Ainda é um ilustre desconhecido para nós, mas na Europa e em outros mercados existe desde 2008: o suve Renault Koleos. Recentemente, em abril, no Salão de Pequim, foi apresentada a segunda geração, isso depois leve atualização de estilo em 2011. O AE esteve semana passada em Paris, a convite da Renault, para conhecer o novo Koleos, que é fabricado na Coreia do Sul, em Busan, pela Samsung Renault, e na China, em Wuhan, pela Renault em associação 50-50 com a chinesa Dongfeng na nova fábrica inaugurada no começo do ano.

Evidentemente, o Koleos é a investida da marca do losango no crescente mercado de suves e crossovers no mundo todo e até no Brasil.  Embora não confirmado pela fabricante, há planos de importá-lo. O veículo ainda não está sendo comercializado na Europa — deverá ocorrer provavelmente por ocasião do Salão de Paris, em setembro — e por isso ainda não tem preço, mas especula-se algo em torno de € 30 mil, dependendo da versão.

20160722_111815  RENAULT KOLEOS, 2ª GERAÇÃO 20160722 111815

Desenho não difere de outros suves, mas é elegante

A primeira impressão é a de um suve robusto e espaçoso. Leva três passageiros no banco traseiro sem aperto tanto lateral quanto longitudinal, em que o espaço para pernas é amplo, nada menos que 289 mm. É um veículo grande (segmento D na Europa), 4.673 mm de comprimento com entre-eixos de 2.705 mm, 1.843 mm de largura (sem espelhos, 2.063 mm com) e 1.678 mm de altura. Os balanços são curtos, 930 mm dianteiro e 1.038 mm, traseiro, que combinados com a distância livre do solo de 210 mm, proporcionam ao Koleos ângulos de entrada e saída de 19 e 26 graus, respectivamente. As portas abrem-se em grande ângulo, 70 e 77 graus, dianteira e traseira, para total facilidade de entrar e sair.

dimensoes  RENAULT KOLEOS, 2ª GERAÇÃO dimensoesO compartimento de bagagem acomoda bons 550 litros e, com os encostos do  banco traseiro (2/3-1/3) rebatidos chega a 1.690 litros (nesse caso até o teto). A porta de carga tem acionamento elétrico e que pode ser comandado movendo-se um dos pés lateralmente sob o para-choque traseiro.

São duas motorizações a gasolina e duas  a diesel, sempre de quatro cilindros. Gasolina,  bloco e cabeçote de alumínio, duplo comando de válvulas com acionamento por corrente, quatro válvulas por cilindro e injeção direta. Um, 2-litros de 145 cv a 6.000 rpm e 20,4 m·kgf a 4.400 rpm associado a câmbio manual de 6 marchas se a tração for dianteira, ou CVT X-Tronic no caso de tração integral. Outro, 2-5 litros de 170 cv a 6.000 rpm e 23.8 m·kgf a 4.000 rpm com CVT com um outro tipo de tração.

Os diesel, turbo de injeção direta, 1,6-L de 130 cv a 4.000 rpm e 32,6 m·kgf a 2.000 rpm, e 2-L  de 175 cv a 3.750 rpm e 38,7 m·kgf de 2.000 a 3.000 rpm.

O peso do Koleos varia de 1.495 a 1.643 kg, mas a versão gasolina mais pesada, a que dirigi — 2,5-L + CVT + tração integral — pesa 1.607 kg.

Andei com o Koleos em ruas, autoestradas e sinuosas e estreitas rodovias municipais próximo a Paris e o desempenho, se não espetacular, satisfaz plenamente considerando o tipo de veículo. O melhor foi  o comportamento irrepreensível aliado a bom conforto de rodagem, levando a esquecer estar-se dirigindo um veículo desse porte. As suspensões independentes — McPherson na dianteira e multibraço, na traseira — apresentam calibração que concilia bem conforto e estabilidade, caso também da direção eletroassistida. O Koleos passa segurança nas curvas, e ela é real. A posição de dirigir é perfeita e os bancos dianteiros são muito confortáveis, além de contarem com aquecimento e resfriamento em duas temperaturas, mais acionamento elétrico inclusive lombar.

20160721_125633  RENAULT KOLEOS, 2ª GERAÇÃO 20160721 125633

Interior agradável, volante ajustável em altura e distância, bancos muito confortáveis, posição dirigir excelente

Os pneus do veículo testado eram os sul-coreanos Nexen NPriz RHT 225/60R18H (para 210 km/h), que mostram boa aderência em piso seco.

Não foram fornecidos números de desempenho e de consumo de combustível, mas tomando por base os dados do Koleos anterior, de peso muito próximo e com o mesmo motor e câmbio CVT, a aceleração 0-100 km/h é feita em 10,3 segundos e a velocidade máxima, 185 km/h. Consumo,  8,3 km/l na cidade e 12,5 km/l, na estrada. Conferem com a percepção.

O câmbio CVT funciona a contento e em modo manual permite selecionar, apenas pela alavanca, sete marchas virtuais tanto para aceleração mais rápida quanto para obter freio-motor. A relação mais longa do câmbio CVT permite rodar a 120 km/h com o motor a 2.000 rpm, mas sob aceleração forte o motor se faz presente na cabine, o que deveria ser melhorado, especialmente pela característica do câmbio CVT de levar o motor a rotação elevada ao se acelerar a partir de uma velocidade constante.

A tração é dianteira a maior parte do tempo, mas transfere-se automaticamente para o eixo traseiro quando necessário e em até 100%. O controle permite também bloquear a repartição de torque, deixando-a 50-50%. O sistema é Haldex, usado por várias fabricantes de veículos 4×4. Foi dito na apresentação técnica que haverá opção de câmbio robotizado de duas embreagens dentro de três meses, mas para determinados mercados apenas, como o indonésio.

20160721_124957  RENAULT KOLEOS, 2ª GERAÇÃO 20160721 124957

“Atrás de mim” fico muito bem sentado, com boa folga para os joelhos

Renault proporcionou também uma rodagem no Centro de Testes de Estrada para Automóveis em Mortefontaine, próximo à capital francesa, empresa privada dedicada a testes e homologações de veículos. Num curto circuito off-road ficou clara a sua aptidão  para caminhos de terra não tão hospitaleiros. E pode atravessar cursos d’água de 450 mm de profundidade.

20160721_130827  RENAULT KOLEOS, 2ª GERAÇÃO 20160721 130827

Alinhados no Centro de Testes de Estrada para Automóveis em Mortefontaine, próximo à capital francesa

Como veículo dos tempos atuais, o Koleos traz todo tipo de auxílio ao motorista e de meios de comunicação, com elevada conectividade, navegador, reconhecimento de voz, tela central tátil de 4,2″, tudo destinado ao dirigir com mais segurança, entre eles controle de estabilidade e tração (desligável), frenagem ativa de emergência, aviso de saída da faixa, de ponto cego e de fadiga do motorista, câmera traseira, troca automática de fachos dos faróis de LED, assistente de estacionamento sem-mãos e luzes de uso diurno, a DRL, Mas falta, porém, o útil freio de parada automático.

20160722_111959  RENAULT KOLEOS, 2ª GERAÇÃO 20160722 111959

Desenho da traseira agradável; luzes traseiras a LED

Além das bolsas infláveis centrais há duas laterais e duas de cortina abrangendo as duas fileiras de bancos, e todos os cinco cintos contam com pré-tensionador e limitador de carga. O sistema de áudio é Bose com 13 alto-falantes, inclusive dois subwoofers encaixados no estepe operacional.

Esse novo Koleos tem mesmo os ingredientes para agradar quem já está ou quer passar para o mundo dos suves, até pela suas linhas elegantes que nelas embutem na íntegra toda a personalidade da marca. Certamente será uma das estrelas no Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro.

BS

Mais fotos:

Sobre o Autor

Bob Sharp
Editor-Chefe

Um dos ícones do jornalismo especializado em veículos. Seu conhecimento sobre o mundo do automóvel é ímpar. História, técnica, fabricação, mercado, esporte; seja qual for o aspecto, sempre é proveitoso ler o que o Bob tem a dizer. Faz avaliações precisas e esclarecedoras de lançamentos, conta interessantes histórias vividas por ele, muitas delas nas pistas, já que foi um bem sucedido piloto profissional por 25 anos, e aborda questões quotidianas sobre o cidadão motorizado. É o editor-chefe e revisor das postagens de todos os editores.

Publicações Relacionadas

  • Mr. Car

    Bob, achei muito bonito por fora e por dentro (óbvio, sempre fazendo a ressalva de que ficaria bem melhor com um interior clarinho, he, he!). Se resolvem mesmo trazer para cá, que não faltem unidades neste lindo azul. E por questão de afinidade político/ideológica, que tragam os fabricados na Coréia do Sul, he, he!
    Abraço.

    • Mr. Car, tenho a mesma preferência sua!

      • Mr. On The Road 77

        Na foto que mostra o freio de mão eletrônico, dá pra ver que os bancos são clarinhos.

  • Matheus Ulisses P.

    Esse holandês Laurens van den Acker é realmente brilhante, mandou muito bem nessa filosofia de design nova da Renault! Antes de assumir o estilo da francesa, eu já admirava-o muito pelos trabalhos na Ford e Mazda.

  • Welyton, a aceleração melhora pouco em modo manual, por percepção, não medi. Esse modo é mais para se ter freio-motor. Não tenho certeza se o freio automático só arma se colocar em P. é algo instintivo, não se presta atenção nisso. O AE não foi o único órgão de imprensa do Brasil convidado e esses eventos envolvem todos os países. Tinha até jornalista da Indonésia, por exemplo.

  • Tommy

    Está aí uma coisa que sinto falta nos Renault que nos são oferecidos: o design ”classudo”, aquela pitada de Audi, sabe? (Sem vira-latismo de que eles são Dacias, por favor, gosto muito do Logan e do Sandero, acho plenamente condizentes e mais bem adaptados aos concorrentes daqui, porém falta a eles esse desenho sóbrio e elegante que o Clio tem, por exemplo). Isso parece que vai mudar com a chegada do Captur e do Koleos. Quem sabe em algum tempo o Mégane também? A conferir.

    • Elizandro Rarvor

      O Captur não vem, quem chega por aqui é o Kaptur.

  • João Carlos

    O pessoal da indústria talvez ache que com volante e banco com ajuste de altura isso seja suprido, mas não é, e ainda tem a questão do passageiro dianteiro. Esse item, mas a alça, não é cliente quem ai pagar? Para que retirar?

    O mais incrível que notei, é que, no up!, a regulagem do cinto existe. Desmonta-se a proteção da coluna, desparafusa o cinto para uma posição abaixo, ajusta o anteparo para mais baixo. Bem prático…

    Agora o mais incrível. Dos carros pequenos que minha tia baixinha experimentou para comprar, Ka, HB20, March (menos o up! e Etios, que ainda vamos ver), o que ela encaixou como uma luva foi o veterano e bom Clio! E ele não tem ajuste de volante nem banco. E o detalhe, o cinto é ajustável. Eu também experimentei, e ficou tudo no lugar certo! Desaprendemos a fazer carros ergonômicos para todos!

    • Agradeça à Renault por ainda usar os bancos do Mégane I no Clio. Se o Logan tivesse sido equipado com eles, seria o mais confortável carro médio do Brasil.

  • agent008

    Dê uma olhada no Qashqai então… aí sim verá quem é o gêmeo do Koleos!

  • agent008

    É que o Koleos é quase um badge engineering. Quase totalmente baseado no Nissan Qashqai e daí inclusive vem a motorização.

  • Diogo, não poderia ser diferente, Nissan e Renault são aliadas.

  • Elizandro Rarvor

    Eu achava que ele era mais pesado e seria como andar no Freemont 2,4, mas pelo visto a diferença de mais de 200 kg do Koleos o deixou bem menos anêmico que o Fiat.

  • Elizandro Rarvor

    Eu sinto falta da regulagem de altura dos faróis e porta-óculos que falta em vários carros.

  • Elizandro Rarvor

    E o que seria um SUV não genérico?

  • Luciano, SUV é sigla de sport utility vehicle, mas como é uma sigla de expressão em inglês, porém usada amplamente, preferi grafá-la como se pronuncia em português em vez de aportuguesar a sigla para VUE, que ficaria um tanto estranho.