralmente se aplicar a uma coletividade).
      Seria esperar muito que uma empresa se preocupasse em registrar aspectos de seus produtos que no futuro seriam de interesse de colecionadores de seus produtos, agora transformados em relíquias…
      Somente marcas muito tradicionais, como RR e MB, por exemplo, ainda tem um arquivo incrível com todas as características de seus carros antigos. A Ferrari também presta um serviço muito bacana para seus colecionadores e fornece peças a partir de desenhos que ainda existem. Poucas empresas fazem parte deste seleto clube de firmas preocupadas com o passado de seus carros.
      Mas para empresas que não têm este foco o negócio é produção em massa e viver o dia de hoje, e olha lá…

  • Grato, meu caro André Francisco Leite,
    Eu também acho a linha 73 muito bonita, se bem que o colorido esteve presente em todas as linhas, era uma alegre presença no carros Volkswagen daqueles tempos…
    Sou a favor da policromia, acho esta tendência recentes do PBP muito triste e profundamente monótona. Eu mesmo, recentemente tive um carro vermelho e agora um azul. Acho que o próximo voltará a ser vermelho!

  • Caro Daniel S. de Araujo,
    Uma bela dissertação sobre características marcantes de alguns VW’s, o que mostra que você é um expert também nesta linha de carros.
    Grato por dividir seus conhecimentos conosco.

  • Antonio Olympio Filho

    Muito bom, parabéns !!

    To doido para chegar na parte do Karmann Ghia TC, meu querido e futuro carro.

  • Fala Alexsander Schuquel, meu caro afilhado de casamento!!!
    Pois é, estes aspectos tão “sutis” da linha de produtos Volkswagen no Brasil estão sendo registrados e expostos aqui na “Falando de Fusca” para que fiquem registrados para os interessados pelo assunto. Você chegou a ver a matéria sobre o Fusca “Série Bravo”?
    O Hugo e eu agradecemos a seus parabéns.

  • Goodtimes

    Meu amigo Alexander, parabéns por mais esta excelente matéria.
    Eu estava aqui pensando: a Volkswagen acabou com os modelos “básicos” em meados de 1973 e, justamente nesta época, os SP1 também foram descontinuados. É bem provável que ele tenha entrado nesta onda de cancelamentos pela fabricante justamente por ser um modelo mais despojado e com motorização mais fraca. Note que, inclusive, os dois modelos (SP1 e SP2) aparecem no anúncio da linha 73.
    A única diferença dos outros modelos básicos da VW era que ele tinha uma denominação diferente do seu irmão, o SP2.
    Será que foi isso mesmo que ocorreu?

  • Ricardo

    Caro Alexander, parabéns pelo texto espetacular, verdadeira viagem no tempo. Tenho um Fusca 1500 72, adoraria ver o folder oficial desta linha, existem planos de divulgar, se é que este documento existe? Mais uma vez obrigado e parabéns pelas informações maravilhosas!

    • Salve Ricardo,
      Sempre que possível eu acrescento os folders relativos às matérias que vão sendo postadas. Estes documentos, hoje em dia, são importantes na formação dos conceitos sobre os modelos (se bem que ocorreram diferenças entre o que os folhetos mostravam e o que acabou sendo realidade – por sorte isto não foi tão frequente assim).
      Vamos ver o que as próximas matérias trarão em relação à linha 72.
      Se fosse da linha 73 o seu desejo seria fácil de atender, pois o folheto já está na matéria sobre o Fusca “Série Bravo”.

  • Daniel S. de Araujo

    Maycon, sobre os 1996, eu tinha o dossiê de cores e versões em um folha de vendas da VW do ano, mas que foi roubado junto com o carro. Mas eu me lembro que rezava mais ou menos o seguinte:

    -> Modelo Std. Nenhum acessório.
    -> “Código 1” – Modelo std. acrescido de volante espumado, relógio e borrachão no parachoque.
    -> “Código 2” – Código 1 acrescido de vidros verdes, desembaçador traseiro, acendedor de cigarros, vidro traseiro basculante, buzina dupla do Santana, bolsa nas portas, interior acarpetado
    ->Série Ouro – Código 2 acrescido de volante do Gol G2, fundo branco dos instrumentos, farol de milha e tecido dos bancos iguais ao do VW Pointer. O engraçado é que em catálogo, o Série Ouro podia ser vermelho cereja (não sei o nome da cor), verde nice ou prata lunar. Inclusive muitos achavam que meu verde nice era Série Ouro mas não era. Os Fuscas Ouro pretos e brancos, para mim foi mais uma novidade.

  • Ricardo

    Caro Alexander, nem sei como te agradecer! A cor é exatamente essa da foto, porém sem o “desbotamento” do tempo. Já haviam me contado que é uma cor muito rara, que só saía sob encomenda. De fato é raro ver um igual nos encontros. Segue a foto dele, veja como ficou feliz com sua ajuda! Muito obrigado e mais uma vez parabéns para você e todos os colaboradores por este resgate espetacular da história…

  • Beto de Freitas

    A primeira Variant de “Algumas fotos das versões ora em estudo” não é amarelo Safari e sim, amarelo Caju. Essa cor é rara de ser vista nas ruas justamente por ser confundida com a Safari.

  • Jorge Alberto

    Excelente texto! Parabens!! muito elucidador!

    Agora compreendo porque a Brasilia LS 79 de meu Pai era tao “diferente” das demais, ela era bege monocromatica e com um interior muito mais confortavel (aconchegante), que as outras.

    Ela tinha os paineis de porta mais bem acabados e decorados, o painel de instrumentos imitando madeira e o volante diferente.

    Ela era um “modelo top” entao.

    Segue em anexo, duas fotos de exemplar igual a que era de meu Pai, porem esta possui interior preto: