Tenho dito aqui, nas respostas a comentários de leitores, o “morro sem entender” para fatos absurdos que ocorrem no dia a dia e aproveito para citar um desses fatos que é mania nacional — exclusivamente brasileira, diga-se — de chamar fábrica ou empresas fabricantes de automóveis  de “montadora”. Essa vou morrer sem entender mesmo. Em nenhuma outra língua isso acontece.

No imaginário popular é como se o processo de produção de um automóvel envolvesse apenas montagem de componentes, denotando falta absoluta de noção de como se fabrica um carro. Nem imagens de fábricas funcionando mostradas de vez em quando na tevê  são suficientes para fazer as pessoas entenderem que se trata muito mais do que simples montagem.

É claro que grande parte do que é aplicado num veículo é adquirido de fabricantes de peças e conjuntos que são fornecidos à fabricante do veículo, como bancos, painéis de instrumentos completos, tapeçaria, freios, eixos completos, até câmbios em muitos casos. Mas olhando com atenção veremos que o processo todo vai muito além de montagem.

Só processo de fabricação da carroceria evidencia que montagem é termo totalmente inadequado. Há a estampagem das várias partes de carroceria em gigantescas prensas, que depois precisa ser armada por meio de solda, hoje tarefa efetuada por um batalhão de robôs (foto de abertura).  Depois vem a preparação para a pintura e esta propriamente dita. Nada disso é “montagem”.

press b

Isso não é exatamente uma operação de montagem!

Sem falar no coração de todo automóvel, o motor. Há a fundição, a usinagem de bloco, cabeçote, virabrequim e bielas, operações realizadas por complexas máquinas.

Muitos leitores certamente já notaram que ao comentar e usar o termo ‘montadora’ — automaticamente, por hábito com certeza —, eu e outros moderadores alteramos para fabricante, uma vez montadora é palavra banida do AE. É banida também no Best Cars desde os primórdios em 1997, e nas revistas Carro, onde sou editor técnico e colunista, TOP Carros (editor técnico), Engenharia Automotiva e Aeroespacial, da SAE Brasil (consultor editorial), e Fusca & Cia e Opala & Cia. (editor técnico).

Mais estranho ainda é no âmbito da Anfavea usar-se habitualmente essa palavra imprópria, se Anfavea é acrônimo de Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. Até funcionários de alto escalão nas fabricantes de automóveis falam em ‘montadora’, inacreditavelmente.

fiat torino

Sem esquecer da Fabbrica Italiana di Automobili Torino — Fiat. Ou a Bayerische Motoren Werke: BMW (Werk é fábrica em alemão). Ou a Volkswagenwerk.

Estranho também é ‘montadora’ dizer respeito exclusivamente a fábricas de automóveis, pois qualquer empresa que se dedique a atividade manufatureira é chamada de fábrica — de aviões a panelas. Nunca se viu ‘montadora de motocicletas’.

Nos feirões de fim de semana portões das fábricas são abertos; quando uma fábrica participa oficialmente de uma competição há a equipe de fábrica; quando se fala em garantia ela sempre é de fábrica, jamais ‘garantia de montadora‘. Preço  de montadora? Jamais, sempre preço de fábrica.

 

Mudanças de hábito

Noto certas mudanças no escrever injustificáveis. Por exemplo, pra, prum, proutro são comuns nos comentários e invariavelmente corrigidos para para, para um, para outro. Muitas vezes pode ser causado pelo corretor ortográfico dos smartphones, muito usados hoje para texto. Quem nunca escreveu uma coisa e saiu outra?

O AE parte do princípio que todos têm o direito de ler o português bem escrito e isso inclui os comentários. Sempre cuidamos de corrigir a ortografia e a gramática, no que seria um trabalho de revisão em qualquer editora.

Ponto em vez de vírgula

Generaliza-se no Brasil a passos de gigante o uso do ponto para separar parte inteira da fracionária, quando em português é à vírgula que cabe esse papel. No AE nunca se escreve, por exemplo, motor 1.0, mas 1,0. Na linguagem falada até se entende, é mais fácil falar ‘ponto’, um dissílabo, do que o trissílabo ‘vírgula’. Mas, ao escrever, a vírgula e o ponto são vizinhos nos teclados, não custa escrever certo.

Ao que parece, essa mania começou com o Corcel II em 1977.

emblema

O começo do ponto em vez de vírgula para separar parte inteira e fracionária

 

Bloco

Uma das maiores aberrações que tenho visto ultimamente é o uso da palavra ‘bloco’ como sinônimo de motor, tipo ‘um bloco de quatro cilindros.’ É incrível, mas existe, até no recente texto de informações à imprensa do Fiesta 1,0 EcoBoost: “O 1.0 EcoBoost oferece a potência de um motor 1.6 com a economia de um bloco 1.0 de três cilindros.”

O pior é que já vi citação semelhante num site automobilístico francês, “un bloc de quatre cylindres.

Pergunto-me o que se passa na cabeça de alguém para escrever tamanha asneira.

 

Cilindrada como unidade de volume

Essa é manjada, um substantivo ser usado como unidade de volume. Mas felizmente está caindo em desuso. A unidade de volume no sistema internacional é o litro (l, L) ou então o centímetro cúbico (cm³, o cc não deve ser usado mais). Que tal alguém escrever que de São Paulo ao Rio de Janeiro são 405 distâncias? Não dá, certo?

 

Automotivo (a)

O dicionários aceitam, mas automotivo (a) é falso cognato de automotive. A tradução correta seria automotriz, da mesma forma que electromotive force é força eletromotriz. No AE optamos por ‘automobilístico (a)’, mais adequado. Por exemplo, Geia é sigla de Grupo Executivo da Indústria Automobilística.

Ironicamente, trabalho para a revista Engenharia Automotiva e Aeroespacial, como vimos acima, mas a palavra se restringe ao nome da publicação; nos textos ela inexiste.

 

Gênero de automóvel

O AE faz questão de tratar o substantivo masculino automóvel da maneira correta, que é pelo masculino. Comentários também são corrigidos nesse aspecto, obviamente.

Já li em revistas frase absurdas como “O Porsche e a Ferrari são carros esporte magníficos.” Seria  o mesmo que dizer “O Mário e a João.” Ferrari no feminino, só a fábrica.

Até no caso de carretera, sedã utilizado em provas de estrada (carretera é estrada em espanhol) com regulamento específico, termo surgido na Argentina como turismo carretera.  No AE escrevemos um carretera.

 

Siglas

Desde sua criação há oito anos, o AE adota como padrão de redação o Manual de Redação e Estilo do jornal O Estado de S. Paulo. Pelas regras de Português, iniciam-se com maiúsculas Rua, Avenida, Praça, Rodovia. Pelo manual, rua, avenida, praça, rodovia.

Quanto às siglas e acrônimos (palavras formadas por sílabas ou parte das iniciais do nome de um órgão ou entidade, por exemplo, Embraer) as regras são:

– até três letras, tudo maiúsculo, como CBA, CMN, CRA, MEC, ANP, SAE. Exceções, poucas, como CNEN, EMFA.
– mais que três letras e ser for pronunciável, somente inicial maiúscula: Contran, Detran, Bradesco, Unesco, Crea, Prodesp, Fenit, Condephaat.- mais que três letras e se não for pronunciável, tudo maiúsculo: DNIT (locutores erram costumeiramente ao pronunciarem De’nit, há que se pronunciar as letras uma a uma, D-N-I-T), BNDES, INSS, CNBB.
– Para siglas estrangeiras, usar a nossa regra: Nasa e não NASA, Nascar e não NASCAR, Foca e não FOCA, Nyse e não NYSE.

E é só por hoje.

BS



  • anonymous

    Sou um dos que gosta de ler textos bem escritos, escorreitos, que respeitem as normas. Devo dizer, inclusive, que abandonei em definitivo o site “noticiasautomotivas” pois era terrivelmente mal escrito. Certa vez, sugeri que contratassem alguém para corrigir os textos. A resposta? “Fodace” (sic)
    Aí decidi não mais acessar tal site. Não sei se a qualidade melhorou, nem sei se ainda existe (isto já faz anos), tampouco importa-me. Montadora irrita, bem como “cilindradas”, “perca total”, ou dizer “esse carro tem um belo designer”… (gostou do desenhista, foi?).

    Discordo fortemente da política de censura do AE, que não aceita opiniões ou fatos divergentes em certos temas (normalmente de natureza ‘petralha’ ou coisa que o valha — aliás, também acho que política nem deveria ser discutida aqui, é melhor focar no tema principal, mas se escrevem textos acerca disso que aceitem respostas opostas também), e isso irrita bastante, mas não tanto quanto ler textos ruins. Também não gosto do Bob defendendo o cigarro como algo saudável, ou opinando contra sacos de ar (airbags) e freios ABS (não sei se mudou de opinião, mas lembro-me de ler isso há alguns anos), mas são as opiniões dele e não censuraria jamais.

    Eu não tenho livre-expressão plena aqui, mas ao menos a leitura é sempre agradável (e o conteúdo normalmente é muito bom), por isto volto. Afinal, é um site de conteúdo, e não um fórum de discussão.

    AE, quando trata de automóveis, é sempre magistral, inclusive no uso da língua, e é o que importa, em última instância. É como um restaurante cujo dono é palmeirense fanático e o freguês é corinthiano, quando a comida é mesmo boa este volta, apesar do ambiente ser um pouco estranho às vezes.

    • Anonymous, o foco do AE não é política, mas lembre-se que somos brasileiros e queremos o bem do nosso país. Quem não quiser ler o que de vez em quando escrevemos nesse tema, que pule a página, ninguém é obrigado a ler nada, não acha? Quando censura, temos mesmo e ela ocorre em determinados casos, como opinião política contrária à nossa e ofensa a marcas e fabricantes. Essas não passam mesmo. Hoje mesmo houve caso disso. Cigarro, defendo por duas razões: não é proibido e faz bem para muita gente, por isso vou brigar sempre contra esse patrulhamento nojento. Airbag, continuo contra, dão muitos problemas, inclusive as “granadas” dos infladores da Takata, que já mataram dezenas de pessoas. Sou, sim, pela retenção ao banco pelo cinto de segurança. O ABS, desde que surgiu a nona geração, que não é “enganada” por asfalto ondulado e para o carro mesmo nessa condição, aceito plenamente. Já falei isso aqui.

  • Daniel S. de Araujo

    Bob, um texto para ser pregado na capa do Ae como permanente!

    Considero-me uma pessoa boa nas regras Português (apesar de comer acentos, vez ou outra e não ser fã do trema) mas mesmo assim a gente sempre aprende uma (como a do Crea, que eu sempre tratei por CREA)!
    Agora a questão das “cilindradas” está se tornando uma mania nacional. Dê uma olhada nesse texto. Chega a ser constrangedor!

    http://brasilescola.uol.com.br/matematica/cilindradas-um-motor-combustao.htm

    • Daniel, texto de Brasil Escola! Estamos mesmo mal.

    • Francisco Greche Junior

      Sofrível demais, estava lendo o link e olhe esta parte: “Uma cilindrada corresponde a 1000 cm³, que equivalem a 1 litro. ”
      Ai no começo citam isso: “Existem motos de 150, 250, 400, 500, 600, 750, 1000 cilindradas entre outras. Já os carros apresentam em seus modelos siglas, veja alguns exemplos: 1.0 (1000 cc), 1.4 (1.400 cc), 1.6 (1.600 cc), 2.0 (2.000 cc), 3.0 (3.000), 4.1 (4.100 cc).”

      Logo, de acordo com eles o motor de de “1000 cc” tem 1000 litros de volume!

  • Diogo, automóvel em italiano e francês é feminino.

  • Obrigado, Mauro.

  • guest, força da tradição apenas.

  • Francisco Greche Junior

    Esta postagem vale a pena manter nos favoritos para ler de tempos em tempos.
    Confesso que às vezes falando com as pessoas “normais” me parece estranho dizer motor um-litro, motor dois-litros. Complica mais ainda dizer motor de um litro e seiscentos, pior ainda dizer motor mil e seiscentos, mil e seiscentos o que? Cilindradas? Não está errado, mil e seiscentos centímetros cúbicos?
    Se for ver fica até difícil transmitir a informação e a ideia à pessoa com que se fala.
    Talvez por isso acabem mantendo essa coisa de dizer motor “1.6” , “2.0” e não 1,6 ou 2,0 litros.

    Agora, quanto a chamar motor de bloco, aí não tem justificativa mesmo, muito menos fábrica de montadora.

    • Francisco, mil e seiscentos centímetros cúbicos é o certo. Há várias maneiras de dizer expressar cilindrada: um-litro, um-vírgula-seis litro, um-vírgula-seis, 1000, 1600. O que não dá é um-ponto-seis.

      • Francisco Greche Junior

        Sim Bob, fico muito feliz em ler estas publicações para esclarecer, de verdade. Muitas vezes pra não complicar a conversa com as pessoas eu acabo dizendo um litro e quatrocentos, um litro e seiscentos, dois litros. Dizer dois mil centímetros cúbicos até assusta algumas pessoas.

      • Lucas dos Santos

        Já vi em alguns documentos a cilindrada do motor sendo expressa em decímetros cúbicos. Isto é, ao invés de 4,8 L era dito 4,8 dm³!

        Sinceramente? Achei bem mais coerente dessa maneira! Por que utilizamos cm³ quando a cilindrada é menor que 1.000 e litros quando esta é igual ou maior que 1.000? Ou utiliza-se litros e mililitros ou utiliza-se cm³ e dm³! Sempre achei estranho “misturar” as duas formas.

        • Lucas dos Santos, nunca vi emprego de dm³. Usa-se também fração do litro, é questão de estilo do redator. Repare que em vários textos escrevo ‘motor de 1.332 cm³’ em vez de 1,3 litro.

  • ochateador

    Português falado e escrito corretamente. Algo que deve vir do berço, mas muitos pais estão deixando isso para as escolas que ensinam o português bem mal, dá aflição de ver as crianças aprendendo algo tão importante de uma maneira tão desleixada.

    Parece estúpido, mas não é. Quando nos esforçamos para falar e escrever corretamente, acabamos aprendendo mais (como eu reparei a vários anos quando comecei a escrever e falar corretamente ignorando gírias) e nos torna mais inteligente em vários assuntos.

    Para quem quiser um desafio, tentem esse.
    Reparem na forma que as pessoas falam/escrevem. Quanto mais correto a pessoa falar/escrever mais conhecimento ela tem no assunto (e menos asneiras ela fala).

    • Diogo

      Quanto mais (e melhor) uma pessoa lê, melhor ela escreve. Como a geração atual (eu incluído, com 28 anos) não lê, ou lê só besteira na internet, escreve no mesmo nível: mal.

    • Lucas dos Santos

      Passei por isso na prática, lá pelos idos de 2005 (portanto, quando eu tinha apenas 18 anos de idade), quando eu participava de um fórum de informática.

      Notei que os participantes com maior reconhecimento e credibilidade eram justamente os que utilizavam a linguagem mais culta possível. Como eu tinha interesse em chegar ao mesmo nível de reconhecimento, passei a fazer o possível para melhorar a minha escrita.

      Interessante que, na busca de uma escrita melhor, acabei melhorando a minha leitura também. Não que antes eu não soubesse ler e interpretar um texto corretamente, mas, antigamente, eu me limitava a apenas absorver o conteúdo que o texto tinha a passar. Ao tentar melhorar a minha escrita, criei o hábito de não somente ler o texto como observar a maneira como ele foi construído, quais termos foram utilizados e por quê, bem como ficou muito mais fácil de identificar ironias e mensagens nas entrelinhas que, antes, passavam despercebidas.

      Atualmente venho trabalhando para melhorar a minha fala. Até então eu não me preocupava em falar corretamente – talvez com receio de soar “pedante” – e isso era natural para mim. Até que um dia eu gravei a minha fala e a ouvi, e cheguei à conclusão que eu preciso melhorá-la com urgência! Já fiz bons progressos, mas ainda há muito o que melhorar.

      Uma pena que hoje em dia as pessoas não se preocupem mais em falar e escrever corretamente. Atualmente segue-se a linha de que “o mais importante é se fazer ser entendido, independentemente da maneira como se fala” e que julgar a pessoa pela maneira que ela fala/escreve é “preconceito linguístico”. Vejo muita gente que não sabe escrever/falar corretamente e ainda se orgulha disso! E o mais irônico de tudo é que quem acaba sofrendo o tal “preconceito linguístico” no fim das contas é justamente aquele que se esforça para escrever/falar corretamente.

      • Lucas dos Santos, dessa sua mensagem, pois pontos relevantes: a sua visão de foco preciso e a qualidade da sua escrita. Parabéns!!!

      • Acyr Junior

        Parabéns, nota-se que você não aprendeu pela cartilha do ” nós pega o peixe” …
        Viver é isso: ficar se equilibrando o tempo todo entre as escolhas e as consequências (J. P. Sartre).

  • Mr. Car

    Me irritam os erros grosseiros de ortografia, concordância, e também quando o sujeito não é capaz de desenvolver uma idéia, colocar no “papel” de forma compreensível aquilo que está pensando. Muitas vezes nem leio e/ou nem respondo, quando o texto em questão foi escrito diretamente para mim. Uma coisa que abomino é o tal do “internetês”, he, he! Sei que hoje também sou considerado errado, mas como forma de protesto continuo usando grafias de antes da reforma ortográfica, como acento no pára em uma frase como “Zé, pára um pouco para tomar um café”, por exemplo. De resto, também sou contra patrulhas (proibição de propaganda de cigarro, por exemplo), e adoro quando o AE dá seus pitacos em política, ainda mais por serem pitacos que estão em total consonância com minhas próprias convicções sobre o assunto, he, he!

    • Elizandro Rarvor

      Só discordo da sua ideia de propaganda de cigarro, sou contra e sou contra propaganda de bebidas alcoólicas também.

      Você pode ser uma pessoa bem instruída, convicta de suas preferências, que não será manipulada, mas nos dias de hoje se a propaganda de cigarro fosse liberada, estas empresas sufocariam as mídias com suas marcas e vai por mim, teríamos, segundo pesquisas 65% a mais de fumantes em menos de 5 anos.

      Nossas crianças e adolescentes são muito suscetíveis a propaganda e estes seriam os alvos prediletos.

      • Elizandro, comecei a fumar com 15 anos e estou muito bem com quase 74. E agora? Cigarro faz mal à saúde? Claro que não. Se fizesse médico não fumaria. De mais a mais, fabricação e comercialização de cigarros é lícita, gera imposto federal importante (mais de 7 B de reais por ano) e, portanto, o fabricante tem todo o direito de anunciar.

      • Mr. Car

        Ainda assim sou contra. O produto (cigarro) é fabricado e comercializado legalmente, não há que se tolher a publicidade, ainda mais que já existem os alertas nos próprios maços. Hipocrisia pura não poder anunciar. Então, que os governos fossem “machos” de proibirem sua fabricação, e arcar com todo o desemprego que isto causaria desde a plantação do tabaco até a distribuição e comercialização, fora abrir mão de toda a imensa fortuna que arrecadam em impostos. Além do mais, propaganda de cigarro nunca foi dirigida para crianças, e os adolescentes não começam a fumar necessariamente por influência da publicidade, mas em grande parte por exemplos de seu círculo de convivência, como familiares e amigos, pessoas que eventualmente admirem e queiram imitar.

  • Ilbirs

    Uma hipótese para o uso de “bloco” como sinônimo de um motor completo pode ser uma persistência de alguma referência dos tempos em que os motores tinham válvulas no bloco e os cabeçotes eram praticamente tampas daquele bloco que levavam as velas e nada tinham além disso e dos parafusos. Some-se aí com a imensa popularidade que teve o motor Ford V8 Flathead ao redor do planeta e pode estar aí o enraizamento do hábito de se usar a parte para definir o todo, mesmo com os cabeçotes mais “povoados” dos dias atuais.

    • Fernando

      Pensei no mesmo caso, e nas abreviações que se usa em inglês para o termo “cylinder block”, e derivados como nos Ford V-8 mesmo a denominação Y-block.

      Mesmo consultando catálogos em inglês vejo que realmente usam o termo “engine block” porém creio que a atenção que o Bob dê seja de que isso se refira somente à peça bruta inicial, sendo que um motor montado cheio de outros componentes, não é mais somente aquela peça inicial.

      • Fernando, nos exemplos que você deu é informação do tipo de arquitetura de motor, segundo o tipo de bloco usado. Há motores GM big block e small block. Na frase transcrita do texto de imprensa da Ford, bloco é usado como sinônimo de motor. / Quanto ao que você lê em catálogos em inglês, o “engine block”não é o motor, mas o bloco do motor.

  • Roberto Neves

    Muito bom, Bob! Rigor na escrita é algo imprescindível, que infelizmente caiu em desuso na imprensa como um todo. Seus textos são um oásis. Quanto ao uso do ponto em lugar da vírgula, não será reprodução da língua inglesa?

  • Welyton F. Cividini

    Muito esclarecedor o texto, Bob, é bom para nos policiarmos para o correto uso do português.

  • Rafael Sumiya Tavares

    Bob, em março recebi um convite para visitar a fábrica da Nissan em Resende, chegando lá eu fiquei muito feliz em ouvir a seguinte frase: “Aqui não é uma montadora, e sim uma fábrica pois de um lado entra chapa de aço do outro saem carros”. Na hora lembrei do AE!

  • Lucas dos Santos, vou ver isso.

  • Lucas dos Santos, acho que o cc é bem conhecido devido à seringas hipodérmicas./ Temos que separar inglês do português: cubic inches e cubic centimeters, polegadas cúbicas e centímetros cúbicos. Nos EUA é comum se ler 250 cid, onde ‘d’ é displacement, deslocamento ou, de preferência, cilindrada. / O cc em 4-cc, por exemplo, vem do hábito de dobrar a letra para significar plural. Em português usava-se EEUU, Estados Unidos, até hoje em uso em espanhol. Analogamente, 4-cc, 4 cilindros. / Sim, medida de capacidade, o cilindro do motor tem uma capacidade determinada pelo diâmetro do cilindro (área) e curso do pistão (altura). Tanto faz se copo ou cilindro do motor. / O “carro 1.0” se refere ao motor daquele carro e pode ser escrito “carro 1,0”, por que não? E pode-se escrever “um motor-1,0”,nessa caso expressão adjetivada que significa “motor de 1 litro” mesmo que a unidade esteja eclipsada. Mesmo caso de motor de 3 litros ou motor 3-litros. Aparece muito esse formato no AE. / Station wagon/camioneta de uso misto é feminino, então “a Parati”. Errado é dizer “a Brasília”, pois trata-se de um hatchback, não de uma camioneta de uso misto.

  • Rodrigo, folgo em sabe que lhe foi útil.

    • Ricardo kobus

      Bob,
      Ótima matéria!
      Coisa a qual não me acostumo é a palavra etanol, ao meu ver é álcool e pronto!

      • Renato

        Na realidade, álcool é um grupo químico que possui uma estrutura específica. São vários; amílico, propílico, metílico, butílico, etc., no caso do álcool utilizado no Brasil como combustível, trata-se do etílico ou etanol.

  • Lucas dos Santos, é perfeitamente lícito, mas eu nunca havia visto. Como volume de porta-malas, usa-se o dm³ também.

  • Luciano Ferreira Lima

    Luiz AG, grato pela dica.

  • Victor H, sem dúvida que o termo montadora veio principalmente da imprensa ignara. Há alguns anos eu estava no estúdio da TV Record e vi num monitor uma apresentadora falar em “500 cilindradas”, era uma corrida de motocicleta. Coincidiu de eu encontrá-la nos corredores e aproveitei para explicar que não era assim, o certo era centímetros cúbicos. “Ah”, disse ela, “é por isso que nas fitas que chegam da Espanha eles falam centímetros cúbicos”. / Quanto ao emblema na tampa do Gol, está errado, ignorância pura do marketing, só isso. Não existe ponto na separação inteiro-fração decimal.

  • VeeDub, se você ainda acha que fabricar um carro é o mesmo que montar um, recomendo ler a matéria de novo. Eles lá (nos EUA) chamam de ‘assembly’ a fábrica, mas eles são, como descrição, automakers, fabricantes de automóveis. Jamais você lerá “auto assemblers”.

    • anonymous

      “Assembly” refere-se à linha de montagem, não à “Factory”. Evidente que dentro de uma fábrica há muitas coisas que são apenas montadas, não fabricadas ali, mas o automóvel como um todo é, no senso aqui discutido, fabricado.

  • Victor H, obrigado por agradecer, mas saiba que faço isso (não só com você) com o maior prazer.

  • o chateador, em cima!

  • Fat Jack, outra coisa é a unidade colada ao número, tem de haver espaço, sempre. 1,6 l e não 1,6l, 5.000 km e não 5.000km. Até em graus Celsius deve haver espaço, como em 25 ºC, nunca 25º C. Só não entendi o por quê da sua pergunta sobre dever-se evitar o uso de centímetros cúbicos. Pode ser usado, é correto.

  • Brenno, a Parati é perua, camioneta de uso misto, portanto feminino. Saveiro é picape, caminhonete, feminino também. Assim, uma Parati, uma Saveiro.

  • Vinicius, o Arnaldo parou com o ‘pra’ por iniciativa própria. Você está certo com o não usar vírgula quando não há fração.

  • Eduardo Edu, sem a menor dúvida que o um-ponto-alguma coisa tenha sido “importado”.

  • Elizandro Rarvor

    Triste realidade brasileira.

  • FOC

    Se me permitem a sugestão, altere o título da matéria para algo como: regras para comentários.
    Coloque um “link” aqui no início e pronto.

    • FOC, já pensamos em publicar uma regra para comentários, mas achamos que ficaria burocrático, patrulhado demais.

      • Diogo

        E se trocar o nome “Regras” para “Manual”? Tem aqueles que nem leem o manual e os que seguem à risca, tal qual donos de automóveis…

      • João Guilherme Tuhu

        Ou ‘Manual de Redação do AE’…

  • Elizandro Rarvor

    Duro é quando você lê 2.0 cc

    Aliás, sobre o ponto, eu sempre usei 2.0 mesmo, vou parar, não havia reparado neste erro, tentarei corrigir.

    • Elizandro, é só questão de hábito. Eu não consigo escrever um-ponto-alguma coisa faz tempo.

    • Lucas dos Santos

      Pior é quando alguém fala/escreve “2.000 cilindradas de potência”!

      Nesse momento, tem-se a certeza de que a pessoa não faz a menor ideia do que está dizendo!

  • Elizandro Rarvor

    Também foi bem útil para mim. Eu sempre usei 1.0 2.0, agora vamos lá, 1,0 L, 2,0 L vou usar L maiúsculo mesmo, l é só um traço e alguém pode não entender o que significa esta barrinha.

    • Elizandro, o L maiúsculo é oficial justamente devido às máquinas de escrever e editores de texto dos computadores, pois confunde-se com o número 1. É indiferente do ponto de vista técnico “l” ou “L”.

  • C. A. Oliveira

    Interessante a parte sobre as siglas, Bob. Na minha carteira do Crea está escrito dessa forma. Mas em todos os letreiros e materiais de divulgação, figura como CREA. E eu tinha o hábito de escrever FIAT por ser uma sigla…

    • C.A. Oliveira, lembre-se, sigla com mais de três letras, e pronunciável, inicial maiúscula e resto minúsculas, Fiat.

  • Elizandro Rarvor

    Acabo de ler em um site uma expressão que já está ficando corriqueira. “O painel também terá plástico sensível ao toque…” em referência ao acabamento do painel do veículo, santo Ferdinand e Enzo, onde vamos parar, apalpadores de painel agora.

    • Elizandro, essa é inacreditável!

    • m.n.a.

      Painéis “sensíveis ao toque” são aqueles que, de tão fajutos, dessa forma já são riscados !

      (ou pelo menos uma unhada….)

    • João Guilherme Tuhu

      Aqui na minha garagem tem um cara desses. Fica apalpando o carro todo, e passa horas se masturbando com o carro parado, olhando as rebarbas…

  • Fat Jack, o símbolo do centímetro cúbico é cm³. Não se deve usar cc.

  • JT

    O termo “montadora” tem origem, no Brasil, em função da importação de veículos antes da década de 1950, que vinham para cá parcialmente desmontados.
    Empresas brasileiras, e mesmo algumas multinacionais, faziam a montagem final no solo brasileiro e as leis governamentais foram aumentando o percentual de peças que tinham que ser produzidas por aqui, até que o presidente JK institui o plano para instalação das primeiras fabricantes propriamente ditas de automóveis no Brasil, que desde então herdaram o termo que o AE tanto recusa, com razão.

    • JT, na realidade começou bem antes, com a vinda da Ford (1919) e General Motors (1925) para o Brasil. Aproveito para contar uma ótima. Quanto a Anfavea completou 50 anos, em 2006, editou uma revista especial alusiva ao 50º aniversário bilíngue português-inglês. Claro, o tema ‘montadora’ foi dominante e, adivinhe? Foi um tal de ‘assembler” para cá, “assembler” para lá… Um vexame!

      • Mr MR8

        Mestre Bob, há quem atribua ao Engenheiro Gurgel a segunte frase: “automóvel não se fabrica, mas se monta”. Isso procede?

  • Wilson, essa de 1/1 é de doer mesmo. “Planta” como fábrica é palavra banida aqui no nosso AE.

  • Mibson Fuly

    Caro Bob, obrigado pelas dicas.

  • Celso De Marchi

    Bob o termo “1.6” não vem de “1.600 cm³” ?

    • Celso, só pode ter vindo do exprimir a cilindrada em litros, em que 1.600 cm³ é o mesmo que 1,6 litro. Daí para trocarem a vírgula por ponto foi um pulo, possivelmente repetindo o ponto de 1.600.

  • Pércio Guimarães Schneider

    Caro Bob, tenho por vício, adquirido em anos trabalhados em fábricas de autopeças, de respeitar as normas e nisso incluída a grafia correta. Já troquei mensagens com uma revista que insiste em escrever mkgf quando descreve o torque, quando a grafia correta é kgfm. Responderam que “a ordem dos fatores não altera o produto”, o que é verdade. Só que o Brasil é signatário do Sistema Internacional de Unidades (SI) e o mesmo determina que a grafia é kgfm. Pela lógica da repórter que me respondeu, posso escrever velocidade instantânea como km.h(-¹). Correto matematicamente, mas estranho para ler e diferente do que determina o SI

    • Pércio, usamos o m·kgf no AE por ser convenção da indústria. Aprendi isso no primeira informação à imprensa que escrevi assim que entrei para a GM em maio de 1997, ao engenharia dar o ok, com a ressalva que devia ser m·kgf e não kgf·m como eu havia escrito. Achei estranho, mas disseram-me ser assim, mesmo contrariando a ordem no caso do newton·metro (N·m). O motivo foi para não confundir com outros torques, como o de aperto.

  • m.n.a.

    ops, atenção, a abreviação de “volt” é “V” maiúsculo e não minúsculo !

    se vamos ser radicais, devemos ser os primeiros a nos esmerar exemplarmente !

    😉

    obs: o que chega às rodas é o torque, e esse torque pelo tempo é que é a potência !

  • Celso, o LaFerrari, um LaFerrari. O mesmo que o LaSalle, um LaSalle (antiga marca da General Motors).

  • m.n.a.

    torque é energia mecânica, um conceito mais fundamental, a força na roda para empurrar (ou puxar) o veículo, num determinado instante, através de movimento de rotação…

    a potência é essa energia pelo tempo necessário, um conceito totalmente dinâmico quando avaliado em veículos, que depende de outros fatores como câmbio, massa do veículo, etc.

    dois motores de mesmo torque gastam energia, transferindo-a como energia cinética a um veículo cuja velocidade varia dos 40 para os 100 km/h, mas como isso acontece e o tempo que leva depende da potência de cada um, da carroceria do veículo, do câmbio…

    lâmpada é um conceito mais simples, mais potência, mais “luz”….mas já encontram-se aparelhos vendidos pelos seus lm (Lumens, de fluxo luminoso), um conceito mais fundamental que simplesmente a “potência” da lâmpada.

  • Curió

    Tenho um amigo de faculdade muito inteligente, e dia desses, enquanto conversávamos sobre a decadência da civilização, ele citou a questão da linguagem, de como, pelo processo de animalização que a humanidade vem vivendo, estamos cada vez mais utilizando os mesmos termos para fenômenos distintos, pela perda da sensibilidade e da capacidade de diferenciação, de separar o que é relevante do que não é relevante etc. O emoticon, por exemplo, é a redução da expressão da emoção. Daí que esta correção com que o AE trata a língua é um consolo entre os sites de notícias automobilísticas, que não escapam da mediocrização geral.

  • Lucas dos Santos

    Ótima analogia com a lâmpada, Daniel!

    Se bem que, ultimamente, eu não tenho mais me baseado pela potência da lâmpada, mas sim pelo fluxo luminoso, dado em lúmens. Ao comprar lâmpadas para a minha casa, escolho a que fornece determinada quantidade de lúmens. Com a variedade de fabricantes, tecnologias e temperaturas de cor, uma mesma potência consegue fornecer diferentes intensidades de luminosidade de acordo com a lâmpada. Dessa forma, a potência de uma lâmpada, já não me diz muita coisa.

    O bom é que alguns fabricantes já se deram conta disso e passaram a trazer o número de lúmens em destaque na embalagem:

    http://mlb-s2-p.mlstatic.com/lampada-em-led-tkl-900-9w-6500k-luz-fria-taschibra-892701-MLB20392710866_082015-F.jpg

    Já o número de Watts passou a ser utilizado apenas para indicar quanto de energia a lâmpada consome:

    http://mlb-d1-p.mlstatic.com/lampada-em-led-tkl-900-9w-6500k-luz-fria-taschibra-339701-MLB20396777126_082015-F.jpg

    Sinceramente, espero que mais fabricantes adotem essa prática, pois fica muito mais fácil comparar diferentes produtos.

  • Lucas dos Santos

    O efeito colateral disso é que parece que “montadora” acabou virando sinônimo de “fábrica/fabricante”. Hoje em dia se utiliza o termo montadora para muita coisa. É “montadora” de automóveis, de motos, de caminhões e de ônibus. Questão de tempo até chamarem os fabricantes de eletrônicos de “montadora” também! Até mesmo na TV já ouvi se referirem à Pirelli como “montadora”!

    Quanto ao espanto do pessoal ao ouvir você falar “miliseiscentos”, deve ser porque acham que essa nomenclatura seja exclusiva do Fusca e derivados (rsrs)!

  • Elizandro, que maravilha, sonho, se o consumo de cigarros aumentasse. Os jovens iriam menos para as drogas, o imposto do cigarro poderia ser reduzido ao mesmo tempo em que aumentaria a arrecadação de impostos (efeito da Curva de Laffer) e com mais pessoas fumando a restrição ao fumo em ambientes fechados seria diminuída. E como efeito colateral benéfico, menos pessoas resfriadas e gripadas (quem não gostaria seria a indústria farmacêutica).

  • Elizandro, você disse uma coisa certa, pessoas morrerem em decorrência de problemas relacionados ao tabagismo, é o que o que comunidade médico-científica afirma, mas esta não diz “pessoas morrerem por fumarem”. Por que será? Não acha esquisita essa saída pela tangência? Quanto ao que acontece quando sente o cheiro de cigarro, lhe digo: fricote puro. Isso só existe na sua imaginação.

  • Alexandre Garcia

    Bob,

    Montadoras, bom me parece bem fácil: quem monta só monta, algo inferior a quem fabrica, faz, cria, produz do nada. Como vivemos na ditadura do politicamente correto, automóveis são demônios a serem exorcizados a todo custo. Daí a ridicularizar, achincalhar mesmo que subliminarmente quem os fabrica, chamando fábricas de montadoras é só um pulo. Nunca conseguir ver nada que justificasse fora isso.
    Sobre blocos, uma coisa inerente a tradução e a outros tempos.
    Nos eua era muito comum a decadas atrás todos fabricante ter uma linha de motores V8 normais, menores e outra maior. Logico se um é pequeno, o outro é grande, small e big. E lá sempre foi comum a referencia ao motor bloco pequeno e ao motor bloco grande. Small e big block. Bloco como um adjetivo, a denotar tamanho, não uma referencia ao motor em si. Claro alguém leu, mau domina o vernaculo nacional, quanto mais o importado, daí o mau uso decorrente. Se tem na frança tambem, uso a analogia ao explicar.

    • Alexandre, está certo. É aquela coisa de ouvir o galo cantar mas não saber de onde.

  • Mr. Car, final dos tempos sem nenhuma dúvida!

  • C. A. Oliveira, apenas questão de regra para siglas. E a Fiat já deixou os pontos há muito tempo, décadas.

  • Rubem Luiz, o SI não regulamenta notação numérica. A separação de milhares é apenas para facilitar leitura. Se não fosse ela como leríamos 2 bilhões se não fosse a separação? Já imaginou 2000000000?

  • Lucas dos Santos

    Rubem Luiz,

    Se tem uma coisa que me tira do sério é o pessoal misturar kbps com kB/s. É difícil ler alguma discussão sobre velocidades de conexão, por exemplo e ter de decifrar de qual unidade as pessoas estão realmente falando.

    A propósito, há quem discorde do uso de “kbps”, afirmando que pode significar “quilobits picossegundo” e que, por isso, deveria ser grafado simplesmente “kb/s”! Não sei o que dizer…

    E por falar em “bits e bytes”, o que me diz disso? http://www.clubedohardware.com.br/blog/confuso-com-kb-x-kib-mb-x-mib-gb-x-gib-tb-x-tib/447

  • Vinicius

    Roberto, isso mesmo. Fui cefetiano de 92 a 97. Deveria ter saltado do barco mais cedo, quando fui reprovado no segundo ano. Insisti por culpa e medo de ter que onerar minha mãe, pagando uma escola particular. Seria mais rápido, teria ingressado no ensino superior em menos tempo. Não me arrependo, mas fica o aprendizado.

  • Lucas dos Santos, já vi “l “cursivo em embalagem de refrigerante, mas ultimamente é maiúsculo.

  • Paulo Roberto de Miguel

    Muita coisa vem do inglês, como nesse caso. “Plant” geralmente é traduzido por fábrica, mas o pessoal gosta de inovar…

  • Roberto Neves

    Nem perguntaram. Não tenho nada contra cursos rápidos. Eu mesmo já fiz um ótimo curso de algumas semanas com o professor Sérgio Nogueira, que muito me acrescentou, mas pretender aprender a escrever bem sem ler os “mestres” é impossível. Acrescento Eça de Queiroz e José Saramago, pelo sabor lusitano.

  • Júlio César, é apenas uma convenção, diferenciar torque de motor de torque de aperto. / Pode explicar melhor sua segunda ponderação?

  • Roberto Neves

    Chutando: Opalão?

  • Corsário, que pobreza!

  • Alexandre, a Variant usava 165-380.

    • AlexandreZamariolli

      É verdade, acabei de conferir na “Quatro Rodas” (julho/71, página 43).
      Curiosamente, a ficha técnica indica o uso do pneu métrico (165 x 380) numa roda em polegadas (4,5 J x 15).
      Quando fiz o cálculo para tirar a cisma, a ficha caiu: 15 pol = 381 mm.

  • m.n.a.

    “A potência é sempre constante.”

    eu nunca vi….segue no link a curva de potência de um famoso V6 da fórmula 1

    http://www.gurneyflap.com/hondav6turbo.html

  • Lucas dos Santos

    Pessoal entende que se o automóvel pertence a uma fabricante alemã, por exemplo, significa que ele é fabricado apenas na matriz alemã, sendo apenas “montado” nas filiais situadas nos demais países.

    Logo, jornalistas acreditam ser uma “inverdade” afirmar que há fabricantes de carro no Brasil. Talvez acreditem que a única fabricante brasileira tenha sido a Gurgel!

    Nos fim das contas, acabam confundindo “fabricação” com “projeto”. O carro pode até ser projetado em um determinado país, mas nada o impede de ser fabricado em outros países, seguindo o projeto original. Sendo que muitos fabricantes, inclusive, têm a liberdade de adaptar o projeto para a realidade e as necessidades de seu país, como foi o caso do VW up! — algo que creio que seria impossível caso fossem meras “montadoras”.

    Mas vai ser difícil convencer a imprensa “especializada” disso, principalmente quando vemos fabricantes nacionais como a Agrale e os diversos fabricantes de chassis de ônibus sendo chamados de “montadoras”! Se eles montam, então QUEM os fabrica?!

    Quanto ao “quatro-cem” – nunca tinha ouvido essa expressão antes – imagino que só possa ser uma referência ao Opala “quatro-ponto-um”!

    • Lucas dos Santos, o Opala já teve emblemas 2500, 3800 e 4100 nos para-lamas dianteiros.

    • marcio pessoa de faria neto

      Era muito comum nos anos 70,Fusca 1300, fuscão 1500,Fiat 147 1050, Caravan 4100,alfa 2300 etc.Bons tempos aqueles. Não havia congestionamentos como hoje, a turma ficava na rua jogando bola,toda hora passava uma moto com o piloto sem capacete.Não havia tanta violência como atualmente,e quem aprendeu a dirigir naquela época ou antes,aprendeu “de verdade”,nada de tecnologia e muito sobreterço !

  • Lorenzo Frigerio

    Com certeza, pelo custo no Brasil, uma lâmpada LED pede para ser furtada!

  • Tuhu, importação do “six pots” dos EUA.

  • Tuhu, isso mesmo, escrever é dar forma à matéria bruta. Perfeito!

  • Boa, Newton, exatamente isso!

  • Barroso

    Acho sim fundamental o uso do bom português mesmo nos comentários. Mas também acho que não precisa de extremismos. Por exemplo, a contração “pra” já é bastante utilizada e aceita em textos mais coloquiais. Há de se respeitar a maneira de cada um escrever, alguns são mais formais e rebuscados e outros mais simples e coloquiais.
    Outro coisa é o uso do ponto ao invés da vírgula no caso da motorização. Para mim é semelhante à posição da indústria japonesa, que sempre nomeia seus carros (logotipos) no alfabeto ocidental e não em seu próprio alfabeto, com fazem as marcas chinesas. Elas fazem isso pelo fato do carro ser uma invenção ocidental, assim eles acham que não seria correto utilizar seus símbolos. (li isso uns tempos atrás, não me lembro onde). Assim, como é o padrão internacional utilizar o ponto ao invés da vírgula, mesmo em desacordo com nossa língua, não vejo problemas em seu uso, vai de cada um, ou respeitando o padrão brasileiro ou o internacional.

    • Barroso, sinto desapontá-lo, mas ‘pra’ na linguagem escrita não tem nada a ver, é uma aberração. Não custa escrever ‘para’, não dá trabalho algum. Respeitar a maneira de escrever, sim, aceitar modismos, não. Quanto ao ponto ou a vírgula, aqui no AE usamos o correto no Sistema Internacional, a vírgula para separar parte inteira da fracionária. Você escreveria moeda com ponto, como R$ 300.00? Tenho certeza de que não.

  • Barroso, a preposição para e não pra. Pare de teimar.

  • Agradeço suas palavras, André.

  • Daniel S. de Araujo

    Exatamente, Newton. Mas como é o tema do post, falta as pessoas lerem e compreenderem.

  • Danilo Grespan

    Bob, em uma oportunidade notei que uma das palavras de um comentário meu havia sido alterada… estranhei na época, mas agora tenho certeza que realmente existe a intenção da correção/melhoria, o que é bom. Sobre o gênero, ainda estranharia muito dizer “Vou comprar um Kombi, um Brasília”… acho que o tipo “Perua” força a troca do gênero.

    • Danilo, quanto tempo! Gênero: Kombi é perua (feminino), Brasília é um hatchback (masculino). É só questão de hábito, acredite. Sim, a correção serve também para livrar leitores de embaraço por escrever uma palavra errada (quem escreve sempre erra, eu inclusive). Isso é muito comum nos comentários.

  • Obrigado, João Paulo.

  • Luciano, o fato é contestável, como não? Sobre engordar, minha sogra é obesa e sempre digo a ela para comer menos, que emagrece. Já disse a ela que vou mandar emoldurar um foto que mostra uma prisão num país europeu onde não se vê nenhum gordo, para ver se ela se inspira…

  • Oli, ótimo, mas, e se chegar ao fim de uma linha, como fazer? Por isso o ponto é melhor.

  • Ricardo

    E o que dizer da palavra TOP? Até veículos de comunicação estão usando em seus textos! Pelo amor de deus, nem nos países de língua inglesa tal vocábulo assume a conotação que aqui se emprega. Verdadeira aberração ao quadrado.