Foi isso mesmo. A PSA, que reúne as marcas Peugeot, Citroën e DS, resolveu mostrar o consumo dos seus carros no mundo real. Não aquele obtido em laboratório e que serve para homologação dos modelos, que deixa o cliente frustrado pensando ter comprado um carro de determinado consumo, mas que na verdade é bem maior ao usar o carro no dia a dia.

Se bem que esse problema de algum tempo para cá praticamente inexiste no Brasil e nos Estados Unidos, que adotaram recentemente metodologia de medir consumo bastante realista, a tal ponto que já há casos de o veículo consumir menos do que o informado oficialmente. Aqui temos o Inmetro e nos EUA, a Agência de Proteção Ambiental (EPA).

Na Europa esse problema existe. O método de medição de consumo de lá, o NEDC (New European Driving Cycle, criado em 1990), é brando demais, tanto que a União Europeia adotará novo padrão em setembro de 2017,  o Worldwide Harmonized Light Vehicles Test Procedure, um procedimento mundial harmonizado de testes de consumo  de  veículos leves, ao qual já aderiram todos os países europeus, EUA, Japão, China, Rússia e Índia.

Os testes promovidos pela PSA foram calcados em um protocolo definido em colaboração com as organizações não governamentais Transport & Environment e France Nature Environnement, auditadas pelo Bureau Veritas. O protocolo, confiável e que pode ser reproduzido, permitiu medir o consumo dos carros dos clientes do Grupo PSA em condições reais  de utilização.

O protocolo foi inspirado no projeto europeu de emissões reais ao se dirigir normalmente,  Real Driving Emissions (RDE) e mede o consumo de combustível por meio de um equipamento portátil instalado na traseira do veículo. O bureau Veritas, organismo de auditoria independente reconhecido mundialmente, garante o respeito ao protocolo e sua execução nas condições definidas e atesta a confiabilidade e a integridade dos resultados.

Consumo DS3

Medições de consumo e emissões na utilização normal do automóvel (foto PSA)

As medições foram feitas nas vias públicas abertas ao trânsito, distribuídas em 25 km nas zonas urbanas, 39 km nas vias periféricas da cidade e 31 km em rodovias, sempre em condições reais de utilização, inclusive com ar-condicionado ligado. Os resultados foram surpreendentes, veja:

MODELOS PEUGEOT Protocolo T&E km/l Homologação km/l Diferença    km/l
108 1,2l PureTech 82 M5 pneu 15″ std 16,4 23,3 6,9
208 1,6l BlueHDi 100 M5 pneu 16″ TBBR 21,3 28,6 7,3
208 1,6l BlueHDi 120 M5 SSS pneu 16″ UBRR 21,3 33,3 12,0
2008 1,6l BlueHDi 100 M5 pneu 16″TBBR 19,6 27,0 7,4
2008 1,6l BlueHDi 120 S&S M6 pneu 16″TBRR 19,2 27,0 7,8
2008 1,2l PureTech 82 M5 pneu 16″ TBRR 15,6 20,4 4,8
2008 1,2 PureTech 110 S&S  A6 pneu 16″ TBRR 14,1 20,8 6,7
308 1,2l PureTech 120 S&S M6 pneu 16″ UBRR 20,4 31,3 10,9
308 1,2l PureTech 130 S&S M6 pneu 16″ TBRR 15,2 21,7 6,5
308 1,2l PureTech 110 S&S M5 pneu UBRR 15,9 25,0 9,1
3008 1,6l BlueHDi 120 S&S M6 pneu 17″ TBRR 16,4 24,4 8,0
3008 1,2l PureTech 130 S&S A6 pneu 17″ UBRR 13,2 20,4 7,2
508 2,0l BlueHDi 180 S&S A6 pneu 17″ UBRR 15,9 25,0 9,1
Partner 1,6l BlueHDi 120 S&S M5 pneu 15″ TBRR 16,4 23,3 6,9
MODELOS CITROËN
C1 PureTech 82 MAN Feel pneu 15″ std 16,4 23,3 6,9
C1 PureTech 82 MAN Exclusive pneu 16″ std TBRR 15,9 21,7 5,8
C3 Picasso BlueHDi 100 Man Confort pneu 16″ TBRR 17,5 26,3 8,8
C3 BlueHDi 75 S&S Man Confort pneu 15″ UBRR 20,4 33,3 12,9
C4 Cactus BlueHDi 100 Man Shine pneu 16″ TBRR 19,6 27,8 8,2
C4 Cactus PureTech 110 S&S Man Shine pneu 16″ TBRR 16,4 23,3 6,9
C4 Blue HDi 100 MAN Feel pneu 16″TBRR 19,6 27,8 8,2
C4 Picasso BlueHDi 120 S&S A6 Intensive pneu 17″TBRR 15,4 25,6 10,2
Grand C4 Picasso BlueHDi 120 S&S M6 Attraction pneu 16″ UBRR 17,5 25,0 7,5
Grand C4 Picasso PureTech 130 S&S M6 Intensive pneu 16″ UBRR 13,5 20,0 6,5
Berlingo BlueHDi 100 Man pneu 15″ TBRR 16,4 23,3 6,9
MODELOS DS
DS 3 BlueHDi 120 S&S M6 Sport Chic 20,0 27,8 7,8
DS 3 PureTech 110 S&S Man So Chic 16,7 23,3 6,6
DS 4 PureTech 110 S&S Man So Chic 18,5 26,3 7,8

 

A PSA está de parabéns pela corajosa iniciativa, um exemplo a seguir.

BS

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  • Estão de parabéns pela iniciativa na direção correta, mas por que não abastecer, rodar, abastecer e fazer a média, para que atrelar esta parafernália?

    • Victor H, questão de precisão apenas.

  • Marco Antônio, acho ótimo motor diesel em carros leves. Diferença de consumo (menos), diferença de preço (mais) e diferença construtiva (mais complexa e cara).

    • Marco Antônio

      Bob, estava dando uma olhadinha nas especificações da gama de motores da PSA, pelo site da Peugeot Portugal. Notei uma coisa, esses motores BlueHDi possuem mais torque que as versões a gasolina. No fritar dos ovos, esse maior torque de tabela é sentido ao dirigir ? Digo isso porque já vi uma matéria, muito boa por sinal, aqui no AE dizendo que no fim o que importa é a potência do motor. Ou por ser a diesel tem alguma diferença?

      OBS: Ainda não tive a oportunidade de dirigir um motor diesel.

      • Marco Antônio, o maior torque justamente propicia mais potência em baixas rotações e isso se nota claramente ao dirigir.

    • Ricardo Carlini

      Fico imaginado esses “mecânicos oreia de porco” tendo que resolver problemas num sistema common rail da vida.

  • Mr. Car, volto a dizer, consumo dos nossos carros é o que queremos que ele faça. Você tem toda razão.

  • Muitos pontos para a PSA.
    Mas mesmo assim há diferenças entre consumidores. Eu, por exemplo, tenho certeza que faria números piores que os da PSA. Meu pé é pesado e não é suave. Ao menos agora a comparação é mais realista.

  • Muito boa a iniciativa; eu acho que os testes padrões são válidos para comparativo entre modelos, mas estão longe da realidade da vida real.

    Meu carro (um PSA motor 1,6 THP) esta longe da média de consumo apontada no teste padrão, e vejo pessoas em fóruns fazendo milagre com o combustível. Resolvi o problema da seguinte forma: parei de olhar o consumo; não comprei um carro com mais de 24 m·kgf de torque para abastecer no conta-gotas.

  • Marco Antonio, aluguei um 208 1,4 diesel no Chile, rodei em quase 1.000 km com ele (algo como 40% cidade e 60% estrada); a média foi de 22km/l no Diesel. O carro (e o motor incluído) é um espetáculo, tanto em consumo como em desempenho.

  • Fat Jack

    Excelente iniciativa, tomara que a mesma seja seguida por outros fabricantes, pois acho ser sem dúvida a forma mais correta de avaliação e a que de fato mais se aproxima das condições reais de uso, ainda mais divergente no caso dos carros “flex” onde o cálculo de 70% do atingido tendo a gasolina como combustível não serve de estimativa para o uso de etanol em grande parte dos casos.
    Bob: no primeiro parágrafo, próximo ao seu final, acabou faltando um espaçamento as palavras “mas que”, ok?

  • Mr. Car

    Pode apostar que é. Nem mesmo meu Monza 2.0 (carro com fama de gastador) me assustava, he, he! Era só saber tocar.
    Abraço.

  • Ricardo Carlini

    Aqui em casa é a mesma situação…

  • Faço 8 km/l com gasolina e acho louco de bom já; 11 km/l eu faço na estrada.

  • marcio pessoa de faria neto

    Ricardo c. qual é o anti detonante utilizado na super plus 98 ?

    • Ricardo Carlini

      Marcio não tenho essa informação, sei que o sp é tratado como sans plomb (sem chumbo), nos postos eles vendem o MTBE como aditivo substituto de chumbo.

  • Christian Bernert

    É o que eu sempre digo. Quem gasta gasolina é o motorista e não o carro. Nós só precisamos de um método de teste que torne os números comparáveis entre si.
    No meu percurso diário de 20 km quando estou “a fim” de economizar faço 18 km/l e demoro 22 min. Quando não estou “a fim” de economizar demoro 17 min e faço 11 km/l. Com o mesmo carro a mesma gasolina e o mesmo percurso.
    E sendo extremista já consegui incríveis 21,7 km/l. Mas daí ficou muito chato, eu me recuso a andar deste jeito só pela economia.

  • Ricardo, a única desgraça da nossa gasolina é ter esse álcool todo, pois em octanagem não devemos absolutamente nada aos países de vanguarda.

    • Ricardo

      Exato. Álcool pra mim só em produto de limpeza, medicamento e birita! 🙂

    • marco lima

      Mania de brasileiro jacu, de pichar tudo o que é nacional, por ser nacional, sem conhecimento de causa. Segundo a “filosofia” deles, “se é nacional, não presta…”

  • Renato Bueno

    Bob, alguma informação sobre as modificações no motor/transmissão do C4 lounge THP 2017, que promete 18% de economia no consumo?

    • Renato, por enquanto nenhuma informação.

  • Ulisses, nossa gasolina está muito longe de ser a mais cara. Publiquei matéria a respeito em 19/02/13, éramos 39º em 60 países. Pode ter mudado um pouco, coisa de 34º~35º. Leia em http://www.autoentusiastasclassic.com.br/2013/02/precos-da-gasolina-mundo-afora.html

  • Alexandre Cruvinel

    Fiquei impressionado com a diferença de preço entre Rio e São Paulo. Quase 1 real na gasolina, mais de 1 real no álcool.
    Comparar com outros países depende de taxa de câmbio. Em relação ao poder aquisitivo, quase tudo aqui é muito caro.